Saturday, June 18, 2011

No 1º ano da morte de José Saramago


Na ilha por vezes habitada


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.


(in Provavelmente Alegria)

12 comments:

Licínia Quitério said...

Belíssimo. Palavras que não morrem. Como todas as que escreveu.
Abraço, Maria.

Nilson Barcelli said...

Enquanto lia, via em directo a homenagem que lhe fizeram em Lisboa. Foi muito bonito. Enterraram as suas cinzas com um livro.
Saramago está vivo...
Minha amiga Maria, tem um bom fim de semana.
Beijos.

mfc said...

Presto-lhe a minha admiração!

Fernando Samuel said...

E já não é pouco...

Um beijo grande.

anamar said...

Sempre vivo...
Como hoje dizia Pilar, Saramago está connosco, só o José partiu.
Abraço, Maria

Agulheta said...

Saramago ficará escrito nos livros e na mente de quem gosta!Não de alguns que se escondem e fogem,tem medo dos que pensam.
Beijinho boa amiga.

samuel said...

Seremos a vida... sim.

Abreijo.

... said...

sim... a vida basta.

beijos
Maria

Pirate said...

Eterno Saramago !
"A Jangada de Pedra" foi o meu favorito. Nos dias de hoje ainda mais actual... e o vosso ?

Memória de Elefante said...

As grandes obras e os grandes escritores são eternos.
Neste poema existem duas realidades expressas belamente por Saramago.

Um beijo

João P. said...

Maria:

Voltaste cheia de inspiração

Que bela homenagem a Saramago

Eu continuo a homenagea-lo (e a mantê-lo vivo, lendo as suas obras)

Beijo

João

Rosa dos Ventos said...

Tenho andado tão atarefada e um pouco atordoada que não deu para recordar o nosso Nobel...
Mas ainda bem que houve quem muito justamente o fizesse!
Grande entre grandes!
Tenho este livro!

Abraço