Friday, October 19, 2007

Cantar de amigo*


O tempo passa, amor, correm os dias
E as ruas em silêncio à nossa espera
À hora em que as palavras não são ditas
E as mãos entrelaçadas são poemas.

O tempo passa, amor, ventos arrastam
Cada segundo de vida que ofertamos
À luta consciente a que nos damos
E as horas para amar já não nos bastam.

Por cada dia fica em nossos rostos
Mais uma ruga do mapa dos caminhos
Que percorremos juntos, mas distantes
Ombro a ombro, sempre, mas sozinhos.

Quilómetros de noite nos separam
Meu corpo já cansado pede tanto
A ternura de um beijo sempre adiado
Enquanto beijo aqueles p’ra quem canto.

Deixa dizer-te apenas uma vez
Esta saudade enorme que me habita
Mas crê que em cada dia em que me vês
Minha coragem renasce e ressuscita.

Deste sofrer distante, desta ausência
Ficarão as sementes que lhe damos
E no coro das vozes que cantamos
Encontro a tua voz, distintamente.

(Maria Eugénia Cunhal)

*Adriano musicou este poema, mas a obra nunca chegou a ser editada.

40 comments:

SILÊNCIO said...

Muito lindos estes versos Maria, muito lindos. Foi pena nunca termos ouvido a voz cristalina de Adriano a canta-los :((

Beijinhos e b f semana*

Maria said...

Amigos

Tenho andado com alguma falta de tempo, o que justifica a pouca permanência por aqui.
Espero resolver rápido umas "pontas" que tenho por aí penduradas para dedicar mais tempo aos vossos blogues.
Bom fim-de-semana a todos.
Beijos

Maria said...

silêncio

Pois foi. Mas amanhã, sábado, vou ouvir a voz do Adrianos e de Amigos do Adriano, na Voz do Operário, à noite (e depois queixo-me que não tenho tempo, lol)...

Bom fds
Beijinhos

AJO said...

Foi uma pena porque é muito bonito o poema e com a voz de Adriano então nem se fala... uma vez mais uma bela escolha...

Bom fim de semana

Betty Branco Martins said...

Olá Maria

Belíssimo este poema. gostei muito de estar aqui!:))

Beijo com carinho

Sol da meia noite said...

Pois é um poema muito bonito, muito mesmo!
Saudade e dor, não sei como, mas delas nasce beleza...

*

Ana said...

Lindíssimo poema , este que nos deixas. A voz de Adriano torná-lo-ia ainda mais belo.
Um beijo para ti, Maria.

SILÊNCIO said...

Maria vai e enjoy ;) e por mim ouve o "tejo que levas as aguas..."

bjssss

elvira carvalho said...

Lindo o poema. Pena que não tenha sido editado. Teria chegado a muito mais gente,
Um abraço

Rosa dos Ventos said...

Este poema está no livro intitulado "As Mãos e o Gesto" que tenho com o autógrafo da autora.
Não conhecia esse pormenor relacionado com o Adriano...
Belo poema!

Abraço

multiolhares said...

As rugas aparecem sempre,
seja na expressão da vida ou do tempo
mas não importa, pois são rugas de beleza pelos momentos vividos
beijinhos
luna

MiE said...

Bonito poema.

Outro tempo, outras guerras!


Uma boa noite de Adriano para ti.

beijo.

Jose Gonçalves said...

Não foi por ele cantado, mas ficou e cá está...
Gosto, já gostava...
Um bom fim de semana
José Gonçalves

Mina said...

Obrigada por ter visitado o meu blog. O seu blog é giro e gosto muito das suas fotografias.
Beijinhos

Mina

Mina said...

Obrigada por ter visitado o meu blog. O seu blog é giro e gosto muito das suas fotografias.
Beijinhos

Mina

Fátima said...

A saudade é realmente uma dor que dificilmante conseguimos superar.
A ausencia de um entequerido distante deixa-nos um pouco a deriva......
Um beijo e bom fim de semana.

Ka said...

bonitas palavras...andamos todos a pensar o mesmo :)

Beijo e bom fim-de-semana

AnaG. said...

Estes momentos de partilha são muito agradáveis...

Foi pena nunca o termos ouvido, na voz de Adriano.

Bom fim-de-semana.
Beijitos

O Sibarita said...

Oi Mara! Belo poema, faça fé!

E ai minha fia? kkk Tu é baiana ou não é? kkkk Dize-me! kkkkk

bjs
O Sibarita

Filipe Ribeiro said...

Maravilhosa poesia
Maravilhosos versos
Perder-me-ei algun dia
Em encantos concretos?

Faz-me uma visitinha: http://desencontrado.pt.vu

rosa dourada/ondina azul said...

O poema é muito bonito !


Beijinho para ti,

rui said...

Olá Maria

Lindo poema!
Consegues sempre descobrir estas preciosidades!

Beijinho

Meg said...

"E as mãos entrelaçadas são poemas."... bonita imagem, Maria!

Nunca li nada da Maria Eugénia Cunhal, mas achei o poema muito bonito. E se o Adriano musicou, tínhamos sucesso garantido.
Mais um que ficou por conhecer, do outro lado.

Beijinhos

amigona avó e a neta princesa said...

Lindo, minha amiga! E se o Adriano tivesse cantado! Um beijo querida e a luta continua!

Sininho said...

Este poema, Maria, com a força que tem, podias vesti-lo inteiramente que te assentava como uma luva...

Beijinho

herético said...

Maria Eugénia Cunhal, uma grande escritora. que apenas por preconceito anticomunista não é mais divulgada...

Berta Helena said...

Maria,

Só posso dizer o mesmo que os outros. Muito bonito o poema de Eugénia Cunhal. E que tenho pena de não poder ir também ouvir os amigos de Adriano.

beijos.

bettips said...

Tu que descobres cada preciosidade!
Um gosto, tudo e a intenção. Bj

Gi said...

Desconhecia por completo. Muito belo.
Foste a 1ª e a única bvisita que fiz desde há 2 dias . Estou com menos vontade do que habitualmente para escrever e com pouco tempo disponível. Agora não consigo editar imagens o que para mim é fatal :)...

Um beijo sereia, até logo. O até amanhã já não se aplica. O agora já é o amanhã :)

Sophiamar said...

Um dos muitos poemas da " Geninha" cuja obra merecia ser reeditada. Lindo!

Beijinhos

brisa de palavras said...

um poema com" alma"
um abraço

brisa de palavras

isabel c. said...

beijo querida maria :)

Maçã de Junho said...

Eu sei que tu sabes que eu sei!


Beijo grande
M

Papoila said...

bonitas palavras que escolheste para nos deliciar...

beijinhos
bf

Pitanga said...

"Quilómetros de noite nos separam"

Uma frase com taaantos significados, minha amiga!

Por falar em AMIGA, preocupa-me aquela nossa!

Luís Galego said...

suponho que a autora seja a irmã de Alvaro Cunhal. Assim sendo a veia literária é genética. Que belo poema, Maria!!!

Luis Eme said...

Este poema podia ser teu...

(pela temática e pelo conteúdo)

Abraço

Maria said...

Agradeço a todos os comentários neste post.
É, de facto, irmã de Álvaro Cunhal, tem vários livros publicados.
A publicação deste poema aqui, no dia do concerto na Voz do Operário, foi a minha homenagem ao Adriano.
A noite de ontem foi muito emocionante.
É ainda com a "Trova do vento que passa" a ecoar por aqui que deixo um abraço a todos.

Muito obrigada.
Beijos

TINTA PERMANENTE said...

(o que me parece ser uma grande pena!...)
Abraço.

Maria said...

tinta permanente

Pois é, nem sei se pensam editá-lo....
Abraço