Monday, September 05, 2011

Romance ingénuo de duas linhas paralelas

Duas linhas paralelas
muito paralelamente
iam passando entre estrelas
fazendo o que estava escrito:
caminhando eternamente
de infinito a infinito.
Seguiam-se passo a passo
exactas e sempre a par
pois só num ponto do espaço
que ninguém sabe onde é
se podiam encontrar
falar e tomar café.
Mas farta de andar sozinha
uma delas certo dia
voltou-se para a outra linha
sorriu-lhe e disse-lhe assim:
“Deixa lá a geometria
e anda aqui para o pé de mim…”
Diz-lhe a outra: “Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
temos de ir devagarinho
andando sempre a direito
cada qual no seu caminho!”
Não se dando por achada
fica na sua a primeira
e sorrindo amalandrada
pela calada, sem um grito
deita a mãozinha matreira
puxa para si o infinito.
E com ele ali à frente
as duas a murmurar
olharam-se docemente
e sem fazerem perguntas
puseram-se a namorar
seguiram as duas juntas.
Assim nestas poucas linhas
fica uma história banal
com linhas e entrelinhas
e uma moral convergente:
o infinito afinal
fica aqui ao pé da gente!

José Fanha

14 comments:

  1. Olá Maria!

    Lindo! O Fanha é espectacular!
    Que tal correu a festa?


    Beijinhos

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  2. Lindo...o infinito afinal...fica aqui ao péd a gente.
    Não conhcia este poema. Grata por partilhares
    BShell

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  3. Olá Maria.

    Foi um prazer imenso.
    Valeu a pena ir à festa,por tudo.

    "O infinito afinal fica aqui ao pé da gente!".

    Um abraço,
    mário

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  4. Ah, este poema eu adoro!...
    beijos.

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  5. Excelente!

    Um beijo grande - e mais outro: o que ficou por dar, na Festa.

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  6. Um poema que nos diz que afinal o sonho é possível!

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  7. O infinito afinal fica aqui ao
    pé da gente e nós sem sabermos
    tanto caminhamos na sua busca
    e bastava um voltar...
    Sempre se pode sonhar.
    Um beijo
    Irene

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  8. Que coisa mais linda... :)

    Beijinhos, Maria.

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  9. Maria:

    Fica pois.

    Também desconhecia!

    tu e eu, juntos tudo podemos. É só querer!

    bjs
    João

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  10. E os poetas sabem destas coisas primeiro... :-)))

    Abreijo.

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  11. Excelente.
    Às vezes parece que nem passa o tempo! De ontem e de hoje.
    Beijinhos

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  12. Tem amores que são assim, andam um bom tempo em paralelas.

    beijo

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