Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.
Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.
Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.
Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima de não ver
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.
Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.
Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.
Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.
Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"
(Porque é tempo de Adriano e de Zeca e de Zé Mário Branco e de tantos outros, e a mim continuam a faltar-me as palavras...)
Uma beleza!
ReplyDelete...a eternidade é ser livre e amar.
Estas palavras também podiam ser tuas.
Beijinhos
Maria:
ReplyDeleteSe usualmente a nudez é bela, esta nudez é sempre bela
Obrigado por me relambrares um poema que tanto ouvi numa altura em que até usei o pseudónimo "Adriano"
Beijo
João
Lindo.
ReplyDeletePorque é tempo, é urgente “novamente”, as palavras.
Um forte bj a saber a Saudade
GR
Maria, hoje, quem fica quedo e mudo sou eu. ,
ReplyDeleteO, I ,O
...O...
Pelo menos Adriano está a ser lembrado cá por cima.
ReplyDeleteAbreijos.
Logo foste buscar - e bem - o meu ( nosso ) tão querido Manuel da Fonseca :
ReplyDelete" Olha o vagabundo que leva o sol nas algibeiras ",
que lembranças do meu alentejo, dos malteses, das " searas de vento ",
das lutas clandestinas...
Bem hajas, Maria, por lembrares...
Olha, sabes, ontem fazia anos, se cá estivesse, o Soeiro Pereira Gomes, aquele que escreveu a coisa mais linda como:
" Aos filhos dos homens que nunca foram meninos..." , na introdução em " Os Esteiros "...
Enfim, toma lá um beijo redondo, e não diugo mais nada.
Eduardo
Estas palavras são nossas!
ReplyDeleteNão são tuas, as palavras, mas bem poderiam ser...:)
ReplyDeleteBeijos, Maria.
E as palavras passeiam nuas
ReplyDeletee são tão belas
como a tua falta delas...
fazendo-se palavra e silêncio
deram as mãos as duas
e sairam cantando amor pelas ruas!
(e não fosse poesia...Maria!:))
Beijinhos
Para que seja Amor é preciso despir os enfeites... e as aparências...
ReplyDeleteÉ preciso ser o nu da pele e a liberdade de saber dize-lo...
É preciso que os nus se façam um...
Beijo carinhoso
Uns dizem,"estas palavras podiam ser tuas"... outro diz, "estas palavras são nossas"....
ReplyDeleteTudo é verdade!
E, um destes dias, Maria ,eu vou precisar destas palavras também ...e não regateio, penso no Manel... e venho aqui roubá-las...
Uma beijoca
Vou dormir...
A nudez da alma,
ReplyDeletea pura nudez da alma.
Sempre, Maria.
Um beijo
São tuas, são minhas, são de todos, estas palavras de liberdade.
ReplyDeleteBeijos.
Maria,
ReplyDeleteQuando nos faltam as palavras, nada melhor que pela voz dos nossos autores deitarmos cá para fora os nossos sentimentos. E Manuel da Fonseca fá-lo tão bem!
Beijos
Pedir palavras destas emprestadas é sempre uma óptima alternativa!... :)
ReplyDeleteAs palavras do Manuel da Fonseca, são as palavras do povo ao qual ele pertencia, e pelo qual ele tambem lutava!
ReplyDeleteBjos camarada
"o querer e o lutar
ReplyDeletedia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar."
Como escolhes bem as palavras dos outros quando escasseiam as tuas ...
Beijo grande
A poesia não tem tempo.
ReplyDeleteZé Mario Branco, Zeca ou Adriano maravilham-nos com os seus poemas, pela sua simplicidade, pela força e pela mensagem.
"Tu e o meu amor" é um poema conseguido, que foi muito bem escolhido para figurar neste teu espaço...
Ai o que ue gosto desta música que 'canto' tantas vezes...
ReplyDeleteBeijinhos, Maria
Maria... um lindo poema do Manuel da Fonseca. O trocadilho das palavras é fascinante!
ReplyDeleteTerno beijo!
só nu
ReplyDeletee gémeo de uma alma livre se ama.
e rompe a poesia ao lembrar Adriano
e Zeca...
______
de abraço em abraço deixo-te o rubro...
também penso que a eternidade é ser livre. quando a amar... prende tanto!
ReplyDeleteOlá!
ReplyDeleteCheguei ao teu cantinho pelas mãos da Blue...
Adorei:=)
Gostei de relembrar poema de M.F., Voltarei
Beijocas
Eternos!
ReplyDeleteNão há palavras que digam o que sinto a lê-los.
Grata pela partilha.
Beijinho e tudo de BOM
Tenho-te visitado e tenho lido alguns posts.
ReplyDeleteGosto de os ler e de te ler. Gosto mesmo muito.
O que se passa então que não comento?
Faltam-me as palavras para te dar seguimento.
É tudo muito profundo. Toca-me demasiado que nem sei o que dizer.
O meu silêncio diz muito, mas tinha que te dizer isso mesmo.
Abraços solidários com as palavras e com os actos.
Ah! esquecia-me de te informar que vou finalmente linkar-te para não te perder de novo.
ReplyDeleteA nossa alma fica nua com o amor, completamente frágil e feliz. :)
ReplyDeleteBeijinhos
Olá Maria, belas palavras...Espectacular....
ReplyDeleteBeijos
Maria. Gostei de ler Manuel da Fonseca as palavras,lembrar sempre.
ReplyDeleteBeijinho de amizade
Lisa
Maria, este poema junto a foto que tens abaixo...vou embora.
ReplyDeletebeijos e finalmente chove!
Olá Maria!
ReplyDeletePassei para te informar de que o meu novo blog "Photos of Ireland",esta a partir de hoje aberto ao publico:)!
Deixo-te um beijo e um desejo de que tudo et vá correndo pelo melhor!
Uma emoção...ouvir e ler este poema!
ReplyDeleteTão simples era Manuel da Fonseca e tão profundo o seu saber fazer!
Emoção é o que sinto e mais não consigo dizer!
Um beijo
a roupa não é necessária para se construir um poema bonito e simples... o amor sim, nem que seja às palavras.
ReplyDeletebeijinho Maria
Maria as palavras podem faltar, mas acho que nas palavras de Manuel da Fonseca deixaste muitas que querias dizer.Beijo Maria
ReplyDeleteSe sempre que te faltarem as tuas palavras, recorreres a palavras como estas, estamos em casa: estas são as nossas (tuas) palavras.
ReplyDeleteUm beijo grande.
As palavras estão em você, descansando talvez, mas sempre cheias de emoção, com muito sentimento.
ReplyDeleteUma dica, não sei se já faz, deita com um caderninho e caneta as vezes as palavras acordam na madrugada.
abraços
Não são tuas as palavras, mas reflectem tudo aquilo que pensas...
ReplyDeleteFicamos à espera das TUAS...
:))
Beijitos, Maria
Maria este poema
ReplyDeleteé uma beleza " nú contra nú"
São palavras de uma extrema beleza , a própria fo que tens em baixo nua enquadra-se lindamente neste poema
Parabéns Maria
Maria , tenho passado por aqui e vou lendo o que por aqui no seu "cantinho" se escreve.
ReplyDeleteEste leitura calma, fez-me descobrir que temos muito em comum e ,por isso, vou voltar.
Neste mês de Abril que já foi de tanta alegria e que actualmente está tão cinzento é bom recordar as vozes e as palavras daqueles a quem chamamos as vozes de ABRIL.
Um abraço
Nocturna
Dias deles. Da liberdade que cantaram.
ReplyDeleteE nós, ai a nós...continua a faltar-nos espalhar a palavra maior: Terra da Fraternidade.
Bj
Deixas-me sempre sem palavras, mesmo quando usas as dos outros! Obrigada amiga...
ReplyDeleteSimplesmente obrigada.
ReplyDeleteum bjo grande e viva a liberdade!
beijinhos Maria, mesmo sem palavras deixas-nos muito.
ReplyDeleteeu já gastei as minhas no meu blog, gastei as minhas palavras a minha paciência.
Um sorriso Maria.
Muito obrigada por terem passado por aqui.
ReplyDeleteBeijos a todos
Maria,
ReplyDeleteDesculpa. Ontem não pude vir aqui .
Mas espero ter chegado a tempo de te dizer, minha amiga, que esta tua escolha é linda.
Muito obrigada pela partilha,
Beijinhos
È lindo!
ReplyDeletebeijos