Tuesday, December 09, 2008

Relembrando...





(videos retirados do Canhotices)
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Vou, vou-vos mostrar mais um pedaço da minha vida, um pedaço um pouco especial, trata-se de um texto que foi escrito, assim, de um só jorro, numa noite de Fevereiro de 79, e que talvez tenha um ou outro pormenor que já não é muito actual. Eu vou-vos dar o texto tal e qual como eu o escrevi nessa altura, sem ter modificado nada, por isso vos peço que não se deixem distrair por esses pormenores que possam ser já não muito actuais e que isso não contribua para desviar a vossa atenção do que me parece ser o essencial neste texto.
Chama-se FMI.
Quer dizer: Fundo Monetário Internacional.
Não sei porque é que se riem, é uma organização democrática dos países todos, que se reúnem, como as pessoas, em torno de uma mesa para discutir os seus assuntos, e no fim tomar as decisões que interessam a todos...
É o internacionalismo monetário!

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Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o mortimor do meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attachi-case' sai a solução!

FMI Não há graça que não faça o FMI
FMI O bombástico de plástico para si
FMI Não há força que retorça o FMI

Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder
Batendo o pé na casa, espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!

FMI Não há truque que não lucre ao FMI
FMI O heróico paranóico 'hara-quiri'
FMI Panegírico, pro-lírico daqui

Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!

FMI Não há lenha que detenha o FMI
FMI Não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ...

Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te orgulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Muchê Dyane que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus botões: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepuldra' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?
A one, a two, a one two three

FMI dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! Come on Luís Vaz, 'amanda'-lhe com o José Cacila que os senhores já vão ver o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro de Cunhal, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te a Natalia Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano, a estender o braço, meio 'Roulant' preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?

FMI Dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas azeite mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica, Lourosa, Lourosa, Marraças, Marraças, fora o arbitro, gatuno, bora tudo p'ro caralho, razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Teng Hsiao-Ping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma 'Graciv Morn' (??) de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, iehh iehh, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, ah? Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, zórpila o fígado, arreda, 'terneio' Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...

Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.

Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.


José Mário Branco


(eu vou ali. depois volto, logo.)

38 comments:

Eduardo Aleixo said...

Maria, é um texto colossal, é uma espécie, lida nos tempos de hoje, de exorcismo da nossa geração. Sabes, imagina, o Ary, a recitar isto...É um filme que vem do passado ao presente, e nós estams no passado e no presente, só que a nova geração, ouve, não percebe e diz, por exemplo, relativamente ao FMI. « Boé marados », relativamente à fotonovela da Gabriela: « Boé Coitados », mas ouve, Maria, este documento +é nosso, com muita honra e muita vaidade.
Beijoca.
EA

Delfim Peixoto said...

José Mário (F)Branco... um ícone!
O texto, longo, sorve-se como um copo de água da fonte...
Já agora, vai, mas volta logo, logo, logo.
Ah... votar à esquerda, sim, até ela se virar para a direita... aí, vota-se em Homens, Ideais, Filosofias Humanistas, Sociais, Económicas, e porque não até religiosas?
Isto já não tem direcção para os lados... é sempre em frente a "abrir" até se chegar ao destino

escarlate.due said...

José Mário Branco... belissimo

Grande texto Maria, mas valeu a pena lê-lo :)

mfc said...

Um texto datado que se lê num fôlego. Desde o Mortimore, indo ali ao Daihan, tocando na Natália, beliscando o Sá carneiro, aludindo ao Tonico Bastos, exorcizando a Vera lagoa... um desfilar sem fim de efemérides que são actualíssimas!
Não esquecendo o leit motiv essencial do FMI.
Parabéns. É tudo.

PreDatado said...

Eu tenho o FMI em vinil. Comprado aí pelos idos de 79/80 nem sei bem. Já o ouvi mais de 30 vezes. Mas li o texto todo de seguida "escutando" por detras em surdina o zé mário e a sua própria entoação. Um texto que eu gostaria de ter escrito se tivesse tido génio para isso. Um texto que tem (trocando alguns nomes) mais de 80%de actual. É o país que temos.

salvoconduto said...

Vai e volta que eu tenho aqui muito que ler.

Abreijo.

Joao P. said...

Olá Maria:

Infelizmente um texto muitíssimo actual.

Pena que ainda tenhamos que sofrer e lutar e chegar ao ponto em que precisamos de desabafos detes para sentirmos que a nossa luta vale a pena tal o desprezo que tem a pessoa humana para determinada gente de poder. Valemos ZERO é o que é. Podem vir 120 000 para a rua que ela ignora-nos.
Só que a noite tem um fim e mesmo o texto FMI acaba com uma luz de esperança.
Valeu pois a nossa luta

Beijo

João

zmsantos said...

O texto é, para quem o conhece, o vulcão pleno de inquietação que jorra, constantemente do coração do Zé Mário.
A sua publicação, neste espaço, é a coragem demonstrada, pelo menos para mim que te estou a aprender.

Beijos, Amiga.

Teresa Durães said...

um texto muito actual!

poesianopopular said...

Maria
Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado!
Abraço

Leticia Gabian said...

Até perdi o fôlego enquanto lia!


Maroca, mais do que isto ser Fado, tudo isto é FATO!


Beijo grande, amiga-irmã

MPereira said...
This comment has been removed by the author.
mié said...

É tudo actualidades...

...as novelas é que já são outras.


Gostei

muito...já te adivinhava assim :)



beijo

enorme...ilha da liberdade.

vendaval com poesias said...

Olá Maria
a quanto tempo ão passava aqui, e que bela surpresa! é sempre bom ler os textos interessantes,
Maria agradeço suas visitas e bom saber que aprecia Cecília Meireles
abraços

Ana said...

O essencial é o mesmo. As palavras do Zé Mário são sempre actuais. Mas fazem sôdade, sabias?
Um beijo, Maria.

Lúcia said...

Que fôlego!
Delícia, este texto!:))

Beijinhos e volta bem...e depressa que a gente gosta:)

Pico minha ilha said...

Vai e volta Maria que fico aqui aler e a ouvir.Beijinho

Ashera said...

É um tanto extenso, mas vale sem duvida a pena ter presente e fazê-lo ouvir por essas ruas, estradas, cidades e acima de tudo às portas de S.Bento!
Tenho em áudio e sempre que oiço fico arrepiada ....reparem que ele até chora!!!!!!
Obrigada por este Post
é pena não teres o blog configurado para fazer um hiperligação :-(
De qualquer forma estou a divulgar
Estejas bem
Beijos
Ashera

Maria P. said...

Que dizer...!
Fantástico, sempre.

Beijinho, Maria*
(não demores)

Apenas eu said...

Essa voz... Lembra-me outra... e a Tua vida poderia ser uma longa metragem, ou o teu livro poderia ser um best seller...
Só quereres...

beijos de
qtgmspspspspspsps e pois...

FERNANDA & POEMAS said...

Olá querida Maria, está muito atual... Adorei ler o texto... valeu a pena!
Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha

pin gente said...

tenho pena de não ter conseguido abrir os vídeos...
fiquei sem fôlego, mas também não é para menos!
um beijo, maria

ps - dizia-te ontem que o dia tinha sido longo! mal eu sabia o quão longo ainda estava para ser.

Agulheta said...

Vai e volta logo! Sempre em boa direcção que entretanto escuto e leio José Mario Branco,um incon no músical de intervençaõ...bem hajas pelo post.
Beijinho

beta said...

Penso que nunca te agradeci por me deixares vir á tua casa, todos os dias. Obrigada Maria!
Obrigada também ao Zé Mário, por fazer coisas eternas, com as quais aprendi, á vinte e tal anos atrás, e que agora ensinam a minha filha, a minha sobrinha e todos os jovens e velhos, que quiram aprender.
Sim, alguns comentários acima, alguém disse que este texto se bebe de um trago. Sem dúvida!
Arrepiante, belissimo, tão actual...

margusta said...

Querida Maria,
...passei para te deixar um beijinho muito grande , e agradecer a força e o carinho que me tens deixado!

Bem hajas Maria!!!

margusta said...

Querida Maria,
...passei para te deixar um beijinho muito grande , e agradecer a força e o carinho que me tens deixado!

Bem hajas Maria!!!

Ana said...

Podes ir que nós ficamos à tua espera.

Beijinho

Carla said...

um texto datado...mas com tantos traços actuais.
E sim, li-o de um fôlego, mas sempre com a voz do Ary no meu pensamento
beijos

david santos said...

Caro amigo (a)
Com o objectivo de desejar a todos os meus amigos e amigas os melhores e maiores festejos de passagem do Ano de 2008 e prometendo-lhes que pedirei por todos que o novo Ano de 2009 seja o melhor das vossas vidas, venho agora, e nesta data, começar a fazer o que me vai dentro do espírito: desejar-lhes o melhor. Começo agora, aparentemente sedo, mas quero ver se me é possível contactar com todos.
Sem outro assunto e confiante em que os meus desejos venham a ser uma realidade, sou com toda a consideração estima:

David Santos

elvira carvalho said...

Um texto fantastico que eu não conhecia.
Obrigado por partilhá-lo.
Um abraço

tulipa said...

Olá
Eu deixei-te um desafio lá nos meus jardins proibidos.

Sei alguma coisa do Jpsé Mário Branco, a mãe dos seus filhos foi minha professora...e aprecio-o pela sua postura e rebeldia.

um abraço
tulipa

Nilson Barcelli said...

É um texto impressionante.
Que eu não conhecia. Obrigado pela partilha.
Beijinhos.

andorinha said...

Um texto e uma voz que se não esquecem.
Beijinho... e volta , logo :-)

Vieira Calado said...

Olá, Maria.

Vejo aí na banda lateral o lançamento dum livro precisamente no dia doa apresentação do meu.
Coincidências...
O meu é às 21 horas no Auditório do Campo Grande, nº 56.

Os meus cumprimentos

mariam said...

Maria,
este texto, eu conhecia! e bela homenagem a José Mário Branco. Parabéns.

um abraço
mariam

O Sibarita said...

Resumo tudo nisso FORA FMI!

Que texto em Maria? Belíssimo!

Oxente, de novo, vai ali e volta? kkkkkkkkkk

bjs
O Sibarita

elvira carvalho said...

Passei para deixar um abraço.
Bom fim de semana

Anonymous said...

Arrepia a actualidade do texto. Obrigada a um colega que comentava a avaliação docente e lamentava-se "quero desnascer". Vim à procura e dei com isto. E hoje, quando me recusei a entregar a treta dos Objectivos Individuais (uma farsa da vida dos professores), ao lado dos 7 colegas que resistiam como eu, de um grande grupo de 96 que tinham dito resistir há um mês atrás, recordei este texto. Bolas, como arrepia!
Que se lixe! Professora vendida, NUNCA!
Maria (de uma escola da DREN), porque sou corajosa, mas não sou tola.