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Wednesday, September 11, 2024

Requiem por Salvador Allende


Foi de súbito no outono juro solenemente que o foi
mas as árvores fora tinham de novo folhas recentes
primavera no chile primavera no mundo
Sinto-me vivo habito muito de pé numa casa
leio vagarosamente os jornais sei devagar que os leio
enfrento meu velho borges o muito meu destino sul-americano
Acabara um poema enchia o peito de ar junto da água
sentia-me importante conquistara palavras negação do tempo
o mar era mais meu sob a minha voz ali solta na praia
talvez voz metafísica decerto voz de um privilegiado
ombro a ombro com gente analfabeta uma gente sensível e leal
mas que não pode ler e vive muito menos por o não saber
embora saiba olhar o mar sem o saber interpretar
acabara um poema enchia o peito de ar junto da água
quando o irmão miguei veio pequeninamente pela areia
e convulsivamente me falou da situação no chile
veio pela praia e punha nas palavras mãos de solidão
mãos conviventes com outras palavras mãos que palavra a palavra
erguem um poema no silêncio só circundante
Allende tinha uns óculos os óculos tinham-no
com eles via a vida com eles via os homens via homens
via problemas de homens e as coisas que via eram coisas de homens
hoje apenas uns óculos sem nenhum olhar por detrás
Nos finais de setembro nos princípios de novembro
tu meu amigo que não posso nomear sem te denunciar
dar-me-ás talvez notícias tuas notícias meramente pessoais
já que projectos sociais projectos cívicos profissionais
ficariam decerto nas policiais desertas mãos dos generais
mãos que mataram mãos que assaltaram a casa de neruda
mãos limpas já do sangue despojadas já das alianças
que caridosamente deram que assim conseguiram
solucionar os prementes problemas do país
Ouvi falar também desse cargueiro playa larga
praia comprida mas praia deserta e não só na palavra
pois quanta praia tinha hoje só tem o sangue dos milhares das pessoas fuziladas
A onze de setembro nesta praia portuguesa só uns passos pela areia
algum poema terminado alienado algum termo conquistado
tão inefável como por exemplo o de tancazo
atribuído ao golpe orientado por pablo rodriguez
homem que vai modelando palavras ao ritmo martelado pelo ódio
na tentativa vã de destruir frases hoje históricas
do grande cavalheiro que decerto foi allende
e já antes de o dizer com a vida dizia que por exemplo
mais vale morrer de pé do que viver ajoelhado ou então
se as direitas me ajudam a ganhar ganharão as direitas
País amável calorosa entrada em Santiago
e ver-me em frente desse homem sozinho relutante em recorrer às armas
e que depois de o ter visto e o ter ouvido
ao homem que for homem poderei chamar-lhe
seja qual for o nome salvador allende
Que nestas minhas minerais palavras de poeta
vibre um pouco o vigor da tua voz
bafejando de paz primeiro o bom povo do chile
depois o povo bom de todo o inundo
Que a ignomínia da história não demore em cobrir com o seu manto
os que têm a força mas não têm a razão
pois o nazi-fascismo não ganhou nem nunca ganhará
Mando-te uma ave preta rente à leve ondulação do mar
tu mandas-me no mar a ave branca do teu rosto
vento que vem do mar vento que vem do chile
Aqui neste dia de súbito cinzento
somente povoado pelo meu sofrimento
e pelo pensamento desse sofrimento
voo também vou também eu nesse lenço
que retiro do bolso aqui à beira-mar
e o meu lenço ao vento é uma ave avesíssima uma ave de paz
uma ave avezada a cada uma das derrotas existentes no mar
somente agora destruída trespassada pela bala que leva uma vida
ave que ao entoar seu canto profundíssimo afinal apenas diz
muito obrigada salvador allende
obrigada por essa tua vida de cabeça erguida
só agora tombada trespassada pela bala que leva uma vida
mas não pode levar de vencida a obra por allende começada
selada por essa promessa de lutar até ao fim até à hora de morrer
nesse importante posto onde te investiram a lei e o povo
Foi no ano de mil novecentos e setenta
ano em que eu fiquei a apodrecer no meu país
que uma coligação do tipo frente popular tomou
pela via legal conta do poder no chile
legalidade sempre respeitada por ti allende
mas por fim desrespeitada pelos militares pelas direitas pela
cristã democracia partido bem pouco cristão e pouco democrático
Falavas tu dizias a verdade
falavas com palavras de verdade
uma bala na boca nessa boca donde ainda pouco antes
saíam as palavras na verdade belas como balas
salvador allende guerrilheiro sem metralhadora e sem boina
de casaco e gravata para essas guerrilhas no parlamento
guerrilhas todas elas tão contrárias à guerra quão favoráveis à paz
essa palavra alada como ave ave não só de georges braque
mas de nós todos aves verticais aves a última estação
árvores desfolhadas num definitivo inverno
allende do cansaço dos problemas da preocupação constante em jogares limpo
com quem em vez de mãos utensílio de paz vinha com bombas em lugar das mãos
allende já há muito tempo sem uns olhos para olhares o mar
e sem poderes olhar as pedras preciosas de que fala
pablo neruda teu e meu poeta teu íntimo amigo
em las piedras dei cielo esse livro puríssimo
e são pedras do céu mas mais do que céu pedras da terra
Sol que te pões e nascerás no chile
leva-me a um país que em criança conhecíamos apenas
dos sacos de serapilheira com o nome impresso de um nitrato
e não por dar o nome a uma pequena mas confusa praça de lisboa
nem por sair nas páginas diárias dos jornais
Do chile chegou-me não há muito a amizade do hernán
que em madrid conheci e não responde há muito às minhas cartas
e a de mais chilenos de olhos vagamente tristes sérios quase portugueses
e desse país mais comprido do globo veio-me também
o lápis-lazúli pedra não já de esperança pedra de amizade
Os camiões há muito já que não sulcavam as estradas do país
estradas bafejadas pela aragem enviada pelo mar por esse
oceano pacífico de um país ainda há pouco bem pacífico
O washington post falava já do golpe dias antes do golpe
ninguém falava delas mas elas encontravam-se ali mesmo
as autoridades militares as autoridades militares as autoridades americanas
vestiam mesmo as fardas do exército chileno
esses americanos gente do dinheiro e do veneno
de um veneno talvez chamado dinheiro
que terá pago em parte as modificações dos foguetes do tipo poseidon
montados já a bordo dos divinos submarinos nucleares americanos
assunto de política estrangeira americana
Hernán urrutia meu amigo austral
que em barajas vi olhar voltar
para mim a cabeça pela última vez
marcelo coddo professor em concepción
com quem que bem me lembro conversei sobre o poeta cardenal
e sobre a jovem poesia nicaraguense
e tantos outros que nem mesmo me terão deixado o nome
mas me deixaram alguma palavra a música da fala um certo sorriso
um certo olhar visível por detrás de uns óculos
talvez hoje quebrados por quem não considera
talvez suficiente o quebrar da vida na haste da vida
embora porventura tenha visto aquela sequência de fellini
e desconhece que afinal a vida reproduz a arte
Escreve este poema no jornal com as notícias frescas
após ter evitado ver as caras de triunfo desses locutores luzidios da televisão
e mesmo ter ouvido até a voz desse pedro moutinho
a voz das afluências ao nosso principal estádio o da cova da iria
e dos cortejos presidenciais o dessas tão espontâneas manifestações
voz afinal da cia e da itt e dos demais tentáculos
do imperialismo norte-americano
maneira americana de se estar no mundo
de estar no mundo arrebatando o pão dos homens do terceiro mundo
terceiro mundo ou melhor último mundo
que pagarão agora o preço da cabeça dos trabalhadores chilenos
que marcham mas decerto em vão na direcção
do centro de santiago onde vingara
a rebelião dos marinheiros vindos de valparaiso
cabeça dos imensos deserdados deste mundo
Sabíamos decerto um pouco em que consistia
essa via chilena para o socialismo
e líamos talvez um livro acerca do programa da chamada unidade popular
e discursos de allende naquela cidade distante
embora houvesse muito mais notícias nos jornais
e a gente nos cafés falasse mais em futebol
livro por certo lido com a janela aberta sobre a noite do outono
sobre campos relvados de momento habitados pela escuridão
donde talvez se erguiam cantos pouco menos que religiosos
exaltadores de ideologias já e sem remédio ultrapassadas
Era uma vez um chileno chamado salvador allende que
fez um grande país de um país pequeno onde
talvez três anos nós houvéssemos depositado a esperança
quando fosse qual fosse a nossa nacionalidade
todos nós fomos um pouco chilenos
Mas que diabo importa em suma a qualquer de nós
que um homem se detenha quando a história caminha
em frente sempre altiva e serena
como mulher de muito tempo sabedora
Posso dizer por certo como há já muitos anos
acerca dos milicianos espanhóis dizia neruda
allende não morreste estás de pé no trigo
Ruy Belo

Monday, September 11, 2023

Requiem por Salvador Allende

 

Foi de súbito no outono juro solenemente que o foi

mas as árvores fora tinham de novo folhas recentes

primavera no chile primavera no mundo

Sinto-me vivo habito muito de pé numa casa

leio vagarosamente os jornais sei devagar que os leio

enfrento meu velho borges o muito meu destino sul-americano

Acabara um poema enchia o peito de ar junto da água

sentia-me importante conquistara palavras negação do tempo

o mar era mais meu sob a minha voz ali solta na praia

talvez voz metafísica decerto voz de um privilegiado

ombro a ombro com gente analfabeta uma gente sensível e leal

mas que não pode ler e vive muito menos por o não saber

embora saiba olhar o mar sem o saber interpretar

acabara um poema enchia o peito de ar junto da água

quando o irmão miguei veio pequeninamente pela areia

e convulsivamente me falou da situação no chile

veio pela praia e punha nas palavras mãos de solidão

mãos conviventes com outras palavras mãos que palavra a palavra

erguem um poema no silêncio só circundante

Allende tinha uns óculos os óculos tinham-no

com eles via a vida com eles via os homens via homens

via problemas de homens e as coisas que via eram coisas de homens

hoje apenas uns óculos sem nenhum olhar por detrás

Nos finais de setembro nos princípios de novembro

tu meu amigo que não posso nomear sem te denunciar

dar-me-ás talvez notícias tuas notícias meramente pessoais

já que projectos sociais projectos cívicos profissionais

ficariam decerto nas policiais desertas mãos dos generais

mãos que mataram mãos que assaltaram a casa de neruda

mãos limpas já do sangue despojadas já das alianças

que caridosamente deram que assim conseguiram

solucionar os prementes problemas do país

Ouvi falar também desse cargueiro playa larga

praia comprida mas praia deserta e não só na palavra

pois quanta praia tinha hoje só tem o sangue dos milhares das pessoas fuziladas

A onze de setembro nesta praia portuguesa só uns passos pela areia

algum poema terminado alienado algum termo conquistado

tão inefável como por exemplo o de tancazo

atribuído ao golpe orientado por pablo rodriguez

homem que vai modelando palavras ao ritmo martelado pelo ódio

na tentativa vã de destruir frases hoje históricas

do grande cavalheiro que decerto foi allende

e já antes de o dizer com a vida dizia que por exemplo

mais vale morrer de pé do que viver ajoelhado ou então

se as direitas me ajudam a ganhar ganharão as direitas

País amável calorosa entrada em Santiago

e ver-me em frente desse homem sozinho relutante em recorrer às armas

e que depois de o ter visto e o ter ouvido

ao homem que for homem poderei chamar-lhe

seja qual for o nome salvador allende

Que nestas minhas minerais palavras de poeta

vibre um pouco o vigor da tua voz

bafejando de paz primeiro o bom povo do chile

depois o povo bom de todo o inundo

Que a ignomínia da história não demore em cobrir com o seu manto

os que têm a força mas não têm a razão

pois o nazi-fascismo não ganhou nem nunca ganhará

Mando-te uma ave preta rente à leve ondulação do mar

tu mandas-me no mar a ave branca do teu rosto

vento que vem do mar vento que vem do chile

Aqui neste dia de súbito cinzento

somente povoado pelo meu sofrimento

e pelo pensamento desse sofrimento

voo também vou também eu nesse lenço

que retiro do bolso aqui à beira-mar

e o meu lenço ao vento é uma ave avesíssima uma ave de paz

uma ave avezada a cada uma das derrotas existentes no mar

somente agora destruída trespassada pela bala que leva uma vida

ave que ao entoar seu canto profundíssimo afinal apenas diz

muito obrigada salvador allende

obrigada por essa tua vida de cabeça erguida

só agora tombada trespassada pela bala que leva uma vida

mas não pode levar de vencida a obra por allende começada

selada por essa promessa de lutar até ao fim até à hora de morrer

nesse importante posto onde te investiram a lei e o povo

Foi no ano de mil novecentos e setenta

ano em que eu fiquei a apodrecer no meu país

que uma coligação do tipo frente popular tomou

pela via legal conta do poder no chile

legalidade sempre respeitada por ti allende

mas por fim desrespeitada pelos militares pelas direitas pela

cristã democracia partido bem pouco cristão e pouco democrático

Falavas tu dizias a verdade

falavas com palavras de verdade

uma bala na boca nessa boca donde ainda pouco antes

saíam as palavras na verdade belas como balas

salvador allende guerrilheiro sem metralhadora e sem boina

de casaco e gravata para essas guerrilhas no parlamento

guerrilhas todas elas tão contrárias à guerra quão favoráveis à paz

essa palavra alada como ave ave não só de georges braque

mas de nós todos aves verticais aves a última estação

árvores desfolhadas num definitivo inverno

allende do cansaço dos problemas da preocupação constante em jogares limpo

com quem em vez de mãos utensílio de paz vinha com bombas em lugar das mãos

allende já há muito tempo sem uns olhos para olhares o mar

e sem poderes olhar as pedras preciosas de que fala

pablo neruda teu e meu poeta teu íntimo amigo

em las piedras dei cielo esse livro puríssimo

e são pedras do céu mas mais do que céu pedras da terra

Sol que te pões e nascerás no chile

leva-me a um país que em criança conhecíamos apenas

dos sacos de serapilheira com o nome impresso de um nitrato

e não por dar o nome a uma pequena mas confusa praça de lisboa

nem por sair nas páginas diárias dos jornais

Do chile chegou-me não há muito a amizade do hernán

que em madrid conheci e não responde há muito às minhas cartas

e a de mais chilenos de olhos vagamente tristes sérios quase portugueses

e desse país mais comprido do globo veio-me também

o lápis-lazúli pedra não já de esperança pedra de amizade

Os camiões há muito já que não sulcavam as estradas do país

estradas bafejadas pela aragem enviada pelo mar por esse

oceano pacífico de um país ainda há pouco bem pacífico

O washington post falava já do golpe dias antes do golpe

ninguém falava delas mas elas encontravam-se ali mesmo

as autoridades militares as autoridades militares as autoridades americanas

vestiam mesmo as fardas do exército chileno

esses americanos gente do dinheiro e do veneno

de um veneno talvez chamado dinheiro

que terá pago em parte as modificações dos foguetes do tipo poseidon

montados já a bordo dos divinos submarinos nucleares americanos

assunto de política estrangeira americana

Hernán urrutia meu amigo austral

que em barajas vi olhar voltar

para mim a cabeça pela última vez

marcelo coddo professor em concepción

com quem que bem me lembro conversei sobre o poeta cardenal

e sobre a jovem poesia nicaraguense

e tantos outros que nem mesmo me terão deixado o nome

mas me deixaram alguma palavra a música da fala um certo sorriso

um certo olhar visível por detrás de uns óculos

talvez hoje quebrados por quem não considera

talvez suficiente o quebrar da vida na haste da vida

embora porventura tenha visto aquela sequência de fellini

e desconhece que afinal a vida reproduz a arte

Escreve este poema no jornal com as notícias frescas

após ter evitado ver as caras de triunfo desses locutores luzidios da televisão

e mesmo ter ouvido até a voz desse pedro moutinho

a voz das afluências ao nosso principal estádio o da cova da iria

e dos cortejos presidenciais o dessas tão espontâneas manifestações

voz afinal da cia e da itt e dos demais tentáculos

do imperialismo norte-americano

maneira americana de se estar no mundo

de estar no mundo arrebatando o pão dos homens do terceiro mundo

terceiro mundo ou melhor último mundo

que pagarão agora o preço da cabeça dos trabalhadores chilenos

que marcham mas decerto em vão na direcção

do centro de santiago onde vingara

a rebelião dos marinheiros vindos de valparaiso

cabeça dos imensos deserdados deste mundo

Sabíamos decerto um pouco em que consistia

essa via chilena para o socialismo

e líamos talvez um livro acerca do programa da chamada unidade popular

e discursos de allende naquela cidade distante

embora houvesse muito mais notícias nos jornais

e a gente nos cafés falasse mais em futebol

livro por certo lido com a janela aberta sobre a noite do outono

sobre campos relvados de momento habitados pela escuridão

donde talvez se erguiam cantos pouco menos que religiosos

exaltadores de ideologias já e sem remédio ultrapassadas

Era uma vez um chileno chamado salvador allende que

fez um grande país de um país pequeno onde

talvez três anos nós houvéssemos depositado a esperança

quando fosse qual fosse a nossa nacionalidade

todos nós fomos um pouco chilenos

Mas que diabo importa em suma a qualquer de nós

que um homem se detenha quando a história caminha

em frente sempre altiva e serena

como mulher de muito tempo sabedora

Posso dizer por certo como há já muitos anos

acerca dos milicianos espanhóis dizia neruda

allende não morreste estás de pé no trigo


Ruy Belo

 

Wednesday, September 11, 2019

Homenagem ao povo do Chile


Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança.

Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no povo jamais vencido.
- o povo nunca se rende
mesmo quando morre unido.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Alguns traziam no rosto
um rictus de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
uma vida à beira-mágoa.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Mas não termina em si próprio
quem morre de pé. Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.


José Carlos Ary dos Santos

Tuesday, September 11, 2018

Chile, 45 anos




................
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.

Ary dos Santos

Sunday, September 11, 2016

O 11 de Setembro que eu quero recordar


 
 

Ne plus écrire enfin attendre le signal
Celui qui sonnera doublé de mille octaves
Quand passeront au vert les morales suaves
Quand le Bien peignera la crinière du Mal

Quand les bêtes sauront qu'on les met dans des plats
Quand les femmes mettront leur sang à la fenêtre
Et hissant leur calice à hauteur de leur maître
Quand elles diront: "Bois en mémoire de moi"

Quand les oiseaux septembre iront chasser les cons
Quand les mecs cravatés respireront quand même
Et qu'il se chantera dedans les hachélèmes
La messe du granit sur un autel béton

Quand les voteurs votant se mettront tous d'accord
Sur une idée sur rien pour que l'horreur se taise
Même si pour la rime on sort la Marseillaise
Avec un foulard rouge et des gants de chez Dior

Alors nous irons réveiller
Allende Allende Allende Allende

Quand il y aura des mots plus forts que les canons
Ceux qui tonnent déjà dans nos mémoires brèves
Quand les tyrans tireurs tireront sur nos rêves
Parce que de nos rêves lèvera la moisson

Quand les tueurs gagés crèveront dans la soie
Qu'ils soient Président ci ou Général de ça
Quand les voix socialistes chanteront leur partie
En mesure et partant vers d'autres galaxies


Quand les amants cassés se casseront vraiment
Vers l'ailleurs d'autre part enfin et puis comment
Quand la fureur de vivre aura battu son temps
Quand l'hiver de travers se croira au printemps

Quand de ce Capital qu'on prend toujours pour Marx
On ne parlera plus que pour l'honneur du titre
Quand le Pape prendra ses évêques à la mitre
En leur disant: "Porno latin ou non je taxe"

Quand la rumeur du temps cessera pour de bon
Quand le bleu relatif de la mer pâlira
Quand le temps relatif aussi s'évadera
De cette équation triste où le tiennent des cons
Qu'ils soient mathématiques avec Nobel ou non
C'est alors c'est alors que nous réveillerons

Allende Allende Allende Allende...

Thursday, September 11, 2014

No ano 41 do 11 de Setembro de 1973


HOMENAGEM AO POVO DO CHILE

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro

Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança

Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no Povo jamais vencido
– o Povo nunca se rende
mesmo quando morre unido

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Alguns traziam no rosto
um ricto de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
Uma vida à beira-mágoa.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Mas não termina em si próprio
quem morre de pé. Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.

 
José Carlos Ary dos Santos

Wednesday, September 11, 2013

Faz hoje 40 anos


Para que nunca se esqueça



HOMENAGEM AO POVO DO CHILE

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro

Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança

Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no Povo jamais vencido
– o Povo nunca se rende
mesmo quando morre unido

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Alguns traziam no rosto
um ricto de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
Uma vida à beira-mágoa.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Mas não termina em si próprio
quem morre de pé. Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.

 
José Carlos Ary dos Santos

Saturday, September 11, 2010

Memória do 11 de Setembro, há 37 anos



HOMENAGEM AO POVO DO CHILE

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro

Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança

Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no Povo jamais vencido
– o Povo nunca se rende
mesmo quando morre unido

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Alguns traziam no rosto
um ricto de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
Uma vida à beira-mágoa.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.

Mas não termina em si próprio
quem morre de pé. Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.

José Carlos Ary dos Santos

Friday, September 11, 2009

Memória dos que tombaram pelo Chile...



... morrendo de corpo inteiro!



Manifiesto

Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz,
canto porque la guitarra
tiene sentido y razón.

Tiene corazón de tierra
y alas de palomita,
es como el agua bendita
santigua glorias y penas.

Aquí se encajó mi canto
como dijera Violeta
guitarra trabajadora
con olor a primavera.

Que no es guitarra de ricos
ni cosa que se parezca
mi canto es de los andamios
para alcanzar las estrellas,
que el canto tiene sentido
cuando palpita en las venas
del que morirá cantando
las verdades verdaderas,
no las lisonjas fugaces
ni las famas extranjeras
sino el canto de una lonja
hasta el fondo de la tierra.

Ahí donde llega todo
y donde todo comienza
canto que ha sido valiente
siempre será canción nueva.

(Victor Jara)

Thursday, September 11, 2008

Foi há 35 anos, no Chile!


"Trabajadores de mi Patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo en el que la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano, tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición."

(Excerto do último discurso de Salvador Allende, assassinado no assalto ao Palácio de La Moneda)





Plegaria a un labrador


Levántate y mira la montaña
de donde viene el viento, el sol y el agua.
Tú que manejas el curso de los ríos,
tú que sembraste el vuelo de tu alma.

Levántate y mírate las manos
para crecer estréchala a tu hermano.
Juntos iremos unidos en la sangre
hoy es el tiempo que puede ser mañana.

Líbranos de aquel que nos domina
en la miseria.
Tráenos tu reino de justicia
e igualdad.
Sopla como el viento la flor
de la quebrada.
Limpia como el fuego
el cañón de mi fusil.
Hágase por fin tu voluntad
aquí en la tierra.
Danos tu fuerza y tu valor
al combatir.
Sopla como el viento la flor
de la quebrada.
Limpia como el fuego
el cañón de mi fusil.

Levántate y mírate las manos
para crecer estréchala a tu hermano.
Juntos iremos unidos en la sangre
ahora y en la hora de nuestra muerte.
Amén.

(Victor Jara - 1969)
(este post foi pré-programado, pois não queria deixar de assinalar esta data)