Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Tem no ano dois mil a idade de Cristo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos vir pedir contas do nosso tempo
David Mourão-Ferreira
beijo
ReplyDeleteBoas Festas.
"Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
ReplyDeletee anda já um terror no látego do vento"...
FASCINANTE!
Um beijo de Feliz Natal!
Maria!
ReplyDeleteDesejo que as palavras ditas, escritas, recebidas nesse Natal, sejam frutos dos nossos corações e que permanecem durante todos os dias das nossas vidas.
abraços
há meia-noite em ponto recebi o "BOm Natal" dos filhotes. Engraçado, nunca antes tinha acontecido a hora tão certinha.
ReplyDeleteBoas festas para ti
Há tanto tempo...que não lia este poema....do meu poeta ( entre muitos) de eleição.
ReplyDeleteObrigado Maria, por o recordares.
Boas Festas...e um 2010 pequeno de martírios, longo de realizações.
Beijo .
Obrigada por este poema tão natalício e tão lúcido!
ReplyDeleteAbraço
Maria:
ReplyDeleteFizeste umas esoclhas muito felizes para este Natal!
Muitíssimo oportunas de facto
Bom Natal
João