Saturday, August 02, 2008

A falta que me fazes...


Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se de antiga chama
Mal vive a amargura

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
O nascer do dia

(José Afonso)

20 comments:

salvoconduto said...

A ti e a nós todos. Bela homenagem!

Abreijo

em azul said...

Há quem nos faça falta, sempre.
Eu hoje quis falar de amor, de saudade e apenas consegui suspirar uma coisa e outra... e agora venho aqui e apetece-me perguntar à cotovia se não seria melhor eu ter esperado o nascer do dia!
O poema é lindo e tão singelo. Gostei muito, obrigada.
Abraço

Fernando Samuel said...

«A falta que NOS fazes»...

Um beijo amigo.

Pedro Branco said...

"Cidade, sem muro nem ameias..."

Beijo a caminho do mar alto!

O Sibarita said...

Oi Fia! kkkk Humm ei dona moça, estou em falta mesmo com senhora, viu? Mas, não é por nada não!

O tempo escasso no dever do trabalho cotidiano, creio que a partir do próximo mês eu já esteja com mais tempo para o seu tempo... e aí? KKKK

Belíssimo poema esse em Maria? Com sempre você só coloca coisa boa!

Aiaiaiaia... kkkk

bjs
O Sibarita

rouxinol de Bernardim said...

Lindo e sempre actual apesar do tempo!

Intemporal como os diamantes!

samuel said...

Faz falta, sim.
Abreijos

"Maria"


Maria
Nascida no monte
À beira da estrada
Maria
Bebida na fonte
Nas ervas criada

Talvez
Que Maria se espante
De ser tão louvada
Mas não
Quem por ela se prende
De a ver tão prendada

Maria
Nascida do trevo
Criada na trigo
Quem dera
Maria que o trevo
Casara comigo

Prouvera
A Maria sem medo
Crer no que lhe digo
Maria
Nascida no trevo
Beiral do mendigo
Maria
Nascida no trevo
Beiral do mendigo

Maria
De todas primeira
De todas menina
Maria
Soubera a cigana
Ler a tua sina

Não sei
Se deveras se engana
Quem demais se afina
Maria
Sol da madrugada
Flor de tangerina
Maria
Sol de madrugada
Flor de tangerina

José Afonso

Lúcia said...

Faz falta. Embora esteja sempre cá, o Zeca.
Beijos

isabel said...

a falta que me fazes. pulga. :)
beijo

Delfim peixoto said...

Quanta saudade... !!! sempre Vivo, afinal
Jnhs

Olhos de mel said...

Oie linda! Que bela poesia! A esperança... ela é que nos move, ainda que nada esteja dando certo.
Acreditar e lutar e preciso!
Bom domingo, boa semana! Beijos

Maria P. said...

Sem dúvida.

Beijinho, Maria.

mafarrico said...

Que saudades!

Dos poemas, da música e, sobretudo, do que dizia quando falava do que é mais importante, de forma autêntica e descomprometida!

Obrigado pelo comentário lá no inferno.
E tens razão, muitos de nós não ligam as coisas. Mas importa ligá-las... porque eles "andem" aí!

poesianopopular said...

Maria
O "Zecz" só faz falta para a continuidade, de resto está sempre connosco.
Abração amiga
Ps: (salvo seja) já sabes do encontro na FESTA, dos blogers de esquerda Restaurante do Alentejo sábado 6 ás 20h.
Bjo

Agulheta said...

Querida amiga. Dizes bem... Muita saudade! do Hoem do músico das suas letras e poemas,bem de muitas coisas,jamais esquecerá,sempre presente no coração. Beijinho Lisa

Sunshine said...

Quando li o título lembrei-me de: "O que faz falta é animar a malta, o que faz falta..."
Beijinhos com raios de Sol

luciana said...

eternamente Zeca..........

que a sua luz nunca se apague....

Rosa dos Ventos said...

Faz-nos falta a todos!...

Abraço

Eduardo Aleixo said...

Ficou a fazer falta. Mas está sempre connosco. Nunca morre.
Eduardo

Ludo Rex said...

Sempre! Kiss