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Friday, June 23, 2023

A Grande Greve do Couço

 



Foi há 65 anos a mais importante luta travada no mundo rural durante o fascismo

A Grande Greve do Couço
Em Junho de 1958, aquando das eleições para a Presidência da República e depois de Arlindo Vicente ter promovido a união da sua candidatura à do General Humberto Delgado, tendo em conta a necessidade do reforço das posições democráticas, o povo do Couço, tal como milhares de portugueses, mobilizou-se contra o fascismo, organizado pelo seu Partido de sempre, o PCP.
No dia 23 de Junho, para assinalar os 54 anos das lutas do povo do Couço acontecidas em 1958, o ano da Grande Greve, a Comissão de Freguesia do PCP levou a cabo uma caminhada de memória pelos locais dos grandes acontecimentos dessas heróicas jornadas de luta.
Às onze badaladas que marcavam a hora, a Rua de Angola, que acolhe o Centro de Trabalho do PCP no Couço, encheu-se de gente. Empunhando as bandeiras do seu Partido, rubras, essa massa humana dirigiu-se para o local onde era a garagem dos «Olímpios», na Rua Eng.º Aleixo Pais – o mesmo local em que, há mais de meio século, se realizou uma sessão pública de propaganda da candidatura do General Humberto Delgado.
Até lá, em passo descontraído, contava-se histórias, apurava-se recordações, falava-se do passado numa perspectiva de futuro. À medida que se avançava, outros se juntavam, engrossando a acção que prestava jus ao passado que foi de luta e cuja memória se quer preservar, como exemplo para as novas gerações.
Liliana de Sousa, da Comissão de Freguesia do PCP, fez o relato dos acontecimentos. Era, então, 6 de Junho de 1958, uma sexta-feira. Após a «despegada» dos trabalhadores, estes concentraram-se na rua principal para receber os oradores da Oposição Democrática para um comício de encerramento da campanha eleitoral. Apesar do aparato de repressão feroz, com a aldeia apinhada de elementos da GNR e pides, centenas de pessoas juntaram-se para assistir ao comício. «Esta foi, de facto, a única aldeia do País onde foi feito um comício eleitoral da Oposição Democrática», salientou a comunista, informando que, já à noite, na garagem dos «Olímpios», acotovelavam-se duas centenas e meia de pessoas para ouvir os intervenientes. A restante população que, não cabendo no pequeno espaço, ficou na rua foi sendo dispersada pelas autoridades fascistas. Lá dentro falavam os oradores e foi lida uma saudação da população do Couço à candidatura do General Humberto Delgado.
«Tivemos de ir cinco ou seis vezes a Santarém, uma vez que as sessões tinham de ser autorizadas pelo Governo Civil do distrito», afirmou Joaquim José Dias. Sobre aquele dia, recordou que os patrões «não queriam que os trabalhadores despegassem mais cedo para ir ao comício», o que acabou por acontecer. «As pessoas, segundo se conta, como era hábito na altura e para se defenderem, traziam pedras no bolso. Depois do comício terminar, os participantes depositaram as pedras, formando um monte, que nos dias seguintes foi visitado pelas populações, em sinal de resistência», acrescentou Liliana de Sousa.
O resultado mais expressivo do País
A segunda paragem da «caminhada da memória» foi junto à Escola Primária, que reportava para o dia 8 de Junho, dia da votação. Ali, os delegados da Oposição Democrática vigiavam o acto eleitoral e, por pressão das cerca de 400 pessoas que se juntavam à porta do edifício da Escola, foi possível forçar a publicação de resultados no Couço. A candidatura do General Humberto Delgado foi vencedora com mais de 80 por cento dos votos, sendo que nos resultados nacionais o fascismo atribuía falsamente uns meros 23 por cento à candidatura democrática. «Foi o resultado mais expressivo do País», salientou Arménio Marques Silva, manifestando «muita saudade» por aquele dia e «pelas pessoas que estiveram aqui comigo». Sobre aqueles tempos, o militante do PCP frisou que «a República foi um grande avanço, mas aquilo que era essencial e mais interessava às classes trabalhadoras não chegou a mudar assim tanto». Isso só aconteceu com o 25 de Abril de 1974.
Entre o dia da votação e o dia da Greve, que teve lugar a 23 de Junho, muitas foram as reuniões clandestinas organizadas pelo PCP, algumas com centenas de jovens e mulheres, designadamente no local da Serra da Burra, com o intuito de preparar a resposta à monumental burla fascista.
«O povo não arredou pé»
A terceira paragem, junto ao monumento do Povo ao Couço, assinalou a declaração da Grande Greve (23 de Junho). Nessa manhã, naquela que foi a Praça de Jorna, foram detidos João Camilo, já referenciado como militante comunista, e três homens que não dispersaram à ordem da GNR. De imediato, uma multidão, com cerca de 1500 pessoas, concentrou-se à porta do posto para exigir a libertação imediata dos presos. «O povo juntou-se, cercando o posto da GNR. A PIDE e a guarda ainda tentaram sair de jipe, mas o povo não arredou pé. Eles tiveram medo de matar alguém, porque sabiam que não saíam daqui vivos», recordou Manuel Braz.
Uma mulher, rodeada de outras e de crianças, chegou mesmo a agarrar-se ao cano da arma de um tenente da GNR para evitar que este disparasse sobre a população.
Nesse dia e nessa noite, alguns homens da Freguesia do Couço cortaram os fios telefónicos do posto, com o intuito de isolar a aldeia de comunicações com um exterior. «Acabámos por levar a nossa avante, e eles foram obrigados a soltar os camaradas, que foram levados em ombros pelas ruas do Couço», sublinhou o militante comunista.
«Esta foi uma luta muito linda e necessária para quem vive do seu trabalho. Nós éramos uns autênticos escravos», acrescentou Manuel Braz, enfatizando que também agora «é preciso lutar» porque «o capital é desmesurado, e as medidas de austeridade que nos querem impor nunca terminam».
Diamantino Ramalho, já à porta do antigo quartel da GNR, referiu, por seu lado, os grupos de homens e mulheres que, organizados, se dirigiram aos «ranchos», explicando que havia uma Greve declarada contra a burla eleitoral, e todos aderiram. A pé, chegaram a Coruche, à Barragem de Montargil e às obras dos canais do Sorraia. Aos jovens, Diamantino Ramalho apelou a que «se juntem, que não fujam», para «chegar ao que é necessário atingir». Diamantino Ramalho, terminou citando Álvaro Cunhal, que, na inauguração do Monumento ao Povo do Couço, terá dito: «O Couço em si é todo um monumento».
Luta com objectivos políticos
José Casanova, natural da Freguesia do Couço, director do Jornal Avante! e membro do Comité Central do PCP, valorizou o facto de, pela primeira vez, as mulheres terem participado «em grande número, na luta e na sua organização», assim como os jovens, e deu conta de que aquela Greve envolveu cerca de oito mil trabalhadores. «Esta foi a maior luta camponesa no tempo da fascismo, sendo a primeira a realizar-se com objectivos assumidamente políticos», destacou, frisando que «as organizações de base têm um peso muito grande na vida e na acção do Partido», tanto em 1958 como agora, em 2012.
Numa mensagem aos comunistas, que «lutaram em 1958, que conquistaram as oito horas de trabalho, a Reforma Agrária, logo a seguir ao 25 de Abril», José Casanova apelou ao «esforço» e ao «trabalho» de cada um «para que o Partido se reforce, para que chegue mais longe, e se assuma na vanguarda da luta», de modo a «honrar e dignificar as lutas do passado, particularmente a Grande Greve, cuja importância ultrapassa a freguesia do Couço, o concelho de Coruche e o distrito de Santarém».
Dar resposta aos problemas
A caminhada terminou em ambiente de grande combatividade, com todos a cantarem o Hino do Caxias, de resistência ao fascismo, mas a iniciativa continuou no Centro de Trabalho do PCP com um almoço que juntou muitas dezenas de pessoas. Ali, Pedro Silva, responsável pela organização do Couço, deixou um repto: «Os camaradas que têm memória destes acontecimentos devem transmitir, colectivamente, estes ensinamentos às futuras gerações, para que estes possam prosseguir a luta que estamos a travar e teremos de travar no futuro. Façamos desta data uma espécie de aniversário do Partido, e que daqui para a frente possamos sempre comemorar a Grande Greve do Couço.»
Tomaram ainda a palavra Luís Alberto Ferreira, presidente da Junta de Freguesia, que alertou para o encerramento de serviços públicos da Freguesia, e José Casanova, que destacou a «vaga de prisões» que aconteceu no Couço, como «não houve em nenhuma parte do País», e a «coragem» do povo, que «deve merecer a nossa admiração». «Devemos orgulhar-nos muito disto, e trazer para o presente estes exemplos do passado», sublinhou, terminando: «Nós precisamos de ser mais fortes organicamente, interventivamente, ideologicamente. Precisamos de estar melhor preparados para dar resposta à situação que hoje nos é colocada, perante esta política de direita que há mais de 30 anos está a devastar o País.»
Jornal "Avante", 28 de Junho de 2012

Sunday, September 06, 2020

A Festa do Avante de 2020

Está quase a acabar a 44ª Festa do Avante!. 
Todos os que estiveram na Festa, em lazer ou em trabalho, não vão esquecer que é possível retomarmos a vida que 'parou' em Março, que é possível a alegria e o convívio, com as precauções necessárias sim, mas que é possível. 
Aos que tentaram denegrir a Festa, condenando a sua realização nas mais variadas formas, aos que disseram que era impossível manter a distância física nos concertos, aos que tentaram até ao fim que a Festa não se realizasse mas que não tiveram coragem de a proibir, aí estão os vários registos fotográficos e em vídeo que provam o que as televisões não mostraram nos últimos três dias. 
Aprendam como se organiza uma Festa com milhares de visitantes, aprendam como se respeitam as normas da DGS, aprendam a viver e a ser felizes! 
Sendo que esta Festa foi a que teve menos visitantes não deixou de ser, para mim, a Festa mais bonita que já me foi dado ver. Porque não nos vergam, porque nos devolveu a esperança, porque foi de luta e coragem, porque foi de resistência!

Monday, March 09, 2015

La Samarreta




Jo sóc fill de família molt humil.
Tan humil que d'una cortina vella
Una samarreta em feren: vermella.

D'ençà, per aquesta samarreta,
no he pogut caminar ja per la dreta.
He hagut d'anar contracorrent
perquè jo no sé què passa
que tothom que el ve de cara
porta el cap topant a terra.

D'ençà, per aquesta samarreta,
no he pogut sortir al carrer.
Ni treballar al meu ofici: fer de ferrer.

He hagut de, en el camp, guanyar jornals.
Així la gent ja no em veia:
Jo treballava amb la corbella.

I dintre de tots els mals,
sé treballar amb dues coses:
amb el martell i la corbella.

Gairebé no comprenc perquè la gent,
quan em veia pel carrer em cridava: "Progressista!"
Jo crec que tot això era promogut pel seu "despiste".

Potser un altre en les meves circumstàncies,
ja hagues canviat de samarreta.
Però jo, que m'hi trobo molt bé amb ella.
Perquè abriga, me l'estime,
i li pregue que no s'em faça vella.
---
Yo soy hijo de familia muy humilde.
Tan humilde que de una cortina vieja
Me hicieron una camiseta: roja.

Desde entonces, por esta camiseta,
ya no he podido caminar por la derecha.
He tenido que ir contracorriente
porque yo no sé qué pasa
que todo el mundo que la ve venir de cara
lleva la cabeza arrastrando por el suelo.

Desde entonces, por esta camiseta,
no he podido salir a la calle.
Ni trabajar en mi oficio: hacer de herrero.

He tenido que, en el campo, ganar jornales.
Así la gente ya no me veía:
Yo trabajaba con la hoz.

Y dentro de todos los males,
sé trabajar con dos cosas:
con la hoz y el martillo.

Ahora bien, no comprendo porque la gente,
cuando me veía por la calle me gritaba: "¡Progresista!"
Yo creo que todo esto era provocado por su "despiste".

Quizás otro en mis circunstancias,
ya habría cambiado de camiseta.
Pero yo, que me encuentro muy a gusto con ella.
Porque abriga, y la quiero,
y le ruego que nunca se me haga vieja.

Saturday, November 17, 2012

Saturday, September 22, 2012

Música para todos os dias que se seguem



ACORDAI!

Acordai
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!

Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...

Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.

ACORDAI!


José Gomes Ferreira

Friday, July 13, 2012

Astúrias em Madrid



A razão e a força.

É por haver gente de tamanha altivez, verticalidade e coragem que não perco a esperança.

Uma foto a oferecer aos cobardes e vendidos para pendurarem no cimo da sua cobardia.

Exemplos, entre muitos, para que os resignados, os desiludidos ou sem horizontes se apercebam de que nada é eterno, que a luta não é fácil mas que o futuro é assim que se constrói.

UM ABRAÇO DE EMOÇÃO PARA TODOS OS QUE LUTAM
(post completamente surripiado daqui)

Sunday, June 17, 2012

A COR DA LUTA!




VERMELHA QUE TE QUERO ASSIM!!!

Wednesday, May 02, 2012

.....


Ontem foi 1º de Maio. Dia do Trabalhador. Dia que tem as suas raízes na luta dos trabalhadores que saíram para as ruas em Chicago, em 1886, exigindo a redução da jornada para oito horas de trabalho.
Ontem foi 1º de Maio. Dia do Trabalhador. Dia que se pode comemorar no nosso país, em Liberdade, depois do 25 de Abril de 1974. Houve algumas centenas de trabalhadores que desceram a avenida da Liberdade. Outros, muitos milhares, subiram a avenida Almirante Reis até à Alameda. Outros ainda, um pouco por todo o país, preferiram correr atrás de uma cenoura a que chamaram desconto de 50%.
Ontem foi dia 1º de Maio. Dia do Trabalhador. Trinta e oito anos depois de Abril sinto-me agoniada. De tristeza, de revolta, de raiva. Sei que daqui a pouco, quando acordar, tudo isto que sinto agora se transformará numa força enorme. Numa vontade de redobrar a Luta. Numa confiança crescente.
Ontem foi dia 1º de Maio. Dia do Trabalhador. Tanto caminho a fazer para despertar consciências. Ainda...


Tuesday, March 20, 2012

As vezes que forem precisas...






ACORDAI!

Acordai
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raíz!

Acordai!
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações...

Acordai!
Acendei, de almas e de sóis,
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais.

ACORDAI!


José Gomes Ferreira

(ainda distante. depois volto.)

Saturday, February 11, 2012

HOJE é dia de LUTA, todos os dias!




Dos Restauradores, mas também de Sta. Apolónia, Cais do Sodré e Martim Moniz, todos a desfilar para o Terreiro do Paço.

Vamos fazer do Terreiro do Paço o TERREIRO DO POVO!!!

Saturday, October 01, 2011

Em Luta!!!



É aqui que vou estar hoje!


(vou andar por aí. depois volto.)

Saturday, March 19, 2011

Thursday, March 17, 2011

É já no sábado!


A LUTA é de todos os dias.
Mas este Desfile é MUITO especial!
É mais um Sábado de LUTA, na rua.
E viremos para a rua as vezes necessárias.
Até que...

Wednesday, September 29, 2010

Na Rua, em Luta! Mais uma vez!


Hoje é aqui. E no Porto.
Porque não baixamos os braços!
Porque a LUTA, que é contínua, continua!

Sunday, August 08, 2010

Um dia triste


foto daqui

HONRANDO A TUA MEMÓRIA DIZEMOS A LUTA CONTINUA!

Thursday, July 08, 2010

Wednesday, June 16, 2010

Na Rua, em Luta!


Amanhã é no Rossio que nos encontramos. Mais uma vez. Até corrermos com quem nos impõe a política de direita que nos está a levar a um verdadeiro desastre económico e social.
É possível a alternativa. Porque a alternativa existe!

Wednesday, May 26, 2010

Até quando?



Está nas nossas mãos!!!

VAMOS DAR A VOLTA A ISTO!!!