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Sunday, January 19, 2025

sem título

Quem me conhece sabe que eu sou de dizer o que penso. Às vezes de rajada, outras de uma forma mais pensada, talvez escolhendo palavras para que entendam melhor.
Há muitos jovens (20, 30 anos) a gostar do xegoiso. E isto preocupa-me, porque este 'gostar' não é consciente, não tem bases sólidas. É porque 'está na moda', é por ignorância ideológica, é porque os pais não fizeram o 'trabalho de casa'... e eu sinto-me impotente para alterar o que já está instalado num simples 'porque gosto'. Não sabem porque gostam, mas gostam. E vão votar...
Não era assim, cinzenta, que queria começar o fim de semana, mas é como me sinto. Com gente 'chegante' e 'ficante' tão perto de mim.
Pronto, falei. Por escrito. Pode ser que leiam.

Sunday, January 03, 2021

Reflexão ou desabafo

Existe uma geração de analfabetos políticos. Jovens que, por uma razão ou outra, me dizem que nunca leram nenhum livro, que não gostam de ler. E, no entanto, VOTAM! Não sabem muito bem em quem, nem porquê, mas vão lá pôr o papelinho.
Pior do que isto é que os pais de alguns destes jovens (que têm idade para serem meus netos) também são analfabetos políticos. Não lêem, não sabem o que se passa no Mundo porque na tv só vêem novelas e quando chega a hora do telejornal mudam para um canal de música. Vejo disto há mais de 20 anos. É a geração que cresceu a ver o big brother. Pior ainda é que alguns pais são professores. E eu pergunto que tipo de formação é que um professor ignorante político pode dar aos seus alunos....
Ouvi um dia destes alguém dizer que os partidos políticos não fazem falta. Que seria tudo mais tranquilo (leia-se, não havia tantas discussões) se não houvesse partidos. Fiquei pálida. Mas não fiquei calada.
Não sei o que é que esta gente pensa que é a democracia. Mas foi esta geração que nós criámos, a seguir ao 25 de Abril. Pergunto-me onde é que errámos.
Esta gente, estes de quem falo e poderiam ser meus filhos e netos, são permeáveis às correntes de opinião que estão na moda. Porque nós, os velhos, somos descartáveis nas ideias. Não que eles as conheçam, mas apenas porque ouvem dizer.
O fascismo está aí, à vista de todos, menos deles. E de outros, que desvalorizam o que nos entra casa adentro.
Talvez estas minhas preocupações sejam apenas minhas e eu esteja a ver um filme de terror. Mas as personagens existem, e VOTAM!
Tenho um nó no peito e não sei como o desfazer...
Aproveitem o sol e vão até à janela ou varanda olhar o horizonte. Enquanto é dia...
Tenham a tarde possível.

Thursday, December 11, 2008

Quem me mandou resistir?

A terra onde moro tem de tudo prédios onde mora gente decente vivendas ilegais com piscina e tudo sem autorização de construção iluminações de natal e muitos carros.
A terra onde moro é ao pé do mar e ao pé do rio tem um estádio a que chamam nacional piscinas olímpicas e tudo o resto. E um frio a percorrer-me o corpo.
Ou tem nada. Tem apenas pessoas. Que trabalham. A terra onde moro é quase um dormitório tirando os senhores das vivendas que têm sempre gente.
Na terra onde moro há assaltos e tiros e grandes vivendas de gente importante. E grandes jogos de futebol e ténis e outros desportos. Na terra onde moro há tudo. Ou nada. E um frio a percorrer-me o corpo.
E como na terra onde moro há tudo, há também assaltos a casas e a pessoas, por esticão ou outra coisa qualquer. E vivendas e cães e gente importante e outras pessoas, novos e mais velhos. Na terra onde moro o rio acaba e o mar começa. E lambe-me os pés quando me passeio pelo areal. E quando há assaltos as pessoas fecham-se em casa com medo! E um frio a percorrer-me o corpo.
Na terra onde moro há velhos que são assaltados por jovens quase miúdos que fazem disto uma forma de vida. Organizados. Em carros roubados ou não. Mas organizados!
A terra onde moro é a minha outra terra. E é azul e verde. E tem areia dourada. E carros. E vivendas com gente e cães. Na terra onde moro há assaltos como nas outras terras. E um frio a percorrer-me o corpo.
E se sobrevivermos aos assaltos para podermos contar como foi devemos agradecer a quem nos assaltou por terem sido bonzinhos porque os maus tratos foram apenas porque resistimos. Quem me mandou resistir? E um frio a percorrer-me o corpo.
Na terra onde moro há vizinhos solidários. São pessoas. Na terra onde moro as pessoas vêm às janelas quando ouvem gritos muitos gritos. Na terra onde moro e vivo há gente que se fecha nas vivendas e há pessoas solidárias. E isso é o que importa... E um frio a percorrer-me o corpo.