Sunday, November 25, 2007

Contra a violência de género

Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

(António Gedeão)

68 comments:

  1. quantos milhares de Luísas.....adorei relê-lo....

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  2. Gostei desse texto....e dos eu blog...visita lo ei....agora que o encontrei...

    Beijo suave___maresia

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  3. OLÁ MARIA

    Tenho-me queixado de violência doméstica, já foi física mas ultimamente tem sido mais psicológica.
    Acabo de visitar um blog que diz:
    25 NOVEMBRO: DIA INTERNACIONAL CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
    A violência doméstica, nomeadamente a violência do género, é uma realidade que envergonha o mundo em pleno século XXI. Em Portugal foram registados, em 2006, segundo a UMAR, 20.595 situações de violência doméstica. Entre as agressões, incluem-se 39 casos de homicídio e outras 43 tentativas. No entanto estes números não revelam toda a realidade pois muitos casos não chegam a ser participados. Se fores vítima, ou testemunha, não hesites em denunciar!

    Em caso de urgência liga o 800202148.
    Apresenta queixa às autoridades competentes.
    Pede apoio à APAV- Associação de Apoio à Vítima
    Tel. 707200077 e-mail: apav.sede@apav.pt

    ADERE A ESTA INICIATIVA E PUBLICA UM POST DE INDIGNAÇÃO.

    Quero agradecer-te as simpáticas palavras que deixas no meu kalinka.

    Desejo-te um excelente domingo.

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  4. Este é um dos meus poemas preferidos e para mim o melhor poema de Gedeão. Não sei se leu no meu blog a história da Celeste. Nela eu foco este poema. Se não leu, procure em Setembro salvo erro. Garanto-lhe que a história é real.
    Um abraço

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  5. Um dos melhores poemas de Gedeão.
    Suponho que já o tenha ouvido cantado.
    Mas é fácil dizer que é lindo.
    Difícil é termos consciência da verdade que ele encerra.
    Um abraço

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  6. Como eu gosto deste poema...

    Bom domingo
    Beijitos, Maria

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  7. vladimir

    ... e por mais quanto tempo?

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  8. maresi@

    Já te fui conhecer... Como se conseguem manter 4 blogues? Só um já dá trabalho....
    Volta sempre

    Bom domingo

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  9. kalinka

    Andas tão a correr que nem viste que o post onde comentaste tem a ver com a violência, embora seja um poema....

    Bom domingo
    Beijinhos

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  10. elvira carvalho

    Irei ver a estória da Celeste, mas só amanhã...
    Um abraço

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  11. blue velvet

    Sempre que tento comentar o teu blog o sistema vai abaixo... Não sei porquê. Li vários posts, ouvi a Simone (que adoro) e quando ia abrir a caixa de comentários foi tudo abaixo...
    Também gosto muito deste poema de Gedeão.
    E não foi por acaso que o coloquei aqui hoje...

    Bom domingo
    Um abraço

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  12. anag.

    Este poema fez parte da nossa vida de uma forma intensa, há uns 30 e poucos anos, não é mesmo?
    É lindo, sim. Pena que retrate uma realidade, ainda...

    Bom domingo
    Beijinhos

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  13. Há momentos em que não se consegue dizer nada! Este é um deles! Beijo...

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  14. Lindo o teu post, Maria...

    Estou contigo no Detalhes e no Pensamentos...

    Beijinhos...

    "Aqui fica a minha solidariedade para com todos aqueles que sofrem, no corpo ou na mente, da viol�ncia dos que se julgam muito fortes mas n�o passam de reles cobardes..."

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  15. Quantas não são "Luísas" ...
    Gostei muito do post.
    Agradeço tua estada em meu mundo.

    Pérolas incandescentes de luz.

    Eärwen

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  16. Existe tantas Luisas e não só . neste mundo. Infelizmente
    tambem já contribui com um simples poema
    Saudações amigas

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  17. Luisa(s)... tantas neste mundo
    Gostei muito de reler este texto
    Beijo agradecido
    Dia lindo desejo... em Paz
    (*)

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  18. Também gosto e tenho os poemas de António Gedeão. Fizeste uma óptima escolha para este dia pois infelizmente ainda há muitas Luísas por esse mundo fora que todos os dias sobem a calçada... que são vítimas de violência fisica e psicológica e sofrem caladas, e mesmo aquelas que ousam denunciar veêm-se, ainda nos dias de hoje, muitas vezes alvo do cinismo dos outros...

    É urgente acabar com a violência
    É urgente o amor!...

    Bjs

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  19. Gostei tanto de recordar este poema que me fez voltar tantos anos atras quando o mesmo serviu de inspiração a tanta actividade para consagrar direitos para as mulheres. O problema é que as Luisas continuam a abundar e isso é o que mais me intristece.

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  20. amigona avó e a neta princesa

    Há poemas que nos tiram as palavras....
    Beijinho

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  21. Bela e eficaz maneira de desmascarar a violência, publicando este poema do Gedeão. E como ele infelizmente se mantem verdade do dia-a-dia, do nosso dia-a-dia.

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  22. alice matos

    Vim agora de te ler... e trouxe a rosa vermelha, mesmo sem te pedir...
    ... gostava de dar esta rosa vermelha a todas as Luísas...

    Beijinho

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  23. eärwen tulcakelumë

    ... e que fazemos nós para evitar que haja mais Luísas?

    Bom domingo

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  24. c valente

    Sei que és solidário. Já lá vou...
    Abraço

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  25. um momento

    Um beijo enorme pra ti.... Mi...

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  26. maria

    É urgente o amor, como dizes....
    ... e onde há amor não há violência....

    Beijos

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  27. simplesmente

    Por isso temos que alertar consciências e agir.... da forma que soubermos....

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  28. justine

    Este poema continua actual, infelizmente....
    ... e quantas Luísas conhecemos?

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  29. António Gedeão, o meu poeta preferido. Sei de cor algumas dezenas dos seus magníficcos poemas, entre os quais este que é sublime e lindo. Boa semana.

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  30. Dende a Espanha, noraboa polo seu marabilhoso blog. Fiquei namorado do seu contido. Uma forte aperta. Se quer visitar o meu blog pode facelo en http://caldelaodecaldelas.blogspot.com
    Espero poder contar coa sua visita pronto

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  31. Profundo.
    E assim se passa pela vida...
    Que sentido?...

    Beijinhos

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  32. Assim é, Maroca.... Violência que fere a pele, tortura que marca a alma.... As Luísas, por esse mundo a fora, muitas vezes sofrem em silêncio. Muitas acham que até é culpa delas e que merecem. Outras, nascem e crescem vendo as mães serem torturadas, maltratadas e acham que é normal ser assim. Já há as que se revoltam e não têm com quem contar, nem quem lhes dê guarida.
    Só não podemos ficar indiferentes, não é amiga? Esse pouco que oferecemos a elas, quando junta-se aos de outros, pode fazer a diferença.
    Beijo grande

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  33. Belíssimo poema de António Gedeão. parabéns pela escolha.
    Um abraço.

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  34. Este poema vem mesmo a calhar. A Luísa sobe a calçada e vai sofrendo neste mundo tão difícil para as mulheres.

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  35. Maria, Adoro António Gedeão, acho tão real a Calçada de Carriche. Grande escolha para este dia.

    Beijos.

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  36. Olá Maria,

    António Gedeão é dos meus preferidos... e este texto tem o dom de ser tão real...

    de ter...

    Uma Luisa sempre actual...

    Beijo para ti Maria

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  37. Tão bem escolhido este poema.
    Tantas Luísas que sobem as calçadas
    tantas Luísas, desgastadas, cansadas, mal amadas, Maltratadas. Uma violência a que todos os dias se sujeitam, caladas, resignadas.
    Violentadas.

    António Gedeão diz tudo e infelizmente tantos anos que já passaram e tudo está tão actual.

    Beijos Maria

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  38. E há tantas Luisas por esse Portugal fora...
    Maria , eu não gosto muito de falar sobre este assunto, não gosto de lembrar coisas passadas, mas que ainda existem marcas no coração.
    fica bem
    Ana Paula

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  39. Que sauaddes de declamar esta Luísa...

    Adorei

    JInhos
    BF

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  40. Acabei de o declamar à minha filhota de 10 anos e de seguida exliquei o sentido ....

    Valeu a pena

    Jinhos
    BF

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  41. Lindo! Pensei neste poema.Não tive muito tempo para o procurar por ter a mãe hospitalizada.Ainda bem que mais alguém se lembrou dele e ainda bem que não ficou repetido.
    Muito original o teu post e diferente.
    Gostei.Nunca é demais meditar nestes versos.
    Volto depois com mais tempo para conhecer melhor o teu cantinho.

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  42. só para te mandar um beijinho

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  43. jofre alves

    Muito obrigada pela visita...
    Boa semana

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  44. eladio osorio montenegro

    Já andei por Galicia um destes dias, mas voltarei

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  45. Sol da meia noite

    Como Gedeão sabia...
    O que não tem sentido é deixarmos a vida passar por nós...

    Beijinhos

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  46. piedade araújo sol

    Obrigada pela visita...

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  47. letícia gabian

    As fotos do teu post são fortíssimas..
    E conhecemos tantas Luísas, ainda...

    Beijão enorme

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  48. tozé franco

    Obrigada e boa semana...

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  49. luis eme

    Obrigada, Luís.

    Abraço

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  50. berta helena

    Não foi por acaso, Amiga....
    Beijos

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  51. paulo afonso

    Olá Paulo
    Infelizmente, uma Luísa ainda actual.
    Esperemos que um dia não seja mais...

    Beijo, Paulo

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  52. rosa dourada/ondina azul

    Ainda....

    Beijinho

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  53. gi

    Quando me desafiaram a participar num post sobre este tema foi Gedeão e este poema que me veio à cabeça imediatamente. Vá lá saber-se porquê...

    Beijinho, Gi

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  54. ana patudos

    Aquieta o teu coração, que é já passado...
    Abraço-te

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  55. papoila

    É bom ver-te por aqui, é bom teres lido este poema à tua filha e teres explicado....

    Beijinhos

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  56. brancamar

    Muito obrigada pelas tuas palavras...
    Volta sim, as melhoras da tua mãe.

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  57. samaria

    Em noite nim, quatro beijos...

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  58. rui caetano

    Um mundo que esperemos melhor para todos, especialmente para os mais frágeis...
    (desculpa ter-te saltado...)

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  59. Apesar de ser hoje e não ontem


    bem escolhido o poema da Luísa em homenagem a milhares delas, e continuando estas politicas a serem bandeira, cada vez serão mais as Luísas que ficam sem vida para viver.

    Choca-me a violência doméstica, independente do género...choca-me a violência per si.

    Um beijo maria

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  60. Que cada um/uma e todos possam dizer "ontem, evitei a violência doméstica, intervindo". (um acaso, o ontem que foi assim mesmo: diálogo...)
    E o Poema Grande fez-me lembrar: a 1ª vez que o ouvi, vivo, contundente, numa associação de bairro (sala por cima duma casa funerária...e assim, sossegada...), dita por Mártio Viegas. Anos 60s.
    Beijos Maria-mar

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  61. O nosso país continua a ser empurrado por um exército de Luísas.
    Dir-se-ia que, em vez de diminuírem, aumentam.
    Seria bom que se perdesse a noção do "entre marido e mulher ninguém mete a colher".
    Mas até entre muitos polícias o velho ditado é lema.

    Beijinho

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  62. ...Mário Viegas, claro. Era do grupo, cantávamos e dizíamos poesia nos cantos, por aí... (foi certamente a emoção de pensar um tempo de muitíssimo sonho). Bj

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  63. quando ouvi pela primeira vez este poema, na minha adolescência, detestei-o. e tanto gostava de antónio gedeão!
    durante anos não gostei de o ouvir... que coisa parva a minha!
    um beijo
    luísa

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