Friday, September 11, 2026

Os onzes de Setembro

 
Há 25 anos estava na Berlenga. E como havia uma enorme afluência de turistas à ilha, e consequentemente ao restaurante, fui para trás do balcão ajudar a tirar cafés.
A certa altura o Manel (concessionário do Pavilhão Mar e Sol) chamou-me para eu ver a televisão. O barulho era muito e pareceu-me estar a ver um filme de ficção. Os clientes centraram a atenção no aparelho, quase junto do tecto, o Manel subiu o som e fez-se silêncio (quase) absoluto. As imagens ainda hoje me chocam. E os atentados às torres gémeas foram (e ainda são) tema de conversa naquele dia e nos que se seguiram.
Mas eu também me lembro que, num outro 11 de Setembro, em 1973, aconteceu um outro atentado em Santiago do Chile, melhor dizendo um golpe militar, que culminou com a morte do Presidente Salvador Allende, eleito democraticamente. E que só no dia seguinte soubemos do acontecido pelo jornal 'República'. Não houve televisões a noticiarem, muito menos a fazerem directos, e o pior de tudo era mesmo NÃO PODER TROCAR INFORMAÇÃO fosse com quem fosse, NEM TELEFONAR A AMIGOS, pois podia haver pides e bufos em qualquer esquina ou casa. E as paredes tinham, na época, ouvidos.
No atentado de há 25 anos, que ocorreu precisamente a esta hora, morreram cerca de 3.000 (TRÊS MIL) pessoas.
No golpe militar no Chile, o bombardeamento ao palácio La Moneda ocorreu por volta das 4 da tarde em Portugal (meio dia em Santiago). Morreram 60.000 (SESSENTA MIL) pessoas.
Vivi isto tudo, tenho memória e não perdoo!

O dia em que não morri - revista piauí

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