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Thursday, September 24, 2026

1ª Festa do Avante!


A 24 de Setembro de 1976, o PCP erguia a Festa que Portugal nunca tinha visto.
Há precisamente 50 anos abríamos as portas da 1º Festa do Avante! na FIL, em Lisboa. Em 1976, contra todas as evidências em contrário, a Festa do jornal que resistiu na clandestinidade durante 48 anos - o Avante! - nascia como esperança para a construção do Portugal de Abril, celebrando a liberdade. Festa da cultura, da solidariedade, da amizade e da alegria, a sua natureza política foi determinante para responder à urgência democrática e à força da vontade popular. Era a possibilidade daquilo que juntos conseguimos fazer com as nossas próprias mãos.
50 anos depois, a Festa continua cada vez mais viva e sempre a olhar para o futuro. É por isso que todos os anos a Festa nos surpreende com a sua constante novidade, com a imensa juventude que nos faz dizer, sem hesitar, que não há Festa como esta.

(do site Festa do Avante)

Monday, March 24, 2025

Concerto "O Povo e uma Guitarra" - Centenário de Carlos Paredes


Fórum Lisboa cheio para homenagear Carlos Paredes no ano em que se comemora o seu centenário. 🎵🎶Honrar a memória de Carlos Paredes é promover a sua genial e extraordinária obra, a sua vida de homem, de músico, de militante comunista, um símbolo ímpar da Cultura e da música portuguesa. O ponto alto das comemorações do PCP, o Concerto "O Povo e uma Guitarra" contou com a participação de vários artistas e músicos de renome que trouxeram ao Fórum Lisboa a sua criatividade, o seu trabalho e a sua arte.

Thursday, March 06, 2025

104º aniversário do PCP

TOMAR PARTIDO

Tomar partido é irmos à raiz
do campo aceso da fraternidade
pois a razão dos pobres não se diz
mas conquista-se a golpes de vontade.

Cantaremos a força de um país
que pode ser a pátria da verdade
e a palavra mais alta que se diz
é a linda palavra liberdade.

Tomar partido é sermos como somos
é tirarmos de tudo quanto fomos
um exemplo um pássaro uma flor.

Tomar partido é ter inteligência
é sabermos em alma e consciência
que o Partido que temos é melhor.

 

E CADA VEZ SOMOS MAIS

Pela espora da opressão
pela carne maltratada
mantendo no coração
a esperança conquistada.

Por tanta sede de pão
que a água ficou vidrada
nos nossos olhos que estão
virados à madrugada.

Por sermos nós o Partido
Comunista e Português
por isso é que faz sentido
sermos mais de cada vez.

Por estarmos sempre onde está
o povo trabalhador
pela diferença que há
entre o ódio e o amor.

Pela certeza que dá
o ferro que malha a dor
pelo aço da palavra
fúria fogo força flor
por este arado que lavra
um campo muito maior.

Por sermos nós a cantar
e a lutar em português
é que podemos gritar:
Somos mais de cada vez.

Por nós trazermos a boca
colada aos lábios do trigo
e por nunca acharmos pouca
a grande palavra amigo
é que a coragem nos toca
mesmo no auge do perigo
até que a voz fique rouca
e destrua o inimigo.

Por sermos nós a diferença
que torna os homens iguais
é que não há quem nos vença
cada vez seremos mais.

Por sermos nós a entrega
a mão que aperta outra mão
a ternura que nos chega
para parir um irmão.

Por sermos nós quem renega
o horror da solidão
por sermos nós quem se apega
ao suor do nosso chão
por sermos nós quem não cega
e vê mais clara a razão
é que somos o Partido
Comunista e Português
aonde só faz sentido
sermos mais de cada vez.

Quantos somos? Como somos?
novos e velhos: iguais.

Sendo o que nós sempre fomos
cada vez 
seremos mais!

José  Carlos Ary dos Santos

Friday, December 06, 2024

Voto de pesar pela morte de Celeste dos Cravos aprovado por unanimidade

Apresentada pelo PCP, a iniciativa recordou a mulher que um dia «levantou-se para ir trabalhar num restaurante situado em Lisboa, na Rua Braancamp» e acabou por dar cor à Revolução. Após a votação todos, à excepção do Chega e CDS, bateram palmas de pé.


Celeste Caeiro, também conhecida carinhosamente por Celeste dos Cravos, faleceu no passado dia 15 de Novembro, aos 91 anos. Nascida em Lisboa a 2 de Maio de 1933, «oriunda de uma família humilde, e viveu grande parte da sua vida em Lisboa», Celeste ficou na história por ter sido a pessoa que começou a distribuir cravos, batizando a Revolução e tornando-se numa cara de Abril.

«Enfrentou uma vida de dificuldades com perseverança. Mulher trabalhadora, de fortes convicções, e militante comunista até ao fim da sua vida, a sua generosidade e afabilidade ficará na memória de todos os que com ela conviveram», podia ler-se na iniciativa apresentada pelo PCP. 

O voto de pesar dos comunistas descreveu também o dia em que Celeste ficou na história, relembrando que o restaurante onde trabalhava fazia um ano a 25 de Abril de 1974 e por essa razão comprou flores para oferecer aos clientes. Com o alvoroço e incerteza, o restaurante acabou por não abrir nesse dia e os cravos foram distribuídos pelas trabalhadoras. Celeste não foi para casa, juntou-se aos populares no Chiado e tendo sido informada por um dos soldados de que estava em curso uma revolução, ofereceu-lhe um cravo que o militar colocou no cano da espingarda. 

Aprovado por unanimidade, de seguida as bancadas bateram palmas de pé aos familiares presentes nas galerias, à exceção do Chega e CDS-PP, cujos deputados permaneceram sentados. 

Friday, November 15, 2024

Celeste dos cravos

Faleceu a Celeste, que distribuiu os cravos que acabaram no cano das espingardas

Celeste Caeiro, que fez dos Cravos sinónimo de Abril, faleceu hoje, aos 91 anos. Mulher trabalhadora e militante comunista, teve uma vida marcada pelo seu compromisso com os valores de Abril.


A Celeste dos Cravos, apesar da idade avançada, não recusava solicitações para partilhar a sua história, para participar em comemorações da Revolução de Abril. Foi assim até este ano, quando se celebram os 50 anos de Abril: esteve no mar de gente que desceu a Avenida da Liberdade, na sua cidade de Lisboa, mas também fez questão de estar na Festa do «Avante!», a realização anual do seu partido, o PCP.
Celeste Caeiro nasceu em Lisboa, em Maio de 1933, cidade onde trabalhou viveu grande parte da sua vida. De origens humildes, na manhã de 25 de Abril de 1974, com 40 anos, saiu de casa no Chiado, onde vivia, com a sua mãe e a filha ao seu cuidado, rumo ao restaurante onde trabalhava, no edifício Franjinhas, na Rua Braancamp. Nas palavras de Celeste, «a casa fazia um ano nesse dia, os patrões queriam fazer uma festa e o gerente comprou flores». Com as operações dos capitães de Abril em curso ali ao lado, o restaurante não chegou a abrir e Celeste levou os cravos no caminho de volta a casa.
Foi já no Chiado que se deparou com os veículos militares que rumavam ao Quartel do Carmo, para deter Marcelo Caetano. Foi isso que lhe explicou o jovem militar (que, para seu desgosto, Celeste nunca voltou a encontrar) a quem perguntou o que se passava. «Isto é uma Revolução!», acrescentou, no relato da própria Celeste, a que se seguiu o pedido de um cigarro. Celeste não fumava, a tabacaria estava fechada, mas a sua gratidão para com aqueles jovens que protagonizavam a libertação de 48 anos de fascismo levou a oferecer-lhes o que tinha: os cravos vermelhos que acabaram nos canos das espingardas. Com o seu gesto carregado de simbolismo, Celeste Caeiro deu expressão à adesão popular às acções do Movimento das Forças Armadas, naquele mesmo dia, e que viria a ser sintetizado na fórmula «Aliança Povo-MFA».
«Correu tudo muito bem. Tinha de correr, pois os cravos estavam nas espingardas e elas assim não podiam disparar...», contou sobre o dia em que o País se libertou da ditadura fascista. Celeste Caeiro faleceu hoje, aos 91 anos.
 
AbrilAbril

Tuesday, October 22, 2024

Das minhas memórias

 
Neste mesmo mês de Outubro, há 25 anos, fui pela primeira vez trabalhar nas autárquicas do distrito da Guarda. Aquele trabalho chato, mas muito gratificante, que é o de fazer listas com as candidaturas a 14 concelhos e 242 freguesias.
Hoje telefonei a uma Camarada (que quando sabia que eu ia ficar a trabalhar noite dentro, em todos os anos que lá trabalhei, me levava ao final da tarde pasteis de bacalhau) porque o filho fazia anos e queria dar-lhe os parabéns.
Acabei por falar com o aniversariante, que faz hoje 35 anos!!!! E não é que o jovem se mete comigo? Disse-me, a determinada altura da conversa, "pois é, quando eu te fui ajudar a primeira vez e te mostrei o trabalho disseste-me 'quem se mete a trabalhar com putos...', é que eu tinha agrafado as listas todas ao contrário..."
Rimos. O miúdo tinha 9 anos e queria ajudar. Agrafar papel não custa nada. Não sei que voltas ele deu às listas, depois foi só desagrafar e voltar a agrafar como a lei exige.
Ontem tinham-me perguntado o que me ligava à Guarda.
Para além de tudo o resto, é também esta cena, e outras, mais tarde, com 'camaradinhas' que hoje têm 18 ou 15 anos, e que também sempre queriam ajudar.
Está prometido, Daniel, um dia destes os km fazem-se pela A23.

Monday, July 01, 2024

Fausto Bordalo Dias


O PCP manifesta o seu pesar pelo falecimento de Fausto Bordalo Dias, um dos nomes marcantes da música portuguesa.

O PCP salienta o papel de Fausto Bordalo Dias, o compositor e cantor, criador de muitas das mais belas canções portuguesas ao longo de toda a sua carreira artística.

O PCP jamais esquecerá o facto de Fausto Bordalo Dias ter aceite o convite, em 1985, para fazer o arranjo musical da Carvalhesa, música popular portuguesa, originária de Trás-os-Montes que acompanha a actividade política do PCP em sucessivas campanhas eleitorais e na Festa do Avante!, que desperta de forma viva e entusiástica a alegria e confiança no futuro.

Neste momento difícil, o PCP endereça à família as mais sentidas condolências.

Tuesday, March 12, 2024

Rádio Portugal Livre

 


Das memórias...
Em 12 de Março de 1962, FAZ HOJE 62 ANOS,
a RÁDIO PORTUGAL LIVRE dava início às suas emissões.
*
UMA VOZ QUE O FASCISMO NUNCA CONSEGUIU CALAR
No início de 1962, inserida na luta de resistência ao fascismo e como reforço à imprensa clandestina, o PCP decidiu criar a Rádio Portugal Livre.
Assim, em 12 Março de 1962 a Rádio Portugal Livre iniciou as suas emissões e durante 12 anos manteve emissões diárias de meia hora, que iam para o ar 4 vezes por dia; aos domingos uma emissão que era dirigida especialmente aos camponeses e aos agricultores; e aos sábados uma emissão ("A Voz das Forças Armadas") dirigida às forças armadas.
Hoje pode-se revelar, sem transgredir regras de segurança que então eram necessárias, que os emissores da RPL estavam instalados na Roménia e que foi a partir de Bucareste (quando se dizia que era de Moscovo ou de Praga) que foi lançada “no ar” de Portugal, desde a primeira até à última emissão.
Durante os 12 anos e meio da sua existência, a pequena redacção da RPL trabalhou em condições de completa "extra-territorialidade", como se estivesse instalada em território português, e com total independência quanto à sua orientação e à organização do seu trabalho.
Durante esses 12 anos e meio, a Rádio Portugal Livre foi a voz livre dos que, cá dentro, não podiam falar livremente. Era uma voz que vinha de longe, é certo, mas que era ouvida bem de perto, com o ouvido colado à onda curta, abafando os sons que pudessem levar à sua detecção na noite ainda a dormir, ou na madrugada por acordar.
Contra essa voz, foi montado um autêntico arsenal técnico de interferências, numa orquestração de ruídos estridentes e confusos, por vezes de um agudo tão metálico que parecia querer furar os tímpanos de quem a escutava. Nessa infame “missão”, à colaboração dos emissores da "Voz da América", localizados no Ribatejo, juntaram-se os serviços de rádio-comunicações das Forças Armadas, numa tentativa desesperada para calar aquela voz que inquietava, que agitava, que acordava consciências...
O contacto permanente com o País, através das notícias enviadas pelo Partido, foi o principal suporte do trabalho diário na RPL. Eram notícias que passavam de mão em mão, por muitas mãos, atravessando muitos perigos e fronteiras, até chegarem às mãos de quem as iria fazer chegar a todo o país. Não teria sido possível alimentar os programas de uma rádio com emissões diárias, sem esse suporte de informações colhidas por todo o país, através da organização do PCP, em fábricas, empresas, escolas, quartéis, cidades, vilas e aldeias.
Em Outubro de 1974, por se considerar que já existiam condições para consolidar a democracia conquistada com o 25 de Abril, a RPL terminou as suas emissões. E a sua última emissão acabou com a seguinte frase: "Esperamos que nunca mais seja necessário haver uma rádio clandestina, para que o povo português saiba o que se passa no seu próprio país".

Isaura Moreira
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© António Domingues - Rádio Portugal Livre, Gravura

Sunday, September 24, 2023

Foi há 50 anos

República da Guiné-Bissau celebra 50 anos de existência

A 24 de Se­tembro de 1973, nasceu a Re­pú­blica da Guiné-Bissau, pro­cla­mada ainda du­rante a luta ar­mada de li­ber­tação contra o co­lo­ni­a­lismo por­tu­guês. O PCP saudou na al­tura a his­tó­rica de­cisão do povo gui­ne­ense com di­men­sões e al­cance in­ter­na­ci­o­nais.

Nas­cida em plena luta ar­mada de li­ber­tação na­ci­onal contra o co­lo­ni­a­lismo por­tu­guês, a Re­pú­blica da Guiné-Bissau fes­teja 50 anos de exis­tência no pró­ximo do­mingo, 24.

Foi a 24 de Se­tembro de 1973, na re­gião li­ber­tada do Boé, no leste da Guiné, que a As­sem­bleia Na­ci­onal Po­pular – o par­la­mento gui­ne­ense, cujos de­pu­tados ti­nham sido eleitos an­te­ri­or­mente – pro­clamou o pri­meiro Es­tado e a in­de­pen­dência do país.

Como previu Amílcar Ca­bral, di­ri­gente da luta in­de­pen­den­tista en­ca­be­çada pelo PAIGC, «da si­tu­ação de co­lónia que dispõe de um mo­vi­mento de li­ber­tação e cujo povo já li­bertou em 10 anos de luta ar­mada a maior parte do seu ter­ri­tório na­ci­onal», a Guiné-Bissau passou «à si­tu­ação de um país que dispõe do seu Es­tado e que tem uma parte do seu ter­ri­tório na­ci­onal ocu­pado por forças ar­madas es­tran­geiras».

Na al­tura, o Par­tido Co­mu­nista Por­tu­guês, na clan­des­ti­ni­dade, saudou a de­cisão do povo gui­ne­ense, com «di­men­sões e al­cance in­ter­na­ci­o­nais». O Avante!, na sua edição de Ou­tubro de 1973, des­ta­cava na pri­meira pá­gina que «a pro­cla­mação da in­de­pen­dência não é, como os fas­cistas por­tu­gueses pro­pa­gan­de­aram al­guns dias de­pois, um acto formal e gra­tuito. Foi uma de­cisão ma­du­ra­mente pre­pa­rada e ba­seada nos êxitos mi­li­tares e po­lí­ticos do PAIGC».

In­for­mava o jornal que a As­sem­bleia Na­ci­onal Po­pular gui­ne­ense apro­vara «a cons­ti­tuição do novo Es­tado e os seus ór­gãos de so­be­rania» e que ele­gera Luís Ca­bral para pre­si­dente do Con­selho de Es­tado e Fran­cisco Mendes para li­derar o Con­selho dos Co­mis­sá­rios de Es­tado (go­verno), «mi­li­tantes des­ta­cados do PAIGC na frente de com­bate e na or­ga­ni­zação po­lí­tica e mi­litar».

Na mesma edição, o Avante! pu­bli­cava uma men­sagem do PCP, subs­crita por Álvaro Cu­nhal em nome do Co­mité Cen­tral do Par­tido, e en­viada a Aris­tides Pe­reira, Se­cre­tário-Geral do PAIGC, e aos di­ri­gentes eleitos à frente dos novos ór­gãos es­ta­tais.

«Por mo­tivo da pro­cla­mação da Re­pú­blica da Guiné-Bissau, en­viamo-vos as mais ca­lo­rosas fe­li­ci­ta­ções do Par­tido Co­mu­nista Por­tu­guês. Es­tamos certos de tra­duzir os sen­ti­mentos dos tra­ba­lha­dores e das forças pro­gres­sistas de Por­tugal, sau­dando este acto his­tó­rico que cons­titui um novo e im­por­tante passo no ca­minho da li­ber­tação com­pleta do vosso povo da ex­plo­ração e do do­mínio ca­pi­ta­lista», afir­mava a men­sagem.

Álvaro Cu­nhal es­crevia mais, an­te­ci­pando o fu­turo: «Ne­nhuns in­te­resses ou ob­jec­tivos se­param e muito menos opõem o povo por­tu­guês e o povo da Guiné-Bissau. As lutas dos dois povos são so­li­dá­rias e di­rigem-se contra os mesmos ini­migos. Es­tamos certos de que os laços de ami­zade hoje exis­tentes entre os nossos dois Par­tidos, os sen­ti­mentos de fra­ter­ni­dade exis­tentes entre os nossos dois povos, se tra­du­zirão um dia, quando o co­lo­ni­a­lismo por­tu­guês for fi­nal­mente der­ro­tado e quando Por­tugal for li­ber­tado do fas­cismo e da sub­missão ao im­pe­ri­a­lismo, numa co­o­pe­ração fra­ternal entre os nossos dois países li­vres e iguais».

E fi­na­li­zava a men­sagem do PCP: «Hoje, como sempre, po­deis contar com a nossa ac­tiva so­li­da­ri­e­dade. Es­tais certos de que não pou­pa­remos es­forços nem sa­cri­fí­cios para de­sen­volver em Por­tugal a luta contra a cri­mi­nosa guerra co­lo­nial, pelo re­co­nhe­ci­mento da in­de­pen­dência da vossa Pá­tria».

Avante nº 2599 de 21.9.2023

Friday, June 23, 2023

A Grande Greve do Couço

 



Foi há 65 anos a mais importante luta travada no mundo rural durante o fascismo

A Grande Greve do Couço
Em Junho de 1958, aquando das eleições para a Presidência da República e depois de Arlindo Vicente ter promovido a união da sua candidatura à do General Humberto Delgado, tendo em conta a necessidade do reforço das posições democráticas, o povo do Couço, tal como milhares de portugueses, mobilizou-se contra o fascismo, organizado pelo seu Partido de sempre, o PCP.
No dia 23 de Junho, para assinalar os 54 anos das lutas do povo do Couço acontecidas em 1958, o ano da Grande Greve, a Comissão de Freguesia do PCP levou a cabo uma caminhada de memória pelos locais dos grandes acontecimentos dessas heróicas jornadas de luta.
Às onze badaladas que marcavam a hora, a Rua de Angola, que acolhe o Centro de Trabalho do PCP no Couço, encheu-se de gente. Empunhando as bandeiras do seu Partido, rubras, essa massa humana dirigiu-se para o local onde era a garagem dos «Olímpios», na Rua Eng.º Aleixo Pais – o mesmo local em que, há mais de meio século, se realizou uma sessão pública de propaganda da candidatura do General Humberto Delgado.
Até lá, em passo descontraído, contava-se histórias, apurava-se recordações, falava-se do passado numa perspectiva de futuro. À medida que se avançava, outros se juntavam, engrossando a acção que prestava jus ao passado que foi de luta e cuja memória se quer preservar, como exemplo para as novas gerações.
Liliana de Sousa, da Comissão de Freguesia do PCP, fez o relato dos acontecimentos. Era, então, 6 de Junho de 1958, uma sexta-feira. Após a «despegada» dos trabalhadores, estes concentraram-se na rua principal para receber os oradores da Oposição Democrática para um comício de encerramento da campanha eleitoral. Apesar do aparato de repressão feroz, com a aldeia apinhada de elementos da GNR e pides, centenas de pessoas juntaram-se para assistir ao comício. «Esta foi, de facto, a única aldeia do País onde foi feito um comício eleitoral da Oposição Democrática», salientou a comunista, informando que, já à noite, na garagem dos «Olímpios», acotovelavam-se duas centenas e meia de pessoas para ouvir os intervenientes. A restante população que, não cabendo no pequeno espaço, ficou na rua foi sendo dispersada pelas autoridades fascistas. Lá dentro falavam os oradores e foi lida uma saudação da população do Couço à candidatura do General Humberto Delgado.
«Tivemos de ir cinco ou seis vezes a Santarém, uma vez que as sessões tinham de ser autorizadas pelo Governo Civil do distrito», afirmou Joaquim José Dias. Sobre aquele dia, recordou que os patrões «não queriam que os trabalhadores despegassem mais cedo para ir ao comício», o que acabou por acontecer. «As pessoas, segundo se conta, como era hábito na altura e para se defenderem, traziam pedras no bolso. Depois do comício terminar, os participantes depositaram as pedras, formando um monte, que nos dias seguintes foi visitado pelas populações, em sinal de resistência», acrescentou Liliana de Sousa.
O resultado mais expressivo do País
A segunda paragem da «caminhada da memória» foi junto à Escola Primária, que reportava para o dia 8 de Junho, dia da votação. Ali, os delegados da Oposição Democrática vigiavam o acto eleitoral e, por pressão das cerca de 400 pessoas que se juntavam à porta do edifício da Escola, foi possível forçar a publicação de resultados no Couço. A candidatura do General Humberto Delgado foi vencedora com mais de 80 por cento dos votos, sendo que nos resultados nacionais o fascismo atribuía falsamente uns meros 23 por cento à candidatura democrática. «Foi o resultado mais expressivo do País», salientou Arménio Marques Silva, manifestando «muita saudade» por aquele dia e «pelas pessoas que estiveram aqui comigo». Sobre aqueles tempos, o militante do PCP frisou que «a República foi um grande avanço, mas aquilo que era essencial e mais interessava às classes trabalhadoras não chegou a mudar assim tanto». Isso só aconteceu com o 25 de Abril de 1974.
Entre o dia da votação e o dia da Greve, que teve lugar a 23 de Junho, muitas foram as reuniões clandestinas organizadas pelo PCP, algumas com centenas de jovens e mulheres, designadamente no local da Serra da Burra, com o intuito de preparar a resposta à monumental burla fascista.
«O povo não arredou pé»
A terceira paragem, junto ao monumento do Povo ao Couço, assinalou a declaração da Grande Greve (23 de Junho). Nessa manhã, naquela que foi a Praça de Jorna, foram detidos João Camilo, já referenciado como militante comunista, e três homens que não dispersaram à ordem da GNR. De imediato, uma multidão, com cerca de 1500 pessoas, concentrou-se à porta do posto para exigir a libertação imediata dos presos. «O povo juntou-se, cercando o posto da GNR. A PIDE e a guarda ainda tentaram sair de jipe, mas o povo não arredou pé. Eles tiveram medo de matar alguém, porque sabiam que não saíam daqui vivos», recordou Manuel Braz.
Uma mulher, rodeada de outras e de crianças, chegou mesmo a agarrar-se ao cano da arma de um tenente da GNR para evitar que este disparasse sobre a população.
Nesse dia e nessa noite, alguns homens da Freguesia do Couço cortaram os fios telefónicos do posto, com o intuito de isolar a aldeia de comunicações com um exterior. «Acabámos por levar a nossa avante, e eles foram obrigados a soltar os camaradas, que foram levados em ombros pelas ruas do Couço», sublinhou o militante comunista.
«Esta foi uma luta muito linda e necessária para quem vive do seu trabalho. Nós éramos uns autênticos escravos», acrescentou Manuel Braz, enfatizando que também agora «é preciso lutar» porque «o capital é desmesurado, e as medidas de austeridade que nos querem impor nunca terminam».
Diamantino Ramalho, já à porta do antigo quartel da GNR, referiu, por seu lado, os grupos de homens e mulheres que, organizados, se dirigiram aos «ranchos», explicando que havia uma Greve declarada contra a burla eleitoral, e todos aderiram. A pé, chegaram a Coruche, à Barragem de Montargil e às obras dos canais do Sorraia. Aos jovens, Diamantino Ramalho apelou a que «se juntem, que não fujam», para «chegar ao que é necessário atingir». Diamantino Ramalho, terminou citando Álvaro Cunhal, que, na inauguração do Monumento ao Povo do Couço, terá dito: «O Couço em si é todo um monumento».
Luta com objectivos políticos
José Casanova, natural da Freguesia do Couço, director do Jornal Avante! e membro do Comité Central do PCP, valorizou o facto de, pela primeira vez, as mulheres terem participado «em grande número, na luta e na sua organização», assim como os jovens, e deu conta de que aquela Greve envolveu cerca de oito mil trabalhadores. «Esta foi a maior luta camponesa no tempo da fascismo, sendo a primeira a realizar-se com objectivos assumidamente políticos», destacou, frisando que «as organizações de base têm um peso muito grande na vida e na acção do Partido», tanto em 1958 como agora, em 2012.
Numa mensagem aos comunistas, que «lutaram em 1958, que conquistaram as oito horas de trabalho, a Reforma Agrária, logo a seguir ao 25 de Abril», José Casanova apelou ao «esforço» e ao «trabalho» de cada um «para que o Partido se reforce, para que chegue mais longe, e se assuma na vanguarda da luta», de modo a «honrar e dignificar as lutas do passado, particularmente a Grande Greve, cuja importância ultrapassa a freguesia do Couço, o concelho de Coruche e o distrito de Santarém».
Dar resposta aos problemas
A caminhada terminou em ambiente de grande combatividade, com todos a cantarem o Hino do Caxias, de resistência ao fascismo, mas a iniciativa continuou no Centro de Trabalho do PCP com um almoço que juntou muitas dezenas de pessoas. Ali, Pedro Silva, responsável pela organização do Couço, deixou um repto: «Os camaradas que têm memória destes acontecimentos devem transmitir, colectivamente, estes ensinamentos às futuras gerações, para que estes possam prosseguir a luta que estamos a travar e teremos de travar no futuro. Façamos desta data uma espécie de aniversário do Partido, e que daqui para a frente possamos sempre comemorar a Grande Greve do Couço.»
Tomaram ainda a palavra Luís Alberto Ferreira, presidente da Junta de Freguesia, que alertou para o encerramento de serviços públicos da Freguesia, e José Casanova, que destacou a «vaga de prisões» que aconteceu no Couço, como «não houve em nenhuma parte do País», e a «coragem» do povo, que «deve merecer a nossa admiração». «Devemos orgulhar-nos muito disto, e trazer para o presente estes exemplos do passado», sublinhou, terminando: «Nós precisamos de ser mais fortes organicamente, interventivamente, ideologicamente. Precisamos de estar melhor preparados para dar resposta à situação que hoje nos é colocada, perante esta política de direita que há mais de 30 anos está a devastar o País.»
Jornal "Avante", 28 de Junho de 2012

Thursday, November 17, 2022

Intervenção de JS no funeral de JC

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP
no Funeral de José Casanova

16 Novembro 2014

Aqui estamos para prestar a justa e devida homenagem ao José Casanova. Para a Cândida, para os filhos Catarina e Miguel, a mais sentida palavra de pesar ainda que sabendo que palavras não há para preencher o vazio que o José Casanova lhes deixa, mas também a este imenso colectivo de camaradas e amigos que habituou à sua inesquecível presença.

Aqui viemos hoje, não para nos despedirmos de um camarada, mas para afirmar que embora partindo do convívio com os seus camaradas, os seus amigos e em particular com a sua família, o José Casanova estará presente em todos e em cada um dos muitos momentos que nos reunirão para continuar os combates e a luta que ele sempre abraçou. Deixou de estar entre nós um homem bom, um amigo solidário, um combatente antifascista e construtor de Abril, um Comunista. Mas o seu percurso de vida, de militante e dirigente do PCP perdurará em todos e em cada um de nós para prosseguirmos a luta de emancipação social que o animou.

Natural de uma terra de lutadores que inscreveram o Couço num dos mais emblemáticos locais de resistência contra a opressão e a iniquidade do regime fascista, Casanova que bem cedo aderiu ao PCP tem o seu percurso de vida ligado à luta pela liberdade e a democracia. Com 19 anos iniciou a sua participação na União da Juventude Portuguesa tendo integrado a sua Direcção.

Assumiu como jovem comunista, nas candidaturas de Arlindo Vicente e Humberto Delgado, papel destacado tendo desempenhado diversas tarefas partidárias no País nas décadas de 50 e 60 do Século passado. Preso pela PIDE em 1960, julgado e condenado a dois anos de prisão, Casanova permaneceu cerca de seis anos detido tendo passado pelas cadeias do Porto, Caxias e Peniche. Exilado na Bélgica no início da década de 70 aí prosseguiu a actividade partidária tendo sido presidente da Associação dos Portugueses Emigrados na Bélgica e mantendo contactos com os movimentos de libertação das ex-colónias.

Com o 25 de Abril José Casanova regressa a Portugal para prosseguir no nosso País a luta. Membro do Comité Central desde 1976 e da Comissão Política de 1979 a 2008, José Casanova foi, entre outras tarefas, responsável pelas Organizações Regionais de Lisboa (entre 1989 e 1996), de Santarém (em 1997 e 1998) tendo ainda, no início dos anos 2000 tido a responsabilidade pelo acompanhamento das regiões autónomas dos Açores e da Madeira. José Casanova foi director do «Avante!», órgão central do PCP entre 1997 e Fevereiro deste ano. Era actualmente responsável pela Comissão Nacional de Cultura.

Participante activo no exaltante processo de transformação social que a Revolução de Abril constituiu, José Casanova esteve associado às muitas batalhas, tarefas e luta que, primeiro no processo revolucionário, depois na resistência ao processo contra-revolucionário, mobilizaram o Partido, os trabalhadores e os democratas. Participante desde a primeira hora na Comissão Promotora das Comemorações Populares do 25 de Abril ainda na década de 70, Casanova integrou a Comissão Coordenadora da FEPU e da APU tendo desenvolvido um importante papel no trabalho unitário e de convergência com muitos outros democratas.

Homem de imensa cultura, aquela cultura que se ergue de uma vivência inseparável do pulsar do que de mais genuíno brota da incomparável sabedoria dos trabalhadores e do povo de onde vinha, José Casanova deixa-nos também a sua produção no campo literário com os romances “Aquela Noite de Natal”, “O Caminho das Aves” e “O Tempo das Giestas”, bem como outras obras, nomeadamente o livro sobre Catarina Eufémia, recentemente editado.

José Casanova honrou, pelo seu exemplo e dedicação, pelo seu espírito de militância e capacidade política, pela sua intervenção e entrega à luta, as melhores tradições da classe operária, dos trabalhadores e do povo português.

Uma opção que nestes tempos difíceis em que querem impor um futuro de declínio e retrocesso social ao País e a Portugal ganha redobrada importância.

Hoje, como em poucos outros momentos, a luta em que com o Casanova participámos em defesa dos valores de Abril, pela ruptura com a política de direita pela construção de uma alternativa e uma política patrióticas e de esquerda assume particular e decisiva importância.

Uma luta para afirmar direitos que com Abril conquistámos, para dar combate à exploração capitalista que lança para o empobrecimento e para a emigração centenas de milhares de portugueses, para devolver aos jovens o direito de poder ter futuro no seu País, para libertar Portugal da submissão e da dependência.

Essa luta sem tréguas que continuamos a travar para abrir caminho a um Portugal com futuro, para combater falsas alternativas, para ampliar a consciê ncia sobre os reais problemas e responsáveis pela situação a que o País foi conduzido, para alargar a convergência dos democratas e patriotas na afirmação de um Portugal desenvolvido e soberano, tendo o socialismo no horizonte. Muitos, entre outros objectivos de luta, que com o Casanova partilhámos e que saberemos estar a altura de lhe poder dizer, num futuro mais ou menos próximo, “conseguimos Zé”!

Aqui estamos, não para lhe dizer Adeus, mas até sempre, neste reencontro de todos os dias na luta que nos unirá. Com a profunda convicção de que a sua morte não apagará um percurso de vida marcada pela inteira dedicação à luta pela Liberdade, a Democracia, o Socialismo e o Comunismo.
Homens e comunistas assim não morrem.

O José Casanova sabia que o seu Partido de sempre, o seu projecto, o seu ideal, iria prosseguir para além das nossas vidas!

Perduram em cada um de nós neste combate que nos une, na luta que continua.

Até sempre, camarada José!

 

Monday, November 23, 2020

O Congresso do PCP

Estamos a três dias do início do Congresso do meu Partido.
Será o culminar de muitos meses de trabalho que se iniciou, numa primeira fase, em Março, logo após a reunião do CC e que, partindo dos tópicos identificados na Resolução do Comité Central, teve o envolvimento de todas as organizações e militantes do Partido a contribuírem, com a sua opinião, sugestões e propostas, para a elaboração do projecto de Teses.
Na segunda fase, que decorreu até final de Agosto, foram elaboradas as Teses - Projecto de Resolução Política, que teve em conta o debate e as contribuições recolhidas na primeira fase.
Entre Setembro e Novembro, período a que chamamos a terceira fase de preparação do Congresso, as organizações e militantes do Partido discutiram os documentos a apresentar ao Congresso, propuseram alterações e adendas, e elegeram os Delegados de cada organização, a par da elaboração da lista para o novo Comité Central a ser eleito no Congresso.
Quase nove meses de trabalho. O tempo de uma gestação de um ser humano.
Faltam três dias para o início do Congresso do meu Partido. Serão três os dias de trabalho, que sei será intenso, tanto dos delegados como de todos os militantes que estarão no apoio.
Em tempo de pandemia e por muito que custe a muitos e à Comunicação Social, os comunistas vão reunir-se em Congresso cumprindo todas as medidas de segurança recomendadas pela DGS. E porque somos responsáveis, adaptamo-nos sempre a novas situações, como foi na Festa do Avante e como será no próximo fim de semana, com metade dos delegados e sem convidados. Acompanharei os trabalhos do Congresso do meu Partido pela net.
Faltam três dias para o nosso XXI Congresso. Sonhamos!

Friday, March 06, 2020

Tomar Partido


Tomar partido é irmos à raiz
do campo aceso da fraternidade
pois a razão dos pobres não se diz
mas conquista-se a golpes de vontade.


Cantaremos a força de um país
que pode ser a pátria da verdade
e a palavra mais alta que se diz
é a linda palavra liberdade.

Tomar partido é sermos como somos
é tirarmos de tudo quanto fomos
um exemplo um pássaro uma flor.

Tomar partido é ter inteligência
é sabermos em alma e consciência
que o Partido que temos é melhor.

Ary dos Santos

Tuesday, March 06, 2018

A FUNDAÇÃO DO PCP



A 6 de Março de 1921, na sede da Associação dos Empregados de Escritório, em Lisboa, realiza-se a Assembleia que elege a direcção do PCP. Estava fundado o Partido Comunista Português. Nele confluem décadas de sofrimento e luta da classe operária portuguesa, as lições das grandes vitórias da classe operária internacional, os ensinamentos de Marx, Engels e Lénine. Com a fundação do PCP a classe operária portuguesa encontra a sua firme e segura vanguarda.
Logo após a sua constituição, a «Junta Nacional» do PCP (designação então dada ao seu organismo dirigente) realiza uma série de reuniões.
O Partido estabelece a sua sede na Rua do Arco Marquês do Alegrete, n.° 3, 2.° Dt.°. E aberta uma inscrição para o recrutamento de novos membros, atingindo-se em breve o milhar de filiados. Num Manifesto em que faz a sua apresentação pública, o Partido Comunista Português publica os 21 pontos da Internacional Comunista, que constituem a sua base política, afirmando assim também a sua adesão ao Movimento Comunista Internacional. Pouco depois forma-se também a Juventude Comunista.
Em fins de 1921, numa reunião conjunta do Partido e da Juventude, assenta-se no início da edição dos primeiros órgãos comunistas em Portugal. Ainda em 1921, inicia-se a publicação de O Comunista, órgão do Partido, e de O Jovem Comunista, órgão da Juventude.
Uma das mais importantes frentes de acção dos comunistas neste período é a sua luta dentro das organizações sindicais para dar umajusta orientação à luta dos trabalhadores epara a adesão do movimento sindical português à Internacional Sindical Vermelha.
A questão da filiação na ISV é discutida no Congresso Nacional Operário, em Setembro de 1922, na Covilhã. As propostas dos partidários da ISV são derrotadas, mas, apesar disso, as suas posições no movimento sindical continuam a ser muito fortes. Sob a condução dos comunistas, organizam-se Núcleos Sindicalistas revolucionários, que obtêm a adesão de muitos sindicatos.
Com a criação e acção do PCP acelera-se a necessária clarificação das tendências do movimento operário. Ê dado um importante impulso à consciencialização e desenvolvimento político das massas trabalhadoras. Mas as dificuldades desta luta são grandes. O nível de preparação política, teórica e prática dos militantes é ainda baixo. Falta ainda ao Partido uma formação marxista-leninista e uma direcção de militantes politicamente experientes.


(Extraído do livro "60 anos de luta")

Tuesday, November 28, 2017

Manifesto 74


PS: um jogo novo?

segunda-feira, 27 de novembro de 2017


A brilhante intervenção do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares no encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2018 é a prova de que o Partido Socialista pode constituir-se como força de esquerda através da alteração da correlação de forças entre PS e PCP no quadro geral da Assembleia da República.
Agora que já tenho a vossa atenção, vejamos os 3 motivos principais por que é falsa a afirmação anterior:

1. O Passado
O passado demonstra claramente que o PS tem uma postura discursiva variável consoante o momento histórico, para preservar a política de direita e o favorecimento da predação do trabalho pelo capital através daquilo a que chamam a "economia social de mercado"(1). A utilização de figuras como Manuel Alegre, ou as alusões de Mário Soares ao "socialismo democrático" foram afinal de contas, como a História demonstra sem margem para grandes dúvidas, apenas as máscaras e camuflagens que o PS sempre utilizou para capitalizar dividendos junto do movimento progressista português, particularmente em fases em que a hegemonia permitia alcançar conquistas e avanços para o proletariado que o próprio PS se encarregou de travar e neutralizar, impondo a política da União Europeia e o capitalismo monopolista, provocando o afastamento de Abril e a aproximação a Novembro. 
O passado também demonstra que o PS tem um comportamento de poder comprometido com os grandes interesses económicos, com a estrutura proprietária e com a sua concentração num grupo cada vez mais pequeno de grandes proprietários. Igualmente, demonstra que o compromisso fundamental do PS é para com o grande capital transnacional e para com a exploração do trabalho dos portugueses, aliado a uma constante entrega de sectores fundamentais a privados, em detrimento da qualidade dos serviços e dos direitos de quem os presta e de quem deles usufrui. 
O passado demonstra igualmente que o PS é um partido que protagoniza, quando liberto para tal, uma política eminentemente de retrocesso social e de decadência económica. 
 
2. O Futuro
Ao não romper, ou melhor, ao não questionar sequer, as regras do capitalismo, o PS apresenta ao país um abismo mascarado de progresso. A recente e actual recuperação de direitos e os tímidos avanços em algumas áreas fundamentais da política nacional não são compatíveis com o projecto de futuro do PS para Portugal. 
Ou seja, a "flutuação para a esquerda" na política do Governo actual, provocada pela circunstância específica de ser necessária a viabilização do mandato do PS, é uma anomalia no comportamento do PS mas não uma alteração matricial no seu posicionamento. 
A prova disso é a manutenção do alinhamento com o funcionamento da União Europeia e a persistência na manutenção da hegemonia de classe que o capitalismo impõe ao país. Ou seja, o PS quer vender a ilusão de que é possível conciliar o actual rumo de reposição de direitos sociais e económicos e o funcionamento capitalista da União Europeia. Tal ilusão estilhaçar-se-á nas mãos de todos quantos não a desfizerem, principalmente nas dos trabalhadores que não tomem o actual momento como um momento de ruptura mais funda e de viragem radical. A continuidade do caminho actual nos termos em que tem vindo a ser percorrido até aqui significará uma nova onda de retrocesso imposto pela força dos grandes patrões e pelo simples funcionamento da União Europeia. Isto não significa que o caminho que actualmente se percorre é o errado, significa que sem erradicar os obstáculos que o marcam, será um caminho travado a breve trecho, com custos para todos os trabalhadores portugueses e abrindo novos espaços a uma direita ainda mais retrógrada e violenta. 
A ilusão do futuro construído sobre o actual posicionamento do PS consiste na impossibilidade da sua concretização e é ao mesmo tempo o grande agente da denúncia sobre as verdadeiras intenções do PS. Ou seja, se o PS sabe que defende a economia capitalista e pretende manter as relações sociais que lhe são inerentes, se sabe que o seu alinhamento com a União Europeia é inquebrável, então também sabe que esses seus posicionamentos são incompatíveis com a melhoria consistente e prolongada das condições de vida dos trabalhadores portugueses. O PS sabe que o actual momento é um dos raros momentos em que a melhoria das condições de vida da população se compatibiliza com o capitalismo, mas também sabe que esses momentos são fugazes. Capitalismo e bem-estar não são incompatíveis para todas as camadas populacionais durante todo o tempo, mas são incompatíveis no longo prazo. O capitalismo melhorou de forma muito substancial a qualidade de vida da Humanidade, sem que isso retire justeza a uma única crítica marxista-leninista do capitalismo e das suas consequências, limitações materiais, sociais e económicas. 
É o compromisso do PS, presente e assumido como de futuro, com o capitalismo e a União Europeia que demonstra que não alterou em nada a sua postura no frágil mas por vezes útil referencial "esquerda-direita". O PS continua a querer o que sempre quis: integrar o conselho de administração do capitalismo português e europeu. 

3. A matriz passado-presente-futuro
A conjugação dos elementos do passado do PS, juntamente com a sua perspectiva de futuro anulam a tese de que o PS se converte à "esquerda" se pressionado pelo PCP, mas confirma que o PS restringido pelo PCP não pode ser o que lhe apetece em todas as áreas da governação. 
A matriz do PS não é alterável pela correlação de forças institucional. O seu comportamento momentâneo, sim. Mas mesmo no actual contexto é possível afirmar que em nenhuma das dimensões fundamentais de Governo existe uma alteração matricial e ideológica no posicionamento do PS. A sua política mantém intacta a relação social capitalista, a estrutura fundiária do País, a desindustrialização, a submissão à agiotagem, o favorecimento dos grandes grupos económicos e a utilização da lei e do Estado para a manutenção do capitalismo. 
A intervenção de Pedro Nuno Santos hoje na Assembleia da República é, não a viragem à esquerda do PS, mas a marcação pelo PS do espaço eleitoral da esquerda(2). Ou seja, o PS não quer parecer envergonhado por estar a repor direitos, quer parecer empenhado nessa recuperação, já que a ela está obrigado pela posição conjunta que assinou com o PCP e pela importância conjuntural que o PCP ocupa hoje no quadro político, considerando a força parlamentar e a força social e popular do Partido. Mostrar-se contrariado seria o pior para o PS do ponto de vista eleitoral. Mostrar-se satisfeito e empenhado é a táctica mais inteligente, colhendo assim os louros e ampliando a sua base eleitoral a todos os que esperam há décadas, quase religiosamente, um PS de esquerda. E mesmo àqueles que pensavam já não ser possível um PS de esquerda. A forma mais rápida de capitalizar apoios e de liquidar a força do PCP nas decisões futuras é abraçar as preocupações dos operários e do eleitorado do PCP e não hostilizá-las. O PS nada tinha a ganhar com a insistência num discurso anti-PCP declarado, optando por fazer um discurso anti-PCP velado, fingindo estar abraçando as posições e preocupações do PCP e alargando a sua influência às camadas que até aqui se reviam apenas no PCP e não no PS. 
É o velho jogo do PS. 
A ilusão sobre a natureza da política do PS e sobre o próprio PS, particularmente se atingir os trabalhadores e as suas camadas mais conscientes e interventivas, pode ter um negro desfecho e abrir muitas portas a botas cardadas. Por isso é que o papel do PCP e da luta de massas é neste contexto absolutamente determinante, para que ninguém compactue com um branqueamento político do PS e do seu projecto, para que ninguém se iluda quanto à sua natureza, enquanto partido, que não é necessariamente igual e coincidente com a natureza do actual Governo, nas actuais e pontuais circunstâncias.

(1) estranho termo porque toda a economia é social, mas nem toda é necessariamente de mercado capitalista. Mas descodifiquemos o que significa "social" naquele contexto e percebemos que a ideia não é utilizar o significado de "social" como em "relações sociais", mas sim aludir a um conceito social de "direitos sociais" e de "socialismo", tal como "mercado" também existe em socialismo mas não é a esse "mercado" que ali se alude. O termo "economia social de mercado" para se compreender a utilização que a classe dominante lhe dá teria de ser convertido em "capitalismo com preocupações sociais" o que é evidentemente uma contradição nos termos.
(2) "esquerda" é um termo equívoco, mas pode ser utilizado para facilitar.

Friday, March 06, 2015

94 anos


A 6 de Março de 1921 é fundado o Partido Comunista Português. A organização política de vanguarda dos trabalhadores portugueses surge, ao contrário da maior parte dos partidos comunistas europeus, não como resultado de uma cisão de um partido social-democrata, mas como uma natural emanação das necessidades do proletariado.
Em 1929, o PCP inicia a primeira reorganização com vista a defender-se dos primeiros impactos da clandestinidade. Foi o único partido republicano que não aceitou dissolver-se na ditadura. Todos os restantes capitularam, auto-dissolveram-se ou acabaram enquadrados no regime que resultara do golpe de 1926. O PCP foi proibido 5 anos após a sua fundação, e resistiu. Estava a forjar-se a gesta heróica de dirigentes e militantes que assumiam o compromisso pela libertação dos trabalhadores como a mais importante tarefa das suas vidas.
Em 1940-41 inicia-se a reorganização mais funda. Sucessivos golpes da polícia política e das forças repressivas do fascismo haviam quase destruído a direcção do PCP. Durante alguns meses, o PCP ficara sem membros dirigentes e a situação exigia medidas rápidas de protecção. Mais do que aventura, o operariado precisava de uma organização capaz de derrotar, no concreto e não apenas nas palavras, o fascismo. 6 anos antes, o operariado revoltoso, por todo o país, realiza a greve de 18 de Janeiro com contornos insurreccionais e com heróicos avanços, particularmente na Marinha Grande, onde foi tomado o posto da Guarda. Foi brutalmente reprimido. Mas resistiu porque existia partido.
Durante a década de 40, com particular expressão em 43 e 44, a reorganização do PCP assume "paz, pão e liberdade" como palavras que fundem as aspirações do povo com partido dos trabalhadores. Um partido que está nos corações do povo não pode ser destruído. O fascismo tentou conter, mas a orientação do PCP de aprofundar a ligação às massas e de se tornar um partido nacional permitiu-lhe resistir. O marxismo-leninismo consolida-se, o centralismo democrático assume-se como forma de decisão, o Partido liga-se ao operariado e nele tem a sua fonte inesgotável de quadros. Por cada comunista caído às mãos da violência fascista, outro comunista se levanta.
Durante os últimos anos da década de 50, o partido resiste e corrige um desvio de direita que o afastava das tarefas que se lhe impunham. De 61 a 65 o PCP reorienta a sua estratégia, dirige-se cada vez às massas trabalhadoras, mas também alarga a sua influência e o contacto com outras camadas antimonopolistas, rumo à vitória.
Nove anos depois o 25 de Abril de 1974. E tudo. E os sonhos, e o partido do sonho e as organizações de juventude que sempre o acompanharam, todos saem à luz do dia, à verdadeira luz do dia.
2 anos de conquistas, umas atrás das outras. Escritas nas páginas da lei. Com o partido à frente.
38 anos de reconstituição monopolista, de destruição de direitos e recuperação de privilégios não foram ainda suficientes para destruir o que em dois anos se construiu pelo povo português. Porque o partido, a juventude comunista, os sindicatos de classe resistiram num contexto de ofensiva crescente.
E enquanto resistimos também construímos este projecto colectivo que já foi um sonho e hoje é a luta da nossa vida, o Socialismo e o Comunismo.
Somam-se 94 anos de luta pela liberdade, pela democracia, pelo socialismo e pelo comunismo. 94 anos, "muitas vezes fustigados por duras chuvas e ventos, mas sempre pelo rosto e nunca pelas costas." (A. Cunhal)
Parabéns, comunistas de hoje, portadores desta história que nos molda o presente e o futuro.

Miguel Tiago
(deputado do PCP)

Thursday, March 06, 2014

AO MEU PARTIDO


Deste-me a fraternidade para com o que não conheço.
Acrescentaste à minha a força de todos os que vivem.
Deste-me outra vez a pátria como se nascesse de novo.
Deste-me a liberdade que o solitário não tem.
Ensinaste-me a acender a bondade, como um fogo.
Deste-me a rectidão de que a árvore necessita.
Ensinaste-me a ver a unidade e a diversidade dos homens.
Mostraste-me como a dor de um indivíduo morre com a vitória de todos.
Ensinaste-me a dormir nas camas duras dos meus irmãos.
Fizeste-me edificar sobre a realidade como uma rocha.
Tornaste-me adversário do malvado e muro contra o frenético.
Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria.
Tornaste-me indestrutível porque, graças a ti, não termino em mim mesmo.

Pablo Neruda

Tuesday, March 06, 2012

No 91º aniversário do meu Partido!


MEU GLORIOSO PARTIDO


Meu glorioso Partido
Comunista Português,
ao dares-me à vida sentido,
deste-me a vida outra vez.

Na multidão já fui só.
Hoje, em mim, sou multidão.
Basta-me aceitar que sou
como os demais homens são.

O olhar antes estreito
em redor passou-me a ver.
Meu coração no meu peito,
oiço-te noutros bater.

A voz que isolada era
fundia-a numa maior.
Fez-se-me a dor primavera
e a desconfiança amor.

A própria pátria que eu tinha,
idêntica a não ter nada,
de alheia voltou a minha,
pelo teu dom reconquistada.

Meu glorioso Partido
Comunista Português,
ao dares-me à vida sentido,
deste-me a vida outra vez.


Armindo Rodrigues

Friday, March 04, 2011

6 de Março - 90º Aniversário do PCP

Deste-me a fraternidade para com o que não conheço.
Acrescentaste à minha a força de todos os que vivem.
Deste-me outra vez a pátria como se nascesse de novo.
Deste-me a liberdade que o solitário não tem.
Ensinaste-me a acender a bondade, como um fogo.
Deste-me a rectidão de que a árvore necessita.
Ensinaste-me a ver a unidade e a diversidade dos homens.
Mostraste-me como a dor de um indivíduo morre com a vitória de todos.
Ensinaste-me a dormir nas camas duras dos meus irmãos.
Fizeste-me edificar sobre a realidade como uma rocha.
Tornaste-me adversário do malvado e muro contra o frenético.
Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria.
Tornaste-me indestrutível porque, graças a ti, não termino em mim mesmo.

Pablo Neruda

(90 anos de existência do meu Partido, 35 anos de militância!)