Thursday, November 27, 2008

SPARTACUS

Em cada hora
Em cada dia
Século após século
os homens arremessam o teu nome ao vento
e dele saem dardos, punhais, espadas
e dele saem pombas e flores ensanguentadas
De cada letra um filho
De cada som um eco

Teu nome-profecia
Teu nome vinho-novo
que ao terceiro dia há-de ressuscitar
nas veias do meu povo

Teu nome
que mil vezes tem sido agrilhoado
Teu nome sangue-mel
nos lábios do carrasco uma esponja de fel

Teu nome-escravo
Teu nome-espectro
fantasma de terror na noite de algozes
temido como as vozes que clamam no deserto

Teu nome-salmo
escrito em cada corpo morto
em cada cruz erguida

Teu nome-espiga
que se transforma em pão
Teu nome-pedra
da construção do mundo
que será o fruto do teu gesto

Teu nome
em cada gesto do esvoaçar das asas
da gaivota presa

Teu nome
vela-acesa na catedral da esperança
do altar-homem

Teu nome
em cada grito
em cada mão

Teu nome-sinfonia
que há-de explodir com a alegria
de um átomo liberto

Spartacus!
Teu nome-irmão.


Maria Eugénia Cunhal

(retirado do Cravo de Abril)

31 comments:

salvoconduto said...

Foste enorme, Spartacus.

Abreijo.

Ludo Rex said...

Grande escolha...
Kisses

Violeta said...

Mais uma bela poesia que eu não conhecia...

Eduardo Aleixo said...

Luta pela libertação do Homem, processo histórico,figura símbolo da luta dos escravos contra a opressão, filme que já vi dezenas de vexzes, poema em que é legítimo, de modo puro e natural o recurso à imagem da ressurreição, e de outros elementos crísticos, porque também neste espaço religioso é da Libertação que se fala. Obrigado, Maria, belo poema, vários caminhos levam à emancipação, só não vê quem não é livre de intelecto, de coração e de ser.
Beijo redondo.
EA

Ana said...

Eta, mulher!
Passas da mais suave poesia ao cântico mais guerreiro!

É um belo poema que não conhecia.

O Spartacus, costumo encontrar todos os anos pela Páscoa...

Beijinho

BlueVelvet said...

Não conhecia esta poesia.
Belíssima por sinal.
Algo me diz que não veio aqui parar por acaso.
Beijinhos

Maria said...

Ana

Estados de alma fazem com que assim seja...

Beijinho

Maria said...

BlueVelvet

Muito pouco do que aqui ponho é por acaso.
Mas não terá a ver com o que possas pensar... se bem te conheço...

Beijo

Joao P. said...

Olá:

Não conhecia. Este é um daqueles poemas que nos enchem de energia!

Obrigado pela partilha

João

A CONCORRÊNCIA said...

Um exemplo de coragem e convicção. Alguém que tinha ideais e lutou por eles com todas as suas forças. Uma espécie em vias de extinção ?


Beijos Maria

Teresa Durães said...

Li o livro há bastante tempo. Confesso que não me lembro da história a não ser que Spartacus era escravo. Que tristeza...

Serenidade said...

:)

Serenos sorrisos

Cadinho RoCo said...

Existem nomes que, por força de seus ideais, permanecem vivos.
Cadinho RoCo

Carla said...

suaves palavras em pose de guerreiro!
beijos

Vera said...

Uma boa escolha, como sempre fazes Maria :)

Beijo linda

Vera said...
This comment has been removed by the author.
Fernando Samuel said...

«Voltarei e serei milhões»...



Um beijo grande.

mfc said...

Uma força imensa... um mito inquebrantável!

pin gente said...

a força de um mito...

beijo grande, maria

Oris said...

Não conhecia, mas gostei da força das palavras...

Beijito, Maria

Agulheta said...

Maria.Poema libertador e com força de palavras,como ele foi.(Spartacus)

Beijinho

SILÊNCIO CULPADO said...

Maria
Spartacus foi um símbolo de que os grilhões não fazem o homem escravo.
Escravo é aquele que se humilha e submete à indignidade por não ter coragem para defender seus ideais.
Spartacus morreu na cruz mas o sonho não. Esse perdurará sempre enquanto houver gente que acredite que a vida dos outros vale mais que a sua.

Também bonito o poema de Eugénia Cunhal.


Beijos

em azul said...

Palavras fortes...
Beijo
em azul

Olhos de mel said...

Oie linda! Maravilhosa poesia de Maria Eugenia! Linda, adorei!
Bom fim de semana! Beijos

umquarentao said...

Apelo em divulgação na internet:
- ÚTEROS ARTIFICIAIS: Uma Investigação Cientifica Prioritária!


Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas apenas os machos mais fortes é que possuem filhos.
No entanto, para conseguirem sobreviver, muitas sociedades tiveram necessidade de mobilizar/motivar os machos mais fracos no sentido de eles se interessarem/lutarem pela preservação da sua Identidade.
De facto, analisando o Tabú-Sexo (nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas) chegamos à conclusão de que o verdadeiro objectivo do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos sexualmente mais fracos; Ver http://tabusexo.blogspot.com/.

Com o fim do Tabú-Sexo a percentagem de machos sem filhos aumentou imenso…
As Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de Assumir a sua História!!!
Isto é, estas sociedades não podem continuar a tratar os machos sexualmente mais fracos como sendo o caixote do lixo da sociedade!!!
Isto é, os machos ( dotados de Boa Saúde ) rejeitados pelas fêmeas devem possuir o legítimo Direito de ter acesso a ÚTEROS ARTIFICIAS.


PS
Alarmado com o número muito elevado de solitários, o governo Sérvio quer "importar" 250 mil noivas para solitários...

LOURO said...

Olá Amiga Maria, um belo poema de libertação... A liberdade não se compra, não se vende, comquista-se!
Um poema guerreiro, maravilhoso... Beijinhos de boa noite Maria!
Lourenço

heretico said...

enorme poema. de uma grande poetisa. que ordem do "pensamento único" teima em ignorar...

... ate por isso é exemplar a publicação aqui.

beijos

Justine said...

Forte e doce, este grande poema de MEC

GR said...

A poesia de Eugénia Cunhal é lindíssima.

Bjs,

GR

Maria said...

Obrigada a todos por terem passado por aqui...

Beijos

rosaventos said...

Tenho aqui mesmo ao lado o livro "As Mãos e o Gesto"...
Gosto da poesia da Maria Eugénia Cunhal!

Abraço