"QUANDO EU MORRER VOLTAREI PARA BUSCAR OS INSTANTES QUE NÃO VIVI JUNTO DO MAR" (Sophia de Mello Breyner Andresen)
Monday, August 09, 2010
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me Embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Manuel Bandeira
Eu também quero ir. :)
ReplyDeleteAbreijos e boa semana.
Vim embora pra Pasárgada.
ReplyDeleteAqui, não sou amiga do rei
Mas tenho a cama e o homem
...Quase tudo que desejei!!!!
Beijo imenso, AICeT!
Já disse este poema tantas vezes...e nunca encontrei o caminho! Vou dizendo baixinho e um dia talvez descubra que Pasargada está ao virar da esquina duma qualquer rua onde passe por acaso.
ReplyDeletePara quando se está triste...
Obrigada
Um beijo
"E quando estiver cansado
ReplyDeleteDeito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias"
Um de meus poemas prediletos de M. Bandeira!
Um beijo
Beijinho de quem nunca se esquece do teu enorme abraço... Boas férias!
ReplyDeletebela a vida!
ReplyDeletebonito este poema.
beijos Maria.
Eu vou ficando por cá...
ReplyDeleteUm beijo grande.
também vou, mesmo que fique!...
ReplyDeleteabraço, tanto!
Maria...
ReplyDeletePasárgada... onde a voz dos poetas encontra a nascente de um rio sem margens, onde sobrevivem as utopias...
Um beijo!
AL
Eu também vou, não volto mais!
ReplyDeleteBJS,
GR
Espera aí Maria, eu vou contigo, isto está tão monótono!?...
ReplyDeleteBeijinhos,
Manuela
De vez em quando apetece, não é? :-)))
ReplyDeleteBeijo.
Essa vontade em mim é constante...
ReplyDeleteBeijinhos, Maria.
Posso ir contigo???
ReplyDeleteE eu vim embora para a minha província...
ReplyDelete;-)
Beijos.
Vai...mas volta!
ReplyDeleteQue bom recordar este poema...
Beijinho!!!!!
tirem-me daquiiiiii!!!!
ReplyDeletebeijocasssss
vovómaria
Digo tantas vezes este primeiro verso deste poema de fuga ao desencanto....
ReplyDeleteAbraço