"QUANDO EU MORRER VOLTAREI PARA BUSCAR OS INSTANTES QUE NÃO VIVI JUNTO DO MAR" (Sophia de Mello Breyner Andresen)
Friday, April 29, 2016
O MAR
Ondas que descansam no seu gesto nupcial
abrem-se e caem
amorosamente sobre os próprios lábios
e a areia
ancas verdes violetas na violência viva
rumor do ilimite na gravidez da água
sussuros gritos minerais inércia magnífica
volúpia de agonia movimentos de amor
morte em cada onda sublevação inaugural
abre-se o corpo que ama na consciência nua
e o corpo é o instante nunca mais e sempre
ó seios e nuvens que na areia se despenham
ó vento anterior ao vento ó cabeças espumosas
ó silêncio sobre o estrépido de amorosas explosões
ó eternidade do mar ensimesmado unânime
em amor e desamor de anónimos amplexos
múltiplo e uno nas suas baixelas cintilantes
ó mar ó presença ondulada do infinito
ó retorno incessante da paixão frigidíssima
ó violenta indolência sempre longínqua sempre ausente
ó catedral profunda que desmoronando-se permanece!
António Ramos Rosa
ó poema, de manso mar
ReplyDelete... e se a presença do mar infinito
se revoltar?
Estaria o poeta a falar do "nosso" mar? Poderia ser...
ReplyDeleteTenho saudades
beijo
Intensamente erótico este olhar sobre o mar. É um mar , certamente, que se revolve e se embate contra o litoral. Quantos mares haverá no mar?
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