Faleceu a Celeste, que distribuiu os cravos que acabaram no cano das espingardas
Celeste Caeiro, que fez dos Cravos sinónimo de Abril, faleceu hoje, aos 91 anos. Mulher trabalhadora e militante comunista, teve uma vida marcada pelo seu compromisso com os valores de Abril.
A Celeste dos Cravos, apesar da idade avançada, não recusava solicitações para partilhar a sua história, para participar em comemorações da Revolução de Abril. Foi assim até este ano, quando se celebram os 50 anos de Abril: esteve no mar de gente que desceu a Avenida da Liberdade, na sua cidade de Lisboa, mas também fez questão de estar na Festa do «Avante!», a realização anual do seu partido, o PCP. Celeste Caeiro nasceu em Lisboa, em Maio de 1933, cidade onde trabalhou viveu grande parte da sua vida. De origens humildes, na manhã de 25 de Abril de 1974, com 40 anos, saiu de casa no Chiado, onde vivia, com a sua mãe e a filha ao seu cuidado, rumo ao restaurante onde trabalhava, no edifício Franjinhas, na Rua Braancamp. Nas palavras de Celeste, «a casa fazia um ano nesse dia, os patrões queriam fazer uma festa e o gerente comprou flores». Com as operações dos capitães de Abril em curso ali ao lado, o restaurante não chegou a abrir e Celeste levou os cravos no caminho de volta a casa. Foi já no Chiado que se deparou com os veículos militares que rumavam ao Quartel do Carmo, para deter Marcelo Caetano. Foi isso que lhe explicou o jovem militar (que, para seu desgosto, Celeste nunca voltou a encontrar) a quem perguntou o que se passava. «Isto é uma Revolução!», acrescentou, no relato da própria Celeste, a que se seguiu o pedido de um cigarro. Celeste não fumava, a tabacaria estava fechada, mas a sua gratidão para com aqueles jovens que protagonizavam a libertação de 48 anos de fascismo levou a oferecer-lhes o que tinha: os cravos vermelhos que acabaram nos canos das espingardas. Com o seu gesto carregado de simbolismo, Celeste Caeiro deu expressão à adesão popular às acções do Movimento das Forças Armadas, naquele mesmo dia, e que viria a ser sintetizado na fórmula «Aliança Povo-MFA». «Correu tudo muito bem. Tinha de correr, pois os cravos estavam nas espingardas e elas assim não podiam disparar...», contou sobre o dia em que o País se libertou da ditadura fascista. Celeste Caeiro faleceu hoje, aos 91 anos.
O PCP manifesta o seu pesar pelo falecimento de Fausto Bordalo Dias, um dos nomes marcantes da música portuguesa.
O PCP salienta o papel de Fausto Bordalo Dias, o compositor e cantor, criador de muitas das mais belas canções portuguesas ao longo de toda a sua carreira artística.
O PCP jamais esquecerá o facto de Fausto Bordalo Dias ter aceite o convite, em 1985, para fazer o arranjo musical da Carvalhesa, música popular portuguesa, originária de Trás-os-Montes que acompanha a actividade política do PCP em sucessivas campanhas eleitorais e na Festa do Avante!, que desperta de forma viva e entusiástica a alegria e confiança no futuro.
Neste momento difícil, o PCP endereça à família as mais sentidas condolências.
"Tínhamos chegado perto do Cinema Gato Preto. De qualquer parte, de súbito, abriram-se as portas de um pátio, umas portas de madeira, altas, imensas. Era perto de nós, ou na nossa frente, ou do outro lado, lá em baixo, não sei. Dessas portas saíram camiões, homens. E ouvi um grito. Eram de certeza várias pessoas que tinham gritado ao mesmo tempo, mas eu julguei ouvir um único grito. Um único ser gritou, mais forte que a rua imensa, iluminada, animada, mais forte que a noite e o frio: Lénine morreu!
O que se passou depois? Vi os acontecimentos aos pedaços, e não cronologicamente, todos ao mesmo tempo. O que ouvi também. Arrancavam-se os jornais das mãos daqueles que tinham saído das portas de madeira. Um eléctrico parou diante de mim. Ficou vazio num instante. Todos os eléctricos pararam. Todos vazios. Não ouço nada. Um velho chora, tira o gorro, aperta-o contra o coração. É calvo. Chora. Os trenós pararam. Os trenós estão vazios. Os cinemas esvaziam-se, a multidão parece fugir a um incêndio. E os restaurantes e as casas. Tudo se lança para a rua. A Avenida Tverskoi cobriu-se de gente, as pessoas juntam-se, empurram-se em redor dos vendedores de jornais. Sentado no estribo de um eléctrico, um guarda-freio chora. A rapariga de faces vermelhas que encontrámos há pouco chora. Kerime chora com um jornal na mão, mas eu nada ouço, tudo o que vejo parece desenrolar-se num imenso aquário. Alguém caiu. Outro. As pessoas lançam-se nos braços umas das outras, chorando, vejo-as, mas não ouço qualquer som. Alguém me puxa pelo braço.
Volto-me, é uma velha enrugada, baixinha, vestida de uma peliça, com a cabeça envolta num xaile. Puxa-me pelo braço, diz-me qualquer coisa com a sua boca sem dentes, não percebo. Inclino-me para ela. Pergunta-me com a voz de uma criança de seis anos, com o medo de uma criança de seis anos: “Lénine morreu?” Aceno que sim com a cabeça. “Morreu…” Julgo que vai benzer-se, mas não, largou o meu braço: “Que desgraça para nós…” Repete: “Que desgraça…” Que desgraça! Que desgraça! A voz torna-se mais forte, alarga, alarga, cresce como o génio dos contos que surge da garrafa mágica, depois perde-se subitamente, e então não ouço. No dia do enterro do meu avô ouvi soluçar dez, talvez vinte pessoas ao mesmo tempo; pode-se imaginar cem pessoas soluçando no mesmo instante, mas uma cidade inteira a chorar numa única voz, esse ruído não se pode ouvir mais que alguns minutos. Ou talvez não se ouça, mas o instinto leva-nos a não o ouvir mais para salvar os nossos nervos e a nossa razão, para não enlouquecermos, e não é já essa voz que ouvimos, mas soluços aqui e além.(…)
Levaram Lénine para Kollomi Zal. Dos quatro cantos do país, os comboios trazem pessoas a Moscovo, todos os que querem ver Lénine pela última vez. (…) Nas ruas, nas praças, noite e dia ardem fogueiras gigantescas. Noite e dia, as filas de homens avançam para a Kolloni Zal. As ambulâncias transportam ao hospital os doentes e os enregelados. (…) É Krupskaia quem eu vejo primeiro. Está de pé diante dos montões de flores, os seus cabelos grisalhos, lisos, separados por uma risca, o vestido caindo a direito. Os braços ao lado do corpo. Os seus olhos salientes muito abertos, estão fixados num ponto. Olhei para onde ela olhava, vi Lénine. A sua testa, a sua testa amarela, incrivelmente larga: curva como o universo. Lénine estava deitado de costas, as mãos cruzadas no peito. Vi-lhe a condecoração da bandeira Vermelha.”
Na tombola que é a distribuição dos serviços diários na Fotografia do Público, fui contemplado com uma entrevista a Odete Santos no ano 2000. Telefonei-lhe e marcámos um encontro.
A grande Odete apareceu com a maior das simplicidades. Falámos de tanta coisa que acabámos por nos encontrar também no dia seguinte. Odete queria ser fotografada junto às mulheres que se iam manifestar no terreiro do paço. Percebi que era ali que se sentia bem. Mulher de combate. A Odete era genuína. Não era comunista por acidente. Era comunista inteira. Como muito poucos. Era das mais brilhantes deputadas. Não era uma deputada de bancada. Não era mais uma no meio de tantos. Era uma deputada do terreno. Ligada às pessoas. Ligada à justiça social e à liberdade. Não quis ser fotografada na AR. Quis ser fotografada no palco (não me lembro que sala) e junto ao rio Tejo. Ali, a grande Odete, a brilhante deputada. A obreira da democracia. A mulher da luta. Todos os dias. Junto ao rio, com as gaivotas a voarem em liberdade. A Odete Santos não morreu.
Ensaísta, poeta, crítico, tradutor, activista político e professor universitário, deputado do PCP na Assembleia Constituinte, Manuel Gusmão faleceu esta quinta-feira, em Lisboa.
«Quando não estás a olhar é o mundo que te olha. Nunca saberás o que vê.»
Assim escreveu Manuel Gusmão, em «Quando não estás a olhar», um dos poemas de A Terceira Mão, livro editado em 2008. Para Manuel Gusmão, a poesia era diálogo e pertencia à mesma natureza da política, outra das áreas em que se destacou.
Militante do PCP desde a clandestinidade, Gusmão foi deputado na Assembleia Constituinte e na primeira legislatura da Assembleia da República. Como escreveu aqui Manuel Augusto Araújo, «o mundo é a sua tarefa e o seu tempo é sempre um tempo de resistência, o que transmite em todos os seus textos com uma rara clarividência e criatividade, um rigor extremo». No PCP, «o partido mais diferente, pela sua natureza de classe, pela teoria que o guia, pelos objectivos imediatos e finais que prossegue», Manuel Gusmão foi membro do Comité Central e dirigente dirigente no Sector Intelectual da Organização Regional de Lisboa.
Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com tese dedicada à poesia dramática de Fernando Pessoa, Manuel Gusmão realizou a sua tese de doutoramento sobre a Poética de Francis Ponge, em 1987, autor que o próprio traduziu para português, tendo sido professor da Faculdade de Letras de Lisboa.
Na revista Vértice, assumiu a responsabilidade de coordenador editorial a partir de 1988. Antes disso, Manuel Gusmão pertenceu às redacções das revistas O Tempo e o Modo e Letras e Artes, foi director do Caderno Vermelho, tendo trabalhado também no Jornal Crítica, entre 1961 e 1971. Pela sua mão nasceram as revistas Ariane (revue d’études littéraires françaises) e Dedalus, da Associação Portuguesa de Literatura Comparada, porque, como escreveu a propósito de uma passagem dos Manuscritos Económico-Filosóficos de Marx, «também somos feitos de textos».
Nascido em Évora, em Dezembro de 1945, Manuel Gusmão foi autor de ensaios e prefácios de obras de Fernando Pessoa, Gastão Cruz, Carlos de Oliveira, Herberto Helder, Sophia de Mello Breyner Andresen, Luiza Neto Jorge, Ruy Belo, Armando Silva Carvalho e Fernando Assis Pacheco, Almeida Faria, Maria Velho da Costa, Nuno Bragança, Maria Gabriela Llansol, Luís de Sousa Costa e José Saramago.
Com 45 anos estreia-se como poeta ao lançar a obra Dois Sóis, A Rosa - A Arquitetura do Mundo. Seguem-se Mapas, o Assombro a Sombra, que lhe valeu o prémio do PEN Club para melhor obra de poesia, em 1997, tendo conquistado o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava relativos a 2001 com Teatros do Tempo.
Manuel Gusmão foi ainda autor de um libreto para a ópera Os Dias Levantados, de António Pinho Vargas, sobre a Revolução de Abril, e deu nome ao Grande Prémio de Ensaio, instituído em 2023 pela Associação Portuguesa de Escritores.
Em Fevereiro de 2019, recebeu a Medalha de Mérito Cultural em reconhecimento, pelo Governo português, do «inestimável trabalho de uma vida dedicada à produção literária e à poesia».
Dormi contigo toda a noite junto ao mar, na ilha. Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono, entre o fogo e a água.
Os nossos sonos uniram-se talvez muito tarde no alto ou no fundo, em cima como ramos que um mesmo vento agita, em baixo como vermelhas raízes que se tocam.
O teu sono separou-se talvez do meu e andava à minha procura pelo mar escuro como dantes, quando ainda não existias, quando sem te avistar naveguei a teu lado e os teus olhos buscavam o que agora - pão, vinho, amor e cólera - te dou às mãos cheias, porque tu és a taça que esperava os dons da minha vida.
Dormi contigo toda a noite enquanto a terra escura gira com os vivos e os mortos, e ao acordar de repente no meio da sombra o meu braço cingia a tua cintura. Nem a noite nem o sono puderam separar-nos.
Dormi contigo e, ao acordar, tua boca, saída do teu sono, trouxe-me o sabor da terra, da água do mar, das algas, do âmago da tua vida, e recebi teu beijo, molhado pela aurora, como se me viesse do mar que nos cerca.
Pablo Neruda (que nos deixou há precisamente 50 anos)
Nas mãos do vento uma guitarra arde. É tarde. É tarde. E o meu poema pouco. Que um deus qualquer a tua fúria guarde. Que qualquer deus te ame. Ou qualquer louco.
No fundo do olhar morre a gaivota. É cedo. É cedo. Vai gritando o vento. E leva em cada asa uma derrota. E põe no céu de abril o sofrimento.
É cedo. É tarde, amigo. Ai, é tão cedo! É tão macia a noite. E negra a cama coberta com lençóis do teu segredo.
Para ti não há loiros. Não há fama. E enquanto um povo lavra o chão do medo um homem rasga as veias sobre a lama.
O meu pai partiu e está a ser difícil escrever. Não sei por onde começar. Há muita coisa que quero dizer, porque o meu pai levou uma vida cheia. Fez coisas bonitas. Basta ir à sua página para se perceber o legado que deixou. Recebi mensagens lindas, comoventes e que me enchem de orgulho. Mais do que falar do Capitão de Abril, queria falar-vos do Pai que foi. E foi um super pai. Presente, preocupado com a nossa educação, atento, mas extremamente carinhoso e afetivo. Era alegre e tinha imenso sentido de humor. Um contador de histórias fabuloso.
Geriu sempre de forma inteligente os conflitos habituais e naturais entre os filhos. Era justo. Eu e a minha irmã somos grandes amigos e isso dava-lhe imensa felicidade. Sempre falou de nós com imenso orgulho. Castigado pela vida dura que levou, dizia-nos muitas vezes: " Filhos, a vida é luta!". Queria preparar-nos, queria poupar-nos do sofrimento. Incentivou-me a ir para o Colégio Militar. Nunca me obrigou, mas eu fui. Agradeço-lhe por isso. É uma Escola de Valores. Ganhei amigos para a vida.
Fui colega do meu pai no curso de medicina dentária. Foi da minha turma e o meu parceiro nos anos clínicos. Estudamos juntos. Tinha uma memória incrível. Sempre teve uma excelente relação com colegas e professores. Nunca foi invasivo e dava-me espaço. Sabia quando se retirar. Acabou o curso de Medicina Dentária aos 56 anos, depois de um curso de Psicologia Clínica, mas era, como ele gostava de dizer: "Acima de tudo, Militar". Era um homem muito generoso, desapegado dos bens materiais. As injustiças sociais incomodavam-no. Tomava, invariavelmente, partido dos mais fracos. Era extremamente leal aos seus amigos, mas não perdoava a traição. Era um homem de esquerda. Sempre foi. Tinha uma coragem incrível. Era destemido e frontal. Fez parte de uma das mais belas páginas da História do século XX Português, que foi o 25 de Abril de 1974. No 11 de Março venceu e no 25 de Novembro saiu vencido. Caiu e levantou-se, sempre de cabeça erguida. A vida é luta, pai! Escreveu 3 livros, que são referências bibliográficas incontornáveis desse período da História de Portugal, e que o eternizam.
Hoje parte aos 76 anos, mas deixa um legado e uma memória que muito nos orgulha. Hoje perdi um amigo. O maior e o mais leal de todos.
"A primeira vez que vim a Portugal foi para fazer a primeira parte de um
espetáculo de Manolo Díaz. Ele foi expulso antes do concerto e a mim
deram-me 12 horas para deixar o país. Na segunda vez que vim foi para
cantar no programa Zip Zip. Quando saí do canal a PIDE estava à minha
espera. Meteram-me num carro tal como eu estava vestido, sem
documentação e deixaram-me na fronteira de Badajoz. Dessa vez eu tive
mesmo muito medo. Foi uma viagem feita de noite e todas as vezes que
eles paravam, eu pensava que iam dar-me um tiro." - Patxi Andión
Morreu hoje um dos maiores cantautores que conheci. Jamais esquecerei o concerto no Coliseu, em Março de 1973.
O tio não sabe ao certo de
que é feito este escuro que enegreceu as nossas vidas, mas sei que a tua
luz prevalecerá, ainda que longe da nossa vista.
Sei que viverás na lembrança e no coração daqueles que tiveram o privilégio de contigo privar.
Desde logo, viverás na lembrança e no coração dos teus pais. E que pais
tens tu, Tomás! Que corajosos, que fortes, que resilientes! A dimensão
do seu amor por ti é algo inexplicável e impossível de traduzir em
palavras!! Como angustiante é a dor que os seus olhos denunciam e os
seus abraços confidenciam...
Viverás na lembrança e no coração
dos teus avós, para quem serás sempre o seu primeiro e mais velho
netinho. Da tua tia, para quem serás sempre o menino dos seus olhos. Não
sabes como me rasgou por dentro ter que lhes dizer que não voltariam a
ver o teu sorriso iluminado, o teu olhar contagiante, a tua doce
tranquilidade...
Viverás na lembrança e no coração dos teus
amigos e familiares, que não te largaram nestes últimos dias em que o
mundo pareceu querer desabar. Que continuam agarrados aos teus pais, a
ampará-los neste momento em que o vazio se torna cada vez mais
ensurdecedor...
Os teus professores, os teus médicos, os teus
enfermeiros, ninguém conseguiu ficar indiferente a esses teus olhos
rasgados pela doçura e encanto.
Olho pela janela e vejo-te
vestido de Super-Homem a sorrir-me e a acenar-me, enquanto rasgas o céu
montado num dinossauro e escoltado pelas águias da vitória. Deixa-me
sonhar Tomás, que já só me restam dúvidas que haja chão que nos ampare a
queda...
Dicen que en la plaza en estos días Se les ha visto cabalgar a Camilo y a Martí Y delante de la caravana Lentamente sin jinete Un caballo para ti.
Vuelven las heridas que no sanan En los hombres y mujeres que no te dejaremos ir Hoy el corazón nos late a fuera Y tu pueblo aunque le duela no te quiere despedir.
Hombre, los agradecidos te acompañan Como anhelaremos tus hazañas Ni la muerte cree que se apoderó de ti. Hombre aprendimos a saberte eterno Así como lo vi en Jesús Cristo No hay un solo altar sin una luz por ti.
No quiero decirte Comandante Ni barbudo ni gigante Todo lo que se de ti. Hoy quiero gritarte padre mío No te sueltas de mi mano Aún no se andar bien sin ti.
Hombre, los agradecidos te acompañan Como anhelaremos tus hazañas Ni la muerte cree que se apoderó de ti. Hombre aprendimos a saberte eterno Así como lo vi en Jesús Cristo No hay un solo altar sin una luz por ti.
Hombre, los agradecidos te acompañan Como anhelaremos tus hazañas Ni la muerte cree que se apoderó de ti. Hombre aprendimos a saberte eterno Así como lo vi en Jesús Cristo No hay un solo altar sin una luz por ti.
Dicen que la plaza esta mañana Ya no caben más corceles Llegando de otro confín Una multitud desesperada De héroes de espaldas aladas Que se han dado cita aquí, Y delante de la caravana lentamente sin jinete un caballo para ti.
Em cada hora Em cada dia Século após século os homens arremessam o teu nome ao vento e dele saem dardos, punhais, espadas e dele saem pombas e flores ensanguentadas De cada letra um filho De cada som um eco
Teu nome-profecia Teu nome vinho-novo que ao terceiro dia há-de ressuscitar nas veias do meu povo
Teu nome que mil vezes tem sido agrilhoado Teu nome sangue-mel nos lábios do carrasco uma esponja de fel
Teu nome-escravo Teu nome-espectro fantasma de terror na noite de algozes temido como as vozes que clamam no deserto
Teu nome-salmo escrito em cada corpo morto em cada cruz erguida
Teu nome-espiga que se transforma em pão Teu nome-pedra da construção do mundo que será o fruto do teu gesto
Teu nome em cada gesto do esvoaçar das asas da gaivota presa
Teu nome vela-acesa na catedral da esperança do altar-homem
Teu nome em cada grito em cada mão
Teu nome-sinfonia que há-de explodir com a alegria de um átomo liberto
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta
dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais
que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para
isso: para que eu não deixe de caminhar."