Saturday, March 20, 2010

Música para o fim-de-semana



"I Gotta Find Peace Of Mind"

I gotta find peace of mind
I know another cord...
I gotta find peace of mind
See, this what that voice in your head says
When you try to get peace of mind...
I gotta find peace of mind, I gotta find peace of mind
He says it's impossible, but I know it's possible
He says it's impossible, but I know it's possible
He says there's no me without him, please help me forget about him
He takes all my energy, trapped in my memory
Constantly holding me, constantly holding me
I need to tell you all, all the pain he's caused, mmmm
I need to tell I'm, I'm undone because, mmmm
He says it's impossible, but I know it's possible
He says it's impossible without him, but I know it's possible
To finally be in love, and know the real meaning of
A lasting relationship, not based on ownership
I trust every part of you, cuz all that I... All that you say you do
You love me despite myself, sometimes I fight myself
I just can't believe that you, would have anything to do
With someone so insecure, someone so immature
Oh you inspire me, to be the higher me
You made my desire pure, you made my desire pure
Just tell me what to say, I can't find the words to say
Please don't be mad with me, I have no identity
All that I've known is gone, all I was building on
I don't wanna walk with you, how do I talk to you
Touch my mouth with your hands, touch my mouth with your hands
Oh I wanna understand, the meaning of your embrace
I know now I have to face, the temptations of my past
Please don't let me disgrace, where my devotion lays
Now that I know the truth, now that it's no excuse
Keeping me from your love, what was I thinking of?
Holding me from your love, what was I thinking of?
You are my peace of mind, that old me is left behind
You are my peace of mind, that old me is left behind
He says it's impossible, but I know it's possible
He says it's improbable, but I know it's tangeable
He says it's not grabbable, but I know it's haveable
Cuz anything's possible, oh anything is possible
Please come free my mind, please come meet my mind
Can you see my mind, oh
Won't you come free my mind?
Oh I know it's possible
Anything, anything, anything, anything, anything, yeeey
Anything, anything, anything, anything, yeeey
Anything, anything, anything, anything, anything, yeeey
Oh free! Free, free, free your mind
Free, free your mind... free, free your mind
Free, free, free, free your mind
Oh, it's so possible, oh it's so possible
I'm telling you it's possible, I'm telling you it's possible
Free, free... free, free... free, free... get free now
Free, free... free, free, free, free... free, free
You're my peace of mind, that old me is left behind
You're my peace of mind, you're my peace of mind
He's my peace of mind, he's my peace of mind
He's my peace of mind, he's my peace of mind
What a joy it is to be alive
To get another chance, yeah
Everyday's another chance
To get it right this time
Everyday's another chance
Oh what a merciful, merciful, merciful God
Oh what a wonderful, wonderful, wonderful God
[Repeat till fade]

Thursday, March 18, 2010

**

pouso no teu olhar
como ave migratória
chegada de longa viagem

no silêncio da noite
afago os teus dedos
de onde fluem as palavras

aquieto-me quando
te moves em direcção a mim

é tão lento o teu passo
tão distante o teu abraço
que nem o cio se abre em mim!

Tuesday, March 16, 2010

Trazido do Cravo de Abril

ROTEIRO


Parar. Parar não paro.
Esquecer. Esquecer não esqueço.
Se carácter custa caro
pago o preço.

Pago embora seja raro.
Mas homem não tem avesso
e o peso da pedra eu comparo
à força do arremesso.

Um rio, só se for claro.
Correr, sim, mas sem tropeço.
Mas se tropeçar não paro
- não paro nem mereço.

E que ninguém me dê amparo
nem me pergunte se padeço.
Não sou nem serei avaro
- se carácter custa caro
pago o preço.


Sidónio Muralha

(«Que Saudades do Mar» - 1971)

Monday, March 15, 2010

Para descontrair...

BOA SEMANA PARA TODOS!

(recebido por mail...)

Sunday, March 14, 2010

***



Jean Ferrat voou ontem...

Saturday, March 13, 2010

Música para o fim-de-semana



Hoje e amanhã Ana Lains estará na Taverna dos Trovadores, em Sintra.

Thursday, March 11, 2010

Com silêncio dentro...


Onde fica o meu beijo? Onde fica o meu abraço?
No meio da noite e das tuas palavras encontro-me frente a ti, de corpo ardente e coração aberto. Sabes que te quero. Sabes que a minha vida sem ti não faz sentido. Sabes que a amizade é mais forte, às vezes, do que o amor. E sabes que o amor é tanto. Às vezes quase tudo...
Porque te abandonas na solidão, porque buscas o teu grito, que já voou...
Recolho a tua lágrima. Sou rio acostumado a beber-te as lágrimas. Que fatalmente irão desaguar no mar, numa maré de nós, com silêncio dentro...

Tuesday, March 09, 2010

Fala-me do vento

Fala-me do vento. Do que me inunda os sonhos do dia e me inquieta na noite. Do que sopra em todas as direcções menos na minha. Do que te envolve e assobia quando as tempestades te assolam.
Fala-me do vento. Do que respiro para ter a sensação de que te engulo. Do que me bate forte na cara logo de manhã para acordar. Do que te entra no olhar e te faz sorrir assim.
Fala-me do vento. Do que abraço todas as noites quando me deito. Do que na tua ausência dorme sempre comigo neste leito.
Fala-me do vento. Desse que, devagarinho, te faz entrar em mim.

Monday, March 08, 2010

Para ti, Mulher

Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.

Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.

Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.



(Joaquim Pessoa)

Saturday, March 06, 2010

Vai um Chorinho?

No dia de hoje



TOMAR PARTIDO



Tomar partido é irmos à raiz
do campo aceso da fraternidade
pois a razão dos pobres não se diz
mas conquista-se a golpes de vontade.

Cantaremos a força de um país
que pode ser a pátria da verdade
e a palavra mais alta que se diz
é a linda palavra liberdade.

Tomar partido é sermos como somos
é tirarmos de tudo quanto fomos
um exemplo um pássaro uma flor.

Tomar partido é ter inteligência
é sabermos em alma e consciência
que o Partido que temos é melhor.


José Carlos Ary dos Santos

Thursday, March 04, 2010

O teu jeito


Como dizer de um poema que fala de tanto, de quase tudo... 
Leio pedaços de ti em cada verso, como se o teu andar fosse um pouco disperso e as palavras te saíssem assim, num jeito menos sisudo...

Gosto quando contas o segredo assim, como quando não há medo, quando o amor vem sempre cedo e os amantes ausentes gritam em voz muda...

Como falar da saudade pintada com todas as cores, como o são todos os amores não importa se dormentes ou quentes, com frio ou em desvario, mas presentes, em rios ou mares, mas presentes, de vento sul ou de vento norte, talvez ausentes...

Digo-te que há amores presentes nas ausências, como os há ausentes nas presenças. E são todos muitos fortes...

Como falar do resto que é tudo o que escreves... do beijo que sabe a mel, do toque doce da pele, da vida que respira em ti... 


Tantas palavras escrevi e disse nada, pelo menos não disse tudo. Porque o teu olhar diz tanto, e é nele que eu hoje mergulho...



Wednesday, March 03, 2010

Porque me apetece José Fanha

ASAS

Nós nascemos para ter asas, meus amigos.
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós
nascemos para ter asas.
No entanto, em épocas remotas, vieram com dedos
pesados de ferrugem para gastar as nossas asas como
se gastam tostões.
Cortaram-nos as asas para que fôssemos apenas
operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos
de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.
Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas
transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem
mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas,
de novo voltam a ser.
Aceitemos esta hipótese, apesar não termos dela
qualquer confirmação prática.
Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.

José Fanha

Monday, March 01, 2010

O cinzento dos dias...


É o cinzento dos dias e a humidade no corpo que nos faz ficar assim. O frio que não escolhe e nos encolhe. A distância que de repente fica mais distante ainda, a uma lonjura difícil de chegar. O mar que deixou de ser azul e nestes dias se pinta de castanho. As ondas que se atiram contra nós em vez de rebentarem suavemente... em espuma de mel.

São dias de fome. E de sede.

São noites de silêncio em que nos ouvimos em gritos calados.
 São as palavras a rebentarem o peito e a ficarem aprisionadas nos dedos. É o sim e o não sem sabermos porquê.

Abro uma garrafa de tinto antigo, deixo-o aquecer até aos 17 graus. Já cheira a pão quente. O doce de abóbora ainda está morno. Falta o requeijão de Seia. E faltas tu.



Saturday, February 27, 2010

Thursday, February 25, 2010

Tragédia anunciada?



Este video é de 2008. Foi-me enviado por mail, pedindo a sua divulgação. Para quem quiser ver...

Wednesday, February 24, 2010

Pele de mim

Para sempre, a voz do vento. Que se atira contra o teu peito quando a serra está em frente. Para sempre, na eternidade das palavras. Que te nascem do olhar e te escorrem dos dedos em sangue quente. Fervente. Docemente. Desaguando no rio. Em constante desafio...

Pele de mim...



Tuesday, February 23, 2010

Zeca, sempre!



Sem mais palavras. Porque não as tenho. Apenas muita saudade...

Monday, February 22, 2010

Sou assim...

Pronto!
Sou assim.
Para ganhar (nem que ganhos fossem...)
mais uns tostões, contos, ou euros
não vou desperdiçar horas da minha vida.
As horas de vida não são contabilizáveis,
dispensam técnicos oficiais de contas,
e são a única coisa que temos.
Ah! e quantos o esqueceram,
ou nunca o souberam...



Sérgio Ribeiro
daqui

Saturday, February 20, 2010

Música para o fim-de-semana



Porque tenho saudades desta Ilha com cheiro tão especial e som tão característico.



Porque me apetece Pablo Milanés.
Porque as noites continuam longas e frias...

Wednesday, February 17, 2010

O nosso abraço


Um leve sopro de vento percorre-me o corpo, como se fosse ventania. Um chocolate adoça-me a boca, como se fosse um beijo. De mel. Cortas-me a respiração quando me abraças. De saudade. O teu olhar penetra-me como se fizessemos amor. De tão intenso. 

Abro a janela do teu peito para te poder respirar. De mim. Cada lágrima que soltas é uma flor que guardo. No meu jardim. Onde as pontes são de separar para unir. Os caminhos de andar para chegar. As mãos de estender para se dar. Os olhos para sorrir. O olhar para amar. Os braços para ficar... sempre no nosso abraço...

Monday, February 15, 2010

Não sei de mim


Sei do teu olhar menino profundo flor coração
Do abraço quente apertado fogo paixão
Do vento do tempo do rio do norte do mar
Sei de ti a vontade de tanto caminhar
Dos poemas vagabundos dos versos e cantigas
Mas não sei de mim nem das noites perdidas

Sei do vermelho do desejo da flor em botão
Do beijo da pele toque ardente solidão
Dos passos percorridos dos passos por andar
Sei da cidade a adormecer e de ti a vaguear
Das palavras que nos unem e de tanto sofrer
Mas não sei de mim nem do poema por nascer

Friday, February 12, 2010

Música para o fim-de-semana. O Chico, porque sim!


Homengem ao Malandro

Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central

Monday, February 08, 2010

Refaz-me


Penetras-me todos os dias, sempre que te apetece. Deixas que eu me encha de ti, naturalmente. Namoras-me e saboreias-me da mesma forma e ao mesmo tempo que te namoro e te saboreio. As crianças a brincarem com a nossa espuma.
A corrente leva-me sempre para ti, e traz-te de volta. Mas é de noite que nos amamos melhor. Com as estrelas como manto. Às vezes a lua, cúmplice dos nossos beijos e abraços. Enquanto as crianças sonham com castelos de areia e sorriem.
Nas minhas margens costumam chapinhar os mais pequenos e deixo que os barquinhos se passeiem imaginando viagens que não fazem. Mas estes dias foram de tempestades e amores proibidos, e as margens que em mim deixaste são enormes. Cavaste um fosso entre mim e o que resta da praia, que continuas a lamber. As minhas margens são agora enormes. Como podem as crianças voltar a brincar no meu regaço?
Refaz-me, uma e outra vez, com a doçura com que sempre o fizeste. Preciso do teu abraço, forte. E das gargalhadas das crianças...


(ainda por aqui. mas eu volto.)

Friday, February 05, 2010

Música para o fim-de-semana



Porque me apetece. Porque tenho saudades.
Porque sim!

E para a Leonor, que caminha comigo do lado esquerdo da vida.

(ainda por aqui. depois volto.)

Monday, February 01, 2010

Não te quero mais

Não te quero mais. A noite levou-te de mim e eu deixei. Ficou o espanto da tua partida. Não te quero mais. Vou esquecer o teu abraço e o teu cheiro. Que me percorre ainda o corpo. Não te quero mais. Porque o caminho que foi o nosso fugiu-me na escuridão da noite. E eu não o encontro por entre as lágrimas que me escorrem no corpo. Perdi-me de ti do teu abraço do teu cheiro. Perdi-me de nós.
Quero a tua boca só mais uma vez. Morder-me de ti. Passear os meus dedos pelo teu corpo ainda húmido. Quero-te, porque me corres nas veias. Porque és amor amigo amante menino assim distante. Quero-te na solidão da noite. No areal da praia na espuma da onda. Quero-te dentro de mim, como só tu sabes. O sangue a arder. No tempo parado na loucura de nós. Quero-te tanto, quero-te sempre.


(eu vou ali. depois eu volto.)

Saturday, January 30, 2010

Música para o fim-de-semana



Bandolins

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...

E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim
Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim

Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins...

Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim

E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim

Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins...

Oswaldo Montenegro

Friday, January 29, 2010

Porque me apetece Ary dos Santos... e não só...


Aos mortos vivos do Tarrafal


Ao cabo de Cabo Verde
dobrado o cabo da guerra
quando o mar sabia a sede
e o sangue sabia a terra
acabou por ser mais forte
a esperança perseguida
porque aconteceu a morte
sem que se acabasse a vida.
Ao cabo de Cabo Verde
no campo do Tarrafal
é que o futuro se ergue
verde-rubro Portugal
é que o passado se perde
na tumba colonial,
ao cabo de Cabo Verde
não morreu o ideal.
Entre o chicote e a malária
entre a fome e as bilioses
os mártires da classe operária
recuperam suas vozes.
E vêm dizer aqui
do cabo de Cabo Verde
que não morreram ali
porque a esperança não se perde.
Bento Gonçalves torneiro
ainda trabalhas o ferro
deste povo verdadeiro
sem a ferrugem do erro.
Caldeira de nome Alfredo
fervilham no teu caixão
contra o ódio e contra o medo
gérmens de trigo e de pão.
E tu também Araújo
e tu também Castelhano
e também cada marujo
que morreu a todo o pano.
Todos vivos! Todos nossos!
vinte trinta cem ou mil
nenhum de vós é só ossos
sois todos cravos de Abril!
No campo do Tarrafal
no sítio da frigideira
hasteava Portugal
a sua maior bandeira.
Bandeira feita em segredo
com as agulhas das dores
pois o tempo do degredo
mudava o sentido às cores:
o verde de Cabo Verde
o chão da reforma agrária
e o Sol vermelho esta sede
duma água proletária.
Do cabo de Cabo Verde
chegam tão vivos os mortos
que um monumento se ergue
para cama dos seus corpos.
Pois se o sono é como o vento
que motiva um golpe de asa
é a vida o monumento
dos que voltaram a casa.


José Carlos Ary dos Santos
(poema feito aquando da trasladação para Portugal dos restos mortais dos 32 resistentes assassinados no Tarrafal)


(poema lido na Homenagem a Militão Ribeiro, no dia 27 de Janeiro de 2010. ver mais informação aqui)

Wednesday, January 27, 2010

M.

Há experiências que se têm apenas uma vez na vida. Ou porque não se proporciona termos outras parecidas, ou porque não as queremos repetir.
Acabo de sair de uma experiência que para mim foi uma espécie de 'prova de fogo'. Pela situação, pelas emoções. Sou uma mulher muito mais rica depois destes dias que me pareceram meses. Quando começava a vacilar e a pensar que não aguentava ele sorria-me e aquele sorriso de menino dava-me força para eu continuar, quando quem estava dorido e quase em desespero era ele.
Trabalhámos em conjunto as horas que foram possíveis, nos dias que foram possíveis, e eu sei que um dia, daqui a um tempo, vou ouvir falar dele. Porque ele é muito especial e determinado, e vai conseguir ser aquilo que quer.
No último dia, o da 'despedida', cheguei-me ao pé dele e disse-lhe 'vamos fazer um texto' e ouvi como resposta 'querias!!!'. Tive que sorrir. E dei-lhe uma caixa dos chocolates de que ele mais gosta. Sorriu-me com um olhar maroto...
Um dia destes irei à escola para o ver. Sei que me irá estender a mão ao jeito de 'dá-me cinco'...

Tuesday, January 26, 2010

LEVES SÃO AS ALMAS


Por muito que a terra gema
não se consegue calar o poema
em gritos desorientados pela aflição.

Doem-me os dedos pelas palavras tristes,
doem-me os olhos pelo sangue que escorre.

Desespera-se por um tempo vagabundo
onde o caminho se instala em cada olhar.

Carrega-se a vida dorida nas lágrimas
que assentam pesadas nos ombros
dos que ficaram.

Entorna-se assim o mar imenso em cada onda
de morte … como um pesadelo.

Leves são as almas que chegam ao céu, sem asas

... porque não houve tempo.

Vanda Paz
(daqui)

Monday, January 25, 2010

Barquinho de papel


Passeio-me pela margem do rio em direcção à foz. De tão límpidas, as águas pedem que mergulhe. Resisto. No meio dos canaviais e dos chorões está um grupo de crianças que brinca. Avanço em direcção a elas para ver o que fazem. Entre outras brincadeiras, lançam ao rio um barquinho de papel que, de tão pequeno, mal se vê. Mas segue rio abaixo, com a corrente. Corro um pouco para acompanhar o barquinho, olho-o, e invento-te lá dentro. É então que me sorris...

Saturday, January 23, 2010

Música para o fim-de-semana



S`na mundo tem mornas e mornas dedicód
Tónt morna bô te mereçê
S`beleza ta trazê inspiração
Esse bô beleza, ê más cum belo horizonte
Infeitód cum bom pôr do sol
Ô um arco-íris mut bem d`stacód.
Amim djam cria ser poeta
Pám fazê um mar di poesia
Pám cumpará que`ss bô beleza d`natureza
Parsem nem mar, nem lua cheia
Nem sol brilhante, nem noit serena
Ta cumpará q`bô formosura e bô corpo.
Pombinha mansa di odjos meigos sem maldade
Bô corpo formoso mas sem vaidade
T`armá quess bô sorriso inocente
Sorriso doce qui ta espertá alguem ambição
Nem q`for d`box tud humilhação
`m crê comquistá bô coração.


(Um beijo especial para ti, zm!)

Friday, January 22, 2010

Desafios... (mais vale tarde do que nunca)

A Manuela e a Filoxera lançaram-me um desafio para falar de cinco manias que tenho.
Tenho muitas, felizmente, mas continuo fiel à primeira vez que respondi a este desafio (creio que ainda em 2006). Mantenho-as... por isso são mesmo manias.

E então aqui vai:

1ª mania : Andar descalça
2ª mania : Lavar o chão mais do que uma vez por dia, para poder andar descalça (não gosto de encontrar "tarolos")
3ª mania : Perder a noção do tempo quando estou a ver o mar
4ª mania : Acreditar que ainda é possível um mundo melhor
5ª mania : Ligar o Mac assim que me levanto, mesmo que não vá utilizá-lo

Deveria indicar agora dez blogues amigos para seguirem com este desafio. Mas as regras existem exactamente para serem quebradas. Assim, convido todos que aqui passarem, e quiserem, a levar o desafio para os vossos cantos...

Obrigada, Manuela. Obrigada, Filoxera. Dois beijos.




Também a Carmen me desafiou para completar as frases que se seguem:

Eu já tive... menos anos do que tenho agora. :)

Eu nunca... deixarei de lutar por aquilo em que acredito.

Eu sei... que tenho ainda muito para aprender.

Eu quero... deixar um Mundo melhor para as crianças que aí estão...

Eu sonho... SEMPRE!

Aqui deveria igualmente indicar blogues para darem continuidade a este desafio.
Pois bem, sintam-se em vossa casa e 'sirvam-se'...

Obrigada, Carmen. Um beijo para ti.

Thursday, January 21, 2010

Assim me sinto hoje



Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca

Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante

Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas
Como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas, como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos

Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que eu penso
Mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio
comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância

Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais
do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer

Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada

Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

Wednesday, January 20, 2010

Soubesse eu


Soubesse eu aliviar as tuas angústias e seria rio onde pudesses matar a sede da saudade. Soubesse eu entender tudo o que sentes e seria mar para recolher todas as tuas lágrimas. Soubesse eu do toque, do toque, do toque... e cantaria para ti uma cantiga de embalar...



Tuesday, January 19, 2010

Recordando Elis Regina



Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

(Milton Nascimento)
(17.Março.1945 - 19.Janeiro.1982)

Monday, January 18, 2010

Porque Ary dos Santos nos faz falta...

SONETO ESCRITO NA MORTE DE TODOS OS ANTIFASCISTAS ASSASSINADOS PELA PIDE

Vararam-te no corpo e não na força
e não importa o nome de quem eras
naquela tarde foste apenas corça
indefesa morrendo às mãos das feras.

Mas feras é demais. Apenas hienas
tão pútridas tão fétidas tão cães
que na sombra farejam as algemas
do nome agora morto que tu tens.

Morreste às mãos da tarde mas foi cedo.
Morreste porque não às mãos do medo
que a todos pôs calados e cativos.

Por essa tarde havemos de vingar-te
por essa morte havemos de cantar-te:
Para nós não há mortos. Só há vivos.


José Carlos Ary dos Santos
(7 de Dezembro de 1937 - 18 de Janeiro de 1984)

Sunday, January 17, 2010

Recordando Miguel Torga

Rendição

Vem, camarada, vem
render-me neste sonho de beleza!
Vem olhar doutro modo a natureza
e cantá-la também

Ergue o teu coração como ninguém;
Fala doutro luar, doutra pureza;
Tens outra humanidade, outra certeza:
Leva a chama da vida mais além!

Até onde podia, caminhei.
Vi a lama da terra que pisei,
e cobri-a de versos e de espanto.

Mas, se o facho é maior na tua mão,
vem camarada irmão,
erguer sobre os meus versos o teu canto.

Miguel Torga

(12.Agosto.1907 — 17.Janeiro.1995)

Música para um domingo



Saturday, January 16, 2010

LEMBRAM-SE DAS HONDURAS?

É aquele país onde, em Junho de 2009, um golpe militar fascista - organizado e concretizado com a cumplicidade dos EUA - destituiu o Presidente eleito, Manuel Zelaya e instaurou uma ditadura. Um golpe que foi condenado por quase todos os governos do mundo - com algumas excepções, entre elas a do Governo de Obama, que aqui iniciou a sua prática de apoiar fingindo condenar...

É aquele pais onde, em Novembro passado, os golpistas realizaram «eleições» à velha maneira estadunidense, de que saiu «vencedor» um tal Porfírio Lobo, homem de mão dos EUA e do fascista Micheletti - eleições fraudulentas e como tal consideradas pela quase totalidade dos governos do mundo - com algumas excepções, entre elas a do Governo de Obama que as considerou «livres e justas».

É aquele país onde a resistência ao golpe - encabeçada pela Frente Nacional de Resistência contra o Golpe - assumiu expressões grandiosas, com o povo nas ruas em múltiplas manifestações pela democracia e pela liberdade - manifestações regra geral brutalmente reprimidas pelos golpistas instalados no poder.

É aquele país sobre o qual os média dominantes de todo o mundo fizeram cair um espesso manto de silêncio - silêncio que é, de facto, um inequívoco apoio desses média ao golpe fascista.

É aquele país onde, após a farsa das eleições de Novembro, a repressão tem vindo a acentuar-se, com as forças golpistas a cumprirem um plano de liquidação física de dirigentes da Frente Nacional de Resistência.

É aquele país donde nos chegam notícias concretas das consequências dessa repressão: em Dezembro, os golpistas assassinaram a tiro, numa rua nos arredores de Tegucigalpa, cinco jovens ligados à Resistência: Roger Aguilar, de 22 anos; Kennet Rosa, de 23 anos; Marcos Acosta, de 39 anos; Gabriel Zelaya, de 34 anos e Isaac Coello, de 24 anos.
Ainda no mês de Dezembro, foi preso e assassinado dez dias depois da prisão, Walter Trochez.
Outro resistente, Santos Corrales, foi preso, torturado e uns dias depois encontrado decapitado.
Um terceiro, Carlos Turcios, foi levado de casa no dia 16 de Dezembro e encontrado decapitado e sem mãos no dia seguinte.

É aquele país onde o Congresso Nacional - depois de ter designado Micheletti como «deputado vitalício» pelos seus «esforços a favor da democracia»... - se prepara para aprovar uma amnistia que abrangerá todos os golpistas - amnistia cujo conteúdo está a ser discutido entre Micheletti, Porfírio Lobo e... Hugo Llores, embaixador dos EUA.

É aquele país onde Porfírio Lobo se prepara para tomar posse com o apoio do Governo de Obama assim explicitado pelo embaixador Hugo Llores:
«Apoiamos tudo o que Porfírio Lobo está a fazer; apoiamos o seu esforço para fortalecer a democracia nas Honduras».

É aquele país onde a resistência do povo continua: a Frente Nacional de Resistência - a funcionar na clandestinidade - anunciou uma série de acções a levar a cabo nas próximas semanas.

É aquele país
É aquele povo
É aquela resistência,
aos quais temos o dever imperativo de manifestar a nossa total SOLIDARIEDADE.

(retirado do Cravo de Abril)

Friday, January 15, 2010

Porque me apetece Jacques Brel!



Bien sûr il y a les guerres d'Irlande
Et les peuplades sans musique
Bien sûr tout ce manque de tendres
Il n'y a plus d'Amérique
Bien sûr l'argent n'a pas d'odeur
Mais pas d'odeur me monte au nez
Bien sûr on marche sur les fleurs
Mais voir un ami pleurer!

Bien sûr il y a nos défaites
Et puis la mort qui est tout au bout
Nos corps inclinent déjà la tête
Étonnés d'être encore debout
Bien sûr les femmes infidèles
Et les oiseaux assassinés
Bien sûr nos coeurs perdent leurs ailes
Mais mais voir un ami pleurer!

Bien sûr ces villes épuisées
Par ces enfants de cinquante ans
Notre impuissance à les aider
Et nos amours qui ont mal aux dents
Bien sûr le temps qui va trop vite
Ces métro remplis de noyés
La vérité qui nous évite
Mais voir un ami pleurer!

Bien sûr nos miroirs sont intègres
Ni le courage d'être juifs
Ni l'élégance d'être nègres
On se croit mèche on n'est que suif
Et tous ces hommes qui sont nos frères
Tellement qu'on n'est plus étonnés
Que par amour ils nous lacèrent
Mais voir un ami pleurer!

É para ti esta canção. Abraço-te, tanto...

Wednesday, January 13, 2010

de longe...

Que seria de nós sem os sonhos, ou o sonho maior de todos. Como não abraçar a solidão se esta se veste de versos e canções. Pegar na mão de todos os amantes e tocar a tua pele sedosa. Um frio a percorrer-nos o corpo. Um calor a subir ao peito. Um respirar ofegante. 
A praia...

Dançar na escuridão da noite até nos cansarmos. Deixar que o manto de estrelas nos cubra. Sorver o mel da tua boca e fincar-te os dedos nas costas. Beber a espuma do amor feito poema. Olhar o céu e ficarmos. Talvez se oiça uma melodia vinda de longe, de longe, de longe...



Monday, January 11, 2010

Inverno


Tenho ainda o Verão dentro do peito
Os pés na areia molhada da rebentação
Como posso trazer o Outono para o meu leito
Se o que vejo ao meu redor é solidão
Semeio olhares entre as flores do teu jardim
De onde recolho sorrisos e abraços
Serei airo, pardela, outra ave e assim
Vou marcando o compasso dos meus passos
Mas os dias vão passando em correria
E quando chegar aqui o vento norte
Talvez não seja Inverno, mas invernia
O que me espera entre esta vida e a morte

Saturday, January 09, 2010

Ainda Fausto - e Bom fim-de-semana!



Ó ai meu bem como baila o bailador
Ó meu amor a caravela também
Ó bonitinha ai que é das penas, que é das mágoas
Sendo nós como a sardinha
A voar por cima das águas

Vai de roda quem quiser
E diga o que tem a dizer (Certo!)

Sonhei muitos, muitos anos por esta hora chegada
De Lisboa para a Índia vou agora de abalada
Mas em frente de Sesimbra
Logo um corsário francês
Nos atirou para Melides
Com o barco feito em três
E por Deus e por El-Rei
Que grande volta que eu dei

Ó é tão lindo, ó é tão lindo
Ó é tão lindo, ó é tão lindo

Ó ai meu bem como baila o bailador
Ó meu amor a caravela também
Ó bonitinha ai que é das penas, que é das mágoas
Sendo nós como a sardinha
A voar por cima das águas

Ena que alegria enorme
Uns mais ou menos conforme (Certo!)

Mas que terras maravilha mais parece uma aguarela
Que eu vejo da minha barca branca, azul e amarela
A Lua dormia ali e com o Sol é tal namoro
Que as montanhas estavam prenhas e pariam prata e ouro
Com Jesus no coração faz as contas ó Fernão

Ó é tão lindo, ó é tão lindo
Ó é tão lindo, ó é tão lindo

Ó ai meu bem como baila o bailador
Ó meu amor a caravela também
Ó bonitinha ai que é das penas, que é das mágoas
Sendo nós como a sardinha
A voar por cima das águas

Mais cuidado no bailado
Que andamos tão baralhados (Certo!)

Nunca vi bichos medonhos tão soltos e atrevidos
Que nos fomos logo a pique c'o bafo dos seus grunhidos
E todo nu sobre um penedo de mãos postas a rezar
'Té me tremiam as carnes por os não ter no lugar
'Inda por cima a chover vejam lá o meu azar

Ó é tão lindo, ó é tão lindo
Ó é tão lindo, ó é tão lindo

Ó ai meu bem como baila o bailador
Ó meu amor a caravela também
Ó bonitinha ai que é das penas, que é das mágoas
Sendo nós como a sardinha
A voar por cima das águas

Eh valente rapazinho
A cantar ao desafio (Certo!)

Matei mouros malabares quem foi à guerra fui eu
Afundei grandes armadas nunca ninguém me venceu
Mas ao ver o cu de um mouro foi tal susto grande e forte
Qu'inté a bexiga mijei e de todo estive à morte
Siga a roda sem parar que a gente vai a voar!

Ó é tão lindo, ó é tão lindo
Ó é tão lindo, ó é tão lindo
Ó é tão lindo, ó é tão lindo
Ó é tão lindo, ó é tão lindo

(Fausto)

Wednesday, January 06, 2010

Porque de amor também se chora!


Deixa que a saudade se faça rio
Uma canção de amor ou de embalar
Um colo de ternura e de ninar
Como se fosse um eterno desafio
Porque de amor também se chora!

Deixa que o meu ventre se faça rio
Um punho erguido em luta pela rua
Um arado uma foice ou mesmo uma charrua
Como se fosse um eterno desafio
Porque de amor também se chora!

Deixa que o meu colo se faça rio
Um corpo ardente que mergulha no mar
Um carinho terno de mão a afagar
Como se fosse um eterno desafio
Porque de amor também se chora!

Monday, January 04, 2010

Ilha...

(foto de algasp)

Poema eterno que renasce quando cruzo o teu olhar...
...e o consigo tocar!



Sunday, January 03, 2010

A fuga de Peniche foi há 50 anos!


Sessão comemorativa do 50º aniversário da fuga de Peniche, que restituiu à liberdade Álvaro Cunhal e outros destacados dirigentes comunistas, pelas 15h30, no Auditório Cultural da Câmara Municipal de Peniche, em Peniche.
A Sessão será precedida de uma visita guiada sobre a fuga no Forte de Peniche.



Mais informação aqui, aqui e aqui.

Até já, para quem lá for...

Saturday, January 02, 2010

Assim, para ti

São para ti as minhas primeiras palavras deste ano. Apetece-me escrever-te, como o fiz tantas vezes noutros tempos. Preciso de falar contigo. Em silêncio. Assim, só palavras, que eu sei que sentes. Falta-me qualquer coisa e tenho tanto...
São para ti os primeiros sorrisos deste ano. De surpresa, que foi boa como o são todas as surpresas. Pudessemos nós parar o tempo e a tarde noite não terminavam. A música, a conversa, e o vinho nos copos que bebíamos em pequenos tragos...
É para ti o meu primeiro olhar. De hoje e de sempre, porque só tenho este. Transparente e azul, como o rio que és e como o mar que te recebe em seus braços. Sei que consegues ver um olhar azul nuns olhos castanhos. Porque o que importa é o que vês por dentro...

Thursday, December 31, 2009

Música para o fim-de-semana



L'Affiche rouge

Vous n'avez réclamé la gloire ni les larmes
Ni l'orgue, ni la prière aux agonisants
Onze ans déjà, que cela passe vite onze ans
Vous vous étiez servi simplement de vos armes
La mort n'éblouit pas les yeux des partisans.


Vous aviez vos portraits sur les murs de nos villes
Noirs de barbe et de nuit, hirsutes, menaçants
L'affiche qui semblait une tache de sang
Parce qu'à prononcer vos noms sont difficiles
Y cherchait un effet de peur sur les passants.

Nul ne semblait vous voir Français de préférence
Les gens allaient sans yeux pour vous le jour durant
Mais à l'heure du couvre-feu des doigts errants
Avaient écrit sous vos photos " Morts pour la France"
Et les mornes matins en étaient différents.

Tout avait la couleur uniforme du givre
À la fin février pour vos derniers moments
Et c'est alors que l'un de vous dit calmement:
"Bonheur à tous, bonheur à ceux qui vont survivre
Je meurs sans haine en moi pour le peuple allemand."

"Adieu la peine et le plaisir. Adieu les roses
Adieu la vie. Adieu la lumière et le vent
Marie-toi, sois heureuse et pense à moi souvent
Toi qui vas demeurer dans la beauté des choses
Quand tout sera fini plus tard en Erevan."


"Un grand soleil d'hiver éclaire la colline
Que la nature est belle et que le coeur me fend
La justice viendra sur nos pas triomphants
Ma Mélinée, ô mon amour, mon orpheline
Et je te dis de vivre et d'avoir un enfant."

Ils étaient vingt et trois quand les fusils fleurirent
Vingt et trois qui donnaient le coeur avant le temps
Vingt et trois étrangers et nos frères pourtant
Vingt et trois amoureux de vivre à en mourir
Vingt et trois qui criaient "la France!" en s'abattant.

(Aragon)

Bom fim-de-semana para todos, e um excelente 2010!

Tuesday, December 29, 2009

Há dias assim...


Não gosto dos dias assim. Húmidos e ácidos. Recolho-me em concha e espero que venhas. Sem pressas, já que o tempo é tanto.
Acendo a lareira e abro um vinho antigo. Como o amor que nos damos. Deixo-o respirar e sirvo-o em duas túlipas. Ao longe o mar.
Retomo a leitura do livro na página em que falas da vida. Talvez eu deva falar da morte. Da que sinto nos rostos de quem dorme na rua.
Não sei quanto tempo já passou desde que te espero. O vinho nos copos, a lareira crepita. Ao longe o mar, que me chama.
Sabes que não gosto dos dias assim. Ácidos e húmidos. Dispo-me de mim porque tu não vens. Abro a porta e saio. Vagueio sem tempo e sem norte. O mar chama-me e eu mergulho. E fico, no abraço imenso que me deste. Porque hoje, meu amor, o mar és tu...

Sunday, December 27, 2009

Porque me apetece Ary dos Santos...

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão



Ary dos Santos

Saturday, December 26, 2009

Friday, December 25, 2009

Litania para o Natal de 1967

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Tem no ano dois mil a idade de Cristo

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos vir pedir contas do nosso tempo


David Mourão-Ferreira

Wednesday, December 23, 2009

Natal, e não Dezembro


Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.


David Mourão-Ferreira

Tuesday, December 22, 2009

Monday, December 21, 2009

A não esquecer

O BANQUEIRO

Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa, em sua enorme limousine, quando viu dois homens à beira da estrada comendo relva. Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:

- Por que vocês estão comendo relva?
- Não temos dinheiro para comida.. - disse o pobre homem - Por isso temos que comer relva.
- Bem, então venham à minha casa e eu lhes darei de comer - disse o banqueiro.
- Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.
- Que venham também - disse novamente o banqueiro. E, voltando-se para o outro homem, disse-lhe:
- Você também pode vir.

O homem, com uma voz muito sumida disse:
- Mas, senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo!
- Pois que venham também. - respondeu o banqueiro.

E entraram todos no enorme e luxuoso carro.
Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:
- O senhor é muito bom. Obrigado por nos levar a todos!
O banqueiro respondeu:
- Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Vocês vão ficar encantados com a minha casa... A relva está com mais de 20 centímetros de altura!


Moral da história:
Quando você achar que um banqueiro (ou banco) o está a ajudar, não se iluda, pense mais um pouco...

(enviado por mail, mas para reflectir...)

Saturday, December 19, 2009

Novamente Fausto



Navegar navegar
Mas ó minha cana verde
Mergulhar no teu corpo
Entre quatro paredes
Dar-te um beijo e ficar
Ir ao fundo e voltar
Ó minha cana verde
Navegar navegar

Quem conquista sempre rouba
Quem cobiça nunca dá
Quem oprime tiraniza
Naufraga mil vezes
Bonita eu sei lá

Já vou de grilhões nos pés
Já vou de algemas nas mãos
De colares ao pescoço
Perdido e achado
Vendido em leilão
Eu já fui a mercadoria
Lá na praça do Mocá
Quase às avé-marias
Nos abismos do mar

navegar navegar...

Já é tempo de partir
Adeus morenas de Goa
Já é tempo de voltar
Tenho saudades tuas
Meu amor
De Lisboa
Antes que chegue a noite
Que vem do cabo do mundo
Tirar vidas à sorte
Do fraco e do forte
Do cimo e do fundo
Trago um jeito bailarino
Que apesar de tudo baila
No meu olhar peregrino
Nos abismos do mar

(Fausto)

Thursday, December 17, 2009

O meu beijo


Nesta onda deixei o meu beijo e morri.
Sei-o guardado num búzio à espera que o venhas buscar…

Tuesday, December 15, 2009

Para ti, Pedro

Recolho as tuas lágrimas nas minhas mãos. Será esta a dor mais forte? O que é o medo, Mãe?
Que dor é esta que não me sai do peito? Como é o fim?
As lágrimas transformam-se em pérolas que enfio em ouro tecido por todos os amores.
O teu sorriso de menino fez-se homem. O teu olhar ficou baço. Apenas por momentos. Que dor é esta...
As palavras não me saem e apenas chovo. Contigo...


Guarda, 15.8.2009

Sunday, December 13, 2009

Troca por troca


Quem sabe onde fica o arquipélago das Berlengas?
A Beatriz sabe!
Quem sabe o nome das ilhas e ilhéus que compõem o arquipélago das Berlengas?
A Beatriz sabe!
Quem sabe qual é a fauna e a flora da Berlenga?
As espécies endémicas são do conhecimento da Beatriz, ela sabe tudo sobre a ilha.
Bom, tudo, tudo, não... Das estórias dos antigos ela não sabe.
Mas ficou a saber algumas. Ela e os colegas de turma dela.
E ficaram a saber que na ilha houve um mosteiro - o que é um mosteiro? - um local onde viviam os monges - o que são monges? - assim parecido com frades - e o que são frades? - mais ou menos como os padres - mas como sabes se não vais à igreja? :))) e que os monges moíam os cereais para fazerem o pão num moinho e quando morriam eram enterrados na própria ilha. E ficaram a saber quem foi o Cabo Avelar Pessoa e da sua luta titânica contra os espanhóis que nos atacavam na fortaleza...
Sei que da próxima vez que forem à ilha irão ao local onde se diz estar enterrada a mó do moinho. Também sei que não a vão encontrar. Mas para crianças de 8 ou 10 anos a 'aventura' é o que importa...

Agradeço ao Professor e à Beatriz o convite que me foi feito para assistir à apresentação do trabalho, numa tarde muito especial. Ficámos todos a saber mais um pouco...

Friday, December 11, 2009

Porque me apetece Adriano!



AS MÃOS

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Sunday, December 06, 2009

Acetinada


Rompo esta saudade a cantar
No vai e vem de todas as marés
Na pele no olhar no verbo amar
E na espuma das ondas a beijar-te os pés

Sei do cheiro que me trespassa
E da cor da rocha feita leito
Em cada gaivota que aqui passa
Vai um pouco de nós, de qualquer jeito

Aqui respiro aqui amo e fico enfim
Nas memórias da minha inquietação
E a presença do amor pele de cetim
Guardo fechada, para sempre, no coração.

(vou ali. depois volto. logo)

Saturday, December 05, 2009

Lembrando Soeiro Pereira Gomes

(2ª Edição, 1942)

"Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro"

Soeiro Pereira Gomes
(14.Abril.1909 - 5.Dezembro.1949)

Porque é tempo de Ary dos Santos V


SONATA DE OUTONO

Inverno não ainda mas Outono
a sonata que bate no meu peito
poeta distraído cão sem dono
até na própria cama em que me deito.

Acordar é a forma de ter sono
o presente o pretérito imperfeito
mesmo eu de mim próprio me abandono
se o rigor que me devo não respeito.

Morro de pé, mas morro devagar.
A vida é afinal o meu lugar
e só acaba quando eu quiser.

Não me deixo ficar. Não pode ser.
Peço meças ao Sol, ao céu, ao mar
pois viver é também acontecer.

José Carlos Ary dos Santos
(retirado do Cravo de Abril)

FOI BONITO O ENCONTRO, PÁ!

Foi bonito, muito bonito o encontro do Zé Carlos com os milhares de amigos que, esta noite, encheram o Coliseu.

Foi uma Festa: ouvimos o Poeta a dizer «As Portas que Abril Abriu», cantámos com ele e com o Carlos do Carmo - coisas de «Um Homem na Cidade» e de «Um Homem no País», mais a «Estrela da Tarde» e a «Lisboa, Menina e Moça», mais a «Sonata de Outono»... - e emocionámo-nos, com a lagriminha ao canto do olho ou a correr pelas faces...
Foi uma Festa de amigos em convívio e confraternização com o Amigo.

Lá lhe ofereci o Cravo de Abril.
Ele gostou.
E manda dizer que «isto vai, meus amigos, isto vai».

Fernando Samuel

Friday, December 04, 2009

Porque é tempo de Ary dos Santos IV



Um Homem na Cidade

Agarro a madrugada
como se fosse uma criança
uma roseira entrelaçada
uma videira de esperança
tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem por força da vontade
de trabalhar nunca se cansa.

Vou pela rua
desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que se deságua no Rossio.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amar a liberdade
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.

Sou a gaivota
que derrota
todo o mau tempo no mar alto
eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.

E quando agarro a madrugada
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada
um malmequer azul na cor.

O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém
o malmequer desta cidade
que me quer bem que me quer bem!

Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!

Wednesday, December 02, 2009

Porque é tempo de Ary dos Santos III

Epígrafe

De palavras não sei. Apenas tento
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pre-feitos blocos de cimento.

De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.

De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.

Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
expressão da multidão que está comigo.