Sunday, March 13, 2011

O cinzento dos dias


Pode o cinzento dos dias carregar-me de negro
tirar-me as palavras dos dedos, os sonhos, o sorriso
pode o teu olhar fixar-se em mim, num segredo
que não existe, que rejeito, quando te quero riso
pode a chuva que cai anoitecer-me a alma
confundindo o que sinto ou gostaria de sentir
pode a ausência de luz cegar-me, que eu, calma
esperarei pelas manhãs claras do ir e vir
posso até deitar-me no teu silêncio, enfim
e aguardar que a chuva que me sai do peito
numa torrente de rio que não tem fim
acabe por me lavar de tudo o que não tem jeito
porque se o amor tem de acabar, assim,
que acabe, então, no estado mais-que-perfeito.

25 comments:

trepadeira said...

Soberbo.Bonita ilustração.
Um abraço,
mário

Vanda Paz said...

Fantástico minha amiga. é incrivel a força que trazes nas palavras.

Beijos

Fernando Samuel said...

Bonito. Gosto.

Um beijo grande.

mariam said...

Belo,Maria!
Ainda que por breves momentos, gostei de te rever no lançamento da Licínia :)
beijinhos
mariam

BRANCAMAR said...

Belíssimo este teu poema Maria!
Curiosamente passeava-me eu por aqui a ver tudo o que escreveste e resolvi voltar ao meu correio para voltar a reler este texto que acho de uma grande profundidade e beleza.
Qual não foi o meu espanto enquanto andava por aqui também tu estavas lá no Brancamar e já não é a primeira vez que acontece.

Mas, voltando ao teu post e depois de reler e meditar cada palavra, fico sem palavras para o comentar, porque é mais-que-perfeito, na perfeição do amor.

Beijinhos
Branca

Carminda Pinho said...

Bonito!!!
:)
Beijos, Maria.

Fadhilah. MPA said...

nice blog. visit & follow me back

samuel said...

Grande malha! Muito bem esculpido...

Abreijo.

OUTONO said...

Palavras que dizem...
Sentimentos que falam...
Viagens que redigem....
Cores que exaltam...
É a sequência de um "acordar" que devemos continuar a teimar...a gritar... a ser...mesmo que não seja ...
Beijinho

Justine said...

Doi mais, mas é mais belo!
Muito belo!

Mar Arável said...

Quando as palavras cantam assim

o prazer de as ler

pede mais

Bjs

anamar said...

Sempre belas mas tristes...
Vim matar saudades...
Estou longe e com pouco acesso à net...
Beijo Maria

mfc said...

Um texto que não me surpreende nada, pois sou visita da casa há muito tempo!
Lindo, Maria... lindo!

Papoila - BF said...

Mesmo no cinzento dos dias encontras lindas palavras. Muito Bonito.

UM Beijo

Apenas eu said...

nem sempre é preciso entender o cinzento dos dias, a mim basta-me sentir as tuas palavras e são mais que perfeitas.

beijos Maria
gmt

Cris Caetano said...

Ainda bem que sabemos que o amor não acaba, não é mesmo? ;)

Beijinhos, Maria

heretico said...

poema esculpido em pedra. para melhor perdurar. mais que perfeito - excelente!

gostei muito.
beijo

Pedro Branco said...

Que o amor se acabe na torrente dos esquecimentos
Que se pinte na pele de vez
Escolhendo as negras cores dos momentos
Ou quem sabe as que o tempo ainda não desfez

Que o amor se deite num leito sem doer
Que se perca nos silêncios por aí
Feito vagabundo perdido mas sem morrer
Neste jeito com que as palavras me empurram para ti

Que o amor seja pó, lápide ou caixão
Carregando as memórias que o futuro evita
Que seja tudo, menos este inquieto coração
Na embriaguez que mói, mastiga e grita

Que o amor pare agora, eternamente!
Quero a paz dos meus olhos a brilhar
O desassossego de te ver novamente
Cantando as voltas do teu imenso amar.

Beijo-te, Maria minha.

João P. said...

Maria:

perfeito! "apenas" isso

beijo

João

A. Jorge said...

Olá!
Espero que ainda te lembres de mim. Interrompi a minha ausência de dois anos e cá estou eu de novo. Convido-te a visitares o meu novo espaço - http://escarniosmaldizeres.blogspot.com/ . É muito diferente do "Vagabundices" - http://vaggabundices.blogspot.com/ . Espero que gostes.

Beijos

Jorge

Duarte said...

Esses poros tão abertos deixam fluir

expressões dum profundo sentir.

Emoções acumuladas, que a mente repele,

Sensibilidade, a tua, à flor da pele.

Um grande abraço, querida amiga

Filoxera said...

Saíam-te dos dedos palavras, sorrisos sentidos
Trazidos pela luz, ao som do relento
Adivinhava-te segredos tão bem escondidos
Enquanto a chuva caía, batida a vento
E banias a noite escura, ao raiar do dia
Nesse olhar doce, de trovador vaidoso
Deitado no silêncio, que tão bem conhecia
Náufrago na corrente desse rio perigoso.
Esperando manhãs claras, nesse ir e vir,
Eras corrente calma, após a tormenta
E brindavas o dia assim, a sorrir,
Como quem na palete de pintor se inventa.

Beijos, amiga.

Maria said...

Muito obrigada a todos que passaram por aqui.

Beijos.

bettips said...

Ah... mas há os poemas
risos de gente
que nos acalentam a viagem
Bjs Maria

Paula Barros said...

Esses silêncios que nos fazem rio
E nos deixa feito um mar revolto
É tão ruim

Mas os dias cinzas passam...

abraços.