Segundo dos Poemas da Infância
Quando foi que demorei os olhos
sobre os seios nascendo debaixo das blusas,
das raparigas que vinham, à tarde, brincar comigo?...
... Como nasci poeta,
devia ter sido muito antes que as mães se apercebessem disso
e fizessem mais largas as blusas para as suas meninas.
Quando, não sei ao certo.
Mas a história dos peitos, debaixo das blusas,
foi um grande mistério.
Tão grande
que eu corria até ao cansaço.
E jogava pedradas a coisas impossíveis de tocar,
como sejam os pássaros quando passam voando.
E desafiava,
sem razão aparente,
rapazes muito mais velhos e fortes!
E uma vez,
de cima de um telhado,
joguei uma pedrada tão certeira,
que levou o chapéu do senhor administrador!
Em toda a vila,
se falou, logo, num caso de política;
o senhor administrador
mandou vir, da cidade, uma pistola,
que mostrava, nos cafés, a quem a queria ver;
e os do partido contrário,
deixaram crescer o musgo nos telhados
com medo daquela raiva de tiros para o céu...
Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!
Manuel da Fonseca
(15 Outubro 1911 - 11 Março 1993)
Li pela primeira vez Manuel da Fonseca ainda era muito novo... e fiquei fã!!! Pena que ele não faça parte dos lobbies literários, teria perfeito cabimento ser estudado nas escolas ao lado de outros grandes autores.
ReplyDeleteRecordar é manter vivo.
ReplyDeleteObrigada por trazeres Manuel da Fonseca, tão pouco divulgado na blogosfera!
Um beijo , Maria.
Manuel da Fonseca dá-me uma boa ideia, sentar-me em cima de um telhado e corrê-los à pedrada...
ReplyDeleteAbreijos.
Este texto é fantástico!
ReplyDeleteJá tive por hábito, no passado, terminar uma ou outra rstória que contasse, com este "Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!". Acabei por perder o hábito... embora a cara de espanto de algumas pessoas fosse impagável...
Abreijos
Há tanto tempo que não lia este poema.
ReplyDeleteFizeste-me recordar uma private joke com "Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!".
Foi bom.
Beijinhos
Recordar é não deixar morrer.:)
ReplyDeleteBeijo
o bom que é Maria ter.te por aqui fazendo memória!!!!!
ReplyDelete.
enorme beijo.
E ainda as pedras voam.
ReplyDeleteTal cresceu o mistério dos seios nascidos debaixo das blusas!
Um beijo de bom dia, Maria :)
Grande Manuel da Fonseca, como gosto da tua poesia, e já passaram una anos!...
ReplyDeleteFoi bom ler-te outra vez!
Abraço.
Eduardo
Maria , andava adormecida a ideia de postar um poema sobre A Infancia de MF... um destes dias vai sair...
ReplyDeleteBom recordar a poetica, a seguir vem a imagem, depois a ternura que ele inspirava..
Dia bom!
Como me lembro dele num café pela manhã, em Faro, contando histórias que me entreabriam a boca e me esbugalhava os olhos!
ReplyDeleteGosto demais dele!
Recordei!!!!!!!!!!
beijinho
Há muito tempo que não lia Manuel Fonseca!
ReplyDeleteCada um com seus mistérios.
ReplyDeleteSempre bom ler suas escolhas.
abraços
Este não conhecia.Obrigada Maria, beijinho
ReplyDeleteGrande Manel!
ReplyDeleteObrigado.
Um beijo grande.
Maria:
ReplyDeleteSIM. Continuo a querer conhecer as pessoas que me comentam e as que eu leio e comento.
SIM. Olhos nos olhos!
Promovemos um encontro?
Beijosssssssssssssssssss
Que homenagem tão bonita às mulheres. Quem me dera conseguir fazer uma assim também!
ReplyDeleteBeijo e parabéns por esta escolha, Maria.
(malandreca?)
Pedro Branco
ReplyDeleteEste poema acompanha-me há muitos anos. Imagina lá porquê...
(Sim!)
Beijo, Pedro
Maria! O meu pai tinha e tenho um livro de algumas palavras e pouca poesia,este poema é o despertar da juventude na altura,e gostei,não conhecia
ReplyDeleteBeijinho
Excelente Manuel da Fonseca, sobre as formas voluptuosas debaixo de texteis lusos... :-)
ReplyDelete"O mistério dos seios" parece quase um conto da Agatha Crystie;-)
PS
Grato pela visita a mi casa.
Manuel da Fonseca com tive o gosto de privar, em Santiago do Cacém, de onde ele era nascido, e onde dei aulas.
ReplyDeleteBeijinho
"o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas" a demorar os olhos... a desenhar a curva dos dedos e a ser sede nos lábios.
ReplyDeleteE ainda hoje, o musgo cresce nos telhados...
e há meninos que se escondem lá, para sonharem em liberdade...
Abraço forte
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ReplyDelete...belas recordações de Manuel Fonseca!
Obrigada por traze-lo!
Beijos no coração e o meu carinho...
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Manuel, o contador de histórias, em poesia ou em prosa, sempre com um terno cheirinho de inocência.
ReplyDeleteMaria, este poema é lindo. Não o conhecia... que pena... assim muita coisa já estaria esclarecida em mim :))
ReplyDeleteJá se nasce poeta apaixonado pela vida e por tudo o que mexe...
Uma boa visão.
Montanhas de beijos em TU
Delícia:)
ReplyDeleteBeijinhos, Maria
Fantástico texto. Obrigado
ReplyDeletePor estes dias preferia mais o mistério das pedras que se atiram dos telhados à maneira de ovos, do que entender outros mistérios.
Prioridades...
Muito obrigado
João
Gostei...:)
ReplyDeleteBeijinho, minha Maria*
Uma delícia este poema.
ReplyDeleteBeijinho, Maria.
é um grande poema em qualquer parte do mundo.
ReplyDeletee um poema sobre Liberdade...
beijinho Maria
Maria... que bom foi teres trazido até nós Manuel da Fonseca!...
ReplyDeleteUm beijo grande...
Mocinha! kkk Que delicia de poema esse, né fia?
ReplyDeleteAi esse meu tempo... kkkkkkkkk
bjs
O Sibarita