Sei do teu olhar menino profundo flor coração Do abraço quente apertado fogo paixão Do vento do tempo do rio do norte do mar Sei de ti a vontade de tanto caminhar Dos poemas vagabundos dos versos e cantigas Mas não sei de mim nem das noites perdidas
Sei do vermelho do desejo da flor em botão Do beijo da pele toque ardente solidão Dos passos percorridos dos passos por andar Sei da cidade a adormecer e de ti a vaguear Das palavras que nos unem e de tanto sofrer Mas não sei de mim nem do poema por nascer
Eu fui fazer um samba em homenagem à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais. Eu fui à Lapa e perdi a viagem, que aquela tal malandragem não existe mais. Agora já não é normal, o que dá de malandro regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial, malandro candidato a malandro federal, malandro com retrato na coluna social; malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal. Mas o malandro para valer, não espalha, aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal. Dizem as más línguas que ele até trabalha, Mora lá longe chacoalha, no trem da central
Penetras-me todos os dias, sempre que te apetece. Deixas que eu me encha de ti, naturalmente. Namoras-me e saboreias-me da mesma forma e ao mesmo tempo que te namoro e te saboreio. As crianças a brincarem com a nossa espuma. A corrente leva-me sempre para ti, e traz-te de volta. Mas é de noite que nos amamos melhor. Com as estrelas como manto. Às vezes a lua, cúmplice dos nossos beijos e abraços. Enquanto as crianças sonham com castelos de areia e sorriem. Nas minhas margens costumam chapinhar os mais pequenos e deixo que os barquinhos se passeiem imaginando viagens que não fazem. Mas estes dias foram de tempestades e amores proibidos, e as margens que em mim deixaste são enormes. Cavaste um fosso entre mim e o que resta da praia, que continuas a lamber. As minhas margens são agora enormes. Como podem as crianças voltar a brincar no meu regaço? Refaz-me, uma e outra vez, com a doçura com que sempre o fizeste. Preciso do teu abraço, forte. E das gargalhadas das crianças... (ainda por aqui. mas eu volto.)
Não te quero mais. A noite levou-te de mim e eu deixei. Ficou o espanto da tua partida. Não te quero mais. Vou esquecer o teu abraço e o teu cheiro. Que me percorre ainda o corpo. Não te quero mais. Porque o caminho que foi o nosso fugiu-me na escuridão da noite. E eu não o encontro por entre as lágrimas que me escorrem no corpo. Perdi-me de ti do teu abraço do teu cheiro. Perdi-me de nós. Quero a tua boca só mais uma vez. Morder-me de ti. Passear os meus dedos pelo teu corpo ainda húmido. Quero-te, porque me corres nas veias. Porque és amor amigo amante menino assim distante. Quero-te na solidão da noite. No areal da praia na espuma da onda. Quero-te dentro de mim, como só tu sabes. O sangue a arder. No tempo parado na loucura de nós. Quero-te tanto, quero-te sempre.
Como fosse um par que Nessa valsa triste Se desenvolvesse Ao som dos Bandolins...
E como não? E por que não dizer Que o mundo respirava mais Se ela apertava assim Seu colo como Se não fosse um tempo Em que já fosse impróprio Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou O mundo Se rodopiando ao som Dos bandolins...
Como fosse um lar Seu corpo a valsa triste Iluminava e a noite Caminhava assim
E como um par O vento e a madrugada Iluminavam a fada Do meu botequim...
Valsando como valsa Uma criança Que entra na roda A noite tá no fim
Ela valsando Só na madrugada Se julgando amada Ao som dos Bandolins...
Ao cabo de Cabo Verde dobrado o cabo da guerra quando o mar sabia a sede e o sangue sabia a terra acabou por ser mais forte a esperança perseguida porque aconteceu a morte sem que se acabasse a vida. Ao cabo de Cabo Verde no campo do Tarrafal é que o futuro se ergue verde-rubro Portugal é que o passado se perde na tumba colonial, ao cabo de Cabo Verde não morreu o ideal. Entre o chicote e a malária entre a fome e as bilioses os mártires da classe operária recuperam suas vozes. E vêm dizer aqui do cabo de Cabo Verde que não morreram ali porque a esperança não se perde. Bento Gonçalves torneiro ainda trabalhas o ferro deste povo verdadeiro sem a ferrugem do erro. Caldeira de nome Alfredo fervilham no teu caixão contra o ódio e contra o medo gérmens de trigo e de pão. E tu também Araújo e tu também Castelhano e também cada marujo que morreu a todo o pano. Todos vivos! Todos nossos! vinte trinta cem ou mil nenhum de vós é só ossos sois todos cravos de Abril! No campo do Tarrafal no sítio da frigideira hasteava Portugal a sua maior bandeira. Bandeira feita em segredo com as agulhas das dores pois o tempo do degredo mudava o sentido às cores: o verde de Cabo Verde o chão da reforma agrária e o Sol vermelho esta sede duma água proletária. Do cabo de Cabo Verde chegam tão vivos os mortos que um monumento se ergue para cama dos seus corpos. Pois se o sono é como o vento que motiva um golpe de asa é a vida o monumento dos que voltaram a casa.
José Carlos Ary dos Santos (poema feito aquando da trasladação para Portugal dos restos mortais dos 32 resistentes assassinados no Tarrafal)
(poema lido na Homenagem a Militão Ribeiro, no dia 27 de Janeiro de 2010. ver mais informação aqui)
Há experiências que se têm apenas uma vez na vida. Ou porque não se proporciona termos outras parecidas, ou porque não as queremos repetir. Acabo de sair de uma experiência que para mim foi uma espécie de 'prova de fogo'. Pela situação, pelas emoções. Sou uma mulher muito mais rica depois destes dias que me pareceram meses. Quando começava a vacilar e a pensar que não aguentava ele sorria-me e aquele sorriso de menino dava-me força para eu continuar, quando quem estava dorido e quase em desespero era ele. Trabalhámos em conjunto as horas que foram possíveis, nos dias que foram possíveis, e eu sei que um dia, daqui a um tempo, vou ouvir falar dele. Porque ele é muito especial e determinado, e vai conseguir ser aquilo que quer. No último dia, o da 'despedida', cheguei-me ao pé dele e disse-lhe 'vamos fazer um texto' e ouvi como resposta 'querias!!!'. Tive que sorrir. E dei-lhe uma caixa dos chocolates de que ele mais gosta. Sorriu-me com um olhar maroto... Um dia destes irei à escola para o ver. Sei que me irá estender a mão ao jeito de 'dá-me cinco'...
Passeio-me pela margem do rio em direcção à foz. De tão límpidas, as águas pedem que mergulhe. Resisto. No meio dos canaviais e dos chorões está um grupo de crianças que brinca. Avanço em direcção a elas para ver o que fazem. Entre outras brincadeiras, lançam ao rio um barquinho de papel que, de tão pequeno, mal se vê. Mas segue rio abaixo, com a corrente. Corro um pouco para acompanhar o barquinho, olho-o, e invento-te lá dentro. É então que me sorris...
S`na mundo tem mornas e mornas dedicód Tónt morna bô te mereçê S`beleza ta trazê inspiração Esse bô beleza, ê más cum belo horizonte Infeitód cum bom pôr do sol Ô um arco-íris mut bem d`stacód. Amim djam cria ser poeta Pám fazê um mar di poesia Pám cumpará que`ss bô beleza d`natureza Parsem nem mar, nem lua cheia Nem sol brilhante, nem noit serena Ta cumpará q`bô formosura e bô corpo. Pombinha mansa di odjos meigos sem maldade Bô corpo formoso mas sem vaidade T`armá quess bô sorriso inocente Sorriso doce qui ta espertá alguem ambição Nem q`for d`box tud humilhação `m crê comquistá bô coração.
A Manuela e a Filoxera lançaram-me um desafio para falar de cinco manias que tenho. Tenho muitas, felizmente, mas continuo fiel à primeira vez que respondi a este desafio (creio que ainda em 2006). Mantenho-as... por isso são mesmo manias.
E então aqui vai:
1ª mania : Andar descalça 2ª mania : Lavar o chão mais do que uma vez por dia, para poder andar descalça (não gosto de encontrar "tarolos") 3ª mania : Perder a noção do tempo quando estou a ver o mar 4ª mania : Acreditar que ainda é possível um mundo melhor 5ª mania : Ligar o Mac assim que me levanto, mesmo que não vá utilizá-lo
Deveria indicar agora dez blogues amigos para seguirem com este desafio. Mas as regras existem exactamente para serem quebradas. Assim, convido todos que aqui passarem, e quiserem, a levar o desafio para os vossos cantos...
Obrigada, Manuela. Obrigada, Filoxera. Dois beijos.
Também a Carmen me desafiou para completar as frases que se seguem:
Eu já tive... menos anos do que tenho agora. :)
Eu nunca... deixarei de lutar por aquilo em que acredito.
Eu sei... que tenho ainda muito para aprender.
Eu quero... deixar um Mundo melhor para as crianças que aí estão...
Eu sonho... SEMPRE!
Aqui deveria igualmente indicar blogues para darem continuidade a este desafio. Pois bem, sintam-se em vossa casa e 'sirvam-se'...
Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio Que a morte de tudo em que acredito Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe Seja linda ainda que tristeza Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas Como prece e nem repetidas com fervor Apenas respeitadas, como a única coisa que resta A um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora Se transforme na calma e na paz que eu mereço Que essa tensão que me corrói por dentro Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso Mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria Pra me fazer aquietar o espírito E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta Mesmo que ela não saiba E que ninguém a tente complicar Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor E a outra metade também.
Soubesse eu aliviar as tuas angústias e seria rio onde pudesses matar a sede da saudade. Soubesse eu entender tudo o que sentes e seria mar para recolher todas as tuas lágrimas. Soubesse eu do toque, do toque, do toque... e cantaria para ti uma cantiga de embalar...
Para quem quer se soltar invento o cais Invento mais que a solidão me dá Invento lua nova a clarear Invento o amor e sei a dor de me lançar Eu queria ser feliz Invento o mar Invento em mim o sonhador Para quem quer me seguir eu quero mais Tenho o caminho do que sempre quis E um saveiro pronto pra partir Invento o cais E sei a vez de me lançar
É aquele país onde, em Junho de 2009, um golpe militar fascista - organizado e concretizado com a cumplicidade dos EUA - destituiu o Presidente eleito, Manuel Zelaya e instaurou uma ditadura. Um golpe que foi condenado por quase todos os governos do mundo - com algumas excepções, entre elas a do Governo de Obama, que aqui iniciou a sua prática de apoiar fingindo condenar...
É aquele pais onde, em Novembro passado, os golpistas realizaram «eleições» à velha maneira estadunidense, de que saiu «vencedor» um tal Porfírio Lobo, homem de mão dos EUA e do fascista Micheletti - eleições fraudulentas e como tal consideradas pela quase totalidade dos governos do mundo - com algumas excepções, entre elas a do Governo de Obama que as considerou «livres e justas».
É aquele país onde a resistência ao golpe - encabeçada pela Frente Nacional de Resistência contra o Golpe - assumiu expressões grandiosas, com o povo nas ruas em múltiplas manifestações pela democracia e pela liberdade - manifestações regra geral brutalmente reprimidas pelos golpistas instalados no poder.
É aquele país sobre o qual os média dominantes de todo o mundo fizeram cair um espesso manto de silêncio - silêncio que é, de facto, um inequívoco apoio desses média ao golpe fascista.
É aquele país onde, após a farsa das eleições de Novembro, a repressão tem vindo a acentuar-se, com as forças golpistas a cumprirem um plano de liquidação física de dirigentes da Frente Nacional de Resistência.
É aquele país donde nos chegam notícias concretas das consequências dessa repressão: em Dezembro, os golpistas assassinaram a tiro, numa rua nos arredores de Tegucigalpa, cinco jovens ligados à Resistência: Roger Aguilar, de 22 anos; Kennet Rosa, de 23 anos; Marcos Acosta, de 39 anos; Gabriel Zelaya, de 34 anos e Isaac Coello, de 24 anos. Ainda no mês de Dezembro, foi preso e assassinado dez dias depois da prisão, Walter Trochez. Outro resistente, Santos Corrales, foi preso, torturado e uns dias depois encontrado decapitado. Um terceiro, Carlos Turcios, foi levado de casa no dia 16 de Dezembro e encontrado decapitado e sem mãos no dia seguinte.
É aquele país onde o Congresso Nacional - depois de ter designado Micheletti como «deputado vitalício» pelos seus «esforços a favor da democracia»... - se prepara para aprovar uma amnistia que abrangerá todos os golpistas - amnistia cujo conteúdo está a ser discutido entre Micheletti, Porfírio Lobo e... Hugo Llores, embaixador dos EUA.
É aquele país onde Porfírio Lobo se prepara para tomar posse com o apoio do Governo de Obama assim explicitado pelo embaixador Hugo Llores: «Apoiamos tudo o que Porfírio Lobo está a fazer; apoiamos o seu esforço para fortalecer a democracia nas Honduras».
É aquele país onde a resistência do povo continua: a Frente Nacional de Resistência - a funcionar na clandestinidade - anunciou uma série de acções a levar a cabo nas próximas semanas.
É aquele país É aquele povo É aquela resistência, aos quais temos o dever imperativo de manifestar a nossa total SOLIDARIEDADE.
Bien sûr il y a les guerres d'Irlande Et les peuplades sans musique Bien sûr tout ce manque de tendres Il n'y a plus d'Amérique Bien sûr l'argent n'a pas d'odeur Mais pas d'odeur me monte au nez Bien sûr on marche sur les fleurs Mais voir un ami pleurer!
Bien sûr il y a nos défaites Et puis la mort qui est tout au bout Nos corps inclinent déjà la tête Étonnés d'être encore debout Bien sûr les femmes infidèles Et les oiseaux assassinés Bien sûr nos coeurs perdent leurs ailes Mais mais voir un ami pleurer!
Bien sûr ces villes épuisées Par ces enfants de cinquante ans Notre impuissance à les aider Et nos amours qui ont mal aux dents Bien sûr le temps qui va trop vite Ces métro remplis de noyés La vérité qui nous évite Mais voir un ami pleurer!
Bien sûr nos miroirs sont intègres Ni le courage d'être juifs Ni l'élégance d'être nègres On se croit mèche on n'est que suif Et tous ces hommes qui sont nos frères Tellement qu'on n'est plus étonnés Que par amour ils nous lacèrent Mais voir un ami pleurer! É para ti esta canção. Abraço-te, tanto...
Que seria de nós sem os sonhos, ou o sonho maior de todos. Como não abraçar a solidão se esta se veste de versos e canções. Pegar na mão de todos os amantes e tocar a tua pele sedosa. Um frio a percorrer-nos o corpo. Um calor a subir ao peito. Um respirar ofegante. A praia...
Dançar na escuridão da noite até nos cansarmos. Deixar que o manto de estrelas nos cubra. Sorver o mel da tua boca e fincar-te os dedos nas costas. Beber a espuma do amor feito poema. Olhar o céu e ficarmos. Talvez se oiça uma melodia vinda de longe, de longe, de longe...
Tenho ainda o Verão dentro do peito Os pés na areia molhada da rebentação Como posso trazer o Outono para o meu leito Se o que vejo ao meu redor é solidão Semeio olhares entre as flores do teu jardim De onde recolho sorrisos e abraços Serei airo, pardela, outra ave e assim Vou marcando o compasso dos meus passos Mas os dias vão passando em correria E quando chegar aqui o vento norte Talvez não seja Inverno, mas invernia O que me espera entre esta vida e a morte
Ó ai meu bem como baila o bailador Ó meu amor a caravela também Ó bonitinha ai que é das penas, que é das mágoas Sendo nós como a sardinha A voar por cima das águas
Vai de roda quem quiser E diga o que tem a dizer (Certo!)
Sonhei muitos, muitos anos por esta hora chegada De Lisboa para a Índia vou agora de abalada Mas em frente de Sesimbra Logo um corsário francês Nos atirou para Melides Com o barco feito em três E por Deus e por El-Rei Que grande volta que eu dei
Ó é tão lindo, ó é tão lindo Ó é tão lindo, ó é tão lindo
Ó ai meu bem como baila o bailador Ó meu amor a caravela também Ó bonitinha ai que é das penas, que é das mágoas Sendo nós como a sardinha A voar por cima das águas
Ena que alegria enorme Uns mais ou menos conforme (Certo!)
Mas que terras maravilha mais parece uma aguarela Que eu vejo da minha barca branca, azul e amarela A Lua dormia ali e com o Sol é tal namoro Que as montanhas estavam prenhas e pariam prata e ouro Com Jesus no coração faz as contas ó Fernão
Ó é tão lindo, ó é tão lindo Ó é tão lindo, ó é tão lindo
Ó ai meu bem como baila o bailador Ó meu amor a caravela também Ó bonitinha ai que é das penas, que é das mágoas Sendo nós como a sardinha A voar por cima das águas
Mais cuidado no bailado Que andamos tão baralhados (Certo!)
Nunca vi bichos medonhos tão soltos e atrevidos Que nos fomos logo a pique c'o bafo dos seus grunhidos E todo nu sobre um penedo de mãos postas a rezar 'Té me tremiam as carnes por os não ter no lugar 'Inda por cima a chover vejam lá o meu azar
Ó é tão lindo, ó é tão lindo Ó é tão lindo, ó é tão lindo
Ó ai meu bem como baila o bailador Ó meu amor a caravela também Ó bonitinha ai que é das penas, que é das mágoas Sendo nós como a sardinha A voar por cima das águas
Eh valente rapazinho A cantar ao desafio (Certo!)
Matei mouros malabares quem foi à guerra fui eu Afundei grandes armadas nunca ninguém me venceu Mas ao ver o cu de um mouro foi tal susto grande e forte Qu'inté a bexiga mijei e de todo estive à morte Siga a roda sem parar que a gente vai a voar!
Ó é tão lindo, ó é tão lindo Ó é tão lindo, ó é tão lindo Ó é tão lindo, ó é tão lindo Ó é tão lindo, ó é tão lindo (Fausto)
Deixa que a saudade se faça rio Uma canção de amor ou de embalar Um colo de ternura e de ninar Como se fosse um eterno desafio Porque de amor também se chora!
Deixa que o meu ventre se faça rio Um punho erguido em luta pela rua Um arado uma foice ou mesmo uma charrua Como se fosse um eterno desafio Porque de amor também se chora!
Deixa que o meu colo se faça rio Um corpo ardente que mergulha no mar Um carinho terno de mão a afagar Como se fosse um eterno desafio Porque de amor também se chora!
Sessão comemorativa do 50º aniversário da fuga de Peniche, que restituiu à liberdade Álvaro Cunhal e outros destacados dirigentes comunistas, pelas 15h30, no Auditório Cultural da Câmara Municipal de Peniche, em Peniche. A Sessão será precedida de uma visita guiada sobre a fuga no Forte de Peniche.
São para ti as minhas primeiras palavras deste ano. Apetece-me escrever-te, como o fiz tantas vezes noutros tempos. Preciso de falar contigo. Em silêncio. Assim, só palavras, que eu sei que sentes. Falta-me qualquer coisa e tenho tanto... São para ti os primeiros sorrisos deste ano. De surpresa, que foi boa como o são todas as surpresas. Pudessemos nós parar o tempo e a tarde noite não terminavam. A música, a conversa, e o vinho nos copos que bebíamos em pequenos tragos... É para ti o meu primeiro olhar. De hoje e de sempre, porque só tenho este. Transparente e azul, como o rio que és e como o mar que te recebe em seus braços. Sei que consegues ver um olhar azul nuns olhos castanhos. Porque o que importa é o que vês por dentro...
Vous n'avez réclamé la gloire ni les larmes Ni l'orgue, ni la prière aux agonisants Onze ans déjà, que cela passe vite onze ans Vous vous étiez servi simplement de vos armes La mort n'éblouit pas les yeux des partisans.
Vous aviez vos portraits sur les murs de nos villes Noirs de barbe et de nuit, hirsutes, menaçants L'affiche qui semblait une tache de sang Parce qu'à prononcer vos noms sont difficiles Y cherchait un effet de peur sur les passants.
Nul ne semblait vous voir Français de préférence Les gens allaient sans yeux pour vous le jour durant Mais à l'heure du couvre-feu des doigts errants Avaient écrit sous vos photos " Morts pour la France" Et les mornes matins en étaient différents.
Tout avait la couleur uniforme du givre À la fin février pour vos derniers moments Et c'est alors que l'un de vous dit calmement: "Bonheur à tous, bonheur à ceux qui vont survivre Je meurs sans haine en moi pour le peuple allemand."
"Adieu la peine et le plaisir. Adieu les roses Adieu la vie. Adieu la lumière et le vent Marie-toi, sois heureuse et pense à moi souvent Toi qui vas demeurer dans la beauté des choses Quand tout sera fini plus tard en Erevan."
"Un grand soleil d'hiver éclaire la colline Que la nature est belle et que le coeur me fend La justice viendra sur nos pas triomphants Ma Mélinée, ô mon amour, mon orpheline Et je te dis de vivre et d'avoir un enfant."
Ils étaient vingt et trois quand les fusils fleurirent Vingt et trois qui donnaient le coeur avant le temps Vingt et trois étrangers et nos frères pourtant Vingt et trois amoureux de vivre à en mourir Vingt et trois qui criaient "la France!" en s'abattant.
(Aragon)
Bom fim-de-semana para todos, e um excelente 2010!
Não gosto dos dias assim. Húmidos e ácidos. Recolho-me em concha e espero que venhas. Sem pressas, já que o tempo é tanto. Acendo a lareira e abro um vinho antigo. Como o amor que nos damos. Deixo-o respirar e sirvo-o em duas túlipas. Ao longe o mar. Retomo a leitura do livro na página em que falas da vida. Talvez eu deva falar da morte. Da que sinto nos rostos de quem dorme na rua. Não sei quanto tempo já passou desde que te espero. O vinho nos copos, a lareira crepita. Ao longe o mar, que me chama. Sabes que não gosto dos dias assim. Ácidos e húmidos. Dispo-me de mim porque tu não vens. Abro a porta e saio. Vagueio sem tempo e sem norte. O mar chama-me e eu mergulho. E fico, no abraço imenso que me deste. Porque hoje, meu amor, o mar és tu...
Tu que dormes a noite na calçada de relento Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento És meu irmão amigo És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume E sofres o Natal da solidão sem um queixume És meu irmão amigo És meu irmão
Natal é em Dezembro Mas em Maio pode ser Natal é em Setembro É quando um homem quiser Natal é quando nasce uma vida a amanhecer Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar Tu que inventas bonecas e comboios de luar E mentes ao teu filho por não os poderes comprar És meu irmão amigo És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei És meu irmão amigo És meu irmão
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto num sótão num porão numa cave inundada Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto dentro de um foguetão reduzido a sucata Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto numa casa de Hanói ontem bombardeada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto num presépio de lama e de sangue e de cisco Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto para ter amanhã a suspeita que existe Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto Tem no ano dois mil a idade de Cristo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto Vê-lo-emos depois de chicote no templo Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto e anda já um terror no látego do vento Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto para nos vir pedir contas do nosso tempo
Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido… Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a cave, a gruta, o sulco de uma nave… Entremos, despojados, mas entremos. De mãos dadas talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, Talvez universal a consoada.
Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa, em sua enorme limousine, quando viu dois homens à beira da estrada comendo relva. Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:
- Por que vocês estão comendo relva? - Não temos dinheiro para comida.. - disse o pobre homem - Por isso temos que comer relva. - Bem, então venham à minha casa e eu lhes darei de comer - disse o banqueiro. - Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore. - Que venham também - disse novamente o banqueiro. E, voltando-se para o outro homem, disse-lhe: - Você também pode vir.
O homem, com uma voz muito sumida disse: - Mas, senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo! - Pois que venham também. - respondeu o banqueiro.
E entraram todos no enorme e luxuoso carro. Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse: - O senhor é muito bom. Obrigado por nos levar a todos! O banqueiro respondeu: - Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Vocês vão ficar encantados com a minha casa... A relva está com mais de 20 centímetros de altura!
Moral da história: Quando você achar que um banqueiro (ou banco) o está a ajudar, não se iluda, pense mais um pouco... (enviado por mail, mas para reflectir...)
Navegar navegar Mas ó minha cana verde Mergulhar no teu corpo Entre quatro paredes Dar-te um beijo e ficar Ir ao fundo e voltar Ó minha cana verde Navegar navegar
Quem conquista sempre rouba Quem cobiça nunca dá Quem oprime tiraniza Naufraga mil vezes Bonita eu sei lá
Já vou de grilhões nos pés Já vou de algemas nas mãos De colares ao pescoço Perdido e achado Vendido em leilão Eu já fui a mercadoria Lá na praça do Mocá Quase às avé-marias Nos abismos do mar
navegar navegar...
Já é tempo de partir Adeus morenas de Goa Já é tempo de voltar Tenho saudades tuas Meu amor De Lisboa Antes que chegue a noite Que vem do cabo do mundo Tirar vidas à sorte Do fraco e do forte Do cimo e do fundo Trago um jeito bailarino Que apesar de tudo baila No meu olhar peregrino Nos abismos do mar (Fausto)
Recolho as tuas lágrimas nas minhas mãos. Será esta a dor mais forte? O que é o medo, Mãe? Que dor é esta que não me sai do peito? Como é o fim? As lágrimas transformam-se em pérolas que enfio em ouro tecido por todos os amores. O teu sorriso de menino fez-se homem. O teu olhar ficou baço. Apenas por momentos. Que dor é esta... As palavras não me saem e apenas chovo. Contigo...
Quem sabe onde fica o arquipélago das Berlengas? A Beatriz sabe! Quem sabe o nome das ilhas e ilhéus que compõem o arquipélago das Berlengas? A Beatriz sabe! Quem sabe qual é a fauna e a flora da Berlenga? As espécies endémicas são do conhecimento da Beatriz, ela sabe tudo sobre a ilha. Bom, tudo, tudo, não... Das estórias dos antigos ela não sabe. Mas ficou a saber algumas. Ela e os colegas de turma dela. E ficaram a saber que na ilha houve um mosteiro - o que é um mosteiro? - um local onde viviam os monges - o que são monges? - assim parecido com frades - e o que são frades? - mais ou menos como os padres - mas como sabes se não vais à igreja? :))) e que os monges moíam os cereais para fazerem o pão num moinho e quando morriam eram enterrados na própria ilha. E ficaram a saber quem foi o Cabo Avelar Pessoa e da sua luta titânica contra os espanhóis que nos atacavam na fortaleza... Sei que da próxima vez que forem à ilha irão ao local onde se diz estar enterrada a mó do moinho. Também sei que não a vão encontrar. Mas para crianças de 8 ou 10 anos a 'aventura' é o que importa...
Agradeço ao Professor e à Beatriz o convite que me foi feito para assistir à apresentação do trabalho, numa tarde muito especial. Ficámos todos a saber mais um pouco...
Com mãos se faz a paz se faz a guerra. Com mãos tudo se faz e se desfaz. Com mãos se faz o poema - e são de terra. Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra. Não são de pedras estas casas, mas de mãos. E estão no fruto e na palavra as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas as mãos que vês nas coisas transformadas. Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade. Ninguém pode vencer estas espadas: nas tuas mãos começa a liberdade.
Rompo esta saudade a cantar No vai e vem de todas as marés Na pele no olhar no verbo amar E na espuma das ondas a beijar-te os pés
Sei do cheiro que me trespassa E da cor da rocha feita leito Em cada gaivota que aqui passa Vai um pouco de nós, de qualquer jeito
Aqui respiro aqui amo e fico enfim Nas memórias da minha inquietação E a presença do amor pele de cetim Guardo fechada, para sempre, no coração. (vou ali. depois volto. logo)
Foi bonito, muito bonito o encontro do Zé Carlos com os milhares de amigos que, esta noite, encheram o Coliseu.
Foi uma Festa: ouvimos o Poeta a dizer «As Portas que Abril Abriu», cantámos com ele e com o Carlos do Carmo - coisas de «Um Homem na Cidade» e de «Um Homem no País», mais a «Estrela da Tarde» e a «Lisboa, Menina e Moça», mais a «Sonata de Outono»... - e emocionámo-nos, com a lagriminha ao canto do olho ou a correr pelas faces... Foi uma Festade amigos em convívio e confraternização com o Amigo.
Lá lhe ofereci o Cravo de Abril. Ele gostou. E manda dizer que «isto vai, meus amigos, isto vai».
Agarro a madrugada como se fosse uma criança uma roseira entrelaçada uma videira de esperança tal qual o corpo da cidade que manhã cedo ensaia a dança de quem por força da vontade de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua que no meu Tejo acende o cio vou por Lisboa maré nua que se deságua no Rossio.
Eu sou um homem na cidade que manhã cedo acorda e canta e por amar a liberdade com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada da lua cheia de Lisboa até que a lua apaixonada cresça na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota todo o mau tempo no mar alto eu sou o homem que transporta a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada colho a manhã como uma flor à beira mágoa desfolhada um malmequer azul na cor.
O malmequer da liberdade que bem me quer como ninguém o malmequer desta cidade que me quer bem que me quer bem!
Nas minhas mãos a madrugada abriu a flor de Abril também a flor sem medo perfumada com o aroma que o mar tem flor de Lisboa bem amada que mal me quis que me quer bem!
Nem um poema nem um verso nem um canto tudo raso de ausência tudo liso de espanto e nem Camões Virgílio Shelley Dante o meu amigo está longe e a distância é bastante.
Nem um som nem um grito nem um ai tudo calado todos sem mãe nem pai Ah não Camões Virgílio Shelley Dante! o meu amigo está longe e a tristeza é bastante.
Nada a não ser este silêncio tenso que faz do amor sozinho o amor imenso. Calai Camões Virgílio Shelley Dante: o meu amigo está longe e a saudade é bastante!
Rêver un impossible rêve Porter le chagrin des départs Brûler d'une possible fièvre Partir où personne ne part
Aimer jusqu'à la déchirure Aimer, même trop, même mal, Tenter, sans force et sans armure, D'atteindre l'inaccessible étoile
Telle est ma quête, Suivre l'étoile Peu m'importent mes chances Peu m'importe le temps Ou ma désespérance Et puis lutter toujours Sans questions ni repos Se damner Pour l'or d'un mot d'amour Je ne sais si je serai ce héros Mais mon cœur serait tranquille Et les villes s'éclabousseraient de bleu Parce qu'un malheureux
Brûle encore, bien qu'ayant tout brûlé Brûle encore, même trop, même mal Pour atteindre à s'en écarteler Pour atteindre l'inaccessible étoile
Por este rio acima Deixando para trás A côncava funda Da casa do fumo Cheguei perto do sonho Flutuando nas águas Dos rios dos céus Escorre o gengibre e o mel Sedas porcelanas Pimenta e canela Recebendo ofertas De músicas suaves Em nossas orelhas leve como o ar A terra a navegar Meu bem como eu vou Por este rio acima
Por este rio acima Os barcos vão pintados De muitas pinturas Descrevem varandas E os cabelos de Inês Desenham memórias Ao longo da água Bosques enfeitiçados Soutos laranjeiras Campinas de trigo Amores repartidos Afagam as dores Quando são sentidos Monstros adormecidos Na esfera do fogo Como nasce a paz Por este rio acima
Meu sonho Quanto eu te quero Eu nem sei Eu nem sei Fica um bocadinho mais Que eu também Que eu também meu bem
Por este rio acima isto que é de uns Também é de outros Não é mais nem menos Nascidos foram todos Do suor da fêmea Do calor do macho Aquilo que uns tratam Não hão-de tratar Outros de outra coisa Pois o que vende o fresco Não vende o salgado Nem também o seco Na terra em harmonia Perfeita e suave das margens do rio Por este rio acima
Meu sonho Quanto eu te quero Eu nem sei Eu nem sei Fica um bocadinho mais Que eu também Que eu também meu bem
Por este rio acima Deixando para trás A côncava funda Da casa do fumo Cheguei perto do sonho Flutuando nas águas Dos rios dos céus Escorre o gengibre e o mel Sedas porcelanas Pimenta e canela Recebendo ofertas De músicas suaves Em nossas orelhas leve como o ar A terra a navegar Meu bem como eu vou Por este rio acima
Faltam-me as palavras para te dizer o que sinto. Mas basta que me olhes e podes ler-me por dentro. Falta-me o teu corpo para que as minhas mãos te atravessem. Mas faço-me ponte e estarei em breve a teu lado. Falta-me a tua voz para me acordar cedinho ou para o beijo de boa noite. Mas invento-me a cada instante e estás sempre dentro de mim. Dos rios que navegámos faço margens cheias de árvores e flores e montes cheios de pedras e urze. E desenho-te. Das estradas que percorremos fiz um caminho único, onde passo a passo chegarei ao fim. E sorris-me. Dos mares em que mergulhámos deixo que a natureza os transforme em mantos de mansidão ou de revolta. E amo-te. Faltam-me as palavras. Faltam-me as mãos. Faltas-me tu. Falta-me tanto...
Este seu olhar quando encontra o meu Fala de umas coisas Que eu não posso acreditar Doce é sonhar e pensar que você Gosta de mim como eu de você Mas a ilusão quando se desfaz dói no coração de quem sonhou, sonhou demais ah! se eu pudesse entender O que dizem os teus olhos
Inventas palavras e cores e gestos como eu gosto, e pinto na areia búzios de sons e maresia com que brincas em cada onda de espuma que se espraia na maré sempre nossa, de ir e vir. Do teu olhar de sonhos e ternuras retiro o mosto, que depois de fermentado e apurado te darei a beber num fim de tarde na foz do rio prateado que desagua neste imenso mar dourado.
Todos nós precisamos de momentos sozinhos. Dou-te um tempo para estares com o teu abraço, depois volto. Porque volto sempre, sem brisa nem névoa. Volto talvez com o vento. Ou em cada maré. Na onda que rebenta. No ar que respiras. Na ausência que te possui. No rio que corre de ti. E estou, sempre. Firme rocha, cavalo em galope na lezíria imensa do teu olhar...
Escreve-me um poema. Um poema que fale de flores e de mar, de crianças e jardins, de rochas e de espuma, de canções e de rios. Solta as palavras que a tua voz não diz. Escreve-as, na forma de um poema. Fala das aves e das montanhas, do silêncio e do azul do céu, das árvores e do grito, da água e da fonte. Mas solta as palavras que a tua voz não diz. Escreve-me um poema. Fala-me do cheiro a terra molhada, do barulho da onda a rebentar, do choro de uma criança a nascer, da ternura do abraço, do olhar quente e doce, do beijo com sabor a mel e sal... Solta as palavras que teimas calar e escreve-me um poema...
Diz um puto francês para um português: - Eu como chocolate e tu comes broa! Triste, o puto português contou à mãe o sucedido, que lhe disse para responder o seguinte: "- E eu tenho o PS no governo e tu não tens..."
No outro dia o puto francês volta a chatear o português: - Eu como chocolate e tu comes broa! E então o português respondeu: - E eu tenho o PS no governo e tu não tens...
O puto francês, sem resposta, foi para casa e contou também à sua mãe o que o puto português lhe tinha respondido, e a mãe disse-lhe: - Olha filho, diz-lhe que não tens, mas que também vais ter!!!
No dia seguinte o puto francês chega, triunfante, e insiste com o português: - Eu como chocolate e tu comes broa! E responde-lhe outra vez o puto português: - E eu tenho o PS no governo e tu não tens... Diz então o puto francês: - Não tenho, mas também vou ter... E responde o português: - Então também vais passar a comer broa que te vais lixar...
Recebida por mail... (de volta já daqui a pouco. boa semana a todos)