Era uma rosa azul de água amarrada
Um palácio de cheiros um terraço
E uma jarra de amigos derramada
Da casa até ao mar como um abraço.
Era a intensa e clara madrugada
Com cigarras dormindo no regaço
E a ampulheta do sono defraudada
No tempo cada dia mais escasso.
Era um país de urzes e lilases
De tardes sonolentas espreguiçando
Um aroma de nardos pelo chão
E bandos de meninas e rapazes
Correndo amando rindo e adiando
A minha inexorável solidão.
Ary dos Santos, O sangue das Palavras











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