Wednesday, December 14, 2011

Do cizento dos dias

Hoje não me apetece escrever. Tenho nada para contar ou dizer e tenho cansaço que sobra. Caiu um cinzento em mim que me tolhe o pensamento e os dedos. Por isso as palavras não saem. Um cinzento estranho quase chumbo que há muito não sentia. É por isso que hoje não me apetece escrever. E no entanto preciso tanto de te falar de deixar sair pela boca as palavras que não queres ouvir as palavras que já deviam ter sido ditas no tempo certo. Mas também não sei quando é o tempo certo para te falar porque tu és hábil a fugir a assuntos ou temas que não te agradam. Daí o meu cansaço que sobra. E por isso hoje não me apetece escrever.

22 comments:

Rogério Pereira said...

Vá, vá, menina. Atão?
Se os dias estão cinzentos, pintemos -lhes um arco-íris em cada um que passa. Nem são precisas palavras. Nem bravas, nem serenas.
Bastam gestos,
apenas...

zmsantos said...

Cinzento, é o meu arco-íris quando me dissolvo nos teus dias por pintar, cinzento, é o mar dos meus olhos na ânsia do horizonte colorido dos teus.
Cinzento, pode ser uma cor bonita.
Porque tu és bonita.
Beijos.

trepadeira said...

Já aí vem o vento que leva as nuvens para longe.
Já aí vem o Sol.

Um abraço,
mário

Rosa dos Ventos said...

O cinzento dos dias vai prolongar-se, infelizmente!

Abraço

Sérgio Ribeiro said...

... mas escreveste!
O que já não é mau...
E fica sabendo, menina, que nos estás a fazer falta.

Saudades/saudações amigas

Fernando Samuel said...

Há que insistir, insistir, insistir sempre... até encontrar o tempo certo...

Um beijo grande.

Justine said...

Que faria se te apetecesse!
(Trouxeste o cinzento de lá, ou chega-te o que temos por cá todos os dias?)
Beijo

Silenciosamente ouvindo... said...

Pois há dias assim...muitos!
Venho desejar um Feliz e Santo Natal.
Bj.
Irene

Paula Barros said...

Maria, tem gente que é assim, foge, não quer ouvir, não quer falar, não quer saber...

E a gente tem mesmo é que saber de nós e do nosso tempo. beijo

Cris Caetano said...

E eu sei exatamente como te sentes. Deixa lá... joga a caneta pro alto e bora tomar um copo d'água? ;)

Beijão, Maria

OUTONO said...

...não faz mal, eu leio os teus silêncios...

salvoconduto said...

Cinzento chumbo, mais propriamente.

Abreijos claros.

BlueShell said...

Muito bom...para quem hoje não tem vontade de escrever!

Olha, vou agora preparar-me para ir com o meu marido a Coimbra, ao IPO...consulta de rotina e, ainda assim, estamos apreensivos...nervosos ambos. Vim deixar um carinho e o meu obrigada pelo apoio e força que tenho recebido.

Bj imenso
BShell

... said...

maria o teu cinzento tem tantas cores...

beijo meu
A_T

Gabriel Arcanjo said...

Se não te apetece escrever, não escreva, faça um desenho, toma uma cerveja...

BRANCAMAR said...

Olá Maria,

Eu bem que te sentia silenciosa, mas como ando na mesma, o tempo pinto-o o melhor que posso, mas ele teima em se acinzentar nestes dias de "Inverno" e todas as palavras ficam gastas, quando não temos nada para dizer, então é como diz a Paula, é tempo de sabermos de nós e do nosso ritmo interior. E há sempre pessoas lindas que gostam do nosso silêncio...e o leem... e nos trazem uma surpresa num olhar de longe.

Beijinhos amigos.
Branca

Maria said...

Muito obrigada por terem passado aqui.
Beijos a todos.

margusta said...

Maria, tantas vezes não nos apetece escrever...e as palavras a " martelarem" na nossa cabeça e não conseguimos....tolhem-se os dedos, as mãos , a vontade....

Um beijo querida, Feliz quadra natalícia e um bom ano 2012!

Beijinhos,
Margusta

joão marinheiro said...

Inverno é isso que sentes, um inverno a lembrar a Ilha e os gritos das gaivotas alvoroçadas.
É quase inverno, deve ser isso que se sente estes dias, que são dias ácidos e húmidos a ficarem pequenos diminutos na claridade, e longos na noite. Restam-nos as palavras como arma de arremesso ou punhal que fere ou o contrário. Restam-nos as palavras ternas, embrulhadas em papel vermelho cintilante a fazer lembrar o sangue rubro que nos corre ainda com força.
Amanhã é outro dia e com toda a certeza o sol regressa e o cansaço desaparece e a humidade dissipa-se como a névoa se vai varrida pelo vento.
Fica-nos na memória a silhueta da ilha envolta no mistério próprio de uma ilha só na distância do Cabo e da pedra que quer se Nau...
Temos dias assim...
Abraço com Natal dentro

mfc said...

É desta quadra!
Não ligues... ninguém gosta destes dias curtos. Deprimem-nos!
E ainda por cima temos o natal das lojas e dos sorrisos!
Enfim, chatices que depressa hão de passsar!

João P. said...

Pois é Maria:

A gente inventa mil e uma estratégias para lhes fugir, evitar, combater mas eles, por vezes, parece levarem a melhor...

A sorte é que ficam no "parece" mesmo que "pareçam" durante algum tempo.

Gosto sempre de lembrar, neste contexto, o Zé Mário parafraseando Antero de Quental cantando que (em certas circunstâncias): "os passos para trás não são um retrocesso"

Maria said...

joao marinheiro

saudades de te ler, de te ver por aqui, por lá...

abraço mais perto da ilha