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Tributo ao Zeca 25 Anos sobre a sua morte, por Alfredo Matos
22/02/2012
A 22 de Julho de 1970, Zeca dedicou-me Por Trás Daquela Janela, Poema, por si criado e manuscrito, que posteriormente mo entregou.
Estava eu, então, preso no Forte de Caxias. Foi em Maio daquele ano, no dia 3, que a PIDE assaltou, simultaneamente, no Distrito de Setúbal, de madrugada, oito casas, prendendo oito cidadãos: quatro, em Setúbal – Carlos Lopes, António Gonçalves, Fernando Carlos e Zacarias Fernandes. Um, na Moita – Staline Rodrigues. Um, em Alhos Vedros – Leonel Coelho. Dois, no Barreiro – Álvaro Monteiro e Alfredo de Matos.
Foi um momento particularmente emocionante quando o Zeca, perante insistência continuada, a que não resistiu, interpretou, no Barreiro, naquele local, naquele ano, àquela hora e para aquela imensa multidão, aquele libelo acusatório temível e sempre actual – “os Vampiros”. Que noite inesquecível!
Conhecemo-nos no início de 1967. Com frequência nos visitámos. Eu, na sua primeira casa, em Setúbal, o Zeca, na minha casa, no Barreiro e, aqui, conviveram, connosco, algumas vezes, dois grandes amigos comuns – o Carlos Paredes e o Adriano Correia de Oliveira. Momentos de conversa livre e amiga.
Desenvolvemos uma amizade sólida, na base de imensas cumplicidades, à volta dos nossos ideais, principalmente. Esta relação levou a que o Zeca tenha aderido e participado, com grande entusiasmo, naquele memorável espectáculo, um autêntico concerto, talvez a maior e mais vibrante sessão de poesia e canto que encheu como um ovo o ginásio do Luso do Barreiro, no dia 11 de Novembro de 1967, um sábado, da iniciativa do Cineclube do Barreiro – cuja direcção, liderada por Álvaro Monteiro, viria, por esse motivo, a ser presa pela PIDE – e da Comissão Cultural do Luso. Este foi mais um dos momentos em que tomámos nas nossas mãos a procura da liberdade que o poder fascista nos negava.
Adriano Correia de Oliveira não cantou porque, como explicou, estava na tropa. Odete Santos declamou poetas como António Gedeão e Manuel da Fonseca. Teresa Paula Brito interpretou Para Não Dizer Que Não Falei De Flores e espirituais negros. O virtuosismo de Carlos Paredes e Fernando Alvim em temas como Verdes Anos. Por fim, Zeca Afonso acompanhado à viola por Rui Pato. A apresentação, improvisada mas conseguida, esteve a cargo do barreirense Manuel Teixeira Gomes. Serviu de apoio à partitura com os textos do Zeca, o muito jovem, e meu filho, Vítor de Matos.
Uma multidão, impensável, naqueles tempos e naquelas condições, repetia com insistência: “Vam-pi-ros”, “Vam-pi-ros”, “Vam-pi-ros”, “Vam-pi-ros”.
O Zeca não queria, resistiu até ao limite, mas era impossível não ceder ao pedido incessante da multidão. Todas as emoções transbordaram quando, aquela Voz rompeu, como um grito, o momento de silêncio:
“No céu cinzento/Sob o astro mudo/Batendo as asas/Pela noite calada/Vêm em bandos/Com pés de veludo/Chupar o sangue/Fresco da manada”.
Ovação poderosa estalou na sala. Em coro, todos, a uma voz, sublinham:
“Eles comem tudo/Eles comem tudo/Eles comem tudo/E não deixam nada”.
Estava a viver-se um impressionante e indescritível acontecimento, de grande impacto na região que, num período de crescentes acções políticas oposicionistas, empolgou o começo da movimentação dos democratas para o intenso período eleitoral de 1969, em que, no Concelho do Barreiro, a CDE venceu, nas urnas, a União Nacional.
A 22 de Julho de 1970, Zeca dedicou-me Por Trás Daquela Janela, Poema, por si criado e manuscrito, que posteriormente mo entregou.
Estava eu, então, preso no Forte de Caxias. Foi em Maio daquele ano, no dia 3, que a PIDE assaltou, simultaneamente, no Distrito de Setúbal, de madrugada, oito casas, prendendo oito cidadãos: quatro, em Setúbal – Carlos Lopes, António Gonçalves, Fernando Carlos e Zacarias Fernandes. Um, na Moita – Staline Rodrigues. Um, em Alhos Vedros – Leonel Coelho. Dois, no Barreiro – Álvaro Monteiro e Alfredo de Matos.
Pelo Natal de 1972, este Poema, também com música do Zeca, de interpretação difícil como o próprio o referia, foi editado em disco, sob o título, Eu Vou Ser Como a Toupeira, que também incluiu a canção A Morte Saiu à Rua, dedicada ao escultor Dias Coelho, dirigente do PCP, assassinado pela PIDE, em 19 de Dezembro de 1961. Eis o que diz o manuscrito:
Ao Alfredo Matos
Por trás daquela janela
Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão
Se aquela parede andasse
Se aquela parede andasse
Eu não sei o que faria
Não sei
Se o mundo agora acordasse
Se aquela parede andasse
Se um grito enorme se ouvisse
Duma criança ao nascer
Talvez o tempo corresse
Talvez o tempo corresse
E a tua voz me ajudasse
A cantar
Mais dura a pedra moleira
E a fé, tua companheira
Mais pode a flecha certeira
E os rios que vão pró mar
Por trás daquela janela
Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Na noite que segue ao dia
Na noite que segue ao dia
O meu amigo lá dorme
De pé
E o seu perfil anuncia
Naquela parede fria
Uma canção de alegria
No vai e vem da maré
Assina: José Afonso A
Nas minhas cartas da prisão, à Eve, a minha companheira, dou-lhe conta das emoções, ao ouvir aquela Voz, vinda de um gira-discos, que uma vez por semana, durante escassas horas, intercalada com a voz de Paco Ibañez, de Jean Ferrat, de Léo Ferré, de Adriano Correia de Oliveira, de Beethoven… É a Voz. Aquela Voz. Nas cartas, eu ia escrevendo, frases espalhadas pelo texto que lá iam passando “… ondas eléctricas percorrem todo corpo, eriçando-lhe os pelos, tal pele de galinha, sensação que se vai repetindo, quando o nosso Zeca arranca o São Macaio… e, o Menino do Bairro Negro – Bairro, bairro negro onde não há pão não há sossego… e, Vejam bem que não há só gaivotas em terra quando um homem se põe a pensar… e, Os Vampiros – No céu cinzento sob um astro mudo. Ao ecoar Maio Maduro Maio, o silêncio suspende a nossa respiração”
No 1º de Dezembro de 1970, no Forte de Caxias, escrevinhei um texto como se fosse um poema, dedicado ao Zeca, que dele nunca teve conhecimento, talvez porque o achei de valor muito reduzido, mesmo pobre, embora com algum simbolismo pelo lugar e condições em que foi criado. Ei-lo:
Um dia golpearam o pé da flor
Mas a criança agarrou a flor
Que voltou a dar pétalas garridas
Com um perfume ainda mais doce
E a flor se fez árvore
Depois negro vendaval
Arrancou seu forte tronco…
Mas vieram as crianças
As Mulheres e os homens
Que voltaram a plantar a árvore
Que voltou a dar flores e frutos
Para as crianças
As mulheres e os homens.
E a árvore se fez bosque…
Aqui chegou o poeta…
Não há melhor melodia
Que esta faca afiada
Que este golpe de martelo
Que um vagido de criança
Treme a terra bem no fundo de nós
Acordam os Poetas
Os soldados erguem as armas
Galgam as águas dos rios
Rasgam as aves o céu…
Ouvi a sua voz
É Portugal que canta
É Portugal que está no seu poema
E a alegria volta cheia de música
Trova. Balada. Canção
O Poeta canta a vida da gente
Pescador. Camponês. Resineiro. Soldado
Poeta. Operário. Ceifeira. Doutor
Tudo é vida no seu canto
Flor. Árvore. Fruto. Pedra
Tudo em ti é movimento
Rei que tu não foste sendo
Ao teu País dás o teu grito
Há uma nuvem de gente no teu canto
Na tua voz há festa
Tem raiva o teu cantar
Há amor e esperança nas tuas Palavras
É Portugal que está no teu Poema
É Portugal que está na tua voz
Dedicado à minha irmã, Conceição – presa em 1965, depois em 1968, activista
política clandestina, membro do PCP, torturada pela PIDE de forma particularmente cruel – o Zeca escreveu um poema, oferecendo-lhe o texto por si manuscrito, na versão original. A letra, que ataca explicitamente a PIDE em homenagem a uma Combatente expressamente nomeada, nunca chegou a ser gravada. Ei-la:
À Conceição Matos
Na Rua António Maria
Da Primaz Instituição
Vive a Maior Confraria
Desta válida Nação
E muita matula brava
Ainda pensava
Que havia de vir
Um dia assim de repente
Para toda a gente
Voltar a sorrir
Mas eles, Conceição, vão
Lamber as botas
Comer à mão
Dum novo Pina Manique
Com outra lábia
Com outro tique
Na Rua António Maria
Convenha a todos saber
A patriótica espia
Sabe bem onde morder
Vela pela vossa morada
No vão duma escada
Sem se anunciar
E oferece a quem bem destina
Um quarto de esquina
Com vistas pr`ó mar
Mas eles, Conceição, vão
Lamber as botas
Comer à mão
Dum novo Pina Manique
Com outra lábia
Com outro tique
Tem quatro letras apenas
Mas outro nome lhe dão
Nesta Fortaleza antiga
Só não muda a guarnição
E muita matula ufana
Cuidado que a mana
Morrera de vez
Deu graças à Dª. Urraca
Ao som da ressaca
Que o pagode fez
Mas eles, Conceição, vão
Lamber as botas
Comer à mão
Dum novo Pina Manique
Com outra lábia
Com outro tique
Aldeia da roupa branca
Suja de já não corar
O Zé Povo foi pr`á França
Não se cansa de esperar
O capataz de fazenda
Pôs a quinta à venda
Para quem mais der
E os donos marcaram tentos
Com novos inventos
Doa a quem doer
Assina, Zeca Afonso
A minha admiração pelo Zeca assenta, ainda, na sua qualidade impar de criador de poesia e de músico, de compositor de génio, sempre irrepetível, de ser o seu próprio e maior intérprete e também pelo seu carácter íntegro, generoso, leal, solidário. Zeca, grande amigo do Barreiro, um verdadeiro camarada, no sentido mais sublime da expressão.
Alfredo de Matos
Publicado no Rostos On-line
Caldas fez uma festa a Zeca Afonso há 40 anos
Passam quatro décadas no próximo domingo, 5 de fevereiro, da Festa da Amizade, feita a José Afonso. Iniciativa foi um sucesso com o pavilhão da Mata a abarrotar de gente e com muitos artistas nacionais
“O Pavilhão da Mata não esteve cheio, na verdade, estava mesmo a abarrotar de gente!”. Palavras de José Carlos Faria, que foi um dos músicos que atuou na Festa de Amizade pois é membro dos Charanga, grupo que atuou a 5 de fevereiro, de 1983, na Festa da Amizade, uma iniciativa solidária criada por um grupo de cidadãos, amigos do cantor com vista a angariar fundos para José Afonso e que agora recorda à Gazeta das Caldas.
“O bilhete custava 200$00!”, recordou Evaristo Sousa, um dos elementos que ajudou na organização desta Festa da Amizade, que acabou por se transformar numa iniciativa nacional com a presença de artistas como Carlos Paredes, Vitorino, Luís Cília, Manuel Freire, Francisco Fanhais, Sérgio Godinho, Manuel Alegre, Natália Correia, Fernando Assis Pacheco, entre outros artistas e poetas que se quiseram reunir nesta festividade de apoio ao cantor.
O cantor já tinha sido diagnosticado com a doença esclerose lateral amiotrófica, – que acabou por o vitimar, – e o dinheiro angariado “destinava-se para que ele pudesse fazer tratamentos nos EUA”, recordou Élia Mendonça, elemento do núcleo caldense da Associação José Afonso e que agora se dispôs a assinalar os 40 anos desta festa que “reuniu gente de todo o país, de Aveiro e de Coimbra”. Muita gente com bilhete comprado, acabou por não ter lugar e “ficaram a tentar ouvir o que se passava lá dentro”.
A ideia de se celebrar os 40 anos “partiu de Paulo Vaz”, contou Élia Mendonça, que é também membro do núcleo caldense da AJA e que esteve na organização desta iniciativa solidária. O seu pai, Renato Mendonça, era grande amigo do cantor desde que se conheceram na Margem Sul.
A Festa da Amizade teve que ser organizada no Pavilhão da Mata pois era o maior espaço da cidade. “Mas tivémos que organizar na primeira parte atividades de caráter desportivo”, recordou Élia Mendonça. Como a Gazeta das Caldas noticiou na época, houve Karaté e Judo e também atuou o grupo de Bailado da Casa da Cultura. “E ainda tivémos que comprar uma alcatifa industrial para proteger o chão do pavilhão”, referiu a organizadora, acrescentando que, no fim da festa, esta foi oferecida à autarquia.
“Todos os artistas vieram graciosamente desde cantores, poetas e houve um verdadeiro manancial de gente que quis estar presente”, disse Élia Mendonça, surpreendida também com o facto de várias senhoras caldenses, com alguma idade, que quiseram participar com comida – bolos e rissóis – “na festa para o senhor Zeca”.
Apesar do cunho político, “ele humanamente tocava as pessoas” e houve muita gente que veio trabalhar nos bastidores da Festa “e que acabou por não conseguir assistir ao espetáculo”.
Élia Mendonça ainda decorou o pavilhão com cravos e usou cestos oferecidos por uma quinta. “Alguns caldenses estiveram a noite inteira a cozinhar nas instalações do CEERDL, no Largo João de Deus, e foram lá servidas as refeições para os músicos convidados”, recordou Élia Mendonça.
A Festa nas Caldas seguiu-se à do Coliseu e acabou por ser uma das últimas vezes “que ele atuou todo o concerto”, referiu José Nascimento, que fotografou a Festa da Amizade, entre outros concertos de Zeca Afonso.
Estatutariamente, o núcleo das Caldas depende do grupo de Lisboa Associação José Afonso (AJA) que vai também ceder algum material para as atividades deste núcleo caldense. Esta é a primeira atividade deste núcleo, iniciado em setembro passado e formalizado em novembro último.
Zeca Afonso era visita regular nas Caldas, na década de 1980. Tinha vários amigos na cidade e marcou presença em diversas iniciativas como as movimentações contra o nuclear em Ferrel e ainda fez um concerto a favor da Amnistia Internacional, em 1982, que foi feito na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro.
O cantor e poeta era frequentador das termas das Caldas, bem como da Praça da Fruta e do Café Central. A edição da serigrafia, que será lançada a 5 de fevereiro, foi impressa em França de forma semi-clandestina pois foi antes de abril. “No pós-revolução este o cartaz, até então inédito, foi escolhido para divulgar a Festa da Amizade”, disse José Carlos Faria, também do núcleo caldense. Na conferência “A resistência do canto” será ainda distribuído um fac-simile de uma denúncia da Pide sobre a presença de Zeca Afonso, de Francisco Fanhais e de Adriano Correia de Oliveira numa das noites, no espaço caldense, Inferno d’Azenha. ■
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Na noite de Madrid
Jazia ali como uma afronta para os vivos
que voltavam dos bares com música nos olhos
com estrelas na testa e festa nos ouvidos
e passavam de táxi a boa velocidade
Há quanto tempo o homem jazeria ali
à superfície escura do asfalto
já meio devolvido à terra nossa mãe?
Não o cobria o manto dos heróis
nenhum clarim tocara em sua honra
Como o confortaria a santa madre igreja?
Tombara apenas imolado ao dia-a-dia
Pagara com a vida a paz da consciência
de toda uma cidade que dormia
E ele crescia alastrava na estrada
e assumia inesperadas proporções
quando há bem pouco ainda se reduzia ao dia
Quem seria? Quem fora?
Que jornal conteria a imensidão do nome
de quem como um insulto ali jazia?
Que pensamentos próximos tivera?
E o que levaria ele nos bolsos?
Donde viria? Sorriria? Onde ia?
Fora criança? Sonharia ser feliz?
Mudaria de vida na manhã seguinte?
Brincara alguma vez naquela mesma rua?
Fora criança ali onde profundamente o vi?
Teria soluções para problemas que tivesse?
Seria porventura um bom chefe de família?
Disporia da consideração da vizinhança?
Era bom funcionário? Homem de futuro?
Mas já naquele momento o rosto lhe cobriam
pois não conseguiria ver nem as estrelas
nem ao menos a luz dos citadinos candeeiros
Havia curiosos e polícia havia uma ambulância inútil
para quem como cama só teria a pedra fria
«Aonde vai?» - perguntou-me o homem do táxi
«- Eu tenho cinco mil pesetas - respondi-lhe
Leve-me pelas ruas da cidade até nascer o sol
talvez ele possa dizer-me alguma coisa
daquelas muitas coisas que gostava de saber
(o sol é hoje uma das minhas poucas soluções)
Passe longe do corpo por favor»
Lembrei-me de leituras soterradas
de súbito subiram-me à memória cenas esquecidas
Samaritano eu? Mais um levita
que calmo procurava a promessa do dia
Inquietação ou pena? Sombra de metafísica?
Política? Moral? Lição? Comportamento?
Queria alguma coisa? Não sabia
Posso-vos garantir que não sabia
Só sabia que olhava e nenhum mar havia










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