Monday, June 11, 2012

Memória de Vasco Gonçalves


O Comum da Terra

Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.
Quem conheça o sul e a sua transparência
também sabe que no verão pelas veredas
de cal a crispação da sombra caminha devagar.
De tanta palavra que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada.
Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão
era morada e instrumento de alegria.
Esse eras tu: inclinação da água. Na margem,
vento areias mastros lábios, tudo ardia.

Eugénio de Andrade

6 comments:

  1. A pausa continua. Mas não quis deixar de assinalar esta data. São já sete os anos em que não o temos connosco.

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  2. "De tanta palavra que disseste algumas se perdiam, outras duram ainda, são lume..."

    assim fosse hoje.

    num quotidiano de tantas palavras que se esfumam na poeira.

    beijo, grato

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  3. Duram ainda e durarão.

    Um abraço,
    mário

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  4. A memória que se não apaga
    e voltará a ser bandeira
    quando o tiver de ser

    Há memórias que são bandeiras
    por desfraldar

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  5. Tão lindo este poema Maria, para homenagear o "Vasquinho", como eu lhe chamava e foi em homenagem a ele que hoje tenho um filho de nome Vasco.

    Ele que inspirou belíssimos momentos e até criações musicais:

    "Força, força companheiro Vasco,
    nós seremos a muralha de aço".

    Continuaremos a sê-lo e como diz o Rogério:
    "Há memórias que são bandeiras
    por desfraldar".

    Beijos solidários e saudosos.

    Branca (também em modo de pausa), :))

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  6. Um homem bom...

    Toma o teu tempo... mas vem assim dizer-nos olá de vez em quando!
    Beijinhos,

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