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Monday, February 11, 2013

Quero-te


Não te quero mais. A noite levou-te de mim e eu deixei. Ficou o espanto da tua partida. Não te quero mais. Vou esquecer o teu abraço e o teu cheiro. Que me percorre ainda o corpo. Não te quero mais. Porque o caminho que foi o nosso fugiu-me na escuridão da noite. E eu não o encontro por entre as lágrimas que me escorrem no corpo. Perdi-me de ti do teu abraço do teu cheiro. Perdi-me de nós.
Quero a tua boca só mais uma vez. Morder-me de ti. Passear os meus dedos pelo teu corpo ainda húmido. Quero-te, porque me corres nas veias. Porque és amor amigo amante menino assim distante. Quero-te na solidão da noite. No areal da praia na espuma da onda. Quero-te dentro de mim, como só tu sabes. O sangue a arder. No tempo parado na loucura de nós. Quero-te tanto, quero-te sempre.

Monday, January 14, 2013

A minha pele


A minha pele sou eu.
Quase sempre.
Às vezes despe-me e passeia-se por aí.
A minha pela cheira a maresia. Sempre.
Porque o mar é meu leito meu amor.
E a espuma das ondas lençol que nos cobre.
A minha pele é campo de trigo e papoilas.
Terra semeada fecundada que germinará.
De onde nascerá a flor. E o fruto.
Da vertigem. Da fome. Do amor. Da minha pele.

Monday, January 07, 2013

Eu amo-te tanto...



Eu amo-te tanto
que nem sei se é
racional ou possível
amar assim
quase perdidamente
quase a dar a vida
quase a extinguir-me
se for preciso
Eu amo-te tanto
que o medo de te
perder me assalta
dia e noite em
sonhos que não quero
que não percebo
e que são quase reais
às vezes
Eu amo-te tanto
que acordo quando me
chamas e dizes
não teve importância
O que importa é este
amor que nos agarra
e aperta e machuca
e que não vai acabar nunca.

Monday, November 26, 2012

Deixa

 

Deixa que a saudade se faça rio
Uma canção de amor ou de embalar
Um colo de ternura e de ninar
Como se fosse um eterno desafio
Porque de amor também se chora!

Deixa que o meu ventre se faça rio
Um punho erguido em luta pelas ruas
Um arado uma foice ou mesmo charruas
Como se fosse um eterno desafio
Porque de amor também se chora!

Deixa que o meu colo se faça rio
Um corpo ardente que mergulha no mar
Um carinho terno de mão a afagar
Como se fosse um eterno desafio
Porque de amor também se chora!


Monday, November 19, 2012

É assim


Como posso resistir-te, se as minhas lágrimas
se confundem com a tua alegria e me atiras beijos molhados
Como posso ignorar-te, se quando me adentro
em ti me abraças e me levas numa dança de volúpia sem fim
Como posso esquecer-te, se em cada onda de vir
vejo o teu rosto de menino maroto, sem pressa e a sorrir
É assim que me entras, e ficas, o tempo que queres
e eu deixo, para guardar o teu cheiro debaixo da minha pele.

Monday, October 29, 2012

A casa



Deixaste-me num dia de outono quase inverno. Sem avisares e sem que pudesse prever. A casa fortaleza ficou igual um tempo. Igual por fora e gelada por dentro.

Os dias passaram e tudo mudou. Da casa restam as paredes, ainda altivas, mas no chão só existem pedras. Entre as pedras o teu coração.

Mais tarde percebi que a casa eras tu. E apressei-me a ir buscar, entre as pedras, o teu coração, que voltei a colocar no meu peito. Para te aquecer.

Foi então que saíste de mim e voaste...

Tuesday, October 23, 2012

... e não consigo...



Entraste devagarinho dentro de mim. E eu deixei.
Inundaste-me com a alegria de um menino. E eu sorri.
Dançámos todas as danças que havia para inventar. Estremeci
e o teu coração bateu forte, apressado.

No vai e vem das marés andámos por caminhos proibidos. E tu sabias.
Demos as mãos com a ternura do amor primeiro. O nosso.
Pintámos esse amor com o vermelho da paixão. Vivido.
Das palavras que nos dissemos só uma ficou acordada. Falo da saudade.
Todas as outras adormeceram no tempo no dia na hora que não escolhemos.
Vejo os teus olhos que me sorriem e tu não me vês.
Dou-te um abraço apertado que tu não sentes.
Beijo-te o corpo sem te tocar e amo-te!
Mantenho o teu cheiro, que guardo com todos os sentidos.
Vives rente ao meu coração que ainda bate descompassado, por ti.
Agora sou eu que quero sair de dentro de mim.
Estilhaçar-me em mil pedaços.
… e não consigo…

Monday, May 07, 2012

Nunca seremos demais!


Quantos fomos, quantos somos
importa que a cada instante
todos juntos lado a lado
tenhamos a força bastante

Quantos desceram a avenida
mais uma vez no novo dia
importa a certeza do grito
e o punho erguido com alegria

Temos ainda o sangue a ferver
e recomeçaremos o tudo e o mais
ainda que sejamos bastantes
nunca seremos demais!

Thursday, May 03, 2012

Noite


É de noite que renasço cada dia. É de noite que as palavras me escorrem pelos dedos como se fossem água de um rio caudaloso que corre desenfreado até à foz. Das palavras.
É de noite que me refaço ao pôr da lua. E é de noite que a poesia se solta do meu peito como se fosse um grito que ninguém ouve porque se juntou ao rio e já desaguou no mar.
É de noite que os amores secretos se encontram. Ainda que distantes. Ainda que apenas em pensamento. É de noite que escrevo porque as palavras me regressam em cada maré. E porque gosto deste silêncio...

Monday, April 09, 2012

Fala-me do vento

Fala-me do vento. Do que me inunda os sonhos do dia e me inquieta na noite. Do que sopra em todas as direcções menos na minha. Do que te envolve e assobia quando as tempestades te assolam.
Fala-me do vento. Do que respiro para ter a sensação de que te engulo. Do que me bate forte na cara logo de manhã para acordar. Do que te entra no olhar e te faz sorrir assim.
Fala-me do vento. Do que abraço todas as noites quando me deito. Do que na tua ausência dorme sempre comigo neste leito.
Fala-me do vento. Desse que, devagarinho, te faz entrar em mim.

Monday, April 02, 2012

Nós


Guardo estes nós dentro do peito. Nós que foram laços, mas que fui atando cada vez mais. Para que nunca saissem de mim. Para que ficassem para sempre.

Guardo estes nós dentro do peito. São nós que não desfaço, porque são o meu conforto em horas outras. Quando me perco nas noites. Quando me falta o nosso abraço. 

Guardo estes nós dentro do peito. Nós dos amores da saudade da luta da memória dos segredos. Porque são a minha vida. E por isso são cheios de tanto...



Monday, March 12, 2012

Faltam-me as palavras


Faltam-me as palavras para te dizer o que sinto. Mas basta que me olhes e podes ler-me por dentro. Falta-me o teu corpo para que as minhas mãos te atravessem. Mas faço-me ponte e estarei em breve a teu lado. Falta-me a tua voz para me acordar cedinho ou para o beijo de boa noite. Mas invento-me a cada instante e estás sempre dentro de mim.
Dos rios que navegámos faço margens cheias de árvores e flores e montes cheios de pedras e urze. E desenho-te. Das estradas que percorremos fiz um caminho único, onde passo a passo chegarei ao fim. E sorris-me. Dos mares em que mergulhámos deixo que a natureza os transforme em mantos de mansidão ou de revolta. E amo-te.
Faltam-me as palavras. Faltam-me as mãos. Faltas-me tu. Falta-me tanto...

Monday, March 05, 2012

Há dias assim...



Não gosto dos dias assim. Húmidos e ácidos. Recolho-me em concha e espero que venhas. Sem pressas, já que o tempo é tanto.
Acendo a lareira e abro um vinho antigo. Como o amor que nos damos. Deixo-o respirar e sirvo-o em duas túlipas. Ao longe o mar.
Retomo a leitura do livro na página em que falas da vida. Talvez eu deva falar da morte. Da que sinto nos rostos de quem dorme na rua.
Não sei quanto tempo já passou desde que te espero. O vinho nos copos, a lareira crepita. Ao longe o mar, que me chama.
Sabes que não gosto dos dias assim. Ácidos e húmidos. Dispo-me de mim porque tu não vens. Abro a porta e saio. Vagueio sem tempo e sem norte. O mar chama-me e eu mergulho. E fico, no abraço imenso que me deste. Porque hoje, meu amor, o mar és tu...

Monday, February 27, 2012

Escreve-me um poema



Escreve-me um poema. Um poema que fale de flores e de mar, de crianças e jardins, de rochas e de espuma, de canções e de rios. Solta as palavras que a tua voz não diz.
Escreve-as, na forma de um poema. Fala das aves e das montanhas, do silêncio e do azul do céu, das árvores e do grito, da água e da fonte. Mas solta as palavras que a tua voz não diz.
Escreve-me um poema. Fala-me do cheiro a terra molhada, do barulho da onda a rebentar, do choro de uma criança a nascer, da ternura do abraço, do olhar quente e doce, do beijo com sabor a mel e sal...
Solta as palavras que teimas calar e escreve-me um poema...

Monday, January 16, 2012

Faço-me ao mar


Faço-me ao mar em dias de acalmia porque os dias de tempestade são para ficar a olhar-te, mar. Como és belo! Que força tens aí dentro que te faz lançar rugidos que afastam os pescadores da faina. Faço-me ao mar sempre que me deixas porque o meu respeito por ti é enorme, mar. Como és belo! Que sofrimento tens no teu ventre para berrares assim na hora do parto em que a onda se desfaz. Faço-me ao mar enfim todos os dias. Às vezes fico-me pela areia onde enterro os pés e me sorves. Outras atrevo-me a enfrentar-te porque preciso de te respirar. Dentro de ti. Beber-te. Lamber-te. Amar-te. A ti, sim. Como se fosses o meu mar...
Por isso me faço ao mar, em ti.

Friday, December 30, 2011

Materno


És ventre de uma flor por nascer
e de toda a esperança por florir
certeza inquietação amor e fome
És ventre de flores cravos de Abril
de ventos que norteiam as marés
de risos choros e águas de beber
És ventre do jardim que nos aquece
rio que renasce em cada fonte
És ventre de uma flor que amanhece
És ventre de uma flor Abril em Maio
e de todos os sonhos por cumprir...

Tuesday, December 20, 2011

Manta


Não importa a cor da onda.
Deixa que ela te lamba os pés.
Deixa que suba um pouco mais,
para refrescar o teu corpo quente.
Faz-te rio, outra vez.
E mergulha dentro do meu olhar.
Para que o teu corpo mantenha sempre,
dentro de ti, o cheiro.
Desta manta de espuma…

Tuesday, November 15, 2011

Adormeço



Tu entras lentamente dentro de mim e eu abraço-te
numa tentativa vã de parar o tempo e assim ficarmos
num vai e vem doce
e bonito
e quase desesperado.
É o amor que nos chama é o amor que nos une e nos
invade os corpos suados cansados e tão únicos que,
mesmo depois
quando
nos separamos
e tu vais dormir,
eu levo-te comigo ainda dentro de mim.
O teu cheiro envolve-me
e então
eu adormeço.

Thursday, October 27, 2011

Na maré de ti



No vai e vem das marés que vivemos
Na rocha onde escondemos o amor
No sol que sempre nos aqueceu
Na chuva que lavou todos os pecados
No fogo que mantém a chama acesa
Na lua nossa cúmplice para sempre
Na terra onde te sei
É na maré de mim que te procuro...
... é na maré de ti que me encontro.

Wednesday, October 12, 2011

Outro arco íris


Gostava de andar descalça. De sentir o fresco do chão e a humidade da terra. Por isso enterrava os pés quando passeava pela praia ou quando plantava flores. E gostava de andar à chuva, deixando que esta escorresse cara abaixo até os pingos entrarem na roupa e lhe molharem o corpo. Sentia-se assim parte integrante da Natureza.
No dia aprazado foi ao encontro que tinha marcado com o amado. Na ponte que atravessa o rio. Nessa ponte que os separa mas que também os une. Estiveram juntos todo o dia, fizeram o que ainda estava por fazer. Marcaram novo encontro para daqui a três meses, na mudança de estação. Voltou para casa. Começara a chuviscar e ainda teve tempo de ver o arco íris. Depois adormeceu. Em paz.