Monday, June 10, 2013

O cinzento dos dias



É o cinzento dos dias e a humidade no corpo que nos faz ficar assim. O frio que não escolhe e nos encolhe. A distância que de repente fica mais distante ainda, a uma lonjura difícil de chegar. O mar que deixou de ser azul e nestes dias se pinta de castanho. As ondas que se atiram contra nós em vez de rebentarem suavemente... em espuma de mel.

São dias de fome. E de sede.

São noites de silêncio em que nos ouvimos em gritos calados.
 São as palavras a rebentarem o peito e a ficarem aprisionadas nos dedos. É o sim e o não sem sabermos porquê.

Abro uma garrafa de tinto antigo, deixo-o aquecer até aos 17 graus. Já cheira a pão quente. O doce de abóbora ainda está morno. Falta o requeijão de Seia. E faltas tu.



13 comments:

Filoxera said...

Saudade bonita.
Como bonito é este post.
Um abraço, amiga.

Luis Eme said...

sentido e bonito.

beijinho Maria

trepadeira said...

Lindo,mesmo num dia cinzento.

Abraço,

mário

Cris Caetano said...

Ô boniteza... vou levar pra mim. :)

Beijinhos, Maria

mar said...

é assim a saudade...
um beijo grande

heretico said...

o vinho antigo é um bom antídoto - e uma sublimação.

beijo

GR said...

Muito Bonito!

Bjs,

GR

OUTONO said...

..."São dias de fome. E de sede.

São noites de silêncio em que nos ouvimos em gritos calados.
 São as palavras a rebentarem o peito e a ficarem aprisionadas nos dedos. É o sim e o não sem sabermos porquê"
Perdoa-me, "copiar"....apenas quis ilustrar este tempo, que ousaste aqui trazer...e motivou "re-leituras" mil...
Beijo!

Lídia Borges said...


O vinho, o pão / a sede a fome

Significativo.

Um beijo

Justine said...

A primavera do nosso descontentamento, apesar do vinho e do pão quente...

Maria said...

Obrigada a todos que passaram por aqui.

Beijos.

Sunshine said...

E há a esperança que aos dias cinzentos se sucedam os dias de sol.
Beijinhos Maria

Pedro Branco said...

No relógio da parede, a sala repleta de livros e história quente ainda. As cores mexem. Cheiros de ti. Há lugar na mesa para uma toalha? E a noite, que se estende aos nossos pés como quem nos convida para dançar? Gargalhadas que vão passando no vermelho-sangue do vinho. Ternuras eternas entre os nossos dedos. E nós. Que nos abraçam e nos deixam ficar.