Wednesday, April 29, 2009

Abismo


De tanto cerrar os dentes trinquei o coração.
Que sangra sem parar, como um rio.
Quando nos perdemos. Porque deixei de te ver.
Não sei dos trilhos que caminhas nem das árvores que te abrigam.
Sei de um rio, verde-sangue. Mas não sei da foz nem da fonte.
Perdi-me no meio do nada e não encontro o caminho.
Não sei regressar-me. Os meus passos levam-me à falésia.
E à vertigem. O abismo. O sim e o não.
O silêncio é total e ensurdeço. Nem te oiço.
Mas cheiro-te. E tu salpicas-me de lágrimas. O mar em frente.
Deixo-me cair devagarinho e adormeço.
Sei que quando a maré começar a subir virás lamber-me os pés…

38 comments:

Joao P. said...

Maria:

Mas é que vem mesmo. É só uma questão de esperar

Beijo

João

salvoconduto said...

Trincar o coração! Prefiro trincar tremoços e não cair no abismo da gordura.

Abreijos.

samuel said...

As marés... que tudo podem...

Abreijo

andorinha said...

Escrever com a caneta da alma.

Sal said...

Uf... este poema tirou-me o fôlego...

é potente e belo, como um Ferrari.
:))

beijocas

Carminda Pinho said...

O mar, sempre o mar dentro de ti...
:)

Beijos, Maria

A CONCORRÊNCIA said...

São assim as marés, cheias e vazias, sucedendo-se ininterruptamente ...

Beijo Maria

clic said...

«Esse rio que vai lento
espreguiçando-se a teus pés
não traz nunca a mesma água
não volta nunca para trás
Já não é o mesmo rio
e nem uma das suas ondas
voltará para a nascente

“Não te prendas a uma onda qualquer
que a teus pés venha morrer
Enquanto o teu pé estiver
dentro dessa mesma água
Muitas outras novas ondas
junto dele irão morrer

Na cidade onde eu vivia
sempre tão cheia de gente
se bem que ninguém lá fique
é costume ouvir cantar
Uma cantiga que fala
do fluir das coisas que há
neste mundo, e assim começa

Não te prendas a uma onda qualquer
que a teus pés venha morrer
Enquanto o teu pé estiver
dentro dessa mesma água
Muitas outras novas ondas
junto dele irão morrer»

(Fiama Hasse Pais Brandão)

Rosa dos Ventos said...

Comovente e arripiante!

Abraço

pin gente said...

não acredito que o blogger me comeu as palavras...


deixo um beijo

utopia das palavras said...

Decerto que a maré te encontrará!

Beijos

Maria P. said...

Sentido.

Beijinho, minha Maria*

LOURO said...

Querida amiga Maria,

Lindo texto!!! Gostei!!!

Deixo-me cair devagarinho e adormeço.
Sei que quando a maré começar a subir virás lember-me os pés.

Beijinhos de carinho e amizade

Lourenço

Delfim Peixoto said...

Passei, li, senti e... voltei!
bj

Serenidade said...

O mar sempre nos aconchega quando mais precisamos... é simplesmente fabuloso...

Que a dor e a tristeza se dissipem, são os meus sinceros desejos...

Serenos sorrisos

Teresa Durães said...

os afastamentos torturam e parece que nada mais existe. felizmente ainda sabes que a maré o trará de volta

Agulheta said...

Maria. Lindo o texto...mas marés virão e trarão de novo,as alegrias e os desejos.
Beijinho

Vera said...

Um poema que tanto me tocou Maria...

Beijo linda

Nilson Barcelli said...

Confesso que fiquei na dúvida se falas do teu "eu" poético ou do país (sei de um rio, verde-sangue).
Em qualquer caso o poema é belíssimo, gostei imenso.
Beijos, cara amiga Maria.

Pirate said...

Mare Nostrum
Um poema a saber a sal e lágrimas

Fernando Samuel said...

E a maré vem já aí...


Um beijo grande.

Isamar said...

A maré começará a subir. Aguarda!
Um beijo

Bem-hajas!

Alice Matos said...

Como a dor pode ser bela, Maria...
É linda a tua dor...
É lindo o teu poema...

Sente-se... cheira-se... dói...

Beijo grande para ti...

FERNANDA & POEMAS said...

QUERIDA MARIA, BELO POEMA SAÍDO DO TEU CORAÇÃO AMIGA... ADOREI!!!
BEIJINHOS DE AMIZADE,
FERNANDINHA

C Valente said...

Passei rapidamente para agradecer e mandar um abraço.
As obras continuam e cada vez o cerco aperta mais, vamos aguentando
Saudações amigas

SILÊNCIO CULPADO said...

Maria

Vejo que temos a mesma paixão pelo mar, a mesma intensidade na procura, talvez a mesma desilusão e força de lutar.
Por isso te encontro aqui.

Abraço

Clotilde S. said...

A dor eterna nas tuas belas palavras, Maria!

Um beijo

anamar said...

Viva Maria!!!
que saudade de vir até aqui...
e tu continuas triste... mas as palavras são dolorosamente belas!!!
Abracinho

Maria said...

Não estou triste, Amigos!
São apenas palavras, palavras de momento...

Obrigada por terem passado.

Beijos a todos

Apenas eu said...

Beijos Maria muitos, só vim aqui agora e tenho a M. a chamar-me...
Amei este poema.
Já fui ao blog do Pedro, deixar-lhe um beijo de boa noite :)

agora vou dormir e volto depois para te ler com toda a calma que me mereces.

De Amor e de Terra said...

Muito belo Maria, parabéns!
Embora sempre tenha gostado do que escreves, constato com alegria, que
vais amadurecendo um estilo (o teu) e duma forma doce e dolente, mesmo quando "falas" de raiva.
Beijos Amiga.

Maria Mamede

pin gente said...

ontem perdi as palavras que aqui te quis deixar e acabei por não as encontrar.
hoje o dia é outro e as palavras também o são.

num sobe e desce dengoso.
de língua fresca e húmida que se arrasta por mim acima
e se derrete por mim abaixo.
olha-me a teus pés! deitada sobre um manto de finos grãos que as pedras choraram ao longo dos anos.
ouve-me a pedir-te prazer! descalça, de pés nus, numa espera sem pressa.
virás, ao amanhecer, quando o sol se espreguiça ainda por trás da serra.
e eu no mar…
a nossa dança de pernas doiradas e espuma branca vai fazê-lo brilhar. cobiçará os nossos corpos, ardentes do fogo de uma paixão antiga. a que sempre em nós acenderá a fogueira do amor. brasa que o mar acalma e refresca e suaviza, para voltar a salgar os beijos dos nossos lábios.
o primeiros raios assistem, incrédulos…
de tal forma que o sol não arrefece, queima, arde, apressa-se na busca do horizonte… até se encontrar no mar, que nos faz assim amar...
beijo e abraço com muita ternura... a nossa, maria
gosto-teluísa

maré said...

eterna

mente

os passos a caminho de um mar que tarda

______

se descobrir, prometo que te conto Maria. a primavera tarda a florir os olhos

beijos

Baila sem peso said...

Não trinques o coração
Que o rio vai bailar
Na foz da tua canção!
Chama-o, antes da tarde
Virá, no teu coração…
E saber esperar, é sempre a opção...
Lindo está o teu abismo
Que no acordar vai derrubar
Todo o pessimismo...e sismo! :)

Beijinho Maria, que amanhã é Dia!

Pitanga Doce said...

"Ah, esse amor selvagem,
Passagem pra loucura e pra dor.
Mas, eu confio na sorte,
Eu sou forte como o bicho mais feroz.
Ah, esse amor aflito,
Que eu grito e ninguém pode ouvir.
Mas, me entrego a um sonho
Que eu componho em versos pra você dormir".


Procura a melodia "Pra Ser Minha Mulher. (Roberto Carlos)

bom dia Maria

Maria said...

Obrigada por terem passado aqui.

Beijos

O Sibarita said...

Trinque o coração não moça! kkkkkk

Pois é, se a maré começa a subir vou beijar seus pés mesmo, eu vou morrer afogado, é? kkkkkkkk

Sou best não! kkkkkkkkkkkkkkkk

bjs
O Sibarita

Pedrasnuas said...

POR ACASO NÃO ESTARÁS A DAR VOZ AO PRÓPRIO ABISMO? A SÊ-LO? TU ÉS A FALÉSIA ,ELE É O MAR?

POR OUTRO LADO ...NINGUÉM MORRE,NINGUÉM SE PERDE SE OUVIR A VOZ DO CORAÇÃO...

RESTA A ESPERANÇA DA MARÉ SUBIR E VIR LAMBER OS PÉS...

ABRAÇO SENTIDO