Sunday, November 01, 2009

Porque me apetece Eugénio de Andrade (e este poema é tão belo!)


(foto de algasp)

Poema à Mãe



No mais fundo de ti,
eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.


Eugénio de Andrade

(obrigada Cravo de Abril.
depois volto. como as aves...)

63 comments:

samuel said...

Doi sempre...

Abreijo.

Catarina Alves said...

Este poema é muito especial para mim. Sempre foi.

Obrigada por o trazeres até aqui.

Fizeste-me recuar no tempo...

Beijinho

paula barros said...

Os filhos crescem e voam, doe crescer, doe voar, mas é belo, é necessário e é lindo.

abraços

salvoconduto said...

E eu sei bem como ele adorava a mãe.

Abreijos.

Leticia Gabian said...

As mães sofrem de uma espécie de mal da percepção espacial... Os filhos não crescem!

Lindo, Maroca!
Obrigada por me dar a conhecer este POEMAÇO!

Beijo no coração, AICeT

Sal said...

Vai mas volta, com os teus poemas que nos fazem doer a alma.
Queres tu dizer que também o meu rebento um dia voará?...

Apenas eu said...

Não conhecia este poema.
como Mãe sei que ver crescer não é igual a saber que cresceram mesmo.

toca o coração.

Beijos Maria

mfc said...

A dimensão da saudade nele é brutal.

Rosa dos Ventos said...

Belo poema a todas as mães, mesmo às que já partiram...

Abraço

Joao P. said...

Maria:

Já o vi.

Obrigado!

(não admira que tenhas uma lista de amigos enooooorme) ;-)

beijo

João

maré said...

e como me apetece um mimo destes

...chega como se um abraço longínquo.

_____

mais um beijo e boa semana

viajantes said...

um poema tão especial...
obrigada.

Violeta said...

Lindo poema.Triste, profundo, sensível. Toca-nos a todos.

Agulheta said...

Maria! Como é belo este poema do Eugénio de Andrade,ele é um dos meus poetas preferidos,e estas palavras nos deixam tantas saudades,daquela que nos deu ao mundo.
Beijinho e boa noite.
Lisa

O Sibarita said...

Valha-me Deus! kkkk Poemaço e não é que assim mesmo? kkkkk

A dona moça sempre descobrindo coisas maravilhosas.

Ai que saudade daqui de Maria! kkk

Dona moça agora estou com mais tempo! Dona menina passei emio sem tempo para visitar os blogs e até para postar, peço mil e uma desculpas por te-la abandonada ( Ai Deus, perdoa-me! kkk) Maria você é 10000000000000...

Foi muito trabalho com viagens para fora da Bahia, agora, to d eleve, oi que bom! kkkkkkkkkkk

Delicia! kkkkkkkk

bjs
O Sibarita

Carminda Pinho said...

É verdade que este poema é muito belo, Maria.
Sempre que o leio o meu coração estremece.
A minha mãe fez ontem 77 anos, está viva e com a saúde necessária, para ter qualidade de vida. Ainda ontem me deu colo...:)))
Obrigada, Maria.
Beijos

Fernando Samuel said...

Leio e leio e leio... este poema... e leio ainda uma vez este poema...

Um beijo grande

Filoxera said...

Hoje estou frágil, como diria o Jorge Palma.
Um xi, amiga.

Pedro Branco said...

Viver sem ti é tão estranho, mãe... Como se no meu peito conseguisse adormecer todos os vazios. Mas ao mesmo tempo todas os sonhos. Como se os meus olhos criassem todos os rios. Mas ao mesmo tempo o mar, que os recebe com alegria. Como se a minha pele secasse na noite. Mas ao mesmo tempo queimasse. Como se a minha voz gritasse os silêncios do mundo. Mas ao mesmo tempo as cantigas.
Viver sem ti é tão estranho, mãe. Mas eu sei, tu sabes, todos sabem, que a vida é a vida e a morte é a morte. E não vale a pena estarmos a tecer grandes teias sobre uma ou outra. Já o sabemos. Todos o sabemos. Também não é isso que importa, não é mãe? Importa a certeza do que se sente... e os sonhos. Importa o sabor das lágrimas... e o mar. Importa o toque... e o toque e o toque e o toque. Importa a palavra... gritada, cantada... Importamos nós. Não é, mãe?

Maria said...

Pedro Branco

Abraço-te. Tanto... mas tanto...

Baila sem peso said...

depois de tudo isto
como vou conseguir rimar?...
fico aqui em silêncio a reler
as pérolas que deixas ficar
e outras tantas que te vêm enfeitar!
MÃE...não há nenhum verbo
ou sentimento, que possa igualar!

beijinho com ternura

rosa dourada/ondina azul said...

Obrigada
pelo poema, por o teres trazido !

É Belo, muito!!!


Beijo,

Vera said...

Adoro Eugénio de Andrade, um dos meus preferidos... E este poema é tão especial...

Um beijo enorme Maria, com saudades

(acho que é desta que estou de volta)

Nilson Barcelli said...

Belo e fabuloso.
Este poema continua a impressionar-me sempre que o leio.
Obrigado pela partilha.
Querida amiga, boa semana.
Beijos.

De Amor e de Terra said...

Minha querida Maria, há sempre muito de belo e Outonal nos poemas de Eugénio, sempre...
e não importa o mês ou a Estação que se lhe chame, é sempre Outono nele, em qualquer altura.
E como eu AMO o Outono!
Beijos linda e Obrigada por gostares da minha "Canción".

Maria Mamede

Justine said...

Dos meus preferidos. Posso lê-lo mil vezes, emociona-me sempre. O poder da poesia...

mdsol said...

Lindo, Maria. Muito.

Beijinho apressado (Ando sem tempo ohhhhhhhhh)

:))))

Cris Caetano said...

Caramba, Maria... caramba... :)

Vários beijinhos

João Videira Santos said...

Eugénio de Andrade? Concerteza!

Então somos "velhos conhecidos" do STEDL? Grandes tempos aqueles...Grandes e formativos!
A favor ou contra,uma experiência inigualável!Impar aos olhos de toda a Europa (Escrevi TODA e sei do que falo...)

Agradeço as visitas e as palavras que deixa.

fj said...

Um lindo poema, sensível e todas as mães ficaram agradecidas.Toca-nos a todos...
Beijo Maria

joão marinheiro said...

Poesia da melhor à melhor mãe do mundo e arredores com toda a certeza.
Poesia sempre tão difícil, num sentir para lá de intenso.

Beijo com mar e chuva miudinha hoje

Mar Arável said...

Sempre

com um beijo

heretico said...

MÃE É PARA SEMPRE...

li com emoção.

beijo

elvira carvalho said...

Um dos mais bonitos poemas que conheço dedicado às mães.
Um abraço

margusta said...

Querida Maria,
..passo para te deixar um Abraço!

AnaMar (pseudónimo) said...

Apaixonada por Eugénio de Andradae (pois eu sei que sabes...tenho muito amor para dar...:-))

Apaixonda por outros tantos poetas e poemas.
Apaixonada por amigos em construção.
Apaixonada pelos amigos de sempre.
Apaixonada pela vida.
Apaixonada pelo que me fazes sentir...assim como quem não anda mas flutua.
1001 bjs

anamarta said...

Eugénio de Andrade Sempre!
e este poema em especial! Obrigada por o parilhares.
Um beijo para Ti

amigona avó e a neta princesa said...

E por onde andas Maria e quando vens? Tenho saudades...beijos...

Pitanga Doce said...

...e justo hoje que estou mais mãe que nunca!

Vai à árvore mas vai de mansinho que é para não entrares pela tela. Pensei em ti e na Letícia.

beijos

clic said...

Volta mesmo!... :)

Maria P. said...

:)Abraço...

Beijinho, minha Maria*

Ana said...

A poesia de Eugénio de Andrade é belíssima. Este poema um dos mais belos.
Obrigada, Maria!
Um beijo.

(Hás-de ensinar-me a deitar as memórias ao mar!)

Sérgio Ribeiro said...

"Postei" um agradecimento pelos teus apetites e não sei que destimo teve. Uma tecla errada, decerto...

Obrigado e beijos

Sofia Duarte said...

#Palavras#

São aquelas palavras que me falam,
Me dizendo o que sufoco por dentro,
Deixando-me nua de tristezas,
Bem longe do meu contentamento,
Bem perto das minhas fraquezas…

Meu corpo se deleita pelas incertezas da vida,
Baloiçando pelas doces palavras,
Palavras que nada dizem,
Mas que descarregam tudo…

Da musica só memórias não passadas,
Mas já nada digo o mesmo de todas as minhas palavras…

Beijos...

Parapeito said...

:))) Lindo Lindo lindo****

Que possas voar sempre sempre livre
Brisas mornas para ti*******

Lúcia said...

Este poema custa... custa. Mas é lindo! Mas custa...
Beijinhos Maria

bettips said...

E dito por ele, quase o ouço, Maria.

Saudade de passar pelas "tuas coisas" lembradas e colhidas.
Bjinho

isabel mendes ferreira said...

solar. útero e saudade.música. e voo. sede.




e Tu. sempre.

amigona avó e a neta princesa said...

Vim cá abrir as janelas e arejar a casa...saudades minha querida (qual Maria do Carmo?)Beijos...

pin gente said...

é sem dúvida bonito, maria!

li-o como um lamento
que talvez não seja
mas há dias...

outro fim de semana se aproxima e cada vez há menos folhas vermelhas para fotografar. os ramos nús também guardam a sua beleza.

um abraço
nostálgico... sei lá!

rascunhos said...

Bem este poema é qualquer coisa de belo. Obrigada não conhecia.

bj

Agulheta said...

Maria! Passo para deixar um sorriso amigo,com tudo de bom desejo.
Beijinho bfs Lisa

Arabica said...

Deixo-te rosas.

E o meu beijo.

Clara said...

Não consigui conter-me. Obrigado pelo poema que me fez chorar. Acabei de o ler e olhei a minha mãe com o olhar distante, envolta no seu mundo onde só por momentos sou reconhecida. Custa muito obrigado AMIGA
Clara

Baila sem peso said...

Espero que esta ausência
não seja sinal de cama
o resto não importa
só a paz sentada à tua porta!
deixo beijinho de bom fim de semana!

greentea said...

poemas à parte , andas pela guarda ??
vou por lá tanta e tanta vez ... quem sabe já nos encontrámos naquela cidade sempre a subir!!

Maria P. said...

Apeteceu-me ler de novo...

Beijinho, minha Maria*

mariam said...

Maria,

gosto tanto da escrita d'Ele !

gosto tanto da tua escrita também !


um sorriso enorme ( e saudades) :)
mariam

maré said...

Faltou a música de fim de semana

Fica o beijo, rendilhado de água

Papoila said...

Maria
Percebi que terás andado pela minha terra.
Eu também não ando muito presente ultimamente... em nada. No entanto o carinho está cá. Um Beijo

BF

heretico said...

beijo.
belo o poema.

O Profeta said...

Não sei quem vence!
Não sei quem leva a melhor
Só sei que um sorriso teu
Fez desabrochar das pedra uma flor

Com ela teci um tapete
Engalanei a sombra dos teus passos
Escrevi um derradeiro pedido numa pétala
Rogando a infinita ternura dos teus abraços



Doce beijo

Maria said...

Muito obrigada por terem passado aqui. As férias foram excelentes, souberam a pouco. Sigo agora viagem.

Boa semana e beijos a todos