Tuesday, December 18, 2007

Pra não dizer que não falei de... flores

(foto "roubada à Gi...")

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantado
E seguindo a canção...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Pelos campos a fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

(Geraldo Vandré)
Esta canção ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção de 1968.
Depois disso, sua execução foi proibida no Brasil durante anos, pela ditadura militar.
O sucesso de uma canção que era cantada nas ruas e que incitava o povo à resistência levou os militares a proibí-la, usando como pretexto a "ofensa" à instituição contida nos versos "Há soldados armados, amados ou não / Quase todos perdidos de armas na mão / Nos quartéis lhes ensinam antigas lições / de morrer pela pátria e viver sem razão".
A primeira artista a interpretar "Caminhando" depois da censura foi Simone, em 1979, conquistando enorme sucesso de crítica e público.
Beijos a todos........

36 comments:

  1. olá maria

    venho desejar-te, um feliz natal e um optimo ano novo.

    deve ser a minha ultima visita antes do natal e não queria deixar passar esta oportunidade.
    ___________

    __________

    "Vem, vamos embora
    Que esperar não é saber
    Quem sabe faz a hora
    Não espera acontecer"...

    __________


    Ves, eu sempre pensei e agi assim, por outras palavras e à minha maneira, com o que tinha à mão, para "fazer a hora"...

    Mtos beijos

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  2. depois da censura.
    somos todos iguais. mas uns mais iguais que outros.

    beijos querida maria

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  3. Maria,


    Resolvidos todos os problemas

    recuperei endereço anterior

    arecalcitrante.blogspot.com

    Um abraço

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  4. Esta música tem... qualquer coisa!
    Sempre mexeu comigo.
    Obrigado pela lembrança.

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  5. A canção do Vandré é como um hino pessoal, e com muitas cumplicidades. Sabe sempre bem lê-la/ouvi-la.
    Obrigada Maria, e que o próximo ano seja de "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".

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  6. Olá Maria,
    adorei esteu texto.
    Gostei das "Flores ...de Natal" e das recordações que isso me trouxe.
    Ouvi esta canção pela 1º vez, era bem criança na Festa do Avante, logo após o 25 de Abril.
    Ficou-me para sempre na memória.
    Infelizmente, as esperanças que todos tínhamos, do meu ponto de vista, desapareceram.
    Beijinhos

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  7. Gosto muito dessa música como tb gosto de flores.
    Parabéns pelas palavras

    Jacinta Dantas

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  8. Os amores na mente
    As flores no chão
    A certeza na frente
    A história na mão
    ______________________________
    ______________________________

    na Tua mão.

    as flores.


    que tens espalhado pelo Piano.






    obrigada M.

    com um ramos de beijos.

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  9. "(...)
    Caminhando e cantando
    E seguindo a canção
    Aprendendo e ensinando
    Uma nova lição..."

    Li, e logo comecei a cantá-la!...cantei-a muitas vezes ainda criança já algo crescida, logo após o 25 de Abril que senti e vivi através do meu pai e dos seus ideais e porque andava num externato que passou a escola publica em 75, após uma enorme revolução (lá dentro), encabeçada por militares de Abril.
    Ficou-me no ouvido... eu que era dos mais pequenos...RGA e lá íamos nós todos felizes por podermos discutir os problemas, por sermos "livre"!...
    ...por cantarmos a canção!...

    Beijinhos

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  10. Passei para desjar um Feliz Natal, uma bela passagem de ano e um Bom Ano de 2008.

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  11. Que as palavras, não se fiquem só por si, que gerem acções sempre....

    Liberda, crescimento e evolução... Sempre!

    Maria a canção é linda, mas mais que palavras temos e devemos mostrar aquilo que queremos, com acções! Sabes o meu avô, aquele que ainda hoje amo tanto, foi dos primeiros homens que lutaram pela liberdade em Portugal, ele nasceu em 1910. Mas não estagnou, por isso o amo tanto! Quando tinha 80 anos, mudou algumas dos suas convicções, tendo a coragem de o admitir. O mundo não para, o tempo não para! O que eu penso hoje, posso não pensar amanhã. Este homem que eu amo, era inteligente e flexivel e lutou sempre pela libertada, mas adaptou-se às necessidades das pessoas e do pais.
    Eu sou assim, livre, mas não estática! :)))

    Beijos linda e muitos miminhos meus.

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  12. :) Não vivenciei esses tempos de Brasil, embora tenha vivido no tempo da ditadura militar, passados uns anos, foram mais ligth, embora a censura continuasse, e sempre tive essa música na cabeça bem antes de Simone regravá-la. É uma música que mexe comigo até hoje, me emocionando muito.
    Obrigada, Maria!

    Feliz Natal e um maravilhoso 2008!

    Beijinhos!

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  13. Vem, vamos embora
    Que esperar não é saber
    Quem sabe faz a hora
    Não espera acontecer...


    É mesmo isto!


    Um beijo Maria....

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  14. Maria, apesar de ser Natal, ou se calhar por ser Natal, olhandoà nossa volta, apetece publicar essas
    coisas que guardamos, memórias de um tempo que nos deixou marcas.
    Porque a injustiça e a miséria está aí, pela mão de gente que se dia socialista.

    Agora que já consegui recuperar o meu blogue, aqui estou para pôr a leituta em dia.

    Beijinhos

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  15. Gostei deste teu falar...de flores


    Um beijinho enorme para ti*

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  16. As ditaduras tudo destroem, a sua irradiação seria uma boa prenda para a humanidade, Viva a liberdadde
    Saudações amigas com votos de bom Natal

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  17. Amigos.com

    Fala-se muito em virtual ultimamente
    Mas o que é essa tal virtualidade
    Será que é o não ver pessoalmente
    Não será o virtual, realidade?

    Há ternura, encanto e alegria
    Nos versos que nos chegam pelo ecrã
    Tantos alegram meus dias
    Enchem de luz minhas manhãs

    Uns acalentam minha alma
    Dizendo: não fique triste
    São palavras que me acalmam
    Quando meus dias são tristes

    Amigos.com são tão reais
    Eu os sinto, como a vida a pulsar
    São flôres, companheiros leais
    que enfeitam esse meu caminhar

    Ps: Tudo de bom que vc me fizer, faz minha vida ficar mais bela
    Pra ti, um carinho sincero e meus votos de BOAS FESTAS!

    Beijo na alma

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  18. Beijo para ti de preferência sem arma

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  19. faltava um ano para eu nascer...
    e o fruto proíbido é o mais apetecido... grande Luta.
    Beijo meu

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  20. maria:
    cheguei aqui pelo blog da meg.
    e você é solidária.a música do
    vandré é isso.
    um abraço.
    romério rômulo
    (ouro preto , mg ,brasil)

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  21. É uma canção forte, daquelas que assustam os fracos que conquistam os poderes pela força...

    abraço Maria

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  22. Nãi há machado que corte a raiz ao pensamento
    beijinhos
    luna

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  23. Entre ter começado a cantar e acontecer o 25 de Abril ainda passou o tempo suficiente para eu ter incluido várias vezes esta grande cantiga no reportório... era sempre um momento "intenso".
    Uma noite, não posso precisar onde, numa sessão mano-a-mano com o Mário Viegas, cantei-a imediatamente a seguir ao "seu" Operário em Construção" (Vinícius de Moraes) e a coisa descontrolou-se um pouco...
    Foi uma excitação para uns, um grande "cagaço" para outros, mas ficámos todos mais vivos!
    Obrigado pela memória!

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  24. Lindo, Maria o poema que postaste !!!


    Bom Natal e Bom Ano Novo !!!




    Beijo p ti,

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  25. Magnifica escolha!
    Gostei muito!

    Um beijo

    Jorge

    http://vagabundices.wordpress.com/

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  26. ...permanecem, sim.
    E aqui se fazia a guerra até 74!!!
    Como diz Samuel, também a cantar. Bjs Maria

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  27. Não conheço a canção, mas gostei muito da letra!

    Feliz Natal, Maria!

    Beijinhos*
    Manuela

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  28. Muito obrigada, do fundo de mim, a todos que passaram por aqui. Obrigada, mesmo!

    Também a mim esta canção me traz muitas memórias… E eu também não espero acontecer… sou dos que “fazem a hora”…

    blue velvet – terá sido em 1980, no Alto da ajuda, cantada ela própria Simone. No palco com ela estavam Chico Buarque e edu Lobo, e Viniciús de Moraes tinha ido embora na véspera….
    … e a esperança sozinha não faz nada, é a LUTA diária que nos há-de levar aonde nós queremos!!!!

    samuel – Obrigada pela memória de Mário Viegas e da Construção…
    … Posso apontar o final de 1972 para o “cagaço”?
    (tenho uma idéia, mas esta cabeça já não é o que era…)

    Que esta época possa abrir um pouco mais os nossos corações e darmos
    um pouco mais do tanto que temos…

    Beijos a todos… e OBRIGADA, mais uma vez…

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  29. Ô dona moça qual é o seu problema? kkkkk Você quer se lenhar, é fia? kkkkk

    Oi essa música/protesto do Geraldo Vandré foi o simbolo da resistência aqui no Brasil nos tempos negros da repressão, só ficou em segundo lugar no Festival por que os militares exigiram isso, na realidade, para nós brasileiros ela é foi primeiro lugar sim!

    Eu, que era estudante e fui para as ruas sei muito bem o que foi essa música para nós, era injeção de ânimo a cada baixa que tinhamos com prisões e assasinatos...

    Ai Maria! Se tu soubesses... O seu amigo aqui... Aiaiaiai! Deixa quieto! kkkkk

    Ei, minha Cumadi?

    Não diz não os outros caminhos de Salvador né minha nega? Tá bom... kkkk

    bjs
    O Sibarita

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  30. o sibarita

    Já lhe disse que adoro vosmecê?

    Beijos

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  31. Belo poema.Obrigada por partilhares.

    Um Natal Feliz

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  32. uma canção emblemática aqui, uma canção que permanece no imaginário e na realidade. e tê-la sempre presente é essencial, pois há várias formas de opressão. belo e emocionante texto. abraços.

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  33. E Simone... e canção
    Ambas GRANDES!!!
    E Tu ainda MAIOR por nos a relembrares:))))

    Beijo!!!
    (*)

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  34. Lembro-me deste tema mas interpretado pelo João Gilberto...
    Saudações do Marreta.

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  35. Que saudades que
    eu tinha desta canção!
    Não foi só no Brasil. Por cá ela animopu muito as festas (clandestinas algumas) e os ânimos da malta na luta antifacista
    beijo

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  36. rascunhos

    fernando rozano

    um momento

    marreta

    antónio melenas


    Foi, e ainda é, uma canção de resistência. Ouvi cantá-la durante anos. A vez que mais gostei foi cantada para um público de mais de 100 mil pessoas, na Festa do Avante, no Alto da Ajuda, pela Simone (com o Chico e o Edu Lobo em palco), no dia em que Vinicius de Morais morreu (ou no dia a seguir, por aí..)

    Obrigada por terem passado.

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