"QUANDO EU MORRER VOLTAREI PARA BUSCAR OS INSTANTES QUE NÃO VIVI JUNTO DO MAR" (Sophia de Mello Breyner Andresen)
Saturday, January 18, 2014
Memória de Ary dos Santos
Ecce Homo
Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.
Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.
Pois deuses somos nós. Deuses do fogo
Malhando-nos a carne, até que em brasa
Nossos sexos furiosos se confundam,
Nossos corpos pensantes se entrelacem
E sangue, raiva, desespero ou asa,
Os filhos que tivermos forem nossos.
Ary dos Santos, in 'Liturgia do Sangue'
No 30º aniversário da sua morte.
Uma poesia feita de luta e honra, única!
ReplyDeleteBem partilhado, neste dia.
Beijo!
Do lado luminoso e coerente da vida!
ReplyDeleteexcelente escolha - um belo poema que dá toda a "dimensão" do Ary...
ReplyDeletebeijo
Pois somos... :)
ReplyDeleteBoa semana, Maria! Beijinhos
Já o disse, assim ou de outra maneira: homem terno e querido. Este poeta das noites cansadas e dos dias imensos.
ReplyDeleteAbç