Saturday, May 19, 2012

Memória de Catarina



Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

Aquela pomba tão branca
Todos a querem p´ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra
Bate as asas p´ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar

10 comments:

João P. said...

Tinha acabado de ver no Facebook alguém referir a data. Cada vez é mais importante lembrar Catarina e a luta pela jorna!

cada vez mais!

beijo

João P.

trepadeira said...

Eles voltam a andar por aí,também no poder,outra vez.

Um abraço,
mário

PAULO SANTOS said...

a actualidade intemporal....

um beijo

Pata Negra said...

Inda um dia hás-de cantar!
Cantaremos Catarina mesmo na noite mais negra!
Um abraço de Aquémtejo

elvira carvalho said...

Infelizmente parece que a maioria da geração atual não acredita nestes factos. Cada vez oiço mais jovens a dizer que o País precisa de outro Salazar.
Um abraço e bom Domingo

viajantes said...

obrigada.

um beijinho

Elsa

(levei para o face)

heretico said...

boa(s) memória(s).a tua(s)...

beijo

Justine said...

Que saudades me fizeste com este post, Maria! Desse tempo glorioso em que éramos novos e tudo parecia possível. Agora, há que passar o testemunho...
Beijinho

O Puma said...

Bjs tantos

C.B. said...

Passei por aqui... e permitam-me completar a informação: o poema chama-se "Cantar Alentejano", é da autoria de António Vicente Campinhas (Vila Nova de Cacela, 1910 - Vila Real de Santo António, 1998),poeta e prosador português algarvio. Começou a editar poesia em 1938, com o livro «Aguarelas». Entre as suas obras poéticas conta-se o livro Raiz da Serenidade. Em 1952 publica o seu primeiro romance «Fronteiriços», dedicado aos contrabandistas. Publicou ainda livros de contos. Este seu poema "Cantar Alentejano", em honra de Catarina Eufémia, foi musicado por José Afonso, no álbum "Cantigas de Maio" editado no Natal de 1971.

Um abraço a todos.