Saturday, August 02, 2008

A falta que me fazes...


Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se de antiga chama
Mal vive a amargura

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
O nascer do dia

(José Afonso)

19 comments:

  1. A ti e a nós todos. Bela homenagem!

    Abreijo

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  2. Há quem nos faça falta, sempre.
    Eu hoje quis falar de amor, de saudade e apenas consegui suspirar uma coisa e outra... e agora venho aqui e apetece-me perguntar à cotovia se não seria melhor eu ter esperado o nascer do dia!
    O poema é lindo e tão singelo. Gostei muito, obrigada.
    Abraço

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  3. «A falta que NOS fazes»...

    Um beijo amigo.

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  4. "Cidade, sem muro nem ameias..."

    Beijo a caminho do mar alto!

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  5. Oi Fia! kkkk Humm ei dona moça, estou em falta mesmo com senhora, viu? Mas, não é por nada não!

    O tempo escasso no dever do trabalho cotidiano, creio que a partir do próximo mês eu já esteja com mais tempo para o seu tempo... e aí? KKKK

    Belíssimo poema esse em Maria? Com sempre você só coloca coisa boa!

    Aiaiaiaia... kkkk

    bjs
    O Sibarita

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  6. Lindo e sempre actual apesar do tempo!

    Intemporal como os diamantes!

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  7. Faz falta, sim.
    Abreijos

    "Maria"


    Maria
    Nascida no monte
    À beira da estrada
    Maria
    Bebida na fonte
    Nas ervas criada

    Talvez
    Que Maria se espante
    De ser tão louvada
    Mas não
    Quem por ela se prende
    De a ver tão prendada

    Maria
    Nascida do trevo
    Criada na trigo
    Quem dera
    Maria que o trevo
    Casara comigo

    Prouvera
    A Maria sem medo
    Crer no que lhe digo
    Maria
    Nascida no trevo
    Beiral do mendigo
    Maria
    Nascida no trevo
    Beiral do mendigo

    Maria
    De todas primeira
    De todas menina
    Maria
    Soubera a cigana
    Ler a tua sina

    Não sei
    Se deveras se engana
    Quem demais se afina
    Maria
    Sol da madrugada
    Flor de tangerina
    Maria
    Sol de madrugada
    Flor de tangerina

    José Afonso

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  8. Faz falta. Embora esteja sempre cá, o Zeca.
    Beijos

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  9. a falta que me fazes. pulga. :)
    beijo

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  10. Quanta saudade... !!! sempre Vivo, afinal
    Jnhs

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  11. Oie linda! Que bela poesia! A esperança... ela é que nos move, ainda que nada esteja dando certo.
    Acreditar e lutar e preciso!
    Bom domingo, boa semana! Beijos

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  12. Sem dúvida.

    Beijinho, Maria.

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  13. Que saudades!

    Dos poemas, da música e, sobretudo, do que dizia quando falava do que é mais importante, de forma autêntica e descomprometida!

    Obrigado pelo comentário lá no inferno.
    E tens razão, muitos de nós não ligam as coisas. Mas importa ligá-las... porque eles "andem" aí!

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  14. Maria
    O "Zecz" só faz falta para a continuidade, de resto está sempre connosco.
    Abração amiga
    Ps: (salvo seja) já sabes do encontro na FESTA, dos blogers de esquerda Restaurante do Alentejo sábado 6 ás 20h.
    Bjo

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  15. Querida amiga. Dizes bem... Muita saudade! do Hoem do músico das suas letras e poemas,bem de muitas coisas,jamais esquecerá,sempre presente no coração. Beijinho Lisa

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  16. Quando li o título lembrei-me de: "O que faz falta é animar a malta, o que faz falta..."
    Beijinhos com raios de Sol

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  17. Ficou a fazer falta. Mas está sempre connosco. Nunca morre.
    Eduardo

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