Wednesday, April 29, 2009

Abismo


De tanto cerrar os dentes trinquei o coração.
Que sangra sem parar, como um rio.
Quando nos perdemos. Porque deixei de te ver.
Não sei dos trilhos que caminhas nem das árvores que te abrigam.
Sei de um rio, verde-sangue. Mas não sei da foz nem da fonte.
Perdi-me no meio do nada e não encontro o caminho.
Não sei regressar-me. Os meus passos levam-me à falésia.
E à vertigem. O abismo. O sim e o não.
O silêncio é total e ensurdeço. Nem te oiço.
Mas cheiro-te. E tu salpicas-me de lágrimas. O mar em frente.
Deixo-me cair devagarinho e adormeço.
Sei que quando a maré começar a subir virás lamber-me os pés…

37 comments:

  1. Maria:

    Mas é que vem mesmo. É só uma questão de esperar

    Beijo

    João

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  2. Trincar o coração! Prefiro trincar tremoços e não cair no abismo da gordura.

    Abreijos.

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  3. As marés... que tudo podem...

    Abreijo

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  4. Escrever com a caneta da alma.

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  5. Uf... este poema tirou-me o fôlego...

    é potente e belo, como um Ferrari.
    :))

    beijocas

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  6. O mar, sempre o mar dentro de ti...
    :)

    Beijos, Maria

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  7. São assim as marés, cheias e vazias, sucedendo-se ininterruptamente ...

    Beijo Maria

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  8. «Esse rio que vai lento
    espreguiçando-se a teus pés
    não traz nunca a mesma água
    não volta nunca para trás
    Já não é o mesmo rio
    e nem uma das suas ondas
    voltará para a nascente

    “Não te prendas a uma onda qualquer
    que a teus pés venha morrer
    Enquanto o teu pé estiver
    dentro dessa mesma água
    Muitas outras novas ondas
    junto dele irão morrer

    Na cidade onde eu vivia
    sempre tão cheia de gente
    se bem que ninguém lá fique
    é costume ouvir cantar
    Uma cantiga que fala
    do fluir das coisas que há
    neste mundo, e assim começa

    Não te prendas a uma onda qualquer
    que a teus pés venha morrer
    Enquanto o teu pé estiver
    dentro dessa mesma água
    Muitas outras novas ondas
    junto dele irão morrer»

    (Fiama Hasse Pais Brandão)

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  9. não acredito que o blogger me comeu as palavras...


    deixo um beijo

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  10. Decerto que a maré te encontrará!

    Beijos

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  11. Sentido.

    Beijinho, minha Maria*

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  12. Querida amiga Maria,

    Lindo texto!!! Gostei!!!

    Deixo-me cair devagarinho e adormeço.
    Sei que quando a maré começar a subir virás lember-me os pés.

    Beijinhos de carinho e amizade

    Lourenço

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  13. Passei, li, senti e... voltei!
    bj

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  14. O mar sempre nos aconchega quando mais precisamos... é simplesmente fabuloso...

    Que a dor e a tristeza se dissipem, são os meus sinceros desejos...

    Serenos sorrisos

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  15. os afastamentos torturam e parece que nada mais existe. felizmente ainda sabes que a maré o trará de volta

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  16. Maria. Lindo o texto...mas marés virão e trarão de novo,as alegrias e os desejos.
    Beijinho

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  17. Um poema que tanto me tocou Maria...

    Beijo linda

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  18. Confesso que fiquei na dúvida se falas do teu "eu" poético ou do país (sei de um rio, verde-sangue).
    Em qualquer caso o poema é belíssimo, gostei imenso.
    Beijos, cara amiga Maria.

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  19. Mare Nostrum
    Um poema a saber a sal e lágrimas

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  20. E a maré vem já aí...


    Um beijo grande.

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  21. A maré começará a subir. Aguarda!
    Um beijo

    Bem-hajas!

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  22. Como a dor pode ser bela, Maria...
    É linda a tua dor...
    É lindo o teu poema...

    Sente-se... cheira-se... dói...

    Beijo grande para ti...

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  23. QUERIDA MARIA, BELO POEMA SAÍDO DO TEU CORAÇÃO AMIGA... ADOREI!!!
    BEIJINHOS DE AMIZADE,
    FERNANDINHA

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  24. Maria

    Vejo que temos a mesma paixão pelo mar, a mesma intensidade na procura, talvez a mesma desilusão e força de lutar.
    Por isso te encontro aqui.

    Abraço

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  25. A dor eterna nas tuas belas palavras, Maria!

    Um beijo

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  26. Viva Maria!!!
    que saudade de vir até aqui...
    e tu continuas triste... mas as palavras são dolorosamente belas!!!
    Abracinho

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  27. Não estou triste, Amigos!
    São apenas palavras, palavras de momento...

    Obrigada por terem passado.

    Beijos a todos

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  28. Beijos Maria muitos, só vim aqui agora e tenho a M. a chamar-me...
    Amei este poema.
    Já fui ao blog do Pedro, deixar-lhe um beijo de boa noite :)

    agora vou dormir e volto depois para te ler com toda a calma que me mereces.

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  29. Muito belo Maria, parabéns!
    Embora sempre tenha gostado do que escreves, constato com alegria, que
    vais amadurecendo um estilo (o teu) e duma forma doce e dolente, mesmo quando "falas" de raiva.
    Beijos Amiga.

    Maria Mamede

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  30. ontem perdi as palavras que aqui te quis deixar e acabei por não as encontrar.
    hoje o dia é outro e as palavras também o são.

    num sobe e desce dengoso.
    de língua fresca e húmida que se arrasta por mim acima
    e se derrete por mim abaixo.
    olha-me a teus pés! deitada sobre um manto de finos grãos que as pedras choraram ao longo dos anos.
    ouve-me a pedir-te prazer! descalça, de pés nus, numa espera sem pressa.
    virás, ao amanhecer, quando o sol se espreguiça ainda por trás da serra.
    e eu no mar…
    a nossa dança de pernas doiradas e espuma branca vai fazê-lo brilhar. cobiçará os nossos corpos, ardentes do fogo de uma paixão antiga. a que sempre em nós acenderá a fogueira do amor. brasa que o mar acalma e refresca e suaviza, para voltar a salgar os beijos dos nossos lábios.
    o primeiros raios assistem, incrédulos…
    de tal forma que o sol não arrefece, queima, arde, apressa-se na busca do horizonte… até se encontrar no mar, que nos faz assim amar...
    beijo e abraço com muita ternura... a nossa, maria
    gosto-teluísa

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  31. eterna

    mente

    os passos a caminho de um mar que tarda

    ______

    se descobrir, prometo que te conto Maria. a primavera tarda a florir os olhos

    beijos

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  32. Não trinques o coração
    Que o rio vai bailar
    Na foz da tua canção!
    Chama-o, antes da tarde
    Virá, no teu coração…
    E saber esperar, é sempre a opção...
    Lindo está o teu abismo
    Que no acordar vai derrubar
    Todo o pessimismo...e sismo! :)

    Beijinho Maria, que amanhã é Dia!

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  33. "Ah, esse amor selvagem,
    Passagem pra loucura e pra dor.
    Mas, eu confio na sorte,
    Eu sou forte como o bicho mais feroz.
    Ah, esse amor aflito,
    Que eu grito e ninguém pode ouvir.
    Mas, me entrego a um sonho
    Que eu componho em versos pra você dormir".


    Procura a melodia "Pra Ser Minha Mulher. (Roberto Carlos)

    bom dia Maria

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  34. Obrigada por terem passado aqui.

    Beijos

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  35. Trinque o coração não moça! kkkkkk

    Pois é, se a maré começa a subir vou beijar seus pés mesmo, eu vou morrer afogado, é? kkkkkkkk

    Sou best não! kkkkkkkkkkkkkkkk

    bjs
    O Sibarita

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  36. POR ACASO NÃO ESTARÁS A DAR VOZ AO PRÓPRIO ABISMO? A SÊ-LO? TU ÉS A FALÉSIA ,ELE É O MAR?

    POR OUTRO LADO ...NINGUÉM MORRE,NINGUÉM SE PERDE SE OUVIR A VOZ DO CORAÇÃO...

    RESTA A ESPERANÇA DA MARÉ SUBIR E VIR LAMBER OS PÉS...

    ABRAÇO SENTIDO

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