Wednesday, April 15, 2009

Tu e eu meu amor

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima de não ver
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

(Porque é tempo de Adriano e de Zeca e de Zé Mário Branco e de tantos outros, e a mim continuam a faltar-me as palavras...)

46 comments:

  1. Uma beleza!
    ...a eternidade é ser livre e amar.
    Estas palavras também podiam ser tuas.
    Beijinhos

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  2. Maria:

    Se usualmente a nudez é bela, esta nudez é sempre bela

    Obrigado por me relambrares um poema que tanto ouvi numa altura em que até usei o pseudónimo "Adriano"

    Beijo

    João

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  3. Lindo.
    Porque é tempo, é urgente “novamente”, as palavras.

    Um forte bj a saber a Saudade

    GR

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  4. Maria, hoje, quem fica quedo e mudo sou eu. ,
    O, I ,O
    ...O...

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  5. Pelo menos Adriano está a ser lembrado cá por cima.

    Abreijos.

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  6. Logo foste buscar - e bem - o meu ( nosso ) tão querido Manuel da Fonseca :
    " Olha o vagabundo que leva o sol nas algibeiras ",
    que lembranças do meu alentejo, dos malteses, das " searas de vento ",
    das lutas clandestinas...
    Bem hajas, Maria, por lembrares...
    Olha, sabes, ontem fazia anos, se cá estivesse, o Soeiro Pereira Gomes, aquele que escreveu a coisa mais linda como:
    " Aos filhos dos homens que nunca foram meninos..." , na introdução em " Os Esteiros "...
    Enfim, toma lá um beijo redondo, e não diugo mais nada.
    Eduardo

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  7. Estas palavras são nossas!

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  8. Não são tuas, as palavras, mas bem poderiam ser...:)

    Beijos, Maria.

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  9. E as palavras passeiam nuas
    e são tão belas
    como a tua falta delas...

    fazendo-se palavra e silêncio
    deram as mãos as duas
    e sairam cantando amor pelas ruas!

    (e não fosse poesia...Maria!:))

    Beijinhos

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  10. Para que seja Amor é preciso despir os enfeites... e as aparências...
    É preciso ser o nu da pele e a liberdade de saber dize-lo...
    É preciso que os nus se façam um...

    Beijo carinhoso

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  11. Uns dizem,"estas palavras podiam ser tuas"... outro diz, "estas palavras são nossas"....
    Tudo é verdade!
    E, um destes dias, Maria ,eu vou precisar destas palavras também ...e não regateio, penso no Manel... e venho aqui roubá-las...
    Uma beijoca
    Vou dormir...

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  12. A nudez da alma,


    a pura nudez da alma.


    Sempre, Maria.


    Um beijo

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  13. São tuas, são minhas, são de todos, estas palavras de liberdade.

    Beijos.

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  14. Maria,

    Quando nos faltam as palavras, nada melhor que pela voz dos nossos autores deitarmos cá para fora os nossos sentimentos. E Manuel da Fonseca fá-lo tão bem!

    Beijos

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  15. Pedir palavras destas emprestadas é sempre uma óptima alternativa!... :)

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  16. As palavras do Manuel da Fonseca, são as palavras do povo ao qual ele pertencia, e pelo qual ele tambem lutava!
    Bjos camarada

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  17. "o querer e o lutar
    dia a dia pelo que há-de
    os homens libertar
    amor que a eternidade
    é ser livre e amar."

    Como escolhes bem as palavras dos outros quando escasseiam as tuas ...

    Beijo grande

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  18. A poesia não tem tempo.
    Zé Mario Branco, Zeca ou Adriano maravilham-nos com os seus poemas, pela sua simplicidade, pela força e pela mensagem.
    "Tu e o meu amor" é um poema conseguido, que foi muito bem escolhido para figurar neste teu espaço...

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  19. Ai o que ue gosto desta música que 'canto' tantas vezes...

    Beijinhos, Maria

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  20. Maria... um lindo poema do Manuel da Fonseca. O trocadilho das palavras é fascinante!


    Terno beijo!

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  21. só nu
    e gémeo de uma alma livre se ama.

    e rompe a poesia ao lembrar Adriano
    e Zeca...

    ______

    de abraço em abraço deixo-te o rubro...

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  22. também penso que a eternidade é ser livre. quando a amar... prende tanto!

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  23. Olá!
    Cheguei ao teu cantinho pelas mãos da Blue...
    Adorei:=)
    Gostei de relembrar poema de M.F., Voltarei

    Beijocas

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  24. Eternos!

    Não há palavras que digam o que sinto a lê-los.

    Grata pela partilha.

    Beijinho e tudo de BOM

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  25. Tenho-te visitado e tenho lido alguns posts.
    Gosto de os ler e de te ler. Gosto mesmo muito.
    O que se passa então que não comento?
    Faltam-me as palavras para te dar seguimento.
    É tudo muito profundo. Toca-me demasiado que nem sei o que dizer.
    O meu silêncio diz muito, mas tinha que te dizer isso mesmo.

    Abraços solidários com as palavras e com os actos.

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  26. Ah! esquecia-me de te informar que vou finalmente linkar-te para não te perder de novo.

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  27. A nossa alma fica nua com o amor, completamente frágil e feliz. :)

    Beijinhos

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  28. Olá Maria, belas palavras...Espectacular....
    Beijos

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  29. Maria. Gostei de ler Manuel da Fonseca as palavras,lembrar sempre.
    Beijinho de amizade
    Lisa

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  30. Maria, este poema junto a foto que tens abaixo...vou embora.

    beijos e finalmente chove!

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  31. Olá Maria!
    Passei para te informar de que o meu novo blog "Photos of Ireland",esta a partir de hoje aberto ao publico:)!

    Deixo-te um beijo e um desejo de que tudo et vá correndo pelo melhor!

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  32. Uma emoção...ouvir e ler este poema!
    Tão simples era Manuel da Fonseca e tão profundo o seu saber fazer!

    Emoção é o que sinto e mais não consigo dizer!

    Um beijo

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  33. a roupa não é necessária para se construir um poema bonito e simples... o amor sim, nem que seja às palavras.

    beijinho Maria

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  34. Maria as palavras podem faltar, mas acho que nas palavras de Manuel da Fonseca deixaste muitas que querias dizer.Beijo Maria

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  35. Se sempre que te faltarem as tuas palavras, recorreres a palavras como estas, estamos em casa: estas são as nossas (tuas) palavras.

    Um beijo grande.

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  36. As palavras estão em você, descansando talvez, mas sempre cheias de emoção, com muito sentimento.

    Uma dica, não sei se já faz, deita com um caderninho e caneta as vezes as palavras acordam na madrugada.

    abraços

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  37. Não são tuas as palavras, mas reflectem tudo aquilo que pensas...

    Ficamos à espera das TUAS...
    :))

    Beijitos, Maria

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  38. Maria este poema
    é uma beleza " nú contra nú"
    São palavras de uma extrema beleza , a própria fo que tens em baixo nua enquadra-se lindamente neste poema

    Parabéns Maria

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  39. Maria , tenho passado por aqui e vou lendo o que por aqui no seu "cantinho" se escreve.
    Este leitura calma, fez-me descobrir que temos muito em comum e ,por isso, vou voltar.
    Neste mês de Abril que já foi de tanta alegria e que actualmente está tão cinzento é bom recordar as vozes e as palavras daqueles a quem chamamos as vozes de ABRIL.
    Um abraço
    Nocturna

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  40. Dias deles. Da liberdade que cantaram.

    E nós, ai a nós...continua a faltar-nos espalhar a palavra maior: Terra da Fraternidade.
    Bj

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  41. Deixas-me sempre sem palavras, mesmo quando usas as dos outros! Obrigada amiga...

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  42. Simplesmente obrigada.

    um bjo grande e viva a liberdade!

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  43. beijinhos Maria, mesmo sem palavras deixas-nos muito.

    eu já gastei as minhas no meu blog, gastei as minhas palavras a minha paciência.

    Um sorriso Maria.

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  44. Muito obrigada por terem passado por aqui.

    Beijos a todos

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  45. Maria,

    Desculpa. Ontem não pude vir aqui .
    Mas espero ter chegado a tempo de te dizer, minha amiga, que esta tua escolha é linda.

    Muito obrigada pela partilha,

    Beijinhos

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