Friday, April 20, 2012

A um Homem de Abril




"a Vasco Gonçalves”

Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.
Quem conheça o sul e a sua transparência
também sabe que no verão pelas veredas
da cal a crispação da sombra caminha devagar.
De tanta palavra que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada.
Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão
era morada e instrumento de alegria.
Esse eras tu: inclinação da água. Na margem
vento areias lábios, tudo ardia.

Eugénio de Andrade

9 comments:

  1. Bonito o Poema.
    Bela escolha para lembrar o 25 Abril.

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  2. Não conhecia
    Tal poesia
    Nem acto tão empenhado
    tão reconhecido
    do meu (nosso) poeta

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  3. Bem apropriado.

    Um abraço,
    mário

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  4. Muito a propósito.
    Um abraço e bom fim de semana

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  5. São cada vez mais actuais as palavras do Vasco Gonçalves!...

    Um abraço Maria!
    AL

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  6. E, no entanto, a história demora tanto tempo a erguer as palavras verdadeiras adulteradas pelo lixo da mentira!
    Um abrasso da fenda do asso

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  7. não conhecia esta homenagem a um ser humano de excepção.

    beijinhos Maria

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  8. Emociono-me sempre que leio este poema de Eugénio dedicado a a um homem inteiro chamado Vasco Gonçalves, que "habitava o comum da terra"...
    Obrigada, Maria

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