Adeus à hora da largada
Minha Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
tu me ensinaste a esperar
como esperaste nas horas difíceis
Mas a vida
matou em mim essa mística esperança
Eu já não espero
sou aquele por quem se espera
Sou eu minha Mãe
a esperança somos nós
os teus filhos
partidos para uma fé que alimenta a vida
Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico
somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos
Amanhã
entoaremos hinos à liberdade
quando comemorarmos
a data da abolição desta escravatura
Nós vamos em busca de luz
os teus filhos Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
Vão em busca de vida.
Agostinho Neto
(continuo distante. mas volto.)
É um dos que deve andar a dar pontapés no túmulo... Não merecia o que está a acontecer no país que ajudou a libertar.
ReplyDeleteAbreijos.
Grande dia foi esse 4 de Fevereiro que aqui relembras com este poema belíssimo de Agostinho Neto.
ReplyDeleteUm beijo grande.
A escravatura mantem-se, diferente mas igual...
ReplyDeleteSEMPRE NO CAMINHO DA LUZ
ReplyDeletemesmo nas noites brancas
com certeza deve ser a pior dor, ver os filhos partirem.
ReplyDeletebeijo
Mesmo longe, estás perto, estás na minha sala. rsrs Qualquer dia envio fotos dos cantinhos que estás.
Mãe preta, mãe branca!
ReplyDeleteTantas mães que sofreram com a guerra iniciada neste dia...
E que continuam a sofrer!
Abraço
...e vão continuar a partir...e a deixar partido o coração das mães...
ReplyDeleteQue possam um dia regressar e Acreditar.
brisas mansas para ti**
Belo poema!
ReplyDeleteNão suspeitava Agostinho Neto qual a dimensão do tremendo desvio que iria ser feito no caminho...
Abreijo.
Um passado presente...
ReplyDeleteNão conhecia este poema, e gostei.
Um grande abraço
Tanto sofrimento...
ReplyDeleteBeijinho, minha Maria (com saudades)*
Bem recordado, Maria.
ReplyDelete:)))
Um grande poema de um Poeta Enorme!
ReplyDeleteOuço a voz do Rui mingas a cantá-lo e lembro ...
Obrigada
Um abraço sentido... encurta distâncias!
ReplyDeleteTambém não conhecia!
ReplyDeleteObrigado
João
Era menina quando ofereci este poema a minha mãe! Um camarada tinha-lhe oferecido um livro do Agostinho Neto, que li e reli infinitas vezes durante tardes a fio...mesmo sem o entender nessa época, adorava lê-lo.
ReplyDeleteObrigada por me trazeres estas memórias.:)
Um beijo
Bonito poema.
ReplyDeleteVolta depressa.
Gd Bj,
GR
A poesia de um grande poeta...raramente conhecido como tal!
ReplyDeleteBeijinho
Muito obrigada por terem passado por aqui.
ReplyDeleteBeijos a todos.
A Liberdade
ReplyDeleteainda não passou por ali. O sonho é que os aguenta, aos meninos de ontem.
Agostinho Neto merecia ser lembrado porque é um orgulho (nosso também) que tivesse existido.
Bjs