
SONATA DE OUTONO
Inverno não ainda mas Outono
a sonata que bate no meu peito
poeta distraído cão sem dono
até na própria cama em que me deito.
Acordar é a forma de ter sono
o presente o pretérito imperfeito
mesmo eu de mim próprio me abandono
se o rigor que me devo não respeito.
Morro de pé, mas morro devagar.
A vida é afinal o meu lugar
e só acaba quando eu quiser.
Não me deixo ficar. Não pode ser.
Peço meças ao Sol, ao céu, ao mar
pois viver é também acontecer.
José Carlos Ary dos Santos
(retirado do Cravo de Abril)
Poderia colocar aqui qualquer outro soneto ou canção ou poema do Zé Carlos. Ou de alguém que tenha escrito um poema para o Ary.
ReplyDeleteMas depois de vir da Homenagem no Coliseu e de ver alguns blogues, optei por esta.
A emoção foi grande. Ary é Abril!
Hoje e sempre.
ReplyDeleteAbreijos.
Um grande Poeta. Um grande Homem. Que viva Abril!
ReplyDeleteUm beijo.
Maria,
ReplyDeleteAry é um dos que fazia cá falta agora, para chamar os bois pelo nome, com frontalidade e convicção.
Bem hajas, minha amiga.
Beijinho para ti, daqui!
"Poeta castrado, não!"
ReplyDeletee bem tentam calar as vozes das cidades e dos campos!
Ó Maria, as noites minhas são crianças confusas, bem sabemos as duas - que nos encontramos no improvável escuro-claro - das fora de horas que somos. Mas olha que por vezes são dislexias contra a impavidez ou normas contra as mornas...sei lá (já corrigi, obg!)
Beijo
"mesmo eu de mim próprio me abandono
ReplyDeletese o rigor que me devo não respeito." Demais... :)
Obrigada e beijinhos, Maria.
Muito obrigada por terem passado aqui.
ReplyDeleteBeijos
Maria:
ReplyDeleteFico feliz por teres tido a oportunidade de teres estado lá!
O poema também é fantástico. Já o tinhas publicado antes e ontem estive a lê-lo com atenção dado o teu comentário
Beijo
João
ARY É ABRIL!
ReplyDelete(de facto)
Um beijo grande.