Thursday, May 31, 2007

Um dia vou saber-te, barco...


Como eu gostaria de, um dia, ver-te, barco,
trabalhando num país justo, solidário,
com igualdade de oportunidades,
com todos os direitos e todos os deveres,
em que a riqueza produzida por ti, barco,
fosse distribuída por quem te trabalha.
O que eu vejo é desemprego,
desigualdades,
precariedade no trabalho.

Um dia vou saber-te, barco...

(foto "roubada" ao blog poetaeusou)

52 comments:

Dulce said...

Foi por uma boa causa ( o "roubo" da foto, claro !)
Beijinhos

Luis Eme said...

Quem não gostaria?...

Qualquer dia a União Europeia até nos proibe de pescar nas nossas águas...

Victor Nogueira said...

Olá, passei de fugida e vou de abalada. Gostei do barco.
Um abraço
VN

Pondé said...

Maria,

Agradeço as boas-vindas e os comentários escritos no D&N. Quero dizer também que, enquanto esse barco não vem, pego carona em seu blog a apartir de agora!

abraços,

Gabriel Pondé

Leticia Gabian said...

Maroca, quem sabe os nossos netos verão o barco assim. Tenho esperanças que sim.

Beijocas

Victor Nogueira said...

HÁ SEMPRE UM RAPAZ TRISTE

Há sempre um rapaz triste
em frente a um barco

(a água é sempre azul
e sempre fresca)

Em que país encontraria
um emprego e esquecimento

em que país encontraria
amor e compreensão

Em que país
sentiriam
a sua vida e a sua morte

Não respondem as gaivotas
porque voam

Há sempre um rapaz triste
com lágrimas nos olhos
em frente a um barco

in Poemas Quotidianos, António Reis, edição de autor

Victor Nogueira said...

De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

David Mourão Ferreira

Victor Nogueira said...

Em Lixboa sobre lo mar
barcas novas mandei lavrar,
ay mia senhor velida!

Em Lisboa sobre lo lez
barcas novas mandei fazer,
ay mia senhor velida!

Barcas novas mandei lavrar
e no mar as mandei deitar,
ay mia senhor velida!

Barcas novas mandei fazer
e no mar as mandei meter,
ay mia senhor velida!

João Zorro

Victor Nogueira said...

Lisboa tem barcas
agora lavradas de armas

Lisboa tem barcas novas
agora lavradas de homens

Barcas novas levam guerra
As armas não lavram terra

São de guerra as barcas novas
ao mar mandadas com homens

Barcas novas são mandadas
sobre o mar

Não lavram terra com armas
os homens

Nelas mandaram meter
os homens com a sua guerra

Ao mar mandaram as barcas
novas lavradas de armas

Barcas novas são mandadas
sobre o mar

Em Lisboa sobre o mar
armas novas são mandadas

Fiama Hasse Pais Brandão

Victor Nogueira said...

Sou Barco

Sou barco abandonado
na praia ao pé do mar.
E os pensamentos são
meninos a brincar.

Ouço o fragor da vaga
sempre a bater ao fundo.
Escrevo, leio, penso,
passeio neste mundo
de seis passos e sempre o
mar a bater ao fundo...

Ei-lo que salta bravo
e a onda verde-escura
esfarela-se em trigo
de raiva e amargura.

Agora é todo azul
com barras de cinzento
e logo é verde, verde
seu brando chamamento.

O mar, venha a onda forte
por cima do areal.
E os barcos abandonados
voltarão a Portugal..

António Borgrs Coelho

Victor Nogueira said...

Olá, Maria :-)

Talvez seja um abuso meu deixar os quatro poemas atrás, que até nem são de minha autoria.
Se achares que foi uma abusiva invasão/intrusão minha na tua ilha, diz-me.
Cumpri o teu meme (é assim que (escreve?), mas não te vi por lá.

Um abraço
VN

Desassossego said...

Maria, a realidade é cada vez mais sombria, eu continuo a acreditar neste país, nesta gente que num barco se meteu e descobriu o mundo... não sei quando, não sei como mas acredito que Portugal ha-de cumprir-se...
Beijo doce.

poetaeusou said...

*
areal barco
marco
de quem remou
mas, não parou
de remar
de quilha erguida
no mar da vida
neste meu mar ...
*
inté
*

rosa dourada/ondina azul said...

Um dia, será...

beijo,

joão marinheiro said...

Recorda porque esse é um barco condenado a desaparecer tambem...Como todos os pequenos barcos de trabalho da nossa costa e rios, enquanto não se olhar o barco como bem cultural de interesse publico, silenciosamente desaparecem, um destes dias falo de barcos...
Abraço enquanto a Xavega trabalha...

bettips said...

Que sentido, Maria... E os comentários são a condizer contigo, que bom compreenderem! Sonho com o "nosso" barco a bom porto! Já agora: alguém sabe a letra da canção "Barco" na versão proíbida pela negritude?? relembro uma parte: "enquanto a chibata batia no seu amor, mãe preta embalava o filho branco do senhor"... Cabe aqui, Maria, desculpa o abuso. Bjinho

Maria said...

dulce

Foi sobretudo com autorização do poeta...
Beijinhos

Maria said...

luis eme

Há uns anos já pagou para abatermos barcos.... e foram muitos abatidos, lembras-te?

Maria said...

pondé

Ainda bem que voltaste ao D&N.
Pega a carona à vontade....

Abraço

Maria said...

letícia gabian

Eu também tenho, Amiga. Um dia será.

Beijão

Maria said...

victor nogueira

Muito obrigada pelos poemas. Ninguém “invade” ou é “intruso” aqui.
São todos bem vindos.
Mais logo passo pelo teu blogue, o tempo não chega para tudo...

Um abraço

Maria said...

desassossego

Se não formos nós a acreditar no nosso pais, quem acredita?
Um dia, desassossego, um dia.
Mas temos que lutar por isso...

Beijinhos

Maria said...

poetaeusou

Nunca pares de remar, tu, poeta....

Inté

Maria said...

rosa dourada/ondina azul

Será, sim

Beijo

Maria said...

joão marinheiro

É verdade, João. Estão condenados a desaparecer...
Os barcos, que fazem parte da nossa história e da nossa memoria colectiva...
Delicio-me a vê-los sair e voltar da pesca, quando estou na ilha...

Abraço sentido

Maria said...

bettips

Para ti, aqui vai a letra da Mãe preta:


Pele encarquilhada carapinha branca
Gandôla de renda caindo na anca
Embalando o berço do filho do sinhô
Que há pouco tempo a sinhá ganhou

Era assim que mãe preta fazia
criava todo o branco com muita alegria
Porém lá na sanzala o seu pretinho apanhava
Mãe preta mais uma lágrima enxugava

Mãe preta, mãe preta

Enquanto a chibata batia no seu amor
Mãe preta embalava o filho branco do sinhô


(Piratini/Caco Velho)

Beijinhos

maresia_mar said...

Olá Maria,
pois coitado do barco... este país navega para o caos.. coitados dos nossos filhos!.. o que será do futuro deles?!?!
Bjhs e bom resto de semana

Sininho said...

Bem gostava de acreditar num mar sem tempestades, numa maré de águas menos frias, num futuro sem incertezas, para os que cá vou deixar.
Mas não sei. O mundo está em sobressalto e este país minúsculo não escapa ao vendaval. São tempos difíceis para quem não tenha fé.

Beijinho.

Angela said...

O que dizer? A crise veio para ficar e está a ser difícil o nosso país se reconstruir.
E já há muitos barcos que se tornaram jangadas...

Um beijinho grande.

Pirate said...

Barco a remar contra a maré...
Vivam as utopias.

Isabel said...

A Bettips faz anos hoje, lá no meu sitio escrevi-lhe algo para lhe dar os parabéns. Passa por lá se lhe quiseres dar um beijinho também.

Isabel

Maria said...

maresia_mar

O futuro deles será sempre o que nós todos quisermos!!!
Basta querer, para mudar...

Beijinhos

Maria said...

sininho

É Sininho, mas o que estiver ao nosso alcance, temos a obrigação de fazer, não é?
Na minha opinião a fé não resolve nada, nós, todos, é que temos que resolver, digo eu....

Beijinhos

Maria said...

angela


Mas as jangadas ainda flutuam, não flutuam?
Então é preciso não ficar de braços cruzados a vê-las flutuar, é preciso agarrá-las e mudar o que tem de ser mudado...

Beijo

Maria said...

pirate

Quando é o próximo voo das Pirate Airlines?

Maria said...

isabel

Já passei por lá e por ti também...
Obrigada.

Beijinhos

Som Do Silêncio said...

Acho que todos gostariamos que isso fosse um dia possivel...
Mas infelizmente nunca será.

Um Beijo em Silêncio

Farinho said...

E eu só vejo, tudo a piorar, não vejo melhoras.

Beijocas

Maria P. said...

Um dia...remando contra a maré, forte, dura.

Beijinho*

bettips said...

Obrigada, querida amiga. Não me lembrava e de repente a olhar...tudo saltou! O teu cravo, sei que é especial, eu sinto. Bjinho

Maria said...

som do silêncio

Nunca será? Só se NÓS não quisermos!!!

Maria said...

farinho

Temos que ser NÓS, querida, NÓS!

Beijinhos

Maria said...

maria p.

Mas remando, sempre....

Beijinhos

Maria said...

bettips

O cravo acompanhou o poema da mãe preta...

Beijinhos, daqueles.... de Hoje!

Belzebu said...

Minha amiga Maria, o problema é que há pouco quem reme e quando há, é cada um para o seu lado! Depois é o eterno problema da falta de um verdadeiro timoneiro, com mais preocupações sociais e menos projectos pessoais! Um barco assim, está normalmente condenado ao naufrágio!

Um abraço infernal!

A.S. said...

Como seria bom ser barco num país onde o mar fosse calmo, justo, fraterno e solidário, sem as tempestades que cada vez mais causam destroços!...


Um beijo Maria!

Maria said...

belzebu

Como eu te compreendo, meu Amigo...
Mas lá que a gente tem que tentar remar para o mesmo lado, lá isso tem.
Quanto ao timoneiro, também está nas nossas mãos.
Eu sei que é tudo difícil, mas temos que QUERER!

Um abraço fresquinho, daqui

Maria said...

a.s.

Aqui o problema são mesmo as tempestades...

Um beijo ternurento, Al

MiE said...

Eu também gostaria muito.
beijo

Maria said...

mie

Somos muitos a gostar, mas parece que ainda não os suficientes....

Beijo

albertokorda said...

Gostei do texto associado à imagem.

Maria said...

E eu gostei do nome....
... e das tuas fotografias.