Nocturno
O desenho redondo do teu seio
Tornava-te mais cálida, mais nua
Quando eu pensava nele... Imaginei-o,
À beira-mar, de noite, havendo lua...
Talvez a espuma, vindo, conseguisse
Ornar-te o busto de uma renda leve
E a lua, ao ver-te nua, descobrisse,
Em ti, a branca irmã que nunca teve...
Pelo que no teu colo há de suspenso,
Te supunham as ondas uma delas...
Todo o teu corpo, iluminado, tenso,
Era um convite lúcido às estrelas....
Imaginei-te assim à beira-mar,
Só porque o nosso quarto era tão estreito...
- E, sonolento, deixo-me afogar
No desenho redondo do teu peito...
David Mourão-Ferreira
... entretanto...
ReplyDeleteeste desgoverno cairá nas ruas
ou nas pontes
Um exímio amante da palavra e da mulher!
ReplyDeleteAbraço
Lindo Maria. Gosto tanto de David Mourão Ferreira!não conhecia este poema,obrigada pela partilha.
ReplyDeleteBeijinho.
O David Mourão Ferreira sabia como domar a poesia
ReplyDeletee arredondar o "desenho redondo do peito..."
beijo
Grande David
ReplyDeleteUm grande senhor das palavras.
ReplyDeleteAbraço.