Monday, January 18, 2010

Porque Ary dos Santos nos faz falta...

SONETO ESCRITO NA MORTE DE TODOS OS ANTIFASCISTAS ASSASSINADOS PELA PIDE

Vararam-te no corpo e não na força
e não importa o nome de quem eras
naquela tarde foste apenas corça
indefesa morrendo às mãos das feras.

Mas feras é demais. Apenas hienas
tão pútridas tão fétidas tão cães
que na sombra farejam as algemas
do nome agora morto que tu tens.

Morreste às mãos da tarde mas foi cedo.
Morreste porque não às mãos do medo
que a todos pôs calados e cativos.

Por essa tarde havemos de vingar-te
por essa morte havemos de cantar-te:
Para nós não há mortos. Só há vivos.


José Carlos Ary dos Santos
(7 de Dezembro de 1937 - 18 de Janeiro de 1984)

20 comments:

Memória de Elefante said...

"Morreste porque não às mãos do medo
que a todos pôs calados e cativos."

Triste, muito triste ser refém do medo...


Um beijo

Ana said...

A força do Ary ... sempre vivo em nós!
Um beijo, amiga.

samuel said...

Faz tanta falta!

Abreijo.

Brancamar said...

Maria,

Que bom que estamos em uníssuno!
Quando vi o teu comentário estava ainda a fazer alterações, mas só a perfeiçoar, nada de significativo.
Nunca é demais recordar Ary e a força da sua poesia.
Beijos.

salvoconduto said...

Há que os queira mortos e bem mortos, mas eles caminham ao nosso lado.

Abreijos e boa semana.

Carminda Pinho said...

È sempre importante relembrar...

Beijos, Maria.

zmsantos said...

Pois, há quem tudo faça para apagar a história, para branquear os tempos de escuridão, a PIDE e os seus esbirros jamais serão esquecidos. As palavras do Ary não deixam.
Preservar a memória é preciso!

Beijos.

viajantes said...

Bem haja Ary presente.
é bom refrescar a memória.

Ava said...

Adorei o poema!
Sendo eu uma pequena garota no tempo que só o nome de Ary dos Santos constituía uma ameaça para aqueles que o proferiam. Confesso que ao ler este poema, transportou-me para a minha infância. Para as reuniões tardias em casa dos meus pais se ouvia e falava de Ary, e de outros, e que eu na inocência dos meus cinco anos me questionava a razão porque os adultos murmuravam.
E hoje entendendo a razão daqueles murmúrios e os acontecimentos que se seguiram, sinto-me feliz e orgulhosa por ter feito parte dos mesmos.
Desculpe pelo comentário tão longo e pessoal, mas ao passar por aqui e ler este poema emocionei-me e voltei a ser menina.
Obrigado.

Maria said...

Ava

Agradeço a visita. Quis retribui-la lá no seu sítio, mas a caixa de comentários que tem não mepermite comentar. Só o consigo fazer em janela pop-up ou em folha inteira. Nunca na caixa abaixo dos posts...

Fernando Samuel said...

ARY SEMPRE: A POESIA CONTINUA.


Um beijo grande.

Fernando Santos (Chana) said...

Olá Maria, belo poema de Ary dos Santos...Excelente post....
Beijos

duarte said...

quem contra medos luta...tem de ter companheiros à altura.
não esquecer o que nos move, nem esquecer quem se move.
não menosprezar o mais pequeno desabafo, pois de pequenas coisas se fazem grandes homems e mulheres.
ary sempre.
abraço do vale

bettips said...

Gosto de cá vir, ler, pensar e aprender bem sabes!

clic said...

Gosto que não deixes esquecer!... :)

paula barros said...

Muito bom ler essa admiração que tens por Ary. Um homem de coragem, lutando também com um belo poema.

abraços

Agulheta said...

Maria. Falar de Ary,sempre será pouco. Muitos tentam apagar a história do mal,mas enquanto por aqui andarem pessoas que tem memória boa não esquecem.
Beijinho e boa semana Lisa

Delfim Peixoto said...

Muito bem lembrado! Eu acrescentaria, de todos os que lutam contra a Opressão seja ela qual fôr
Bjnhs

Fabiane said...

Querida Maria; muito bom vê-la por lá. Andei afastada durante o período em que meu pai esteve doente.
Belo soneto! A escolha foi perfeita!
Boa semana! Beijos

João Videira Santos said...

Ary,a força da palavra na razão do homem e do poeta!