Sunday, February 24, 2013

Ternura




Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

(David Mourão Ferreira)

9 comments:

Luis Eme said...

bonito.

beijinhos Maria

Fernando Santos (Chana) said...

Belo poema...Espectacular....
Cumprimentos

elvira carvalho said...

Lindo.
Um abraço e uma boa semana

Mar Arável said...

Belíssimo

o nosso David

heretico said...

as palavras do poeta "amarrotadas de ternura" , belas...

beijo

Sonica said...

Lindo, lindo! Bjs,

Cris Caetano said...

lindo!

beijocas, Maria :)

São said...

Dois bons momentos: José Afonso e David Mourão Ferreira, obrigada, rrss


Um resto de excelente dia desejo

Lídia Borges said...


David Mourão Ferreira, o poeta que trabalha o erotismo com a delicadeza de pétalas.


Um beijo