Wednesday, March 04, 2009

NA VARANDA DE FLORBELA

Aqui cantaste nua.
Aqui bebeste a planície, a lua,
e ao vento deste os olhos a beber.
Aqui abandonaste as mãos
a tudo o que não chega a acontecer.

Aqui vieram bailar as estações
e com elas tu bailaste.
Aqui mordeste os seios por abrir,
fechaste o corpo à sede das searas
e no lume de ti própria te queimaste.


Eugénio de Andrade

(retirado do Cravo de Abril)

32 comments:

Amaral said...

Na varanda de Eugénio de Andrade é sempre bom reler...
A brisa nas searas, o quente das estações, as mãos calosas que trabalham, para que não falte o pão...

Maria P. said...

Ainda bem que aqui o partilhas.

Beijinho, minha Maria*


(Só às 20.00 h!!!! Ohhh...) he he he :)

samuel said...

Continua tão fantástico como estava, lá, onde ambos o lemos há dias... :-)

Abreijos

salvoconduto said...

Só o título já seria um poema...

Abreijos.

Eduardo Aleixo said...

Lindo.
Bj.
EA

simplesmenteeu said...

"abandonaste as mãos
a tudo o que não chega a acontecer"...
e fico a pensar... o tanto que é assim...
o sonho que se entrega... as mãos que acordam vazias...
e nem saber... se alguém se riu... desse abandono ou lume breve...

(quanto às tuas asas... mesmo que tentem... nascem de novo e sempre fortificadas...)
Abraço

Ana said...

Aqui me cultivo um pouco mais,
lendo poemas que desconhecia...

Obrigada.

Beijinho

Carminda Pinho said...

Imaginei, o Eugénio a recitar este seu bonito poema.

Beijinhos

Menina do Rio said...

Aqui deixo minha emoção...

Lindissimo!

beijinhos deste lado da Ilha, Maria

A CONCORRÊNCIA said...

Aqui eu leio todos os dias palavras que me deixam extasiada.

Beijo grande

A.S. said...

Querida Maria...

Nada melhor que ler Eugénio logo pela manhã. Obrigado!

Eugénio de Andrade continuará SEMPRE entre nós através da sua poesia!...


Um beijo...

utopia das palavras said...

E é no meu lume... que me queimo!

Obrigada pelo Eugénio de Andrade, nesta manhã cinzenta!

Beijinho

pin gente said...

belíssimo, maria.
beijo

Leticia Gabian said...

lindo, lindo, lindo, amiga-irmã!!!

Beijo imenso

Fernando Samuel said...

Belo! Belíssimo!


Um beijo grande.

~*Rebeca e Jota Cê *~ said...

Adorei!

simplesmenteeu said...

Olá bom dia!
Quando te for possivel, vai ao sentido...
Eu sei dos imensos mimos que tens...
Um bom dia para ti.
Abraço

Teresa Durães said...

gosto bastante de Eugénio de Andrade

MPereira said...
This comment has been removed by the author.
Filoxera said...

Estou cá, ainda que em breves aparições.
Beijos.

Anonymous said...

Eugénio de Andrade parecia saber muito mais do que escreve no poema. Havia uma loucura na inquietação de Florbela... em que bailou, se abandonou, se mordeu e se queimou. Num abrir e fechar constante, permanente... de janelas da vida que, como daria para prever a devorou... já inanimada!
Contemporânea meus amigos, há memórias.
Bem-hajam!

isabel mendes ferreira said...

oh Ilha Maria....


que amanheces sempre clara e lúcida cheia de searas....que vais semeando....

e eu...

só posso agradecer.TEEEEEEEEEEEEEE.

fj said...

gosto dos seus poemas (dele) ...mas gosto muito de te ler ...coisas TUAS!
Um beijo meu para ti, Maria!





Ps: acredita mesmo que a minha 1ª leitura do titulo foi:
"na varanda de FLORIBELA"
:)))))))
SORRiiiiiiiiiiiiii!

ลndreia said...

Que lindo! Desconhecia. *

Arabica said...

E Florbela ainda dança em searas


de olhos de vento.


Corpo aberto ao céu...

mfc said...

Assim é importante viver!

Ana Oliveira said...

Florbela...
...
"Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!"

E Eugenio de Andrade a sabê-la de olhos no infinito e mão estendida à frescura da chuva para acalmar a sede e a febre.

O Sibarita said...

Beleza de poema, essa Maria sabe muito bem das coisa!

Ai Deus! kkkk

bjs
O Sibarita

Maria said...

Obrigada por terem passado aqui.

Beijos a todos.

LGB said...

Belíssimo este poema do Eugénio de Andrade

Beijinho

bettips said...

A sensual (castidade) pureza destes dois poetas, comove-me.
Bj

Parapeito said...

...na varanda...no muro...no telhado...é sempre bom ler Eugénio :))
..." e no lume de ti própria te queimaste"...grande verdade.

abraço*