Thursday, July 16, 2009

Como é possível?


Mais de 35 anos depois de ABRIL ainda ouvimos e lemos disto.
E esta é tão forte que tem de ficar aqui registada.
Não há palavras usáveis para escrever o que sinto.
Como é possível?

Memória de Nicolás Guillén

Digo que yo no soy un hombre puro

Yo no voy a decirte que soy un hombre puro.
Entre otras cosas
falta saber si es que lo puro existe.
O si es, pongamos, necesario.
O posible.
O si sabe bien.
¿Acaso has tú probado el agua químicamente pura,
el agua de laboratorio,
sin un grano de tierra o de estiércol,
sin el pequeño excremento de un pájaro,
el agua hecha no más de oxígeno e hidrógeno?
¡Puah!, qué porquería.

Yo no te digo pues que soy un hombre puro,
yo no te digo eso, sino todo lo contrario.
Que amo (a las mujeres, naturalmente,
pues mi amor puede decir su nombre),
y me gusta comer carne de puerco con papas,
y garbanzos y chorizos, y
huevos, pollos, carneros, pavos,
pescados y mariscos,
y bebo ron y cerveza y aguardiente y vino,
y fornico (incluso con el estómago lleno).
Soy impuro ¿qué quieres que te diga?
Completamente impuro.
Sin embargo,
creo que hay muchas cosas puras en el mundo
que no son más que pura mierda.
Por ejemplo, la pureza del virgo nonagenario.
La pureza de los novios que se masturban
en vez de acostarse juntos en una posada.
La pureza de los colegios de internado, donde
abre sus flores de semen provisional
la fauna pederasta.
La pureza de los clérigos.
La pureza de los académicos.
La pureza de los gramáticos.
La pureza de los que aseguran
que hay que ser puros, puros, puros.
La pureza de los que nunca tuvieron blenorragia.
La pureza de la mujer que nunca lamió un glande.
La pureza del que nunca succionó un clítoris.
La pureza de la que nunca parió.
La pureza del que no engendró nunca.
La pureza del que se da golpes en el pecho, y
dice santo, santo, santo,
cuando es un diablo, diablo, diablo.
En fin, la pureza
de quien no llegó a ser lo suficientemente impuro
para saber qué cosa es la pureza.

Punto, fecha y firma.
Así lo dejo escrito.

Nicolás Guillén
(10 de Julho de 1902 - 16 de Julho de 1989)

Wednesday, July 15, 2009

***


Meu olhar navega por aí, em silêncio, sem distância...
... de mão dada com o teu...

Tuesday, July 14, 2009

Tanta água para mergulhar


Dás-me tanto todos os dias
Sempre que leio as tuas palavras
Que chegando de mãos vazias
As levo cheias de abraços

Trago-te bem dentro de mim
Do lado esquerdo, no coração
Que é o lugar mais bonito
Para guardar um filho, um irmão

Rebento-me por dentro, no peito
Do sufoco, do pranto, do grito
Abro a janela e soltas-te em rio
De dentro de mim, até ao infinito.

... e tanta água para mergulhar...

Monday, July 13, 2009

Remeto-me ao silêncio

Remeto-me ao silêncio. Nenhuma palavra se diz em vão. Não gosto da palavra ironia, não gosto da palavra ódio. Não sei o que é. O mais que consigo sentir é indiferença, talvez desprezo quando me magoam forte e sem razão.
Remeto-me ao silêncio. Assumo erros, os que faço. Nunca os que não faço. Assumo tudo o que digo, nunca o que pensam que digo. Sou assim. E não quero ser de outra maneira. Não tenho raiva de ninguém.
Remeto-me ao silêncio. Tenho pena, às vezes. E ter pena de alguém é o pior sentimento que se pode ter. Porque é um sentir que não se pode fazer mais nada, uma sensação de impotência frustrante. Da condição humana.
Por isso me remeto ao silêncio. Mais uma vez. As que forem precisas. Porque eu não falo! Também não sei o que é a ira. Por isso não entendo as palavras que te jorram pelos dedos. Nem as que vomitas para o papel.
Remeto-me ao silêncio. Quando o sangue ferve é aconselhável lavar as mãos com água fria. Para acalmar. Porque cabeça quente não pensa bem. E quando se fala sem pensar fala-se errado. E com ódio. Que é uma palavra de que não gosto, nem sei sentir.
Hoje, remeto-me ao silêncio!

Saturday, July 11, 2009

Música para o fim de semana



Sei de um rio
sei de um rio
em que as únicas estrelas
nele sempre debruçadas
são as luzes da cidade

Sei de um rio
sei de um rio
rio onde a própria mentira
tem o sabor da verdade
sei de um rio

Meu amor dá-me os teus lábios
dá-me os lábios desse rio
que nasceu na minha sede
mas o sonho continua

E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio
E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio

Sei de um rio
até quando

(para quem gosta do Camané. e de rios...)

Friday, July 10, 2009

No dia de hoje

foto da net

No dia de hoje não falo de inquietação
Falo-te de um rio, fonte de vida
Tão pouco falarei da rouca solidão
Prefiro dizer-te a palavra sentida
que se solta das mãos, talvez sofrida
Sei-te homem vagabundo poeta menino
Solidário amigo pássaro e jardim
Sonho vertigem estrada e peregrino
Casa de todos aromas e cores, enfim
saberás um dia assim de mim?
Rasgo o meu peito em palavras de amor
Marés de ir e vir do teu cansaço
Na fogueira de lágrimas calamos a dor
No silêncio aflito o cheiro a sargaço
e no sangue do grito somos o abraço.

Thursday, July 09, 2009

Memória de Vinicius

Operário em construção

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construcão.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Nao sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Excercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia "sim"
Começou a dizer "não"
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
- "Convençam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.

Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que veres
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.


Vinicius de Moraes
(19 de Outubro de 1913 - 9 de Julho de 1980)

Wednesday, July 08, 2009

"O silêncio dos gritos"


Sexta-feira, dia 10. As palavras do Pedro Branco. Quenosunem.
As palavras em forma de cantigas, para além da poesia.
Sei que vai ser uma noite de muita ternura e muita emoção. Porque o Pedro é assim...
Até já, Pedro!

Tuesday, July 07, 2009

Palavras


Olho as tuas palavras e vejo-te em cada uma.
E sinto-as todas.
Leio-te devagarinho desatando cada nó que se faz.
E engulo-os todos.
Visto a inquietação o sufoco o cansaço a solidão.
E abro o meu peito.
Deixo-me sossegar no abraço que nos demos.
E no rio de que és feito.

Monday, July 06, 2009

Não sei quem és


Não te oiço nem te vejo.
Já nem reconheço o tom da tua voz.
Não sei quem és. As tuas palavras chegam-me falsas, sem o prazer ou o amor de outrora. Chegam apenas com dor.
Não te dás conta do fim nem entendes.
Já não te sinto, já não sei quem és, não te reconheço.
Pergunto-me se alguma vez exististe, ou se apenas sonhei. Porque mataste o sonho.
Perdi o olhar, perdi a voz.
Não falo! E ceguei...

Saturday, July 04, 2009

Música para o fim de semana


Somos todos iguais nesta noite
Na frieza de um riso pintado
Na certeza de um sonho acabado
É o circo de novo...

Nós vivemos debaixo do pano
Entre espadas e rodas de fogo
Entre luzes e a dança das cores
Onde estão os atores..

Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Vamos dançar mais uma vez...

Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Vamos entrar mais uma vez...

Somos todos iguais nesta noite
Pelo ensaio diário de um drama
Pelo medo da chuva e da lama
É o circo de novo...

Nós vivemos debaixo do pano
Pelo truque malfeito dos magos
Pelo chicote dos domadores
E o rufar dos tambores...

Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Prá tocar um dobrado...
Vamos dançar mais uma vez...

Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Prá tocar um dobrado...
Vamos entrar mais uma vez...

Thursday, July 02, 2009

Memória de Sophia

Mar

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Para ti


Não tenho palavras para ti, hoje
apenas as minhas mãos
que te afagam o olhar trémulo
Não tenho palavras para ti, hoje
apenas os meus lábios
que se oferecem húmidos de desejo
Não tenho palavras para ti, hoje
apenas os meus braços esperam os teus
para o abraço que queremos dar-nos,
e tantos nos demos, em pensamento
Mas tenho para ti, hoje
no meu olhar uma flor
a desabrochar no teu jardim
Uma mulher que ama e te deseja
ansiosamente
Enfim vens
e uma onda de ternura cobre-me o corpo
que tu vais destapando
e suavemente descobrindo
num lento movimento de vai e vem
para cumprir o amor, por fim...

Wednesday, July 01, 2009

Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes

Tuesday, June 30, 2009

Para descontrair.....

Recente descoberta: o chocolate faz encolher os pés!






























Viste? Eu não disse?
O chocolate faz encolher os pés...


(recebida por mail)

Monday, June 29, 2009

Acetinada


Rompo esta saudade a cantar
No vai e vem de todas as marés
Na pele no olhar no verbo amar
E na espuma das ondas a beijar-te os pés

Sei do cheiro que me trespassa
E da cor da rocha feita leito
Em cada gaivota que aqui passa
Vai um pouco de nós, de qualquer jeito

Aqui respiro aqui amo e fico enfim
Nas memórias da minha inquietação
E a presença do amor pele de cetim
Guardo fechada, para sempre, no coração.

Sunday, June 28, 2009

Lembram-se do Gui?


Já falei sobre o Gui aqui.

No dia 1 de Julho encontramo-nos, novamente pelo Gui, desta vez no Restaurante "O Bispo", no Seixal. Às 20.00 horas.

PARA QUE O GUI POSSA ANDAR!

"Eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
e sempre que o Homem sonha
o Mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança!"

(António Gedeão)

Saturday, June 27, 2009

Música para o fim de semana



Yo pisaré las calles nuevamente

Yo pisaré las calles nuevamente
de lo que fue Santiago ensangrentada,
y en una hermosa plaza liberada
me detendré a llorar por los ausentes.

Yo vendré del desierto calcinante
y saldré de los bosques y los lagos,
y evocaré en un cerro de Santiago
a mis hermanos que murieron antes.

Yo unido al que hizo mucho y poco
al que quiere la patria liberada
dispararé las primeras balas
más temprano que tarde, sin reposo.

Retornarán los libros, las canciones
que quemaron las manos asesinas.
Renacerá mi pueblo de su ruina
y pagarán su culpa los traidores.

Un niño jugará en una alameda
y cantará con sus amigos nuevos,
y ese canto será el canto del suelo
a una vida segada en La Moneda.

Yo pisaré las calles nuevamente
de lo que fue Santiago ensangrentada,
y en una hermosa plaza liberada
me detendré a llorar por los ausentes

Friday, June 26, 2009

Porque me apetece Mário Cesariny

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

(Mário Cesariny)

Thursday, June 25, 2009

É bonito, apetece-me, e o jantar é hoje!


Cheiro eterno de alecrim (Apanhei-te cavaquinho) - Sotaques

Doce memória do meu tempo de criança
Trago viva essa lembrança
De pureza e de bonança
Passarinho de esperança
Lindo laço, firme trança
A beleza e a pureza que a divina vida me concedeu

Vida tão solta, voo livre giro salto
Rodopio, pé descalço, tendo o céu no meu abraço
No quintal a cada passo
Nunca soube o que é cansaço
Fruta boa em meu regaço
Cheiro eterno de Alecrim

Pé de muleque, quebra queixo, artreiro
Meu coqueiro, formigueiro
Castanha assada, branquinha cocada,
Bananada bem queimada
Caldo de cana, chuva no telhado, pirulito, mel, melaço
Araçá, pitomba doce, goiabada, carambola, fruta-pão

O fino laço dessa nossa história
Não vai se desfazer
Há tanta essência, cada gesto
Criando versos do saber
Flores e cores, vento breve, luzes
Brisa ao entardecer
Dança de folhas, pirilampos
Sons da memória do meu ser

Letra: Silvia Nazário Música: Ernesto Nazareth
Interpretação: Silvia Nazário, Rogério Charraz e Cláudio Kumar


(retirado daqui)

Wednesday, June 24, 2009

Fim do ano lectivo



Uma Amiga mandou-me este video por mail. Imediatamente me lembrei da canção de Patxi Andión "El Maestro", do filme "Clube dos Poetas Mortos" (oh captain, my captain) e de um outro filme antigo, cujo nome não recordo, mas em que o Professor era o Sidney Poitier. A canção cantada pela Judy Geeson era "To Sir, with love".

No final do ano lectivo, em que todas as lutas valeram a pena, este post é dedicado a todos os professores e educadores que lêem este blog.

Obrigada, Berta.

Tuesday, June 23, 2009

Ser Solidário é Ser Fonte de Gente



Já cantámos as voltas de cada abraço
A certeza do beijo e da mão dada
Carregando o fruto que é esta jornada
Sabemos da força que trazemos no passo

De janela aberta, tua casa feita em nós
O doce aroma da poesia
A ternura de cada dia
O romper inquieto da alegria
Onde dança a simplicidade da tua voz

É tempo do sonho, uma nova corrente
Caminhar contigo é ser feliz
De dentro de tudo o que se faz e diz

Ser solidário é ser fonte de gente

(Pedro Branco)

Eu sei que é um post repetido. É apenas para lembrar que HOJE é o último dia para inscrições para o jantar. Para quem ainda não se inscreveu, as marcações poderão ser feitas directamente para a Taverna dos Trovadores, telefone 21 923 35 48.

Monday, June 22, 2009

Serenamente

Como hei-de amar serenamente
se o amor nasce em mim como um vulcão
como posso aquietar-me lentamente
se tu és a minha inquietação

como pode o amor correr no sangue
e as minhas veias transformar em rio
será que o amor exausto, exangue
tem força ainda para mais um desafio

dá-me a tua mão amor e vem daí
ajuda-me a transpor mais este muro
sabes que em luta sempre estarei aqui
e contigo quero ficar no futuro...

Sunday, June 21, 2009

Não se aguenta...


... e mergulhar aqui é só o que me apetece...

Friday, June 19, 2009

Música para o fim de semana



Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

Solidão


Reconheci-te no meio da multidão. De peito rasgado e sangrando. De dor.
A solidão tinha tomado conta de ti e a escarpa ali em frente.
O precipício. A vertigem. No meio do mar de gente.
Abracei-te no meio da travessia. De peito aberto, a cantar. De alegria.
A solidão ao lado, doce amante e bela, vestida de branco.
A força. A luta. No meio do mar de gente.

Thursday, June 18, 2009

O teu silêncio


Estou cansada do teu silêncio. Quero agarrar o tempo e ele escapa-se entre os dedos, como areia. Invento-me para te encontrar e não sei onde te procure. Estou cansada. De mim, de ti. Do teu silêncio. Vou à nascente do rio e só vejo um rasto, nem sei se teu. Desço pelas margens dos sonhos subo aos montes e volto às margens. Só te sei do cheiro. Que permanece, que me persegue, que me envolve. Ao meu redor o teu silêncio. Tranquilo. Continuo o meu caminho e sei que hei-de chegar, um dia. Não sei quando, mas sei que um dia. Afinal sempre esperámos o tempo que foi preciso. Mas hoje estou cansada do teu silêncio...

Tuesday, June 16, 2009

Ilha


9.00 da manhã de 11 de Junho de 2009

Deitada és uma ilha E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias


David Mourão-Ferreira
(24 Fevereiro 1927 - 16 Junho 1996)

Monday, June 15, 2009

Ser Solidário é Ser Fonte de Gente


cantámos as voltas de cada abraço

A certeza do beijo e da mão dada

Carregando o fruto que é esta jornada

Sabemos da força que trazemos no passo


De janela aberta, tua casa feita em nós

O doce aroma da poesia

A ternura de cada dia

O romper inquieto da alegria

Onde dança a simplicidade da tua voz


É tempo do sonho, uma nova corrente

Caminhar contigo é ser feliz

De dentro de tudo o que se faz e diz

Ser solidário é ser fonte de gente

(Pedro Branco)

Está tudo dito no poema acima. O cartaz tem todas as informações necessárias sobre este jantar. Nós, que ouvimos o Rogério quase todas as semanas, vamos jantar com ele, para ele. É assim a Amizade. É assim o Amor. É assim a Solidariedade.
Vamos, e levamos Amigos connosco...

Música para o regresso, porque é tão bonita...



Lembra-me um sonho lindo

Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me o céu aberto
outro fechado

Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira no peito um grito,
à desfilada

Canta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas

Afaga-me o corpo todo
se te pertenço,
rasga-me o ventre ardendo
em fumos de incenso

Lembra-me o sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado

Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira no peito um grito,
à desfilada

Ai como eu te quero,
ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda, assim deitada

Ai como eu te amo,
ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara, tão desejada

(Fausto Bordalo Dias)

Sunday, June 07, 2009

Porque me apetece Joaquim Pessoa


(foto de Nuno P.)

De esperas construímos o amor


De esperas construímos o amor intenso e súbito
que encheu as tuas mãos de sol e a tua boca de beijos.
Em estranhos desencontros nos amamos.
Havia o rio mas sempre ficávamos na margem.
Eu tocava o teu peito e os teus olhos e, nas minhas mãos,
a tarde projectava as suas grandes sombras
enquanto as gaivotas disputavam sobre a água
talvez um peixe inquieto, algo que nunca pudemos ver.
As nossas bocas procuravam-se sempre, ávidas e macias
E por muito tempo permaneciam assim, unidas,
Machucando-se, torturando as nossas línguas quase enlouquecidas.
Depois olhávamo-nos nos olhos
No mais profundo silêncio. E, sem palavras,
Partíamos com as mãos docemente amarradas e os corações estoirando uma alegria breve
Quando a noite descia apaixonada
Como o longo beijo da nossas despedida.

(Joaquim Pessoa)
(estarei todo o dia a trabalhar. depois vou respirar para aquele mar lá em cima. e depois volto. logo. fiquem bem.)

Saturday, June 06, 2009

Música para o fim de semana



LES BOURGEOIS

Le coeur bien au chaud, les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo, et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans

Jojo se prenait pour Voltaire
Et Pierre pour Casanova
Et moi, moi qui étais le plus fier
Moi, moi je me prenais pour moi

Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

Le coeur bien au chaud, les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo, et avec l'ami Pierre
On allait brûler nos vingt ans

Voltaire dansait comme un vicaire
Et Casanova n'osait pas
Et moi, moi qui restait le plus fier
Moi j'étais presque aussi saoul que moi

Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...


Le coeur au repos, les yeux bien sur terre
Au bar de l'hôtel des "Trois Faisans"
Avec maître Jojo, et avec maître Pierre
Entre notaires on passe le temps

Jojo parle de Voltaire et Pierre de Casanova
Et moi, moi qui suis resté le plus fier
Moi, moi je parle encore de moi

Et c'est en sortant vers minuit Monsieur le Commissaire
Que tous les soirs de chez la Montalant
De jeunes "Peigne-culs" montrent nos leur derrière
En nous chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

Friday, June 05, 2009

Hoje grito!



Hoje grito contra a ignorância voluntária. Contra a ignorância de quem tem olhos e não vê. Contra a ignorância de quem deve saber o que faz e prefere ignorar o que se passa à sua volta porque o preconceito é maior.
Hoje o meu grito é também contra o preconceito.

Thursday, June 04, 2009

A importância de abrir os olhos

Era uma vez uma menina que chegou à escola e disse à professora:

- A minha gata teve quatro gatinhos e são todos do PS.

A professora achou muita graça e no dia seguinte, quando passou por lá o inspector, pediu à aluna que contasse a história da gata:

- A minha gata teve quatro gatinhos e dois são do PS.

- Então mas ontem não eram todos do PS?


- Sim, mas dois já abriram os olhos!


(recebido por mail. mesmo a propósito...)

Wednesday, June 03, 2009

Momento...


Foi naquele momento em que só o amor contou, que tu pacientemente me quiseste, momento em que eu te quis, amor tão desejado momento belo, e profundo, e bonito, o momento em que nos demos calmamente avidamente um ao outro
Foi naquele momento em que nos amámos pela primeira vez e este o amanhecer mais bonito da nossa vida
E esse foi o momento...

Tuesday, June 02, 2009

Porque me apetece um "martelo" e uma "canção"...



If I had a hammer
I'd hammer in the morning
I'd hammer in the evening
All over this land
I'd hammer out danger
I'd hammer out a warning
I'd hammer out love between
my brothers and my sisters
All over this land

If I had a bell
I'd ring it in the morning
I'd ring it in the evening
All over this land
I'd ring out danger
I'd ring out a warning
I'd ring out love between
my brothers and my sisters
All over this land

If I had a song
I'd sing it in the morning
I'd sing it in the evening
All over this land
I'd sing out danger
I'd sing out a warning
I'd sing out love between
my brothers and my sisters
All over this land

Well I've got a hammer
And I've got a bell
And I've got a song to sing
All over this land
It's the hammer of justice
It's the bell of freedom
It's the song about love between
my brothers and my sisters
All over this land

Monday, June 01, 2009

No dia de hoje, e todos os dias


Eu só queria que nunca mais nenhuma criança morresse de fome neste mundo...

Saturday, May 30, 2009

Música para o fim de semana



La Vida No Vale Nada

La vida no vale nada
si no es para perecer
porque otros puedan tener
lo que uno disfruta y ama.
La vida no vale nada
si yo me quedo sentado
después que he visto y soñado
que ne todas partes me llaman.
La vida no vale nada
cuando otros se están matando
y yo sigo aqui cantando
cual si no pasara nada.
La vida no vale nada
si escucho un grito mortal
y no es capaz de tocar
mi corazón que se apaga.
La vida no vale nada
si ignoro que el asesino
cogió por otro camino
y prepara una celada.
La vida no vale nada
si se sorprende otro hermano
cuando supe de antemano
lo que se le preparaba.
La vida no vale nada
si cuatro caen por minuto
y al final por el abuso
se decide la jornada.
La vida no vale nada
si tengo que posponer
otro minuto de ser
y morirme en una cama.
La vida no vale nada
si en fin lo que me rodea
no puedo cambiar qual fuera
lo que tengo y me ampara.
Y por eso para mi
la vida no vale nada.

Friday, May 29, 2009

Desabafo

Cansei-me de te ouvir falar de amor. Cansei-me de te ouvir dizer que amas. Não. Tu não amas, tu queres ser dono de quem dizes que amas. Não busques mais palavras porque não vale a pena. As pessoas não são propriedade de ninguém, e a maior prova de amor é exactamente a liberdade que tu não dás, nem sequer admites. Não és dono de ninguém. Tu estás doente. As constantes e insistentes palavras que escreves ou dizes já não prendem ninguém, nem convencem ninguém. O amor tem que ser igual para os dois lados, não como tu queres. Sentes-te a perder terreno, e é verdade. Deixa-me que te diga que, se não parares para pensar, vais perder o pouco que ainda resta do amor, que já foi tão grande, e que foste matando, sem saber, devagarinho...

Thursday, May 28, 2009

Porque hoje é preciso dizer

NÃO PASSAM MAIS

Em nome dos nossos braços
em nome das nossas mãos
em nome de quantos passos
deram os nossos irmãos.
Em nome das ferramentas
que nos magoaram os dedos
das torturas das tormentas
das sevícias dos degredos.
Em nome daquele nome
que herdámos dos nossos pais
em nome da sua fome
dizemos: não passam mais!

E em nome dos milénios
de prisão adicionada
em nome de tantos génios
com a voz amordaçada
em nome dos camponeses
com a terra confiscada
em nome dos Portugueses
com a carne estilhaçada
em nome daqueles nomes
escarrados nos tribunais
dizemos que há outros nomes
que não passam nunca mais!

Em nome do que nós temos
em nome do que nós fomos
revolução que fizemos
democracia que somos
em nome da unidade
linda flor da classe operária
em nome da liberdade
flor imensa e proletária
em nome desta vontade
de sermos todos iguais
vamos dizer a verdade
dizendo: não passam mais!

Em nome de quantos corpos
nossos filhos foram feitos.
Em nome de quantos mortos
vivem nos nossos direitos.
Em nome de quantos vivos
dão mais vida à nossa voz
não mais seremos cativos:
o trabalho somos nós.
Por isso tornos enxadas
canetas frezas dedais
são as nossas barricadas
que dizem: não passam mais!

E em nome das conquistas
vindas dos ventos de Abril
reforma agrária controlo
operário no meio fabril
empresas que são do estado
porque o seu dono é o povo
em nome de lado a lado
termos feito um país novo.
Em nome da nossa frente
e dos nossos ideais
diante de toda a gente
dizemos: não passam mais!

Em nome do que passámos
não deixaremos passar
o patrão que ultrapassámos
e que nos quer trespassar.
E por onde a gente passa
nós passamos a palavra:
Cada rua cada praça
é o chão que o povo lavra.
Passaremos adiante
com passo firme e seguro.
O passado é já bastante
vamos passar ao futuro.

(Ary dos Santos)
(O sangue das palavras)

Wednesday, May 27, 2009

Caminho da Vontade


É este o novo livro de Paulo Afonso Ramos.
Se puderem aparecer no lançamento, dia 30, não se vão arrepender...

Deixo aqui um poema do Paulo:

Margem


É da outra margem
que observo o sonho
em silêncio…
Escondo-me num segredo
só meu, que talvez,
talvez um dia seja também teu.
É dessa mesma margem
que imagino os passos do castelo
e as intempéries que afagam os rostos
das casas, e nem me esqueço das pessoas
que durante décadas atravessaram
este nosso Tejo.
(Onde me encontro e desencontro).
E esta margem,
agora minha, que por estes instantes,
estende o seu olhar
pelo meu corpo
pelo meu desejo
e até pela cidade que se agiganta
mesmo aqui ao lado…
Esta margem
que é um lugar de partilha,
partilha dos segredos
dos acontecimentos
esta margem
que absorve-me
encanta-me
e nunca me diz não!
Volto sempre
em silêncio
em segredo
para sentir…
E sinto mesmo,
sinto o meu sonho a sorrir…

Tuesday, May 26, 2009

Este lado de cá


Sei como é este lado da viagem. E é deste lado que quero estar.
As tuas palavras sufocam-me, de tão intensas. E leio-te com ternura.
A inquietude das tuas águas chama o meu nome. E eu vou, sempre.
Dás-te conta que é o tempo em que preciso de ti. Para respirar.

Monday, May 25, 2009

***


Deixa que me repita neste choro de amar e sofrer.
Vira-te pra mim se da minha voz sair apenas o silêncio.
Sabe a sal o vermelho do meu sangue, de tantas lágrimas engolidas.
Mesmo assim sorrio. E dos meus olhos saem pérolas de ternura.
Diz-me que posso acordar em ti. Por ti. Por nós.
Porque quando adormecer tudo acaba...

Saturday, May 23, 2009

Confiança e Luta!



Hoje é aqui que vou estar! Com Camaradas e Amigos.
E cantigas, que também são armas!

Friday, May 22, 2009

De volta, para a luta!

JOEIRA!

Até quando te calarás, povo?
Até quando te quedarás irresoluto?
Até quando te verei receoso?
Até quando serás ingénuo?
Até quando escutarás
os pregadores
que exploram
a tua inefável candura?
Mestres e guias infalíveis...?
Há-os de voz potente
e de botas ferradas;
há-os mais suaves,
até angélicos
e muito sábios...
Há os que usam, com palavras demasiado escolhidas,
a tua língua.
Joeira, povo,
com uma peneira finíssima
e esfrega a pele
nos cardos que te rodeiam
até que a dor se torne insuportável,
até sentires a dor soar
como um clarim de combate.

Félix Cucurull

(retirado daqui)

Tuesday, May 19, 2009

Dois Poemas e uma Canção para Catarina

Gravura de José Dias Coelho

ROSA DE SANGUE


Os olhos dos camponeses
São fogos na madrugada,
Os olhos dos camponeses
São fogos na madrugada.

Mal o seu corpo tombou
A noite ficou cerrada,
A noite ficou cerrada.

Tiros soaram longe
No silêncio da campina,
Tiros soaram longe
No silêncio da campina.

Rosa de sangue brotou
Dos seios de Catarina,
Dos seios de Catarina.

Maduro se fez o trigo
Em terra sem ser regada,
Maduro se fez o trigo
Em terra sem ser regada.

Quem no sangue semeou
Há-de colher uma espada,
Há-de colher uma espada.

Os olhos dos camponeses
São fortes na madrugada,
São fortes na madrugada.

(António Ferreira Guedes)

UNIDOS, CAMARADAS

Cala-te amigo
Ouve... é a flor do trigo
Chorando Catarina assassinada
Cala-te amigo
Nós não somos flor de trigo
Choremos doutro modo camarada

Que sejam nossas lágrimas passadas de firmeza
No posto de combate dos nossos ideais
Rumo à vitória até que não haja nunca mais
Quadrilhas de assassinos na terra portuguesa

Cala-te amigo! Forjemos na unidade
De Catarina o sonho de rutila beleza
Um Portugal feliz em paz e liberdade

(Eduardo Valente da Fonseca)


(este post estava pre-programado. A net portátil não me deixa visitar-vos a todos...
Já não falta muito para voltar.)

Saturday, May 16, 2009

O que faz uma rosa...

(foto de Sérgio Ribeiro)

Trago no peito um peso de carregar com a vida. Mas hoje senti-me pássaro. Embebedo-me com o cheiro das flores dos jardins. Bebo da água cristalina que jorra da fonte. De repente o vento. Forte e arrastando quase tudo pelo caminho. Menos as flores, que teimosamente resistem. Como nós...

(vou ali. depois volto, logo logo)

Friday, May 15, 2009

Acabei de o ver, e ele é tão bom...



Despierta niño, arriba, que llega el alba
Despierta niño, arriba, que espera España.
Que espera España, sí, te está esperando,
el tiempo es tu aliado, y se está acabando.

Levántate, comienza la soldadura,
entre la España quieta y la del hierro,
entre la de los llanos, la de altura,
entre la del taller y la del rezo.

Levanta, carga, suena, ausculta y salva,
escribe, canta, cuenta, potencia y anda.
Que hay una España gris que se nos muere
y otra que resucita, como de nieve.

Despierta niño, arriba con la esperanza,
que la España del chiste hay que enterrarla,
que está cantando el gallo la madrugada
y hay una España nueva que te reclama,
que hay una España nueva que te reclama.

Thursday, May 14, 2009

Uma onda a...


Perdi-me ao descer as escarpas da noite. Nem a lua para me orientar. Apenas um som longínquo de um piar de uma gaivota. Desci mais um pouco. De repente um cheiro familiar. O teu. E uma onda a rebentar...

Wednesday, May 13, 2009

Para descontrair.....

O médico estava tendo um caso com a enfermeira.
Após um tempo, ela lhe disse que estava grávida.
Não querendo que sua mulher soubesse, ele deu dinheiro à enfermeira, mandou que ela fosse para a Itália e tivesse o bebê por lá.
- Mas como vou avisar você quando o bebê nascer? - ela perguntou.
- Apenas mande um postal e escreva no verso, "spaghetti". Cuidarei de todas as despesas da criança.
Sem alternativa, ela pegou o dinheiro e voou para a Itália.
Seis meses se passaram e um belo dia a mulher do médico telefona para ele no consultório e diz:
- Querido, você recebeu um cartão-postal da Europa pelo correio hoje, e eu não consigo entender o significado da mensagem.
- Quando eu chegar em casa, explico a você.
Naquela noite, o médico chegou em casa, leu o cartão-postal e caiu no chão com um violento ataque cardíaco.
Ele foi transportado imediatamente para o hospital e encaminhado à emergência.
O chefe do plantão, enquanto tentava confortar a mulher, perguntou-lhe:
- Aconteceu algo que possa ter causado o ataque cardíaco?
A mulher do médico pegou o cartão-postal e leu:
- "Spaghetti, spaghetti, spaghetti, spaghetti e spaghetti. Três com linguiça, e dois sem".

(recebida por mail, claro...)

Tuesday, May 12, 2009

a-p


Pode o amor ser perfeito?

Monday, May 11, 2009

Obrigada, pelo Adoles-Ser!



CASA NO CAMPO

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

Friday, May 08, 2009

Música para o fim de semana



(vou ali. depois volto, logo logo)

Thursday, May 07, 2009

Belo é o amor

Pode o amor ser apenas um momento

intensamente vivido sofrido chorado

Pode o caminho ser íngreme e duro

o difícil é fácil se a dois caminhado

Pode o rio mudar o rumo e nascer na foz

percorrer os montes e no silêncio desaguado

Podemos dar-nos as mãos e assim abraçados

Caminhar para o futuro sem esquecer o passado...

Belo é "o amor feito caminho em nós, no silêncio"...




Wednesday, May 06, 2009

Porque gosto tanto...



Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor

Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Tuesday, May 05, 2009

Uma Flor


O meu jardim tem árvores relva flores e um lago. E uma casa.
Quando me passeio por lá olho as flores e vejo-as crescer, a cada dia. Agora os cravos.
A relva amacia-me os pés descalços e o aroma enche-me os pulmões. Terra-mãe.
As árvores são partes de mim plantadas há muito tempo, que cresceram frondosas e me abrigam. Um colo.
Há árvores com muitos anos, outras com menos, mas todas igualmente bonitas. Ouvem-me.
Duas são especiais. Uma enorme e outra mais pequena. Estão perto do lago e abraço-as. A minha casa.
O meu jardim tem todos os aromas e todas as cores. De todas as flores.
Há um canteiro diferente, ao pé do lago e perto das duas árvores. De cravos semeado. Já nascidos.
Mesmo ao lado um outro canteiro tem uma flor prestes a rebentar. De aroma diferente.
No lago do meu jardim está ancorado um barco, que me espera. Entro e remo por entre chorões e nenúfares e patos e cisnes. E há peixes que se escapam.
Toda a noite remei. À espera. Ao fim da manhã atraco o barco e vou ao canteiro ver da flor. Já nasceu.
É filha do amor e da poesia. É uma Margarida e cheira a bébé…

M*

Menina de tantos olhos
Amor espumado de ti
Regaço de tantos colos
Grito gritado, sim
Amigo ponte barco mão
Rio inteiro e sua margem
Infinita ternura no coração
Desejo de sangue, estrada e viagem
Abraço Abril nosso. Quente. Sempre.
Forte. Para sempre.

Monday, May 04, 2009

Para descontrair.....

UMA PISCINA MÁGICA!!!

Durante uma festa de arromba, com a nata dos políticos e diplomatas presentes no País, o anfitrião, milionário alemão, já meio tocado, fez-se ouvir para anunciar:

- Eu queria dizer uma coisa... a minha piscina é mágica!!!

Todos, pensando que era delírio do dono da casa, começaram a rir.

Nisto, o dono da casa começa a correr, dá um pulo para a piscina e grita:
- CERVEJA!!!

A água muda para cerveja, o tipo vai nadando, vai bebendo e, ao sair do outro lado, a piscina volta ao normal.

O Embaixador italiano, estupefacto com o que estava a presenciar, corre também, dá um salto e grita:
- VINHO!!!

E a água transforma-se em vinho. Ele nada, sai do outro lado e, novamente, a piscina volta ao normal.

O Adido francês vai, dá um pulo para dentro da piscina e grita:
- CHAMPAGNE!!!

E a água muda para champanhe. Quando sai do outro lado a piscina volta ao normal.

José Sócrates, vibrando de emoção com o que está a acontecer no seu Portugal, corre também para a piscina.
Quando já vai no ar, o Armando Vara, seu amigo de infância, diz-lhe:
- Cuidado Zé, tens o telemóvel no bolso!!!

E o Sócrates grita:
- MMMEEERRRDDDAAAA!!!!!!!!!!

(Merecido banho!...)


(recebida por mail...)

Sunday, May 03, 2009

Carrego-te


Para além dos montes cruzei-me com o teu cansaço. Um rio cristalino na fonte, que engrossava à medida que descia montes abaixo. Até à foz. Até ao mar, onde desaguam todos os amores e todos os cansaços.
Acompanhei-o ao longo da margem mais bonita do rio, cheia de flores e árvores onde os pássaros chilreavam e o sol tentava aquecer a terra. Depressa cheguei à foz. E no meu desaguar ouvi uns acordes de viola. Alguém tocava. Foi logo a seguir que ouvi a tua voz...

Friday, May 01, 2009

Desabafo

provocador ordinário xico esperto traidor verme provocador cobra venenoso não colou traidor mentiroso repugnante jorras pus pelos olhos despudorado desonesto putrefacto nojento traidor esperteza saloia idiota réptil pestilento ordinário virulento vómito fétido pútrido espeta pregos javardo desonesto traidor cheiras mal da boca ordinário cadáver adiado bocarra aberta repugnante sem-vergonha despudorado provocador traidor desonesto malvada a hora em que a tua mãe abriu as pernas para que pudesses sair

VIVA O 1º DE MAIO!

(imagem da net)

NÃO PASSAM MAIS

Em nome dos nossos braços
em nome das nossas mãos
em nome de quantos passos
deram os nossos irmãos.
Em nome das ferramentas
que nos magoaram os dedos
das torturas das tormentas
das sevícias dos degredos.
Em nome daquele nome
que herdámos dos nossos pais
em nome da sua fome
dizemos: não passam mais!

E em nome dos milénios
de prisão adicionada
em nome de tantos génios
com a voz amordaçada
em nome dos camponeses
com a terra confiscada
em nome dos Portugueses
com a carne estilhaçada
em nome daqueles nomes
escarrados nos tribunais
dizemos que há outros nomes
que não passam nunca mais!

Em nome do que nós temos
em nome do que nós fomos
revolução que fizemos
democracia que somos
em nome da unidade
linda flor da classe operária
em nome da liberdade
flor imensa e proletária
em nome desta vontade
de sermos todos iguais
vamos dizer a verdade
dizendo: não passam mais!

Em nome de quantos corpos
nossos filhos foram feitos.
Em nome de quantos mortos
vivem nos nossos direitos.
Em nome de quantos vivos
dão mais vida à nossa voz
não mais seremos cativos:
O trabalho somos nós.

Por isso tornos enxadas
canetas fresas dedais
são as nossas barricadas
que dizem: não passam mais!

E em nome das conquistas
vindas nos ventos de Abril
reforma agrária controlo
operário no meio fabril
empresas que são do estado
porque o seu dono é o povo
em nome de lado a lado
termos feito um país novo.

Em nome da nossa frente
e dos nossos ideais
diante de toda a gente
dizemos: não passam mais!

Em nome do que passámos
não deixaremos passar
o patrão que ultrapassámos
e que nos quer trespassar.
E por onde a gente passa
nós passamos a palavra:
Cada rua cada praça
é o chão que o povo lavra.
Passaremos adiante
com passo firme e seguro.
O passado é já bastante
vamos passar ao futuro.

(Ary dos Santos)