Tuesday, May 06, 2008

A poesia de Abril VII

Pedra Filosofal


Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam
como estas árvores que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo
que fuça através de tudo Em
em perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela é cor é pincel
base, fuste, capitel
que é retorta de alquimista
mapa do mundo distante
Rosa dos Ventos Infante
caravela quinhentista
que é cabo da Boa-Esperança

Ouro, canela, marfim
florete de espadachim
bastidor, passo de dança
Columbina e Arlequim
passarola voadora
pára-raios, locomotiva
barco de proa festiva
alto-forno, geradora
cisão do átomo, radar
ultra-som, televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança

(António Gedeão)

27 comments:

samuel said...

Não, não sabem...mas desconfiam... e isso deixa-os de cabeça perdida!

Abreijos

Pitanga Doce said...

"Eles não sabem que o sonho
é uma constante na vida".

E sem eles a vida fica sem graça nenhuma.

beijos em madrugada já alta (para ti)

João Videira Santos said...

Um poema imtemporal. Ontem como hoje, actual. Que bom � recordar poetas como Ant�nio Gede�o, pessoas como R�mulo de Carvalho. Parab�ns por esta mem�ria!

Fernando Santos (Chana) said...

Olá Maria, belo poema...Lindo cantado por Manuel Freire !
Beijos

José Fanha said...

Ol� Maria,

Gosto muito de receber as suas visitas. � bom andar de bra�o dado com os amigos nem que seja apenas pela net.

Recordar os poemas que fizeram a nossa hist�ria � muito importante. At� porque se para n�s eles est�o sempre presentes para outros nem por isso.

E este poema, infelizmente, aplica-se t�o bem aos nossos mandantes...

Eles n�o sabem nem sonham...

Mas n�s sabemos! E n�o podemos deixar caior a bola colorida. Nunca!

Beijos,

Jos� Fanha

Gi said...

Querida Sereia

Parece que escolhi bem o dia para vir até aqui. Vimm aqui ao "cheiro" ... não da ilha, mas do meu amor primeiro no campo da poesia. O "meu" Gedeão, era eu uma garota. Este poema é intenso mas não consigo separá-lo da voz que de certa forma o imortalizou. Manuel Freire.
Pois que prossiga o sonho, ele comanda mesmo a vida!

Um beijo grande
(hoje vou ver se ponho algumas visitas em dia, estas estradas da net o que têm de bom é que se pode andar descalça sem que os pés doam :) )

(vi a tua pequena sereia lá em cima :) )

outro beijo

isabel said...

bom sonhar na tela. aí não nos podem parar.

beijo

Manuela said...

eles não sabem que o sonho é uma constante da vida...
Tinha este disco, era do meu avô outro sonhador como eu, ou eu como Ele, nas arrumações fizeram-me o favor de destruir as nossas memórias... mas a letra desta música a intenção de a colocares aqui, para além de linda lembrou-me que águas passadas movem moinhos :)

beijos de quem tgm

poesianopopular said...

É bom sonhar e ter esperança, em que o sonho, se torne realidade.
É pelo sonho que lá chegaremos!
Bjo
Manangão

Claudia said...

Como não gostar do poema, da música, de Abril e acima de tudo, da liberdade?!!!

Beijo livre

Nilson Barcelli said...

Um marco na poesia portuguesa.
Inesquecível.

O teu poema de baixo é muito bom, gostei.

Beijinhos.

as velas ardem ate ao fim said...

Eu adoro este poema!Amo!

bjo

Cris Caetano said...

Impossível viver sem sonhos. E ainda bem que num 25 de abril, um sonho se tornou realidade...

Beijinho

MiE said...

Gosto tanto, mas tanto da pedra filosofal

Obrigada

maria

beijo grade abraçado

Menina do Rio said...

Eles não sabem, nem sonham. Se soubessem sonhariam...

Lindo!
Um beijo

FERNANDA & POEMAS said...

Olá querida Amiga Maria, belíssimo poema, sempre actual, minha Amiga...Beijinhos de carinho,
Fernandinha

Ludo Rex said...

Grande escolha. Eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida!
Kiss em Liberdade

Oris said...

Grande poema....

Realmente eles não sabem nem sonham...que o sonho é nosso...

Beijitos, Maria.

Catarina Alves said...

Maria, pensavas que me tinha perdido? Não... ando por aqui! :)

Ao abrir o teu cantinho sorri.

"Eles não sabem que o sonho/É uma constante da vida/tão concreta e definida/como outra coisa qualquer"

As crinças pedem normalmente para que lhes leiam histórias... e por vezes a mesma vezes sem conta. Eu fazia isso com a minha irmã, mas com este poema.

...

Deixaste-me com muitas reticências...

Bjs

Maria P. said...

Belíssimo...

Beijinho Maria*

Agulheta said...

Maria.
Lindo como sempre este poema de António Gedeão,é isto que sempre deve permanecer nas nossas vidas,sonhar e sempre esta é uma noção de liberdade.
Beijinho Lisa

Filoxera said...

Esta música traz sempre consigo as minhas lágrimas. O meu pai adorava-a, também. E lembro-me de ser miúda e ficar surpreendida por uma vizinha minha amiga, da minha idade, um dia me ter dito que não a conhecia. Como é que poderia ser, alguém não conhecer a Pedra Filosofal?!
Beijos.

Maria said...

Obrigada a todos que por aqui passaram.
Eu acredito que haja gente que não conheça a Pedra Filosofal. Eu sei que há. Infelizmente é gente que tem a idade dos nossos filhos.....
... onde errámos?


Beijos a todos

bettips said...

Não fomos nós, querida Maria, são os que falam agora, ar vagamente preocupado... Todos eles mandaram anos e anos, estado, educação e televisão, anos e anos. Nós tínhamos de equilibrar tudo: a família, o emprego, a revolução e a contra-informação dela. E a direita sempre se une, com a força dos seus interesses e seu dinheiro, e seus párocos, e seus poderzinhos de gabinete...
Bjinho antes de dormir (talvez)

Justine said...

A voz do Manel e o poema do Gedeão, força emotiva indestrutível que continua a comover-nos, a dar-nos força e a fazer-nos avançar.
É preciso continuar a divulgar esta "alavanca"
Um beijo

Maria said...

bettips

justine


Muito obrigada por terem passado.
Acho que é preciso passar aqui, e noutros blogues, a nossa poesia de Abril.
Acho que o vou continuar a fazer, embora mais espaçadamente.
Ah, e Brecht também, de vez em quando....

Beijos

O Sibarita said...

Valha-me Deus que poema porreta!

Dona Maria danadinha você é a tal para colocar aqui só perólas...

bjs
O Sibarita