Thursday, July 17, 2008

Cálice I



Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga, tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito, silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa, melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta, tanta mentira, tanta força bruta

Como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa, atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa

De muito gorda a porca já não anda, de muito usada a faca já não corta
Como é difícil pai, abrir a porta, essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo, de que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca dos bêbados do centro da cidade

Talvez o mundo não seja pequeno, nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado, quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça, minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel, me embriagar até que alguém me esqueça

21 comments:

  1. Chico e Milton, soberbo, Maria!

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  2. Olá, Maria!

    Tive saudade do cheiro da tua ilha e senti a falta da tua força.

    O mundo não é pequeno, a maldade humana é demasiado grande.

    bjs

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  3. Valeu a mensagem, Maria.
    O vídeo é soberbo.
    Obrigada.
    Beijos

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  4. Ora aí está uma das "coisinhas" mais sublimes que existem na música.
    Beijinhos

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  5. muito bom!

    já te disse que o vi 3ª à noite na CM... e que foi fantástico!


    beijo
    luísa

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  6. Lindo Maria.
    Aproveito par dizer que estou de volta e ...Quanta falta senti de todos vós.
    Passamos por máus momentos,mas quem espera pelos bons ,sempre os alcança.Estou feliz estou de volta para vos dizer que vos adoro.
    Beijinho prateado com carinho,acompanhado de um lindo fim de semana
    SOL

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  7. Que dizer? Que há vozes e poemas que nunca cansam. Que sempre me enchem. Obrigado, Maria.Um beijo.
    Eduardo

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  8. É uma cantiga fantástica!
    No seu tempo no Brasil, foi proibida, o que deu ocasião para o Chico e o Milton terem um momento "lindo", num concerto ao vivo, em que cantavam a música completa mas substituiam as partes da letra censurada por "mmmm" e outros ruidos semelhantes.
    O vídeo anda por aí... mas já deves conhecer.

    Abreijos

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  9. Querida Maria, venho deixar-te um beijinho grande de Amizade!!!

    Obrigada Maria !!!

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  10. Momento lindo e tocante.
    E depois o Brasil aqui tão perto...
    Para mim duplamente perto.
    beijo e obrigada

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  11. Adoro!
    Desde que me lembro de apreciar música...
    Beijos.

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  12. Belo tempo que aqui estive hoje.

    ainda assim a correr...


    Adoro Milton Nascimento!


    Um beijo

    grade

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  13. Essa música é linda demais! Adorei o vídeo!

    Beijos

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  14. Existem músicas que nos marcam pela svivências que associamos :-)

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  15. Época de faculdade...música....muitas lembranças com esta música!

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  16. Que música....que mensagem....

    Beijitos, Maria.

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  17. Muito obrigada por terem passao aqui.

    Oris
    Não consigo comentar o teu blog...
    deve ser por estar no Norte, carago!!!

    Beijos

    maria

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  18. Parece que foi há tanto tempo e continua tão actual.
    Beijinhos

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  19. :))

    Não me digas que o Norte não quer nada comigo....

    Beijitos e bom fim-de-semana.

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  20. Adoro essa música e olha que passei a minha juventude num Brasil muito mais livre, quando Chico, Caetano e outros já tinham retornado do exílio. Mas ouvi-la e saber o seu significado, sempre me deixa emocionada.

    Beijinhos

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