Os putos
Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.
Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.
Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.
As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo
Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.
O mundo da canção enriqueceu-se, e de que maneira, com os poemas de Ary.
ReplyDeleteQue belas recordações... A minha mãe cantava esta canção. E na altura eu nem gostava muito... Agora trouxe-me muitas saudades.
ReplyDeleteBeijinhos linda
E o que as nossas amigas e amigos brasileiros "estranhavam" estes versos?! :)))
ReplyDeleteAbreijos
Maroca,
ReplyDeleteOs meninos e o jogo da bola... O mundo já foi inocente assim!
Beijo grande
“Os putos” será aquele poema –canção que ficará para sempre ,e temos também tido a sorte de ouvir a canção por quem tão bem a sabe interpretar
ReplyDeleteSaudações amigas e boa semana de trabalho
Linda e comovente a letra, melodiosa a música, maravilhoso o seu blog. Voltarei tantas outras vezes.
ReplyDeleteFraternos abraços.
A poesia portuguesa não seria a mesma se não tivesse havido Ary.
ReplyDeleteLamentável que ainda haja quem o discrimine por isto e aquilo.
Enfim...mentes pequeninas.
Ele também não se ralava nada.
Boa semana e Beijinhos
A maneira bonita, tantas vezes simples, de construir imagens.
ReplyDeleteO grito a esmurrar as convenções...
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O mar que todos se renova...
todos os dias a refazer águas e marés...
abraço forte
Olá Maria! Bom dia :)
ReplyDeleteJá me puseste a cantar... parecem bandos de pardais á solta... os putos....
E também, como se já não bastasse:) trouxeste a lembrança do meu avô, no sangue corria-lhe o fado... chegou a cantar aqui e ali... portanto o demer das guitarras é música para os meus ouvidos...
Esta letra é lindissima e olha fiquei bem...
Muitos beijos e um xi-coração apertadinho.
ups! queria diser o "gemer" das guitarras.... também tou a ficar pitosga!!!!
ReplyDeleteAry foi, e continua a ser, o poeta do amor, da luta e da liberdade.
ReplyDeleteBeijinho.
Que saudades desses putos de rua. Agora.... agora o puto não pede esmola....
ReplyDeleteDeixo-te um beijo
Ainde e sempre... e sempre, o Zé Carlos.
ReplyDeleteObrigado e um beijo grande.
Uma semana muito fixe para si.
ReplyDeletelinda esta música!
ReplyDeleteÉ um retrato perfeito , poético, inimitável. Que bom cantarolar os putos!
ReplyDelete"Sentam-se ao colo do pai
ReplyDeleteÉ a ternura que volta"
é bonito, sim.
um beijo
Esta música é daquelas que acho que me recordo desde sempre.
ReplyDeleteÉ linda.
Bijinhos.
Entrar sem pedir autorização é feio, não é? Através de outros blogues já aqui tinha passeado, mas não me atrevi a comentar. Faço-o hoje, primeiro para lhe dizer que gosto realmente deste blogue, é muito versátil, diversificado e espaireço muito nele. Em 2.º lugar, Carlos do Carmo é um dos fadistas que não me cansa nunca e Ary dos Santos é e será sempre Ary dos Santos.
ReplyDeleteMV
Eh Lá - que bom lembrar isto. É daquelas músicas que estão sempre presentes na nossa cabeça, debaixo da nossa língua - mas nem sempre nos lembramos de a ouvir como dever ser a quem a sabe cantar. E o Ary - nem digo nada que não vale a pena. Saudade...
ReplyDeleteBeijinhos, Maria
E essa música tem uma história engraçada contada por ele durante um show aqui no Brasil, já que aqui os meninos não são "putos" porque puto é outra coisa, diz que a platéia o olhava horrorizada e ele sem entender nada, cantou até o fim. Ao final do show é que lhe contaram o porque de tanta cara feia... hehehe
ReplyDeleteBeijinhos
Querida amiga. venho agradeçer a visita,pois tenho estado de cama com uma gripe,vim aqui ontem um pouquinho,mas a cabeça pesada não deixava estar por aqui.este poema tem duas coisas em comum,as palavras do grande Ary,a voz maravilhosa de Carlos do Carmo,se ligam bem,lindo, adorei.
ReplyDeleteBeijinho e boa semana
Este poema será eterno... neste caso não apenas enquanto dure porque será para sempre.
ReplyDeleteUm beijo, Maria da ilha
em azul
Poema lidíssimo ( Ary )numa voz inigualável( C. Carmo).
ReplyDeleteBoa semana, Maria.
Bj.
EA
Sempre!
ReplyDelete...
ReplyDeletetu fazes magia
há quanto tempo não ouvia esta bela canção.
deixo-te um beijo
maria ilha
MARIA!
ReplyDeleteEu adoro esta música... acho-a tão... sei lá... linda!!
Um beij para ti...
Maria,
ReplyDeleteEstes versos, esta música, este cantor... trazem-nos de volta um tempo que não queremos.
Mas é uma canção eterna.
Um abraço
MARIA,
ReplyDeleteolá, como vais?
apetece cantarolar... é sempre muito gratificante, passar por aqui. E muito mais, saber que "me acompanhas". sempre...sempre...
muitos beijos
Ontem ouvi no RCP, no finl da tarde, uma homenagem ao Ary, com a presença de Fernando Tordo... Merecidamente; e alguém disse, com razão, que é um crime o Ary não vir nos manuais escolares, o que também é a minha opinião
ReplyDeleteTanta falta que nos faz... O que aquele poeta seria capaz de escrever na actual situação do País.
ReplyDeleteUm abraço e uma boa semana
Uma letra que veio para ficar...eternamente.
ReplyDeleteGrande beijinho
Fica bem
Ana Paula
Sempre foi das preferidas da minha Mãe, tocava vezes sem conta...
ReplyDelete:)Beijinho, Maria*
A força da palavra de um, com a colocação de voz magistral de outro!
ReplyDelete... um sonho!
Maria
ReplyDeleteGrande poeta, grande fadista grandes guitarristas!
Obrigado amiga
Bjos amiga
palavras lindas!
ReplyDelete...deram um excelnet Fado!
bjs...boa semana
Maria, certamente!
ReplyDeleteVou parar um tempo... tese, escola, música, Acções, etc. etc
...e a voz de Carlos do Carmo a entrar-me pelos ouvidos!
ReplyDeletebeijos
OLá minha nova amiga Maria.
ReplyDeleteUma linda canção, que nos traz aos velhos tempo da infância, sou do Brasil, e não posso falar sobre putos, pois não ei o que significa, mas a canção e o texto maravilhoso.
Um beijo recheado de ternura e paz.
Boa semana para vc.
Te aguardo no meu cantinho.
Vim através do blog do Sibarita.
Regina Coeli.
E eis aqui mais uma amostra de versos sem rédeas e destemidos!
ReplyDeleteBeijos te deixo, querida!
Para os visitantes do lado de lá do Atlântico:
ReplyDeleteA palavra PUTOS, aqui, significa CRIANÇAS, MENINOS, ARRAIA MIÚDA!!!!!
Beijos a todos que passaram por aqui
Ary e Carlos, dois grandes nomes, cada qual á sua maneira.
ReplyDeleteNenhum deles, bom feitio...
Muitas vezes o talento existe na proporção inversa da simpatia...
Beijinho
Outros tempos, outros putos, putos que cresceram e hoje recordam essas vivênvias. Um beijo
ReplyDeleteSempre e sempre Carlos e Carlos :)
ReplyDeleteTambem eu joguei com bolas de pano...corri com o arco...joguei nas beiras dos passeios com as caricas..saltei ao eixo..lancei pião...
Felizzmente não pedi esmola...nem conheci a força bruta dum chui...mas que corria sempre quando passava á frente da esquadra...isso corria... :)
Por este momento...Obrigada
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