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Thursday, March 13, 2025

Eduardo Diniz de Almeida



https://www.instagram.com/p/DHIhha9Ndg9/ 

Eduardo Diniz de Almeida (1944-2021), oficial de Artilharia, membro do Movimento das Forças Armadas (MFA), político e ativista social.

Natural de Lisboa, foi um dos fundadores do Movimento dos Capitães, tendo sido eleito para a sua comissão provisória na Reunião de Alcáçovas de 5 de setembro de 1973. Por este motivo, foi compulsivamente transferido para Penafiel e, posteriormente, para a Figueira da Foz.

Na madrugada do dia 24 para o dia 25 de Abril de 1974, comandou uma bateria de obuses do Regimento de Artilharia Pesada n.º 3, da Figueira da Foz, integrada no Agrupamento Militar Norte que marchou para a conquista do Forte de Peniche.

Após o 25 de Abril, é destacado para o Regimento de Artilharia n.º 1, em Lisboa, (RAL1 ou RALIS), unidade onde se mantém durante o processo revolucionário e que ficou conhecida pela sua permeabilidade à extrema-esquerda revolucionária.

Na manhã de 11 de Março de 1975, o RAL 1 é alvo de um ataque de forças para-quedistas da Base Aérea de Tancos. Diniz de Almeida comanda a defesa da unidade e protagoniza uma das cenas icónicas desse dia ao estabelecer um diálogo com um oficial das forças para-quedistas sitiantes, captado pelas câmaras da RTP.
Mais tarde, no contexto dos acontecimentos do 25 de Novembro, procurou mobilizar forças militares em torno do RALIS, para se oporem às forças comandadas desde o Palácio de Belém pelo Presidente da República. A 26 de novembro apresenta-se na Presidência da República, onde recebe ordem de prisão. Após vários meses preso, foi libertado e ilibado dos processos nos quais tinha sido indiciado.

Após o período revolucionário, continuou a sua atividade política e social, formou-se em Psicologia Clínica e Medicina Dentária, áreas em que fez assentar o seu trabalho voluntário. Foi ainda vereador pela Coligação Democrática Unitária em Cascais (2001-2005).

O jornalista Artur Portela Filho chamou-lhe «Fittipaldi dos Chaimites», devido às movimentações de blindados que dirigiu durante a Revolução.

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Wednesday, March 12, 2025

Assembleia do MFA


Há 50 anos, na manhã de 12 de março de 1975, terminava a reunião da Assembleia do Movimento das Forças Armadas (MFA) convocada de emergência para discutir as implicações da tentativa de golpe do 11 de Março.

Receberia posteriormente o epíteto de «Assembleia Selvagem». As decisões que dela saem marcam os capítulos seguintes da experiência revolucionária portuguesa. Assim, a Assembleia do MFA decide a favor da instituição de uma comissão de inquérito aos acontecimentos do dia 11 de março; delibera a manutenção de eleições no prazo previsto pelo Programa do MFA; a remodelação do governo, tendente à persecução de uma política económica de pendor revolucionário; e a institucionalização do MFA, através da constituição do Conselho da Revolução.

#25deAbril #50anos25abril #50x2

Monday, May 17, 2021

Carta do Ricardo Almeida ao Pai, Dinis de Almeida

O meu pai partiu e está a ser difícil escrever. Não sei por onde começar. Há muita coisa que quero dizer, porque o meu pai levou uma vida cheia. Fez coisas bonitas. Basta ir à sua página para se perceber o legado que deixou. Recebi mensagens lindas, comoventes e que me enchem de orgulho. Mais do que falar do Capitão de Abril, queria falar-vos do Pai que foi. E foi um super pai. Presente, preocupado com a nossa educação, atento, mas extremamente carinhoso e afetivo. Era alegre e tinha imenso sentido de humor. Um contador de histórias fabuloso.
Geriu sempre de forma inteligente os conflitos habituais e naturais entre os filhos. Era justo. Eu e a minha irmã somos grandes amigos e isso dava-lhe imensa felicidade. Sempre falou de nós com imenso orgulho. Castigado pela vida dura que levou, dizia-nos muitas vezes: " Filhos, a vida é luta!". Queria preparar-nos, queria poupar-nos do sofrimento. Incentivou-me a ir para o Colégio Militar. Nunca me obrigou, mas eu fui. Agradeço-lhe por isso. É uma Escola de Valores. Ganhei amigos para a vida.
Fui colega do meu pai no curso de medicina dentária. Foi da minha turma e o meu parceiro nos anos clínicos. Estudamos juntos. Tinha uma memória incrível. Sempre teve uma excelente relação com colegas e professores. Nunca foi invasivo e dava-me espaço. Sabia quando se retirar. Acabou o curso de Medicina Dentária aos 56 anos, depois de um curso de Psicologia Clínica, mas era, como ele gostava de dizer: "Acima de tudo, Militar". Era um homem muito generoso, desapegado dos bens materiais. As injustiças sociais incomodavam-no. Tomava, invariavelmente, partido dos mais fracos. Era extremamente leal aos seus amigos, mas não perdoava a traição. Era um homem de esquerda. Sempre foi. Tinha uma coragem incrível. Era destemido e frontal. Fez parte de uma das mais belas páginas da História do século XX Português, que foi o 25 de Abril de 1974. No 11 de Março venceu e no 25 de Novembro saiu vencido. Caiu e levantou-se, sempre de cabeça erguida. A vida é luta, pai! Escreveu 3 livros, que são referências bibliográficas incontornáveis desse período da História de Portugal, e que o eternizam.
Hoje parte aos 76 anos, mas deixa um legado e uma memória que muito nos orgulha. Hoje perdi um amigo. O maior e o mais leal de todos.
Com todo o amor do teu filho,
Ricardo Dinis Almeida