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Monday, October 23, 2023

… e não consigo…

Entraste devagarinho dentro de mim. E eu deixei.
Inundaste-me com a alegria de um menino. E eu sorri.
Dançámos todas as danças que havia para inventar. Estremeci
e o teu coração bateu forte, apressado.
No vai e vem das marés andámos por caminhos proibidos. E tu sabias.

Demos as mãos com a ternura do amor primeiro. O nosso.
Pintámos esse amor com o vermelho da paixão. Vivido.
Das palavras que nos dissemos só uma ficou acordada. Falo da saudade
Todas as outras adormeceram no tempo no dia na hora que não escolhemos
Vejo os teus olhos que me sorriem e tu não me vês.
Dou-te um abraço apertado que tu não sentes.
Beijo-te o corpo sem te tocar e amo-te!
Mantenho o teu cheiro, que guardo com todos os sentidos.
Vives rente ao meu coração que ainda bate descompassado, por ti.
Agora sou eu que quero sair de dentro de mim.
Estilhaçar-me em mil pedaços.
… e não consigo…

Sunday, January 03, 2021

Reflexão ou desabafo

Existe uma geração de analfabetos políticos. Jovens que, por uma razão ou outra, me dizem que nunca leram nenhum livro, que não gostam de ler. E, no entanto, VOTAM! Não sabem muito bem em quem, nem porquê, mas vão lá pôr o papelinho.
Pior do que isto é que os pais de alguns destes jovens (que têm idade para serem meus netos) também são analfabetos políticos. Não lêem, não sabem o que se passa no Mundo porque na tv só vêem novelas e quando chega a hora do telejornal mudam para um canal de música. Vejo disto há mais de 20 anos. É a geração que cresceu a ver o big brother. Pior ainda é que alguns pais são professores. E eu pergunto que tipo de formação é que um professor ignorante político pode dar aos seus alunos....
Ouvi um dia destes alguém dizer que os partidos políticos não fazem falta. Que seria tudo mais tranquilo (leia-se, não havia tantas discussões) se não houvesse partidos. Fiquei pálida. Mas não fiquei calada.
Não sei o que é que esta gente pensa que é a democracia. Mas foi esta geração que nós criámos, a seguir ao 25 de Abril. Pergunto-me onde é que errámos.
Esta gente, estes de quem falo e poderiam ser meus filhos e netos, são permeáveis às correntes de opinião que estão na moda. Porque nós, os velhos, somos descartáveis nas ideias. Não que eles as conheçam, mas apenas porque ouvem dizer.
O fascismo está aí, à vista de todos, menos deles. E de outros, que desvalorizam o que nos entra casa adentro.
Talvez estas minhas preocupações sejam apenas minhas e eu esteja a ver um filme de terror. Mas as personagens existem, e VOTAM!
Tenho um nó no peito e não sei como o desfazer...
Aproveitem o sol e vão até à janela ou varanda olhar o horizonte. Enquanto é dia...
Tenham a tarde possível.

Sunday, August 25, 2013

Pequeno poema


Klimt, Mãe e Filho

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias, nem o Sol escureceu, nem houve Estrelas a mais... Somente, esquecida das dores, a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci, não houve nada de novo senão eu.
As nuvens não se espantaram, não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme, bastava toda a ternura que olhava nos olhos de minha Mãe...

(Sebastião da Gama)

Monday, December 24, 2012

natal. natal?


enquanto houver uma criança com fome não é natal.

Tuesday, October 23, 2012

... e não consigo...



Entraste devagarinho dentro de mim. E eu deixei.
Inundaste-me com a alegria de um menino. E eu sorri.
Dançámos todas as danças que havia para inventar. Estremeci
e o teu coração bateu forte, apressado.

No vai e vem das marés andámos por caminhos proibidos. E tu sabias.
Demos as mãos com a ternura do amor primeiro. O nosso.
Pintámos esse amor com o vermelho da paixão. Vivido.
Das palavras que nos dissemos só uma ficou acordada. Falo da saudade.
Todas as outras adormeceram no tempo no dia na hora que não escolhemos.
Vejo os teus olhos que me sorriem e tu não me vês.
Dou-te um abraço apertado que tu não sentes.
Beijo-te o corpo sem te tocar e amo-te!
Mantenho o teu cheiro, que guardo com todos os sentidos.
Vives rente ao meu coração que ainda bate descompassado, por ti.
Agora sou eu que quero sair de dentro de mim.
Estilhaçar-me em mil pedaços.
… e não consigo…

Saturday, August 25, 2012

Pequeno poema


Klimt, Mãe e Filho

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias, nem o Sol escureceu, nem houve Estrelas a mais... Somente, esquecida das dores, a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci, não houve nada de novo senão eu.
As nuvens não se espantaram, não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme, bastava toda a ternura que olhava nos olhos de minha Mãe...

(Sebastião da Gama)

Thursday, August 25, 2011

Pequeno poema

Klimt, Mãe e Filho

Quando eu nasci,

ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

(Sebastião da Gama)

Monday, November 15, 2010

Vieste




Esperava que voltasses. O teu rugido era tremendo mas dentro de mim o silêncio. Lambias as rochas mais pequenas e eu ali de desejo fervente. Vieste em onda larga e derramaste-te por inteiro sobre o meu corpo inerte. Na maré de vir. Ainda hoje guardo a espuma daquele fim de tarde. Sangue meu...

Monday, November 08, 2010

Devolvo-te o coração


Venho devolver-te o coração que te tiraram. Encontrei-o num caminho agreste, ao vento e ao frio, e sangrava. Aconcheguei-o nas minhas mãos e dei-lhe um beijo. Estremeceu. Vi que ainda batia. Por isso to devolvo.
Renasce para a vida. Aproveita cada momento. Não adies o tempo que é teu, que é vosso. Vive o que tem de ser vivido. Não adies mais, o tempo pode esgotar. Ou cansar-se, porque o tempo também se cansa. Vive o que tem de ser vivido!
Para isso te devolvo o coração que te tiraram, mas que ainda pulsa, cheio de vida!

Monday, September 20, 2010

O teu sorriso

Não me apetece escrever. Atei os dedos uns aos outros e assim não consigo tocar as teclas. Porque não me apetece escrever. Tenho todas as palavras a saltarem-me do peito, mas não tenho o teu sorriso. E sem o teu sorriso não me apetece escrever. Se tu me desses hoje o teu sorriso como o deste ontem e todos os outros dias talvez eu escrevesse. Mesmo que não me lesses, eu escreveria o teu nome e a saudade e o abraço. Assim não me apetece escrever. Hoje não.
Porque não me dás o teu sorriso?

Thursday, July 15, 2010

Fome

A minha fome é insaciável. Também o é a minha sede.
Tenho fome das tuas mãos a percorrerem-me o corpo e da tua saliva a cobrir-me como uma segunda pele. Tenho fome dos teus beijos misturados com os meus e das palavras que as nossas línguas trocavam. Das noites das madrugadas do amor. Do teu calor. Do teu cheiro. A minha fome é do tamanho da Terra.
Tenho sede de todos os rios e de ser novamente fonte e descer montanhas e correr vales desenfreadamente rasgando a terra em busca do caminho até à foz. Tenho sede das margens que em mim fazias com o teu olhar. Da verdade que somos. Do futuro que seremos. A minha sede é do tamanho de todos os Mares.
Tenho fome do teu abraço. E tenho sede do teu sorriso...

Wednesday, January 27, 2010

M.

Há experiências que se têm apenas uma vez na vida. Ou porque não se proporciona termos outras parecidas, ou porque não as queremos repetir.
Acabo de sair de uma experiência que para mim foi uma espécie de 'prova de fogo'. Pela situação, pelas emoções. Sou uma mulher muito mais rica depois destes dias que me pareceram meses. Quando começava a vacilar e a pensar que não aguentava ele sorria-me e aquele sorriso de menino dava-me força para eu continuar, quando quem estava dorido e quase em desespero era ele.
Trabalhámos em conjunto as horas que foram possíveis, nos dias que foram possíveis, e eu sei que um dia, daqui a um tempo, vou ouvir falar dele. Porque ele é muito especial e determinado, e vai conseguir ser aquilo que quer.
No último dia, o da 'despedida', cheguei-me ao pé dele e disse-lhe 'vamos fazer um texto' e ouvi como resposta 'querias!!!'. Tive que sorrir. E dei-lhe uma caixa dos chocolates de que ele mais gosta. Sorriu-me com um olhar maroto...
Um dia destes irei à escola para o ver. Sei que me irá estender a mão ao jeito de 'dá-me cinco'...

Thursday, January 21, 2010

Assim me sinto hoje



Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca

Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante

Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas
Como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas, como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos

Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que eu penso
Mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio
comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância

Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais
do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer

Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada

Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

Friday, October 23, 2009

... e não consigo...


Entraste devagarinho dentro de mim. E eu deixei.
Inundaste-me com a alegria de um menino. E eu sorri.
Dançámos todas as danças que havia para inventar. Estremeci
e o teu coração bateu forte, apressado.

No vai e vem das marés andámos por caminhos proibidos. E tu sabias.
Demos as mãos com a ternura do amor primeiro. O nosso.
Pintámos esse amor com o vermelho da paixão. Vivido.
Das palavras que nos dissemos só uma ficou acordada. Falo da saudade.
Todas as outras adormeceram no tempo no dia na hora que não escolhemos.
Vejo os teus olhos que me sorriem e tu não me vês.
Dou-te um abraço apertado que tu não sentes.
Beijo-te o corpo sem te tocar e amo-te!
Mantenho o teu cheiro, que guardo com todos os sentidos.
Vives rente ao meu coração que ainda bate descompassado, por ti.
Agora sou eu que quero sair de dentro de mim.
Estilhaçar-me em mil pedaços.
… e não consigo…

Monday, October 19, 2009

Da saudade


Não quero matar a saudade
porque não quero que ela morra!

Tuesday, October 13, 2009

Mais perto...


Quando as tuas mãos são o prolongamento de mim e as minhas o infinito de ti...

Tuesday, September 22, 2009

Regresso-me


Regresso-me sempre aos mesmos lugares, tu sabes. Os das minhas memórias, intensas. Aos lugares do nosso amor maduro inteiro madurado. No tempo, pelo tempo, pela vida.
Regresso-me a nós no vento norte na brisa do mar. Que sempre nos acolheu, aqui ou além. Intenso e inteiro continuas dentro de mim. A única maneira de guardar o amor.
Regresso sempre ao tempo de reconstruir. Aos caminhos que percorremos. Que guardam o teu cheiro. Onde me sorris a cada momento. Porque nada se desfaz. Porque tudo se refaz...

Tuesday, August 25, 2009

Pequeno poema

Klimt, Mãe e Filho

Quando eu nasci,

ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

(Sebastião da Gama)

Sunday, July 26, 2009

Fome

A minha fome é insaciável. Também o é a minha sede.
Tenho fome das tuas mãos a percorrerem-me o corpo e da tua saliva a cobrir-me como uma segunda pele. Tenho fome dos teus beijos misturados com os meus e das palavras que as nossas línguas trocavam. Das noites das madrugadas do amor. Do teu calor. Do teu cheiro. A minha fome é do tamanho da Terra.
Tenho sede de todos os rios e de ser novamente fonte e descer montanhas e correr vales desenfreadamente rasgando a terra em busca do caminho até à foz. Tenho sede das margens que em mim fazias com o teu olhar. Da verdade que somos. Do futuro que seremos. A minha sede é do tamanho de todos os Mares.
Tenho fome do teu abraço. E tenho sede do teu sorriso...

(ainda longe. virei à net sempre que possível. haja tempo...)

Thursday, June 18, 2009

O teu silêncio


Estou cansada do teu silêncio. Quero agarrar o tempo e ele escapa-se entre os dedos, como areia. Invento-me para te encontrar e não sei onde te procure. Estou cansada. De mim, de ti. Do teu silêncio. Vou à nascente do rio e só vejo um rasto, nem sei se teu. Desço pelas margens dos sonhos subo aos montes e volto às margens. Só te sei do cheiro. Que permanece, que me persegue, que me envolve. Ao meu redor o teu silêncio. Tranquilo. Continuo o meu caminho e sei que hei-de chegar, um dia. Não sei quando, mas sei que um dia. Afinal sempre esperámos o tempo que foi preciso. Mas hoje estou cansada do teu silêncio...